quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Governo Zema reduz verba contra chuvas de R$ 135 mi para R$ 6 mi, diz jornal

TRAGÉDIA DE MINAS

Ao menos 32 pessoas morreram e 38 estão desaparecidas na Zona da Mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região

ICL Noticias, 25/02/2026 | 18h20






O governo de Romeu Zema (Novo) reduziu as despesas na infraestrutura de combate às chuvas de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Os dados estão no Portal de Transparência do Estado e foram revelados pelo jornal O Globo.

Desde a noite de segunda-feira (23), ao menos 32 pessoas morreram e 38 estão desaparecidas na Zona da Mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região. Outras 208 pessoas foram resgatadas com vida. Cenas de moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas completamente alagadas, além de carros e até caixões de funerária sendo levados pela enxurrada, se repetiam ao longo do dia.

Nos investimentos de “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, que incluem gestão de desastres, atendimento emergencial e mitigação de danos em rodovias, além da prevenção de eventos meteorológicos críticos, o governo destinou cerca de R$ 134,8 milhões em 2023. Desde então, o valor caiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2025.

Neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais. Os dados sob essas rúbricas do primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema, que se estendeu entre os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência.

Familiares acompanham busca e resgate de pessoas em escombros de 
casas soterradas por lama após fortes chuvas.(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Chuvas em Minas Gerais

Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, registrava na noite desta terça 25 óbitos e 37 desaparecidos, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Outras sete mortes aconteceram na cidade de Ubá, a 111 quilômetros, que também buscava dois desaparecidos, segundo a corporação.

Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça, o que foi reconhecido pelo governo federal. Ubá e a cidade de Matias Barbosa também decretaram a medida, o que facilita para receber ajuda tanto federal quanto estadual.

Voluntário acompanha busca e resgate de pessoas em escombros de casas 
soterradas por lama após fortes chuvas. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Depois dos temporais, o vice-governador, Mateus Simões (PSD), anunciou a destinação de R$ 38 milhões a Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. O governador Zema informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) serão deslocadas para as cidades para mapear todas as áreas de risco.

“Fiz questão de me deslocar até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas”, afirmou Zema.

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. O presidente Lula (PT) se solidarizou com a população e informou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está a caminho e que a Defesa Civil Nacional trabalha em alerta máximo.

A Defesa Civil determinou ainda, na terça-feira, a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros de JF, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias.

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Caso Master: CPI do Crime convoca Vorcaro, Campos Neto e Paulo Guedes

Política

Pedidos dizem que desregulação do mercado teria favorecido fraudes

ICL Noticias, 25/02/2026 | 22h01
Saulo Cruz / Agência Senado

Por Lucas Pordeus León – Agência Brasil

Entre dezenas de requerimentos aprovados nesta quarta-feira (25) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, estão os que determinam a convocação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e do ministro da Fazenda do governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes.

Quando uma pessoa é convocada, a ida à CPI não é opcional, podendo a Comissão pedir a condução coercitiva da testemunha ou do investigado em caso de ausência.
Fabiano Contarato diz que a CPI entra em uma nova fase
 de investigação – Arquivo/Lula Marques/Agência Brasil

Ainda na sessão desta quarta-feira, a CPI quebrou os sigilos fiscais e bancário do Banco Master e de sócios de Vorcaro, incluindo a convocação de outros dirigentes do banco investigado por fraudes calculadas entre R$ 17 e 50 bilhões.

Foram ainda quebrados os sigilos da Reag Investimentos, empresa que liquidada pelo BC em janeiro deste ano por suspeita de participação nas fraudes do Banco Master.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a Comissão inicia uma nova fase da investigação contra o crime organizado.


“Precisamos parar de concentrar o combate em ações pontuais nas periferias e levar nossas investigações também para os esquemas do andar de cima”, afirmou o parlamentar capixaba.

A CPI ainda aprovou convites, quando o comparecimento à CPI é opcional, aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, também no contexto da investigação contra o Banco Master.

Outros convites aprovados no contexto da investigação do Banco Master foram do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

Ex-ministros da Cidadania

Randolfe Rodrigues defende a investigação da desregulação
 do mercado financeiro – Arquivo/Lula Marques/ Agência Brasil

Também foram aprovados requerimentos para convocação, quando há obrigação de comparecer, dos ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) argumentou que as convocações dos ex-ministros da Cidadania são importantes devido a supostos indícios que os ligariam ao banqueiro Daniel Vorcaro.

“Importante destacar a proximidade do senhor João Roma com o senhor Ronaldo Bento, tendo este substituído aquele no Ministério da Cidadania em 2022. Não se pode olvidar, ainda, que Ronaldo Bento consta como um dos diretores do Banco Pleno, de propriedade de Augusto de Lima, e recentemente liquidado pelo Banco Central”, disse no requerimento.

Desregulação sob Campos Neto

O pedido aprovado para convocação do ex-presidente do BC Campos Neto aponta que a desregulação do mercado financeiro no governo Bolsonaro teria favorecido a prática de fraudes como a do Banco Master.

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) destacou que Vorcado tentou conseguir autorização para ingressar no sistema financeiro durante toda a década de 2010, mas conseguiu a liberação apenas durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central, em outubro de 2019.

