terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Petrobras investirá R$ 6 bilhões em sua primeira biorrefinaria, diz Magda Chambriard

Economia

Projeto de transformação da Refinaria Riograndense marca produção de combustíveis "100% bio" no Brasil

Brasil 247, 20 de janeiro de 2026, 18:31 h

Presidente da estatal brasileira Petrobras, Magda Chambriard, fala durante um evento na Refinaria Duque de Caxias, em Duque de Caxias, Brasil 04/07/2025 
(Foto: REUTERS/Tita Barros)

Artigo de Paulo Emilio

A Petrobras anunciou um investimento de R$ 6 bilhões para transformar a Refinaria Riograndense, no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, na primeira biorrefinaria do Brasil. A iniciativa insere a estatal em uma nova etapa do refino nacional, com foco na produção de combustíveis e derivados de origem totalmente renovável. O projeto foi anunciado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimônia realizada nesta terça-feira (20), e o início da conversão da unidade está previsto para o segundo semestre.

"Estamos programando para o segundo semestre o início da transformação da Riograndense na primeira biorrefinaria do Brasil, que vai produzir produtos 100% bio. Essa transformação vai demandar R$ 6 bilhões. É a expansão do refino da Petrobras", afirmou Chambriard, de acordo com o jornal O Globo.

Investimento marca nova etapa do refino no Brasil

Localizada no extremo sul do país, a Refinaria Riograndense tem como sócias, além da Petrobras, as empresas Ultra e Braskem. A unidade vem sendo preparada para a mudança desde o início do ano passado, quando passaram a ser realizados testes de coprocessamento de biomassa associada à carga mineral.
Testes antecedem conversão da unidade

Em 2023, a refinaria produziu combustíveis e insumos destinados à indústria a partir de processos que utilizaram exclusivamente óleo vegetal. Os testes serviram de base técnica para o projeto de conversão total da unidade em biorrefinaria, consolidando a viabilidade do modelo produtivo.

Capacidade e perfil da Refinaria Riograndense

A unidade possui capacidade instalada de cerca de 17 mil barris por dia e produz atualmente gasolina, diesel, GLP e nafta voltada à indústria petroquímica. Apesar de seu porte menor quando comparado a refinarias como a Reduc, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, a Riograndense assume papel estratégico na política de transição energética da companhia.
Programa Mar Aberto amplia frota e reduz emissões

O anúncio do investimento ocorreu durante a assinatura de contratos do Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, Magda Chambriard confirmou a contratação de cinco navios gaseiros, além de 18 barcaças e 18 empurradores, com investimentos que totalizam R$ 2,8 bilhões.

Segundo a presidente da estatal, os gaseiros serão construídos pelo Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. As barcaças ficarão a cargo do estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, no Amazonas, enquanto os empurradores serão produzidos pela Indústria Naval Catarinense, em Santa Catarina. "Temos encomendas no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e agora no Amazonas. Isso vai se somar a R$ 1,4 bilhão que está sendo destinado à construção de outras embarcações", disse.

Magda destacou ainda que a ampliação da frota própria reduzirá a dependência de afretamentos, aumentando a flexibilidade e a eficiência das operações logísticas de GLP. "Os gaseiros anunciados hoje são 20% mais eficientes e emitem 30% menos gases de efeito estufa", afirmou, acrescentando que as embarcações "estarão aptas a operar em portos eletrificados".

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Estados governados pela oposição foram os mais dependentes da União em 2025

Relatório do Tesouro mostra que governos estaduais críticos a Lula concentraram a maior parte do socorro federal para pagamento de dívidas garantidas

Brasil 247, 20 de janeiro de 2026, 06:54 h

Governadores Eduardo Leite (RS), Romeu Zema (MG) e Claudio Castro (RJ) 
(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Artigo de Guilherme Levorato

Os estados administrados por partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram, em 2025, os que mais dependeram do apoio financeiro da União para evitar a inadimplência em compromissos com bancos e organismos internacionais. Ao longo do ano, o governo federal precisou assumir o pagamento de parcelas de empréstimos estaduais garantidos pela União, em um movimento que impediu o calote dessas administrações e preservou a credibilidade do país no sistema financeiro, relata o Metrópoles.

As informações constam no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. O documento aponta que, somente em 2025, a União desembolsou cerca de R$ 11 bilhões para cobrir dívidas de estados que não conseguiram honrar seus compromissos.

Entre os maiores beneficiários do mecanismo estão Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Todos esses estados são governados por aliados da oposição ao governo Lula e estão inseridos no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), programa voltado a entes federativos em grave crise financeira.

Na prática, quando um estado deixa de pagar um financiamento que conta com garantia federal, a União assume a obrigação. A medida evita impactos negativos sobre o crédito público brasileiro e assegura o cumprimento de contratos junto a instituições financeiras e organismos multilaterais.

O Regime de Recuperação Fiscal permite que estados em dificuldades adotem um conjunto de medidas para reequilibrar as contas ao longo de vários anos. Ao aderir ao programa, os governos estaduais obtêm benefícios imediatos, como a suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União e o socorro federal em operações de crédito garantidas. Em contrapartida, precisam cumprir um rigoroso plano de ajuste fiscal, que inclui limites para gastos com pessoal, restrições a reajustes salariais, privatizações, revisão de incentivos fiscais e reformas administrativas.

