terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma doação de sangue pode salvar até quatro vidas

OMS lança campanha "Mais sangue, mais vida" para estimular doação de forma regular

Por Ana Maria Madeira

No Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado nesta terça-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) lança a campanha "Mais sangue, mais vida". O objetivo é conscientizar a população a importância de doar sangue de forma regular. Segundo o Ministério da Saúde, se cada pessoa doasse duas vezes ao ano, não faltaria sangue para transfusão no país.

De acordo com a OMS, são realizadas um total de 92 milhões de doações de sangue por ano em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 1,9% dos brasileiros doa sangue regularmente. Embora, esteja dentro do parâmetro de 1% a 3% definido pela OMS, esse número ainda precisa melhorar.

O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira, a nova campanha de incentivo à doação de sangue no país. A iniciativa, intitulada "Essa corrente precisa de você. Doe Sangue", é uma das atividades previstas para marcar o Dia Mundial do Doador de Sangue. A meta da campanha é atingir 4 milhões de voluntários até 2012, o que representa 2,1% da população brasileira.

Além disso, foi publicada no Diário Oficial da União, a Portaria 1.353, que estabelece o novo Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos, com novos critérios para a doação de sangue no Brasil. A nova legislação estabelece diretrizes voltadas ao aumento da segurança para quem doa e recebe sangue no país e amplia a faixa etária para candidatos à doação. Com as medidas, a previsão do Ministério da Saúde é que aproximadamente 14 milhões de brasileiros sejam incentivados a serem doadores em potencial. A faixa etária atinge jovens entre 16 e 17 anos (mediante autorização dos pais ou responsáveis) e ampliação para idosos com até 68 anos - antes a faixa era de 18 a 65 anos.

A biomédica Cinthya Duran explica que em uma única doação é possível salvar até quatro vidas, uma vez que o material é separado em diferentes hemocomponentes: concentrado de hemácias (glóbulos vermelhos), concentrado de plaquetas, plasma e crioprecipitado que podem ser utilizados em diversas situações clínicas."De qualquer modo, é necessária a conscientização de que a doação de sangue precisa ser feita não apenas em épocas de campanhas para o reabastecimento de baixo estoque, mas durante todo o ano. O sangue doado tem sempre utilidade e nunca sobra, pelo contrário, faz falta", completa a especialista.Doação - Foto: Getty Images 
Não custa nada e vale muito
A falta do estoque de sangue em um hospital pode levar ao cancelamento de cirurgias e de procedimentos. Um exemplo é o paciente que faz quimioterapia, já que, caso não receba o suporte de transfusão, poderá não resistir ao tratamento. "Além disso, pode ser um enorme prejuízo ao paciente o adiamento de cirurgias cardíacas, de transplantes de rim, de fígado, de medula óssea, entre outros procedimentos que necessitam de sangue e de plaquetas", diz a biomédica Cinthya Duran. 

Uma pessoa adulta possui em média cinco litros de sangue e em uma doação são coletados no máximo 450 ml. Ou seja, é menos de 10% de todo seu sangue. Quem deseja doar sangue vai passar por uma avaliação prévia em ambulatório que tem o objetivo de detectar alguns impedimentos, como doenças, para a doação. Essa entrevista é particular e os dados são mantidos sob total sigilo.
Doação - Foto: Getty Images
De acordo com a coordenadora do hemocentro da Unifesp, em São Paulo, Rudneia Alves, é importante desmistificar a crença de que a doação de sangue é útil para saber suas condições de saúde, por conta dos exames que são feitos. "O doador deve estar com um espírito totalmente altruísta", diz ela. "Se a pessoa possui qualquer suspeita de ter algum problema de saúde, não deve tentar resolver isso doando sangue, pois, apesar de cômoda, essa atitude pode representar um risco a quem vai receber a transfusão. Recomendamos que ela consulte um médico e faça os exames necessários".
É fácil e não dói

Conheça os critérios para ser um doador:
- A partir da nova legislação, jovens entre 16 e 17 anos (mediante autorização dos pais ou responsáveis) e idosos com até 68 anos também poderão doar sangue no Brasil.
- Pesar mais de 50 quilos.
- Estar descansado.
- Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas quatro horas.
- Não ter recebido transfusão de sangue nos últimos 12 meses.
- Não estar com febre, gripe ou resfriado.
- Se mulher, não estar grávida, amamentando ou ter tido parto normal ou aborto há menos de três meses. Em caso de cesárea, seis meses.
- Após aplicar piercing aguardar três dias para doar.
- Após fazer uma tatuagem aguardar 12 meses.
- Após vacina da gripe ou rubéola aguardar 30 dias.
- Após vacina da gripe H1N1 aguardar 48 horas.
- Não ter antecedentes de hepatite após 10 anos de idade.
- Não ter antecedentes de doença de chagas.
- Acupuntura - sendo agulhas do próprio paciente, não há impedimento.
- Sobre medicamentos - o esclarecimento deve ser feito pessoalmente ou por telefone antes de doar.
- Se esteve em áreas de alta incidência para Febre amarela, malária, doar após seis meses.
- Hipertensos podem doar dependendo da situação avaliada em entrevista clínica.
- Diabéticos que não façam uso de insulina.
- Tratamento dentário - tempo variado entre três dias e um mês dependendo do caso.
- Alimentação - não deve-se doar em jejum prolongado.

Tendo observado esses critérios, o resto é muito simples:
- Pela manhã: tomar café leve e sem alimentos gordurosos
- À tarde - doar duas horas após o almoço
- Não se alimentar de refeições com alto teor de gordura
- Levar documento com foto.
- Saber o endereço completo com CEP para o envio de carteirinha de doador e resultado de exames.
- Homens podem doar a cada 60 dias (respeitando o limite de quatro doações ao ano) e mulheres a cada 90 dias (respeitando o limite de 3 doações ao ano). 
Fonte: www.minhavida.com.br, 14/06/11

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