“A diretoria colegiada do Banco Central, sob a Presidência de Roberto Campos Neto, autoriza a transferência de controle do Banco Máxima para Daniel Vorcaro, que posteriormente virou Master. A digital de Roberto Campos Neto é nítida e incontestável”, disse a parlamentar.

O requerimento apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) cita resoluções aprovadas pelo Banco Central durante a gestão de Campos Neto que promoveram a desregulamentação do sistema financeiro.

“É imperativo que esta Comissão compreenda a lógica e as motivações por trás dessas mudanças normativas e avalie se elas, inadvertidamente ou não, criaram um ambiente de menor controle que foi explorado por agentes do crime”, afirmou o senador baiano.

Marco Rogério diz que há motivação político-eleitoral nas
 convocações – Arquivo/José Cruz/Agência Brasil

A oposição se opôs a convocação de Campos Neto, dizendo que ela tem motivação político-eleitoral, uma vez que o ex-presidente do BC foi nomeado no governo Bolsonaro, como afirmou o senador Marco Rogério (PL-RO).

“O que nós estamos observando na CPI, neste momento, é a tentativa de trazer para o debate figuras públicas que nada tiveram a ver, nada tiveram com o fato em si, para tentar colocá-las na mesma vala. Campos Neto foi um Presidente do Banco Central respeitado pelo Brasil e pela comunidade internacional”, ponderou o senador do PL.

Paulo Guedes

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ao justificar o pedido para convocar o ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, disse que é preciso investigar se as políticas de desregulação do mercado financeiro entre 2019 e 2022 criaram um ambiente para expansão da lavagem de dinheiro.

 “Foram implementadas políticas que, sob o pretexto de modernizar e aumentar a       competitividade, fragilizaram os mecanismos de controle do sistema financeiro”,     disse Randolfe.

A convocação de Paulo Guedes também foi combatida pela oposição, que denunciou “uso político-eleitoral” da CPI por governistas, como destacou o senador Sérgio Moro (União-PR).

“Em nenhum lugar na imprensa, em lugar nenhum, apareceu qualquer referência a um envolvimento sequer remoto dele com o Banco Master. E aqui nós vamos convocar para quê? Para fazer o jogo político”, sugeriu o ex-juiz da Lava Jato.

CPI do Crime Organizado entra em nova fase de 
investigações – Saulo Cruz/Agência Senado

Requerimentos não aprovados

A CPI, por outro lado, rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e irmã de um dos sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, acusado de operar o esquema de desvio de aposentados e pensionistas.

Também foi rejeitado pedido de convocação do ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, conhecido também como Ahmed Mohamad Oliveira.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

TJMG apura denúncias de abuso contra desembargador que absolveu réu por estupro

Política

Presidente da Corte confirma abertura de procedimento interno após reunião com deputada Bella Gonçalves

ICL Notícias, 24/02/2026 | 10h00


Publicada originalmente às 07h37*

Por Cleber Lourenço

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) abriu procedimento interno para apurar denúncias de abuso sexual atribuídas ao desembargador Magid Nauef Láuar, relator do julgamento que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, no município de Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

A informação foi divulgada pela deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), após reunião realizada na noite desta segunda-feira (23), por volta das 18h, com o presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, que comanda a Corte no biênio 2024-2026.

“Acho que é importante dizer que eu me reuni com o presidente do Tribunal de Justiça que disse que, a partir de um recurso, o caso julgado pode ser revisto e que instaurou um processo para identificar a conduta do desembargador que proferiu a decisão”, afirmou a deputada.

O caso que desencadeou a crise envolve a aplicação do artigo 217-A do Código Penal, que tipifica como estupro de vulnerável a conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 593, estabelece que são irrelevantes o eventual consentimento da vítima, sua experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso com o acusado.

Apesar desse entendimento, a 9ª Câmara Criminal do TJMG absolveu o réu. No voto, o relator aplicou a técnica do distinguishing para afastar a incidência da súmula. Ele apontou “peculiaridades” no caso concreto, mencionando a existência de suposto vínculo afetivo consensual, relação descrita como análoga ao matrimônio e anuência familiar.

A fundamentação gerou forte reação de entidades de defesa dos direitos da criança e da mulher, que veem risco de relativização da proteção penal assegurada a menores de 14 anos. O ponto central da controvérsia é a reintrodução de elementos subjetivos — como consentimento e aprovação familiar — que a legislação e a jurisprudência vêm tratando como juridicamente irrelevantes para a caracterização do crime.

Paralelamente à controvérsia jurídica, surgiram nas redes sociais relatos de duas pessoas que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual, ainda na adolescência, atribuindo os fatos ao mesmo desembargador. As denúncias foram formalmente levadas à presidência do TJMG pela Comissão de Direitos Humanos da ALMG.

No ofício encaminhado ao tribunal, a comissão sustenta que, se confirmadas, as acusações podem configurar infração disciplinar e levantar hipótese de suspeição do magistrado, nos termos do artigo 254 do Código de Processo Penal, que prevê impedimento quando o juiz estiver respondendo a processo por fato análogo ao que julga.