As dívidas que deixam de ser pagas durante a vigência do RRF não são perdoadas. Elas são refinanciadas pela União em prazos longos, que podem chegar a até 360 meses, o que transfere o impacto financeiro para o futuro. Além disso, enquanto o regime está em vigor, a União não executa as contragarantias dos estados, o que explica o baixo volume de recuperação imediata dos valores desembolsados.

Em 2025, o Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), foi o estado mais beneficiado, com R$ 4,69 bilhões pagos pela União, o equivalente a 42,35% de todo o montante honrado no ano. Minas Gerais, sob a gestão de Romeu Zema (Novo), aparece na sequência, com R$ 3,55 bilhões, representando 32,05% do total.

O Rio Grande do Sul, administrado por Eduardo Leite (PSD), teve R$ 1,59 bilhão de dívidas quitadas pelo governo federal, enquanto Goiás, governado por Ronaldo Caiado (União Brasil), contou com R$ 888,06 milhões em pagamentos realizados pela União.

Os dados históricos reforçam a dimensão do problema fiscal enfrentado por estados e municípios. Desde 2016, o governo federal já desembolsou R$ 86,52 bilhões para cobrir dívidas garantidas de entes subnacionais, mas conseguiu recuperar apenas R$ 5,9 bilhões desse valor. Somente em dezembro de 2025, a recuperação somou R$ 25,02 milhões.

A maior parte das garantias honradas, cerca de R$ 76,97 bilhões, está concentrada justamente nos estados que participam do Regime de Recuperação Fiscal, beneficiados pela suspensão temporária da execução das contragarantias. Outros fatores também reduzem a capacidade de ressarcimento, como R$ 1,90 bilhão utilizados na compensação de perdas de arrecadação do ICMS e R$ 368,19 milhões considerados irrecuperáveis em razão de decisões judiciais envolvendo municípios como Taubaté (SP), Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (RN).

O relatório mostra ainda que apenas em dezembro de 2025 a União precisou desembolsar R$ 1,48 bilhão para cobrir dívidas garantidas. Desse total, R$ 643,96 milhões foram destinados ao Rio de Janeiro e R$ 626,19 milhões a Minas Gerais. Goiás recebeu R$ 72,36 milhões, enquanto o Rio Grande do Sul contou com R$ 70,81 milhões, além de repasses a outros estados e municípios do país.

Embora o mecanismo de garantias seja tradicional na política fiscal brasileira, os números de 2025 evidenciam uma contradição política. Governadores da oposição, que frequentemente criticam a condução da política econômica do governo federal, mantêm forte dependência da União para equilibrar as contas e evitar a inadimplência. Nesse cenário, o Tesouro Nacional segue atuando como fiador de última instância, impedindo que crises fiscais estaduais provoquem efeitos sistêmicos sobre o crédito público do Brasil.

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Trump, a Groenlândia e a bagunça no tabuleiro da geopolítica

Trump não criou esse cenário, mas ele o escancarou!

Brasil 247, 19 de janeiro de 2026, 17:52 h

O presidente dos EUA, Donald Trump - 13/01/2026 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

Artigo de *Renata Medeiros

Donald Trump nunca escondeu sua fome de poder. O problema é que, quando essa fome se manifesta, o tabuleiro da geopolítica costuma virar bagunça — peças caem no chão, regras são ignoradas e o jogo vira outra coisa. Às vezes, um reality show. Outras, um risco global.

Quando Trump sugeriu, sem nenhum constrangimento, a ideia de comprar a Groenlândia, muita gente riu. Parecia piada. Uma excentricidade típica de um bilionário acostumado a resolver tudo com cheque. Mas o riso passou rápido. Porque, por trás do comentário aparentemente absurdo, havia um raciocínio geopolítico bastante clássico — e nada inocente.

Ilhas sempre fascinaram impérios. No caso das grandes ilhas do Atlântico Norte, como a Groenlândia, elas funcionam como sentinelas avançadas: estão ali para observar, conter e, se necessário, bloquear movimentos vindos do outro lado do mundo. Hoje, esse “outro lado” atende por dois nomes principais: China e Rússia.

Com o degelo do Ártico, o que antes era um deserto branco virou promessa de novas rotas comerciais, corredores militares e exploração de recursos estratégicos. Em bom português: mais caminhos, mais dinheiro e mais poder. Quem controla essas áreas controla fluxos. Quem controla fluxos dita regras. Simples assim.

Trump entendeu isso. Do jeito dele, claro. Sem diplomacia, sem filtro e sem paciência para o verniz civilizado da política internacional. Onde outros presidentes falariam em “parcerias estratégicas” ou “cooperação multilateral”, Trump fala em posse, controle e vantagem imediata. Ele não joga xadrez; joga banco imobiliário — e quer comprar todas as propriedades antes que alguém chegue primeiro.

Enquanto isso, a China avança com calma. Não com tanques, mas com contratos, investimentos e portos. Está presente na América do Sul, no Caribe, rondando áreas sensíveis como o Canal do Panamá e fazendo negócios onde Washington costumava mandar sozinho. Nada de bandeiras ou discursos inflamados. Apenas presença. E isso, para os Estados Unidos, é talvez mais ameaçador do que qualquer provocação militar.

Some-se a isso a guerra na Ucrânia, cujo desfecho muitos em Washington veem como uma derrota estratégica do Ocidente. Não importa aqui quem venceu no campo de batalha. Importa a sensação de perda de controle. Quando um império sente que já não dita o ritmo do jogo, ele tende a olhar para perto, reforçar fronteiras e proteger o que considera seu “quintal”.

É aí que entram o Grande Caribe, o Ártico, as ilhas do Atlântico Norte e do Pacífico. Não como curiosidades geográficas, mas como peças-chave desse rearranjo defensivo. Uma espécie de zona tampão emocional e estratégica para um país que, pela primeira vez em muito tempo, percebe que talvez não seja mais o único dono do tabuleiro.

Trump não criou esse cenário. Mas ele o escancarou. Com frases grosseiras, gestos impulsivos e uma franqueza quase infantil, expôs algo que sempre esteve ali: a disposição permanente dos Estados Unidos de intervir, controlar e moldar o espaço ao seu redor sempre que se sentem ameaçados.

O problema é que, quando se joga com fome demais, derruba-se o tabuleiro. E a bagunça que sobra raramente afeta apenas quem fez o movimento.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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Renata Medeiros é advogada e Cientista Política

domingo, 18 de janeiro de 2026

Pepe Escobar prevê reação popular contra agressão à Venezuela

Ideias

Analista geopolítico afirma que elites latinas "vendem" seus países por um apartamento em Miami

Brasil 247, 12 de janeiro de 2026, 15:35 hAtualizado em 17 de janeiro de 2026, 16:16 h

Pepe Escobar prevê reação popular contra agressão à Venezuela (Foto: Brasil247)

Materia de Redação Brasil 247

Em entrevista concedida ao canal Dialogue Works, o analista geopolítico Pepe Escobar comentou os desdobramentos da escalada de agressão contra a Venezuela e sustentou que a reação popular teria unido as ruas de vários países da América Latina.

Ao ser questionado sobre os impactos para Brasil, Colômbia, Cuba e outros países da região, Escobar disse que “as ruas da América do Sul” e “as ruas da América Latina” expressariam uma “resistência unida”, resumida no lema “No pasarán”.

Na leitura do analista, existe um contraste estrutural entre as maiorias populares — trabalhadores e camponeses — e as elites econômicas e políticas, que ele descreve como um “abismo” histórico na região. Para Escobar, enquanto as ruas reagiriam com repúdio, setores privilegiados aplaudiriam a ofensiva.

Ele afirmou que, no caso venezuelano, parte dessas elites se concentraria em poucos bairros de Caracas, enquanto grande parcela estaria fora do país. Escobar chegou a definir Miami como “a capital da diáspora venezuelana”.

Ao ampliar o foco para a América do Sul, o analista atacou com dureza as elites brasileiras e afirmou conhecer “por dentro” como pensam e agem. Segundo ele, esse grupo “odeia o Brasil” e “vende o Brasil”, associando a ideia de “sucesso” ao sonho de “uma casa na Flórida” e “um apartamento em Nova York”.

Guerra psicológica

Escobar também destacou a dimensão informacional do episódio, dizendo que já circula um vídeo curto produzido com inteligência artificial que reproduziria “o roteiro americano” dos acontecimentos em Caracas. Para ele, apesar de “bonito” e com “valores de produção excelentes”, o material seria “conceitualmente totalmente falso” e funcionaria como “operações psicológicas subliminares”, com potencial de influenciar sobretudo os mais jovens.

Em tom ainda mais incisivo, ele se referiu a Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — como “neo Calígula” e afirmou que a operação teria sido guiada pelo ego do líder norte-americano, “independentemente” das consequências geopolíticas, humanitárias e diplomáticas. Escobar disse ainda que haveria violações do direito internacional, por se tratar, segundo sua versão, de um precedente de gravidade inédita na região.

O analista mencionou imagens veiculadas pela Telesur que, na sua interpretação, evidenciariam apoio externo e discurso de resistência interna, citando Rússia, China e Irã como atores que aparecem no enquadramento simbólico dessa resposta. Ele afirmou que “Rússia, China e Índia não estão intimidadas” e criticou leituras que cobram reação imediata de Moscou e Pequim.

Reação legalista

Ao tratar especificamente da China, Escobar afirmou que qualquer tentativa de bloquear contratos de petróleo venezuelano destinados ao país asiático poderia ser respondida “nos tribunais”, enfatizando que a reação chinesa seria “legalista” e firme no campo jurídico.

Ele também sugeriu, como hipótese, que a escalada poderia acabar se transformando em uma “armadilha sofisticada” montada por Rússia e China para expor o comportamento do presidente norte-americano. Escobar ressaltou, porém, que não teria “prova definitiva” desse cenário, apenas “indícios”.

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Mauro Vieira cita os principais eixos do acordo Mercosul-UE e alerta para o cenário global

América Latina

Segundo o chanceler, o 'acordo propiciará ganhos tangíveis' em um 'mundo de imprevisibilidade, protecionismo e coerção'

Brasil 247, 7 de janeiro de 2026, 15:32 h

Mauro Vieira (Foto: Carlos Cruz/MRE)

Artigo de Leonardo Lucena
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, citou neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, os principais eixos do acordo assinado entre líderes do Mercosul e da União Europeia.