Além do procedimento administrativo interno no TJMG, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou Pedido de Providências para apurar a decisão da 9ª Câmara Criminal. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou que o tribunal e o relator prestem esclarecimentos no prazo de cinco dias.

A Comissão de Direitos Humanos também solicitou informações sobre eventual adoção de medidas cautelares, inclusive a análise de afastamento do magistrado até a conclusão das investigações.

Procurado, o TJMG informou que procedimentos dessa natureza tramitam sob sigilo na Corregedoria e que manifestações oficiais serão feitas pelos canais institucionais da Corte.

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PL e União Brasil articulam no Congresso para barrar fim da escala 6×1

Política

Presidentes dos partidos disseram a empresários que estratégia é travar PEC na Comissão de Constituição e Justiça

ICL, 24/02/2026 | 10h05


Os presidentes de dois dos maiores partidos do Congresso, Valdemar Costa Neto, do PL, e Antônio Rueda, do União Brasil, disseram a empresários em São Paulo, nesta segunda-feira (23), que vão articular para impedir o avanço da PEC que prevê o fim da escala 6×1 no Congresso. Os dois estiveram em um jantar com empresários promovido pelo Grupo Esfera.

Segundo eles, a estratégia é tentar segurar a tramitação ainda na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, evitando que o texto chegue ao plenário. As falas de Valdemar e Rueda contra a redução da jornada de trabalho foi aplaudida por empresários.

“Difícil um cidadão que é candidato a deputado federal e senador votar contra. Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum. O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde vai ser a guerra”, disse Valdemar Costa Neto, do PL.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda disse ter uma posição pessoal contrária ao projeto e também defendeu segurar a PEC nas comissões. “Isso vai ser um desatino pra economia, é inflação na veia. Eu defendo uma posição junto com o Valdemar de que a gente possa construir uma blindagem dentro das comissões, principalmente na CCJ. Para a poder ir ‘barrigando’ isso”, disse.

As declarações ocorreram em meio à movimentação de partidos e frentes parlamentares ligadas ao empresariado para pressionar contra mudanças na jornada semanal.
Fim da escala 6×1

A escala 6×1 é um regime de trabalho no qual o funcionário trabalha seis dias consecutivos e possui apenas um dia de descanso na semana. O governo quer que sejam dois dias de folga. A proposta enfrenta resistência de deputados que, na prática, têm mais dias de intervalo na semana entre atividades legislativas na Câmara dos Deputados do que o descanso previsto para trabalhadores nesse regime.
Manifestação contra a escala 6×1 (Foto: Reprodução)

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), também se reuniu com empresários em São Paulo na noite desta segunda-feira, mas na sede da Fiesp. Ele citou um ‘movimento global’ que discute o assunto.

“Há uma tendência mundial, você ter uma redução. E isso já vem acontecendo. Esse é um debate que não deve fazer correria. Porque você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas é uma tendência”, disse Alckmin.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos -PB), disse que o relator da proposta na CCJ será indicado ainda nesta semana. A ideia é reunir os textos apresentados pela deputada Érika Hilton, do PSOL-SP, e pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT-MG. Ambos defendem a redução da jornada semanal de trabalho.

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Governo revoga decreto que abria caminho para dragagem em rios da Amazônia

Meio Ambiente

Decisão foi anunciada pelo ministro Guilherme Boulos após reunião com lideranças do Tapajós, Tocantins e Madeira

ICL, 23/02/2026 | 22h00

Reprodução/REPAM-Brasil

O governo federal decidiu revogar o decreto 12.600 que abria caminho para a dragagem e concessão de trechos de hidrovias em rios da Amazônia, após reunião com lideranças indígenas das regiões do Tapajós, Tocantins e Madeira. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (23) pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em publicação nas redes sociais.

Segundo o ministro, a decisão foi tomada após um encontro realizado em Brasília, no qual representantes dos povos indígenas apresentaram reivindicações e preocupações relacionadas ao decreto. “Este governo tem capacidade de escuta do povo, inclusive para rever decisões quando necessário.”, escreveu.

Ainda de acordo com Boulos, a revogação será oficializada na próxima edição do Diário Oficial da União.
Guilherme Boulos, Ministro, da Agência Brasil
Impactos ambientais e sociais

O decreto previa a inclusão de trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização e possibilitava intervenções como dragagem e concessões de hidrovias, o que gerou críticas de povos indígenas, comunidades ribeirinhas e organizações socioambientais por causa dos possíveis impactos ambientais e sociais.

O anúncio ocorre após semanas de mobilização de comunidades do Baixo Tapajós e de diversas organizações e movimentos sociais, que realizaram manifestações, atos públicos e articulações institucionais contra as obras previstas.