“O acordo propiciará ganhos tangíveis: mais empregos, mais investimentos, maior integração produtiva, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social”, disse o chanceler.

“O comércio é uma das dimensões da parceria entre Mercosul e União Europeia, lastreada em valores comuns. Democracia, Estado de Direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente estão plenamente refletidos no acordo que assinamos”.
Cenário global

Em seu discurso, Mauro Vieira também alertou para as tensões na política internacional. “O acordo representa um baluarte – erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral – diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção”, continuou.

“Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo: acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva”, acrescentou.
Mais benefícios

O acordo, disse o ministro, reveste-se “de uma dimensão verdadeiramente estratégica para a segurança econômica de nossas regiões – do Atlântico Sul ao Atlântico Norte”. “Contribuirá para diversificar parceiros, cadeias produtivas e fontes de suprimento, reduzir vulnerabilidades e ampliar a previsibilidade necessária ao crescimento”, pontuou.

Segundo o chanceler, durante as negociações “ficou claro o compromisso das duas regiões com a plena integração entre o comércio e o desenvolvimento sustentável”. “O acordo, assim orientado, fortalece os compromissos de nossos países com os regimes multilaterais nas áreas ambiental, social e trabalhista”, ressaltou.

“Integra o Acordo, da mesma forma, um capítulo de excepcional significação sobre comércio e gênero. Esse capítulo dará especial impulso às políticas públicas de inclusão e empoderamento de mulheres e meninas em todos e cada um dos países de nossos blocos”.

Estatísticas

O Mercosul e a União Europeia criarão uma zona de livre comércio de 720 milhões de habitantes e somará um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. A proposta deverá injetar R$ 37 bilhões na economia brasileira em cerca de dez anos, conforme previsões do Ministério das Relações Exteriores.

Pelo acordo haverá diminuição ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que alcançam mais de 90% do comércio total entre os dois blocos.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Moraes manda Bolsonaro para o presídio da Papudinha

Ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses no caso da trama golpista

Brasil 247, 15 de janeiro de 2026, 17:47 hAtualizado em 15 de janeiro de 2026, 18:40 h

O ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília-DF - 14/09/2025 (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)

Artigo de Leonardo Sobreira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (15) a transferência do ex-presidente preso Jair Bolsonaro para o presídio da Papudinha, no Distrito Federal-DF. A transferência já foi efetivada, de acordo com a assessoria do STF.
O ex-mandatário, condenado na trama golpista pelo STF, estava preso na sede da Superintendência da PF em Brasília. Também condenados no caso, o ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, estão presos na Papudinha. Eles dividem uma cela semelhante à do ex-presidente.

"DETERMINO A IMEDIATA TRANSFERÊNCIA de JAIR MESSIAS BOLSONARO da Sala de Estado Maior da Superintendência Regional da Polícia Federal/DF para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar - PMDF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília/DF, para cumprimento da pena privativa de liberdade fixada por esta CORTE, no julgamento da AP 2668", diz o documento.

As condições da cela de Bolsonaro serão favoráveis "em razão da dignidade do cargo exercido", diz Moraes na decisão.

Ao justificar a decisão, Moraes citou entrevistas do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente preso--"por meio das quais criticou as condições excepcionalmente favoráveis da carceragem da Polícia Federal, comparando-a a um 'cativeiro', desconfiando da 'origem da comida', reclamando do 'horário de visitas'", diz o documento.

Ainda segundo Moraes, "vem ocorrendo uma sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade de JAIR MESSIAS BOLSONARO".

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Irã: o centro de uma disputa geopolítica global

Uma análise crítica das tensões internas, do impacto das sanções e das pressões externas sobre a soberania iraniana e o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio

Brasil 247, 12 de janeiro de 2026, 06:57 h

Protesto na rodovia Vakilabad, em Mashhad, província de Razavi Khorasan, Irã, em 10 de janeiro de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo de mídia social. 

*Marcelo Zero

“Isto também passará” - Frase persa.

É muito difícil saber, com precisão, o que está acontecendo, de fato, no Irã. Como sempre, a mídia ocidental fala na “sangrenta ditadura” do Irã e que centenas de pessoas já teriam sido mortas pela repressão do regime iraniano. De outro lado, imagens difundidas no Ocidente mostram incêndios de carros e construções, e o regime acusa alguns grupos de manifestantes de terem atirado e matado policiais iranianos.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, moderado e progressista, já fez vários apelos ao diálogo.

Nesse contexto nebuloso e contraditório, é preciso considerar que Israel e os EUA estão fortemente empenhados na derrubada do regime iraniano há muito tempo. Tanto o governo de Israel quanto o governo dos EUA têm capacidade de promover a chamada “guerra híbrida” e de articular e promover protestos via redes sociais e internet.

Embora o regime iraniano tenha derrubado a internet no país, os manifestantes estariam usando terminais da Starlink, de Elon Musk, para se articularem.

É claro que há um substrato real na insatisfação da sociedade iraniana, principalmente naqueles setores mais jovens e que vivem em grandes cidades, como Teerã, por exemplo.

Mas tal insatisfação não tem mais muito a ver com a promoção de valores tradicionais da sharia islâmica. Hoje em dia, por exemplo, a maioria das mulheres iranianas que vive nas grandes cidades não usa mais o hijab. O regime tornou-se bem mais permissivo, nesse aspecto.

A questão central é econômica.

Há de se observar que, desde 1979, o Irã tornou-se o país mais sancionado do mundo. Só perdeu esse “honroso” posto após a Rússia ter feito a intervenção militar na Ucrânia, em 2022, mas continua a ocupar um terrível e muito incômodo segundo lugar.

As dificuldades econômicas advindas, essencialmente, das sanções unilaterais dos Estados Unidos e de aliados, as quais restringem fortemente o acesso do Irã aos mercados internacionais e a consequente disponibilidade de moedas fortes, bem como congelam ativos iranianos em bancos no exterior, conformam um contexto de instabilidade política constante, que se agravou nos últimos anos. Somente entre 2012 e 2015, tais sanções teriam provocado um prejuízo acumulado de cerca de US$ 500 bilhões.

O ex-presidente reformista Hassan Rouhani, eleito em 2013 e reeleito em 2017, tinha conseguido reinserir parcialmente o Irã na comunidade internacional, mediante equacionamento do dossiê nuclear, com a assinatura do acordo sobre o programa nuclear iraniano (“Joint Comprehensive Plan of Action” – JCPOA).

Mas Trump, desde o seu primeiro governo, adotou uma política de “pressão máxima” sobre o regime do Irã e retirou os EUA do JCPOA, em 2018. Desde então, a tensão vem aumentando, com o Irã, compreensivelmente, se retirando de seus compromissos e os EUA, por seu turno, apertando as sanções.

Os efeitos da pandemia, muito amplificados pelo isolamento do regime iraniano, foram devastadores no Irã. O país foi, inicialmente, um dos mais atingidos, com mais de 7 milhões de casos registrados e mais de 145 mil mortos. Teve de desenvolver imunizantes próprios para conter, com sucesso, a pandemia. Ademais, a tomada do poder pelo Talibã (força sunita) no vizinho Afeganistão, em agosto de 2021, agravou a pressão sobre os serviços públicos iranianos, que receberam contingente extra estimado em 2 milhões de refugiados, os quais se beneficiam de serviços básicos de saúde e educação.

As dificuldades na condução da política macroeconômica, o aumento do desemprego entre os jovens, a perda do poder de compra da classe média e o empobrecimento da população já estavam entre as causas dos protestos que eclodiram em setembro de 2022, logo após a morte, em custódia policial, da jovem curda Mahsa Amini.

Agora, não há dúvida de que os protestos são motivados substancialmente por uma inflação de 42% e pela desvalorização recente da moeda nacional, que repercute diretamente nos preços dos alimentos.

Apesar dos esforços para obter autossuficiência alimentar, o Irã, que tem apenas 11% do seu território de terras agricultáveis e enfrenta uma seca de dois anos, ainda importa muitos alimentos essenciais, como trigo, arroz, laticínios e produtos para alimentação animal, como milho (importado, em grande parte, do Brasil). Cerca de 30% das importações do Irã são de alimentos.

Isso não significa que as manipulações feitas pelo governo de Netanyahu e pelo governo de Trump não estejam presentes.

A divulgação, como “alternativa de poder”, do filho de Reza Pahlevi, homônimo de um dos ditadores mais brutais que o mundo conheceu, representa uma tentativa canhestra e patética de derrubar o regime do Irã, apenas para fazer regredir, de novo, esse notável país de cultura milenar ao status de colônia dos EUA e do chamado Ocidente, de um modo geral.

Lembre-se que o tenebroso Xá ascendeu ao poder após britânicos e estadunidenses terem derrubado Mosaddegh, que havia nacionalizado, na década de 1950, as jazidas de petróleo iranianas. Os iranianos jamais esquecerão essa passagem trágica de sua história.

Não creio que vá funcionar. Assim como não teria funcionado uma reunião sigilosa no Itamaraty, entre o governo de Bolsonaro e o governo de Netanyahu, a qual teria sido realizada na gestão de Ernesto Araújo, com o objetivo de que o nosso país se somasse aos esforços para desestabilizar o Irã.

As manifestações não têm lideranças internas coesas e críveis e estão sendo conduzidas, em grande parte, por agendas externas, como a de Pahlevi.

Obviamente, Trump e Netanyahu não têm preocupação alguma com democracia e direitos humanos, nem com a crise econômica no Irã. Querem simplesmente derrubar um regime que é estratégico para o equilíbrio de forças no Grande Oriente Médio e que tem as terceiras maiores jazidas de petróleo e gás do mundo.

Diga-se de passagem, qualificar o regime iraniano como uma ditadura cruel representa uma visão um tanto simplória e reducionista do complexo regime político do Irã.

É verdade que a Constituição da República Islâmica do Irã, de 1979, consagrou o princípio da “tutela do jurisconsulto islâmico” (wilayat-e-faqih), que fundamenta a noção de autoridade absoluta do Líder Supremo (hoje, o Aiatolá Ali Khamenei) em assuntos religiosos e políticos.

Ao mesmo tempo, porém, ela consagrou alguns princípios democráticos, prevendo eleições diretas para presidente, parlamentares e membros da Assembleia dos Sábios.