Para as lideranças envolvidas, a suspensão das dragagens nos rios Tocantins, Madeira e Tapajós é vista como resultado da mobilização e reforça a necessidade de que projetos de infraestrutura na Amazônia respeitem os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, incluindo o direito à consulta livre, prévia e informada previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

As emendas parlamentares como novo mecanismo de captura do Orçamento

Economia

As emendas parlamentares como novo mecanismo de captura do Orçamento ganharam espaço, prioridades eleitorais e paroquiais dos congressistas, em detrimento das políticas de interesse coletivo

Jota.Info, 13/09/2021|11:02 Atualizado em 13/09/2021 às 11:05

Crédito: Agência Brasil

Artigo de Paulo Hartung, Marcos Mendes, Fabio Giambiagi

O processo orçamentário e a gestão das finanças do governo federal apresentaram muitos avanços ao longo das últimas quatro décadas. Desde a criação da Secretaria do Tesouro Nacional até a disponibilização de dados detalhados e de qualidade, passando pela formação de equipes qualificadas no Executivo e no Legislativo, o Brasil criou ferramentas suficientes para uma gestão fiscal transparente.

Em dezembro de 2016, a aprovação da Emenda Constitucional 95, que criou o chamado “teto de gastos”, impôs uma restrição orçamentária forte, sustando um processo de crescimento da despesa, cujas origens remontam a meados da década de 1980. Dada essa restrição, instituiu-se a necessidade de se fazer escolhas e definir prioridades na alocação dos recursos: para gastar mais com a rubrica A, é preciso gastar menos com a rubrica B.

São ganhos institucionais relevantes. Um processo orçamentário em que a sociedade se veja claramente representada, respeitada e informada, é um fator de fortalecimento da democracia.

Não obstante, em paralelo a esses avanços, desde meados da década passada vêm ocorrendo retrocessos que é importante apontar. Eles se inserem dentro do problema, já muito conhecido da literatura sobre finanças públicas, de “captura do Orçamento”, no qual há muito tempo registram-se práticas diversas com essa finalidade. Elas vão desde os privilégios de algumas corporações, até algumas renúncias tributárias de escassa fundamentação técnica. O que será descrito neste artigo é mais um desses fatores que leva à apropriação crescente de “pedaços” do Orçamento por mecanismos pouco transparentes e/ou pouco defensáveis.

Nesse processo, ganharam espaço as prioridades eleitorais e paroquiais dos congressistas, em detrimento das políticas de interesse coletivo, pulverizando-se os recursos. O que será descrito a seguir é uma apropriação crescente de montantes orçamentários. O mérito de cada momento desse processo é variado. Inicialmente, porém, sem entrar pormenorizadamente na análise de cada um, cabe explicar quais foram as etapas, desde o seu começo, em 2015:

i) em março de 2015, foi aprovada a Emenda Constitucional (EC) 86, que fixou uma cota mínima obrigatória de emendas individuais. Desde então, um valor correspondente a 1,2% da receita corrente líquida (RCL) da União passou a ser destinado a uma cota de emendas, a ser distribuída entre os parlamentares. A efetiva execução dessas despesas, que antes dependia de disponibilidade de recursos, passou a ser obrigatória. Ainda que a Emenda 95, do teto de gastos, aprovada posteriormente, tenha abrandado a indexação dessas emendas (mudando de percentual da receita para correção pelo IPCA), a obrigatoriedade permaneceu;

ii) em junho de 2019, a Emenda Constitucional 100 aumentou a dose de emendas obrigatórias, ao conferir esse status às emendas de bancadas estaduais. Agora, mais uma parcela, correspondente a 1% da RCL, se tornaria obrigatoriamente gasta nessas emendas. A indexação proposta será mantida até 2022, ano em que o reajuste anual do valor passará a ser feito pelo IPCA;

iii) em dezembro de 2019, a Emenda Constitucional 105 permitiu o uso de emendas individuais para transferir dinheiro diretamente para estados ou municípios, sem vinculação a projeto ou atividade alguma;

iv) a LDO que ditou as regras para o Orçamento de 2020 agravou substancialmente a captura do Orçamento por interesses privados-paroquiais, ao ressuscitar a “emenda de relator”, usada na época dos tristemente famosos “anões do Orçamento”, objeto de um rumoroso escândalo no já longínquo ano de 1993. O relator voltou a ter poder para alterar parcela grande das dotações, o que é um enorme retrocesso; e, finalmente,

v) a LDO que fixou as regras para o Orçamento de 2021 veio a ampliar a prática da transferência direta. Pela Emenda Constitucional 100, somente as emendas individuais poderiam ser alocadas para transferências diretas. Agora, também as de bancada poderão dar origem a tais transferências.

Além de já termos um nível muito baixo de investimento público, mais da metade das emendas é aplicada de forma pulverizada.

Foram criadas dotações genéricas, que são distribuídas de forma pouco transparente entre os parlamentares da coalizão política dos dirigentes do Congresso. Torna-se então muito difícil acompanhar quem indicou qual despesa. O procedimento foi apelidado pela imprensa de “orçamento secreto”.

A tramitação do Orçamento de 2021 foi especialmente traumática, pois, inacreditavelmente, o relator cortou dotações de despesas obrigatórias para, compensatoriamente, ampliar as suas emendas. Dado que as despesas obrigatórias teriam de ser pagas, instaurou-se um impasse: na negociação, as emendas de relator ainda saíram com um valor elevado, de R$ 16,9 bilhões.

É natural que, no presidencialismo, o Parlamento tenha poder na elaboração orçamentária, o que faz parte do processo de negociação política em qualquer democracia. Idealmente, porém, elas deveriam atender a três requisitos: 1) não comprometer a qualidade do Orçamento; 2) atender a uma lógica coletiva; e 3) ser objeto de escrutínio público. Nenhuma das condições está sendo obedecida atualmente.