O Presidente da República, chefe do Poder Executivo, é responsável por elaborar e executar as políticas públicas e de relações exteriores e de defesa, nos limites das diretrizes impostas pelo Líder Supremo. Exerce a chefia do Gabinete de Governo, do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do Conselho Supremo da Revolução Cultural.

Já o Parlamento iraniano (Majlis) é unicameral e composto por 290 deputados. As eleições para o Majlis ocorrem a cada quatro anos e, do total de assentos, cinco representam as minorias (judeus, zoroastras, cristãos armênios e cristãos caldeus).

Entretanto, toda candidatura ao Majlis é submetida ao crivo do Conselho dos Guardiães, órgão com poder de veto. O Majlis possui funções típicas de parlamento de uma democracia participativa — proposição legislativa, voto de confiança aos membros do Gabinete do Governo, impedimento do Presidente, aprovação de acordos internacionais —, sujeitas, não obstante, à ratificação ou ao veto do Conselho dos Guardiães.

Apesar dessa óbvia tutela religiosa, exercida basicamente pelo Líder Supremo e pelo Conselho de Guardiães, o Irã é bem mais democrático que as monarquias absolutistas sunitas dos países do Golfo Pérsico, que são, na realidade, regimes politicamente medievais. Tais regimes francamente ditatoriais não incomodam, contudo, o governo Trump, pois são aliados históricos dos EUA na região. As maiores bases militares dos EUA no Oriente Médio estão lá.

O regime iraniano ainda tem muito apoio nas cidades médias e pequenas e nas zonas rurais e semirrurais. Também tem apoio entre os mais pobres e as gerações mais velhas. A oposição está bastante concentrada em jovens de classe média que habitam os grandes centros urbanos, especialmente na grande área metropolitana de Teerã.

A maior parte da população do Irã é totalmente avessa a pressões externas, principalmente as vindas dos EUA e de Israel.

Caso Trump e Israel decidam bombardear o Irã, como ameaçaram, boa parte da população cerrará fileiras para defender o regime.

Além disso, uma tentativa séria de derrubar o regime implicaria “boots on the ground”, uma ocupação terrestre maciça.

Seria um desastre. Um “atoleiro” muito pior que o do Iraque.

O Irã reúne, entre forças armadas e a Guarda Revolucionária, 530 mil homens na ativa, fora os reservistas, que somam 350 mil. Ao todo, são, portanto, cerca de 880 mil homens fortemente armados que poderiam ser mobilizados no curto prazo. Além disso, o Irã dispõe de 40 milhões de homens aptos a combater. Na realidade, o Irã tem o exército convencional mais poderoso do Grande Oriente Médio. O Irã é a quarta força mundial em termos de lançadores móveis de foguetes e a oitava no que tange à artilharia convencional. Possui também 1.634 tanques de combate e 165 caças.

O Irã é um país-chave para o domínio da Eurásia, o supercontinente cujo controle, como já previa Zbigniew Brzezinski em “O Grande Tabuleiro de Xadrez”, propiciará hegemonia na ordem mundial.

China e Rússia sabem disso.

A China depende bastante do petróleo e do gás do Irã e vem fazendo pesados investimentos naquele país. Os chineses, em contratos de centenas de bilhões de dólares, conseguiram acesso exclusivo a partes significativas dos campos de gás e óleo do Irã. Em contrapartida, prometeram investir na infraestrutura energética do país e, mais do que isso, comprometeram-se a defender essas áreas petrolíferas contra agressões estrangeiras, “como se fossem território chinês”.

O acesso a essas jazidas iranianas, complementado por uma rede de gasodutos, permitirá à China amenizar sua dependência energética e é fundamental para a sua estratégia de constituir uma nova rota da seda. O Irã, por sua vez, poderá bloquear o estreito de Ormuz, por onde passam os grandes petroleiros que vêm do Golfo Pérsico, sem que isso impacte as suas exportações.

Já a Rússia vê o Irã como um parceiro geopolítico muito importante no Oriente Médio. Com a recente e injustificada ofensiva da administração Trump contra o Irã, contrariando abertamente o texto do acordo Joint Comprehensive Plan of Action, que colocou o programa nuclear iraniano sob controle dos EUA e da Europa em troca do levantamento das sanções, a Rússia aproximou-se muito do Irã. Em uma reunião entre Putin e Khamenei, realizada em novembro de 2022, o mandatário russo afirmou ao líder iraniano que a “Rússia não trairá o Irã”.

Há, portanto, muito em jogo. E o Irã não é a Venezuela ou o Panamá. Tem um longo histórico de resistência, que inclui uma terrível guerra com o Iraque, e cerca de 90 milhões de habitantes.

A crise iraniana tem de ser resolvida pelos iranianos, sem interferências externas e de forma pacífica. O Joint Comprehensive Plan of Action tem de ser plenamente retomado e as sanções precisam ser levantadas.

“Isto também passará”. Afinal, até a terrível Savak passou. Mas o Irã soberano não vai passar. Permanecerá, ainda, por outros milênios.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Secretário de Trump e Netanyahu discutiram intervenção no Irã, e Israel fica em alerta máximo com a possibilidade, diz agência

Conversa telefônica ocorreu no sábado (10) em meio à escalada de violência em protestos generalizados contra o governo do Irã, segundo a Reuters. Presidente dos EUA disse estar 'prontos para ajudar' manifestantes.