Em relação ao primeiro aspecto, as emendas já estão tomando parte relevante do Orçamento. Elas já representam 15% de toda a despesa de livre alocação do Orçamento (discricionárias mais emendas). Em relação ao segundo aspecto, os gastos financiados pelas emendas passam longe do atendimento do interesse difuso.

Finalmente, já foi apontada anteriormente a distorção completa que resulta do fato dos recursos das emendas poderem ser aplicados em transferências diretas, na prática, impossíveis de fiscalizar.

O gráfico mostra a composição dos quase R$ 34 bilhões das emendas previstas no Orçamento de 2021 e sua distribuição entre os três diferentes tipos de emendas: individuais, das bancadas estaduais e do relator. Estas últimas representam metade desse total. Isso configura um enorme poder discricionário, na mão de um grupo muito reduzido de parlamentares, representando uma certa “casta” que se cristaliza com esse expediente, o que não é do interesse público e nem da totalidade dos parlamentares.

Para que se tenha uma ideia da distorção alocativa e da importância desse valor de R$ 34 bilhões, vale lembrar que uma política pública muito relevante – o Censo Demográfico – não foi incluída no Orçamento de 2021, devido à alegação de falta de recursos, quando seu custo seria de R$ 2 bilhões: apenas 6% do valor alocado para emendas!

Quando analisamos o peso das emendas no total das despesas primárias alocadas para investimentos, a distorção mostra-se ainda mais saliente. Como se pode ver na tabela, nada menos que 51% de todo o investimento federal é decorrente de emendas!

Além de já termos um nível muito baixo de investimento público, mais da metade das emendas é aplicada de forma pulverizada. Esse expediente diminui ainda mais o já exíguo espaço para obras de infraestrutura e programas de ciência e tecnologia, por exemplo, que seriam importantes para uma maior produtividade e crescimento econômico.

O mesmo processo que vigorou na elaboração do Orçamento de 2021 está se repetindo na LDO para o Orçamento de 2022. Para completar o enredo, agora acrescentou-se mais um item de captura de recursos: a elevação das verbas destinadas ao financiamento eleitoral, previstas em R$ 5,7 bilhões. Ainda que parte desses recursos venha da realocação de emendas de bancada, fica mais uma vez caracterizado um sistema de prioridades, que revela a primazia dos interesses dos legisladores em relação ao interesse da sociedade.

Total de investimentos no Orçamento Geral da União de 2021, alocados ou não por emendas parlamentares:
                                         R$ bilhões % do total
Não emendas (A)          18,1           49%
Emendas (B)                  18,9           54%
Individuais                        4,9           13%
De bancada estadual     4,3           12%
De relator                           9,7           26%
Total (C) = (A) + (B)          37          100%

Fonte: Siga Brasil.

Revisar essa lógica é uma exigência que será demandada a quem for eleito em 2022, a começar por uma PEC que derrube esses dispositivos, incluindo as emendas impositivas. Estas não fazem parte da tradição da estrutura do presidencialismo brasileiro. O país evitaria, assim, as distorções apontadas na LDO de 2021 e de 2022, na caminhada do fortalecimento da democracia.

A sabedoria da mudança, nesse sentido, consistirá em separar o joio do trigo, distinguindo entre o que são os interesses legítimos de cada parlamentar individualmente, por um lado; e o que é um poder abusivo, concedido a um pequeno grupo de parlamentares da cúpula legislativa e, em particular, à figura do relator do Orçamento, por outro.

Esses são temas de uma necessária “Agenda de Transparência”, já contratada para o debate público de 2023.

** Este texto foi originalmente publicado na edição de setembro da revista Conjuntura Econômica, da Fundação Getúlio Vargas

A guerra de Flávio Dino com Alcolumbre e Motta

As emendas parlamentares, especialmente as impositivas e as de relator (atualmente reformuladas), consolidaram-se como um mecanismo de captura do orçamento federal, desviando recursos de políticas públicas estratégicas para projetos locais focados em reeleição e diminuindo o poder de planejamento do Poder Executivo

22 de fevereiro de 2026

Artigo de Moisés Mendes

O duelo do ano não será mais o da extrema direita com Alexandre de Moraes, que ficou cansativo, mas de toda a direita, incluindo a muito velha e vampirizada pelo bolsonarismo, desta vez com Flávio Dino.

Vão fazer o quê? Vão ameaçar com impeachment? Vão acionar o colunismo dos jornalões para que investigue a vida do ministro? Certamente vão insistir para que Davi Alcolumbre e Hugo Motta sejam destemidos na tentativa de conter Dino.

O esforço do ministro para chegar às máfias das emendas nos oferece o que é insuficiente, pelas vias da política, em ano eleitoral, para segurar a direita criminosa. E aí, ao invés de demonstrar capacidade de enfrentamento, os presidentes das casas legislativas poderão ser comidos pelas bordas.

Alcolumbre e Motta podem chegar logo ao momento em que não pedirão por seus pares, mas por eles mesmos. Porque as investigações em torno das máfias chegarão, como já estão chegando, às estruturas montadas em seus gabinetes e em suas paróquias.

Os saqueadores do Orçamento, que têm acesso a mais de R$ 50 bilhões por ano, são os parlamentares. Mas os desvios só ganham forma com as bases operacionais nos Estados e nos municípios.

É aí que estão os assessores, os parentes, os amigos de Alcolumbre, de Motta e de centenas de chefes das quadrilhas das emendas. Flávio Dino chegará aos chefes pelas beiras, como também chegarão outras investigações em outras frentes, entre as quais a dos rolos no Banco Master.

Vão pegar o tesoureiro de Alcolumbre, a secretária de Hugo Motta, a sogra de um, o cunhado de outro, e chegarão às engrenagens que os municípios nunca tiveram, em tempo algum, como têm agora para desvios de dinheiro grosso.

As emendas foram transformadas no produto mais importante a ser entregue por um parlamentar. Todo o resto é acessório. As emendas são uma usina de corrupção viabilizada por quadros que sempre existiram, nas bases dos mandatos. Mas que nunca viram tanto dinheiro para distribuir nas suas cidades.

São esses quadros operacionais que as investigações irão cercando para chegar aos chefões. Alcolumbre e Motta conhecem a vulnerabilidade dessas estruturas até agora intocáveis. Chegando aos peões, as investigações chegarão aos capatazes, e esses levarão aos líderes.

Esse é o faroeste que Flávio Dino decidiu enfrentar, com a Polícia Federal na linha de frente. Cerquem os subalternos que deixam rastros e provas. Os chefes serão alcançados mais adiante.

Estamos a caminho do desvendamento de sistemas corruptos que todos sabem que existem e que consideravam indevassáveis. As emendas são a corda oferecida a parlamentares que preparam a própria forca.

Mas Dino e a Polícia Federal irão até onde em ano eleitoral? Um emendador contumaz poderá ser contido antes de tentar a reeleição? O STF conseguirá desmontar o esquema das emendas, que ofereceu a chance a qualquer deputado medíocre de desfrutar de poder sem ter que brigar por acesso aos labirintos do governo?

Desfrutam das mamatas das emendas, sem depender de concessões e dos altos custos de ser poder. Para que ter cargo de governo, se como ‘legislador’, com a mão no Orçamento, é possível ter mais dinheiro e controle de currais? Para que lutar por cargos em ministérios, o que era importante no tempo antigo para visibilidade e partilha de verbas, se tem a emenda?

Mas Flávio Dino precisa encontrar um jeito de transformar a caçada às máfias das emendas em algo a ser percebido como medida de impacto moral pela maioria da população. Como conseguiu com o começo da guerra aos penduricalhos dos supersalários.

A emenda espraia dinheiro em comunidades que passaram a esperar as verbas fáceis, de boca aberta, sabendo quem será o dono do pedação e quem irá repartir os pedacinhos, com direito a rachadinhas.

Alcolumbre e Motta têm sido bem tratados pelo Supremo, no jogo do não me empurra que eu não te derrubo. Mas Flávio Dino pode romper com os protocolos dessa camaradagem, se o resto do STF não ficar só nas bordas.

Reprodução: Blog do Moisés Mendes

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ideologia: o que a direita defende?

Política 

De 2013 para cá as discussões sobre política, no Brasil, ficaram mais acaloradas. Muitas pessoas falam sobre esquerda, direita, centro e extremos, sem ter nenhum conhecimento teórico, o que prejudica e deturpa a discussão. Dai, a iniciativa de produzir este artigo

20/02/2026


Artigo de Anezio Ribeiro de Souza*

Evolução histórica do termo “Direita”

A origem do termo “direita” nos remete à Revolução Francesa, ocorrida entre 1789 e 1799, motivada pela crise que a França vivia na época e influenciada principalmente por ideias iluministas.

Dentre as ideias iluministas precursoras da Revolução Francesa, haviam especificamente dois pensadores, Edmund Burke e Thomas Paine. Edmund Burke acreditava que as mudanças pretendidas pela revolução deveriam ocorrer de forma gradual e com uma certa estabilidade, mantendo certas tradições, sendo o precursor do conservadorismo.

Já Thomas Paine acreditava em uma reforma radical, formulada desde o início, rompendo completamente com o que existia anteriormente, sendo o precursor do pensamento progressista.

A diferença entre esses ideais culminou, durante o processo revolucionário, na criação de dois grupos com interesses bem distintos na Assembleia Nacional Constituinte realizada para decidir os novos rumos do país em 1789.

Uma parte desse grupo era composta pela aristocracia, chamados de Girondinos que defendiam que as transformações fossem mais lentas, não rompendo totalmente com a ordem tradicional, mantendo o status quo. Estes se posicionavam à direita no parlamento.

Já a outra parte, chamado de Jacobinos, era composta pela baixa e média burguesia, se posicionavam à esquerda do Parlamento, defendendo ideias mais radicais de transformações, como a República, rompendo completamente com o absolutismo.

Desse modo, pode-se dizer que a origem dos termos de “direita” e “esquerda” surgiram na Revolução Francesa, onde os Girondinos ocupavam a posição mais à direita do orador no parlamento e os jacobinos uma posição mais à esquerda.