Por Redação g1, 11/01/2026 10h55 Atualizado há 20 horas

Vídeos mostram caos nas ruas do Irã em manifestações contra o governo Khamenei

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de uma intervenção no Irã, revelou a agência de notícias Reuters neste domingo (11). Eles conversaram ao telefone no sábado.

A discussão entre os representantes dos EUA e de Israel —os países são aliados históricos— ocorre em meio protestos generalizados contra o governo do Irã registrados nos últimos dias, que vem escalando tanto em escala quanto em violência.

Por conta da situação, Israel está em alerta máximo diante da possibilidade de qualquer intervenção dos EUA no Irã, afirmaram três fontes israelenses à Reuters. No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os EUA estão "prontos para ajudar".

A mídia norte-americana afirmou que Trump está pensando o que fazer em relação ao país do Oriente Médio: segundo o "The New York Times", ele foi informado por membros de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar, e segundo o "Axios", ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.

A princípio, o plano de intervenção partiria apenas dos EUA, e Israel não sinalizou até o momento o interesse em intervir no rival regional, segundo a Reuters. Mesmo assim, as tensões entre israelenses e iranianos continuam elevadas desde a guerra de 12 dias em junho de 2025. Netanyahu afirmou neste domingo estar "observando atentamente" aos protestos no Irã.

Em resposta a Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou neste domingo os EUA e Israel de "semear caos e desordem" no país ao fomentar confrontos nas ruas. O governo iraniano já havia acusado "mercenários" de ambos os países de participar dos protestos. O Irã também ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano.

Neste domingo, o número de mortos nos protestos no Irã subiu para ao menos 192 pessoas, segundo a ONG "Iran Human Rights", com sede na Noruega, e o chefe da polícia do Irã disse que "o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou". Anteriormente, Trump ameaçou atacar o Irã se o regime matar manifestantes pacíficos.

Pezeshkian também pediu para que a população se distancie do que chamou de "badernistas e terroristas". Ao mesmo tempo, Pezeshkian buscou uma conciliação com a população ao dizer que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas.

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País está em guerra, diz regime iraniano

Imagem retirada de um vídeo divulgado em 9 de janeiro mostra um carro em chamas durante noite de protestos em Zanjan, no Irã — Foto: TV estatal do Irã via AP

Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento se expandiu em escala e violência.

Khamenei disse na sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder supremo iraniano chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.

Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.

O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos.

Os EUA chamaram as acusações de “delirantes” e disseram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.

A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP.

O Irã não enfrentava um movimento dessa magnitude desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o código de vestimenta feminino.

As manifestações ocorrem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais.

Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.

Trump ameaça Cuba e sugere Rubio como novo presidente do país

Mundo

Ameaças de Trump contra Cuba surge dias após os EUA derrubarem o governo de Nicolás Maduro na Venezuela

Metrópoles, 11/01/2026 15:25, atualizado 11/01/2026 15:37


Artigo de Junio Silva

Arrasado pelo embargo econômico dos Estados Unidos em vigor desde a década de 1960, Cuba voltou a ser ameaçada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Desta vez, o líder norte-americano afirmou que o país deve fazer um acordo com Washington, ou não haverá mais “petróleo e dinheiro”. A declaração foi divulgada neste domingo (11/1), em uma publicação na rede social Truth.

Segundo o presidente dos EUA, Cuba por anos viveu com “grandes quantidades” de petróleo e dinheiro venezuelano, em troca de serviços de segurança para os últimos dois presidente do país: Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Cenário que, segundo Trump, mudou após a captura do presidente da Venezuela no último dia 3 de janeiro — e da recente aproximação entre Caracas e Washington após Delcy Rodríguez assumir a presidência do país de forma interina.

“A Venezuela agora tem os Estados Unidos da América, as forças armadas mais poderosas do mundo (de longe!), para protegê-la, e nós a protegeremos. NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO PARA CUBA – ZERO! Sugiro fortemente que façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”, escreveu Trump no comunicado.

Por anos, Cuba e Venezuela firmaram uma aliança regional estratégica, com o objetivo de driblar as sanções norte-americanas que atingem as duas nações. Agora, com a queda de Maduro, o futuro do laço entre Caracas e Havana segue incerto.

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Rubio como presidente de Cuba

Em uma outra publicação na Truth, Trump compartilhou uma “ideia” divulgada por um usuário da rede social X. Nela, um homem identificado como Cliff Smith afirmou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, será o próximo presidente de Cuba.

“Parece-me ótimo!”, escreveu o presidente norte-americano ao republicar o tweet.

Filho de cubanos, o atual chefe da diplomacia dos EUA é um dos críticos mais ferrenho do governo cubano — e de outras administrações de esquerda na América Latina.

Presidente de Cuba responde

Com as recentes ameaças de Trump, que incluíram até mesmo uma sinalização de que os EUA podem realizar uma mudança de poder forçada no país, como fez na Venezuela, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel veio à público rebater as declarações do presidente norte-americano.

Segundo o líder cubano, as falas de Trump refletem sua “raiva” contra a “decisão soberana deste povo de escolher seu modelo político”.

“Cuba é uma nação livre, independente e soberana”, escreveu Canel em nota. “Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos, e não ameaça; ela se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”, acrescentou.