Todavia, a definição sobre o que é ser de direita não fica restrita à ordem posicional onde os Girondinos e Jacobinos se sentavam no Parlamento durante à Revolução Francesa.

A partir do século XIX, com a consolidação do capitalismo e a expansão do antagonismo entre burguesia e proletariado, a burguesia passou a agir de forma mais conservadora, alinhando-se mais aos ideais da direita.

Já a esquerda, passa a ganhar um novo olhar através do surgimento do socialismo científico e da luta do proletariado por direitos trabalhistas, passando esses termos a serem utilizados em outros contextos para determinar as posições ideológicas das pessoas, de grupos e partidos políticos que perduram até hoje.

A direita, no campo político, é uma orientação que, em essência, defende a ordem social, a liberdade individual e econômica, a meritocracia e a preservação de tradições. Historicamente, surgiu na Revolução Francesa defendendo a manutenção da ordem estabelecida e, posteriormente, consolidou-se na defesa do capitalismo e da propriedade privada.

Principais Pautas e Ideias

Economia (Liberalismo): Defesa do livre mercado, com menor intervenção do Estado na economia, incentivo à livre iniciativa, redução de impostos e desburocratização.

Indivíduo e Mérito: Acredita que o sucesso é resultado do esforço pessoal (meritocracia) e valoriza a responsabilidade individual acima da coletivização.

Sociedade e Tradição: Foco na família tradicional, na segurança pública e, muitas vezes, em valores morais e religiosos.

Hierarquia Social: Tende a ver hierarquias sociais ou desigualdades econômicas como inevitáveis, naturais ou resultantes de méritos diferentes, em vez de algo a ser corrigido forçadamente pelo Estado.

Vertentes da Direita

Direita Liberal: Foca na liberdade econômica e no Estado mínimo.

Direita Conservadora: Foca na manutenção da tradição, valores familiares e ordem social.

Extrema-direita (Direita Radical): Defende posições conservadoras de forma enérgica, com forte nacionalismo, controle migratório estrito e, por vezes, autoritarismo para sustentar a ordem.

Diferença de Abordagem

Diferente da esquerda, que busca maior igualdade através da intervenção estatal, a direita geralmente argumenta que a liberdade de mercado gera riqueza e que o Estado deve ser limitado apenas à proteção da propriedade, segurança e ordem.

Exemplos de Temas Defendidos

Privatizações e empresas privadas.
Porte de armas para defesa pessoal.
Combate à corrupção e rigor na segurança pública.
Educação com foco no mérito.

*Anézio Ribeiro de Souza é Bacharel e Licenciado Pleno em Ciências Sociais, com ênfase em Ciência Política pela UFPA e doutor em Psicologia Social pela Universidad Kennedy, de Buenos Aires, Argentina.

Ideologia: O que a esquerda defende?

De 2013 para cá as discussões sobre política, no Brasil, ficaram mais acaloradas. Muitas pessoas falam sobre esquerda, direita, centro e extremos, sem ter nenhum conhecimento teórico, o que prejudica e deturpa a discussão. Daí, a iniciativa de produzir este artigo

Ato da esquerda em São Paulo, na Paulista, contra a Anistia e a PEC da Imunidade 
(Foto: Luisa Purchio/ Gazeta do Povo)

Artigo de Anézio Ribeiro de Souza*

Evolução histórica do termo “Esquerda”

A origem do termo “esquerda” nos remete à Revolução Francesa, ocorrida entre 1789 e 1799, motivada pela crise que a França vivia na época e influenciada principalmente por ideias iluministas.

Dentre as ideias iluministas precursoras da Revolução Francesa, haviam especificamente dois pensadores, Edmund Burke e Thomas Paine. Edmund Burke acreditava que as mudanças pretendidas pela revolução deveriam ocorrer de forma gradual e com uma certa estabilidade, mantendo certas tradições, sendo o precursor do conservadorismo.

Já Thomas Paine acreditava em uma reforma radical, formulada desde o início, rompendo completamente com o que existia anteriormente, sendo o precursor do pensamento progressista.

A diferença entre esses ideais culminou, durante o processo revolucionário, na criação de dois grupos com interesses bem distintos na Assembleia Nacional Constituinte realizada para decidir os novos rumos do país em 1789.

Uma parte desse grupo era composta pela aristocracia, chamados de Girondinos que defendiam que as transformações fossem mais lentas, não rompendo totalmente com a ordem tradicional, mantendo o status quo. Estes se posicionavam à direita no parlamento.

Já a outra parte, chamado de Jacobinos, era composta pela baixa e média burguesia, se posicionavam à esquerda do Parlamento, defendendo ideias mais radicais de transformações, como a República, rompendo completamente com o absolutismo.

Desse modo, pode-se dizer que a origem dos termos de “direita” e “esquerda” surgiram na Revolução Francesa, onde os Girondinos ocupavam a posição mais à direita do orador no parlamento e os jacobinos uma posição mais à esquerda.

Todavia, a definição sobre o que é ser de esquerda não fica restrita à ordem posicional onde os Girondinos e Jacobinos se sentavam no Parlamento durante à Revolução Francesa.

A partir do século XIX, com a consolidação do capitalismo e a expansão do antagonismo entre burguesia e proletariado, a burguesia passou a agir de forma mais conservadora, alinhando-se mais aos ideais da direita.

A esquerda, passa a ganhar um novo olhar através do surgimento do socialismo científico e da luta do proletariado por direitos trabalhistas, passando esses termos a serem utilizados em outros contextos para determinar as posições ideológicas das pessoas, de grupos e partidos políticos que perduram até hoje.

Click no link abaixo, assista o vídeo e compreenda o que é a esquerda


A esquerda defende a redução das desigualdades sociais e econômicas, priorizando a coletividade e a intervenção do Estado para garantir justiça social, serviços públicos fortes (como saúde e educação), regulação econômica e proteção aos mais vulneráveis. Suas pautas incluem direitos civis, progressismo nos costumes e, em vertentes radicais, a superação do capitalismo.

Os principais pontos defendidos incluem:

Igualdade Social e Econômica: Foco na redução da disparidade entre ricos e pobres, com políticas de distribuição de renda.

Papel do Estado: Defesa de um Estado forte e ativo na economia para regular o mercado, garantir empregos e prover serviços básicos (como o SUS no Brasil)
.
Direitos Sociais e Coletividade: Valorização de pautas coletivas, movimentos sociais, sindicatos e minorias, em contrapartida ao individualismo.

Progressismo nos Costumes: Defesa de pautas indenitárias, direitos das mulheres, população LGBTQIA+, liberdade de expressão e, frequentemente, a laicidade do Estado.

Tributação Progressiva: Aumento de impostos sobre grandes fortunas e rendas elevadas para financiar políticas sociais.

Click no link  abaixo e saiba o que realmente a esquerda defende 


Esquerda Moderada vs. Radical:

Esquerda Moderada/Social-democracia: Busca reduzir desigualdades dentro do sistema capitalista, aceitando a economia de mercado com regulação.

Esquerda Radical/Socialismo/Comunismo: Defende a superação do capitalismo, a coletivização dos meios de produção e transformações profundas na estrutura social.

No Brasil, partidos como PT, PSB, PSOL, PCdoB e PDT se situam nesse espectro, com diferentes níveis de moderação ou radicalismo.

*Anézio Ribeiro de Souza é Bacharel e Licenciado Pleno em Ciências Sociais, com ênfase em Ciência Política pela UFPA e doutor em Psicologia Social pela Universidad Kennedy, de Buenos Aires, Argentina.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Lula sanciona reajuste para servidores da Câmara, Senado e TCU, e veta valores acima do teto

Política

Lula vetou trechos que previam aumentos salariais graduais para os anos de 2027, 2028 e 2029

ICL, 18/02/2026 | 09h48


O presidente Lula (PT) sancionou parcialmente , nesta quarta-feira (18), o projeto que previa reajuste salarial para carreiras da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU). A medida será publicada no DOU (Diário Oficial da União).

Lula vetou trechos que previam aumentos salariais graduais para os anos de 2027, 2028 e 2029; o pagamento retroativo de despesas permanentes; e a criação de uma licença compensatória que poderia ser convertida em dinheiro, gerando valores que poderiam ultrapassar o teto salarial do serviço público – hoje fixado em R$ 46.366,19.

Segundo o Palácio do Planalto, a justificativa para o veto é que definir reajustes para depois do fim do atual mandato vai contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe criar despesas obrigatórias nos últimos oito meses de governo que não possam ser totalmente pagas ainda durante o próprio mandato.

Os projetos permitiam conceder dias de folga remunerada pelo acúmulo de atividades extras, com a possibilidade de transformar essas folgas em dinheiro. Em alguns casos, os valores pagos poderiam ultrapassar o teto salarial do serviço público, hoje fixado em R$ 46.366,19.

Também foram vetados: Trechos que autorizavam pagamentos retroativos de despesas continuadas, por afronta ao art. 169, § 1º, inciso II, da Constituição Federal; Dispositivos que instituíam licença compensatória para funções comissionadas e de assessoramento, com possibilidade de conversão em indenização; Regras que previam forma de cálculo semestral para aposentadorias e pensões, por incompatibilidade com a Emenda Constitucional nº 103/2019.Congresso nacional (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Na medida, Lula sancionou: a substituição das atuais gratificações de desempenho pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), de natureza remuneratória e sujeita ao teto constitucional; O reconhecimento das três carreiras como típicas de Estado, garantindo aos seus servidores maior segurança jurídica, previsibilidade e proteção como detentores de funções essenciais aos Poderes da República; No caso do TCU, a ampliação do número de cargos, a elevação dos níveis de funções de confiança e a exigência de nível superior para todos os cargos.

Reajustes

O texto da Câmara estabelece reajustes de 8% para secretários parlamentares, mesmo ajuste já concedido a servidores do judiciário. Os servidores efetivos e de carreira receberão reajuste de 9,25% e os que ocupam cargos em comissão, um reajuste ponderado de 8,63%.

Assim como no Senado, a proposta também prevê uma gratificação que varia de 40% a 100% para servidores efetivos, incidente sobre o maior vencimento básico do cargo efetivo ocupado pelo servidor.

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