Cuba e Estados Unidos: o que você precisa entender

Conhecimento

Mais de seis décadas de sanções, rupturas e propaganda moldaram o conflito entre Cuba e Estados Unidos. Você precisa entender o que sustenta esse impasse

ICL Notícias, 26/06/2025 | 09h00


Por Leila Cangussu

Você ouve falar de Cuba desde criança. Na escola, nos jornais, nos memes, nas rodas de conversa. Sempre com um filtro. De um lado, a imagem de um país oprimido por uma ditadura comunista. Do outro, o símbolo romântico da resistência anticapitalista.

Mas, mesmo assim, pouca gente te mostra por que, há mais de sessenta anos, Cuba e Estados Unidos vivem uma relação travada. Bloqueio econômico, propaganda política e um jogo de forças que atravessa décadas.

Entender esse embate ajuda a ler o funcionamento do poder no mundo. Quem impõe sanções. Quem sustenta o bloqueio. Quem lucra com a instabilidade. E quem paga a conta.

A relação entre Cuba e Estados Unidos não começou em 1959

Você já ouviu falar que os Estados Unidos romperam com Cuba por causa da Revolução. Mas o histórico é bem mais antigo. Desde o século XIX, os EUA demonstravam interesse pela ilha. Houve tentativas de compra de Cuba da Espanha. E, após a independência formal em 1902, os EUA mantiveram forte influência política e econômica no país vizinho.

O período da ocupação militar norte-americana entre 1898 e 1902 foi marcado pela imposição da Emenda Platt, que autorizava os EUA a intervir nos assuntos internos cubanos. Essa influência se manteve até 1959, quando o governo de Fulgencio Batista — aliado dos EUA — foi derrubado pela Revolução liderada por Fidel Castro.

A Revolução Cubana e a ruptura com Washington

Em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros guerrilheiros entraram em Havana. Batista fugiu. Começava um novo ciclo político, com forte apelo nacionalista e anti-imperialista. Em pouco tempo, Cuba nacionalizou empresas estrangeiras, incluindo bancos, usinas, indústrias e propriedades norte-americanas.


Fidel Castro, Che Guevara e companheiros marcham pelas ruas de Havana após a vitória da Revolução Cubana em 1959. A imagem se tornou símbolo de uma ruptura histórica que desafiou o imperialismo dos Estados Unidos e acendeu debates políticos em toda a América Latina. Foto: reprodução

Em resposta, os Estados Unidos impuseram sanções comerciais e romperam relações diplomáticas em 1961. Também apoiaram a fracassada invasão da Baía dos Porcos no mesmo ano. A radicalização do governo cubano levou à aproximação com a União Soviética. O ponto máximo da tensão veio em 1962, com a Crise dos Mísseis.

O embargo econômico: como ele funciona

O embargo dos Estados Unidos contra Cuba começou oficialmente em fevereiro de 1962, quando o então presidente John F. Kennedy assinou a ordem executiva que proibia todas as transações comerciais e financeiras com a ilha.

O que antes era uma série de restrições parciais virou uma política de bloqueio total. Desde então, Cuba está formalmente impedida de acessar boa parte da economia global, não por decisão de mercado, mas por imposição legal dos Estados Unidos.

O que está proibido

O embargo é uma política ativa de restrição econômica que transforma a vida cotidiana em Cuba e afeta a forma como outros países se relacionam com a ilha. O alcance é amplo e interfere em operações básicas do comércio internacional. O que está formalmente proibido inclui:
  • Transações financeiras entre empresas americanas e entidades cubanas
  • Exportações e importações entre Cuba e os Estados Unidos, com exceções mínimas
  • O uso do dólar em operações internacionais envolvendo Cuba
  • A entrada de produtos fabricados em outros países que contenham mais de 10% de componentes ou tecnologia dos EUA

Na prática, isso significa que até um computador feito na Alemanha, mas com chips fabricados nos Estados Unidos, não pode ser vendido para Cuba sem licença especial. O bloqueio se estende até os bancos: qualquer instituição que opere em dólares ou tenha negócios nos EUA pode ser penalizada se fizer transações com a ilha. Isso afeta remessas, compras on-line, contratos com empresas estrangeiras, serviços financeiros e até parcerias científicas.

Como o embargo foi reforçado?

Ao longo das décadas, o embargo foi endurecido por leis adicionais. Em 1992, a Lei Torricelli, aprovada no governo George H. W. Bush, proibiu que empresas subsidiárias de companhias americanas em outros países fizessem negócios com Cuba. Ou seja, uma filial da IBM no Brasil, por exemplo, não poderia fornecer serviços à ilha.

Em 1996, a Lei Helms-Burton deu caráter permanente ao embargo. Ela determinou que qualquer suspensão só poderia ocorrer com aprovação do Congresso dos EUA. Também autorizou sanções contra empresas estrangeiras que operem em Cuba utilizando propriedades nacionalizadas após 1959, o que ampliou a pressão extraterritorial sobre governos e empresas de fora dos EUA.

A lista de entidades restritas

Em fevereiro de 2025, o Departamento de Estado Americano atualizou a relação de instituições cubanas com as quais é proibido manter relações comerciais diretas.

O argumento usado pelo governo americano é que essas entidades estariam ligadas aos setores militar, de inteligência e segurança do Estado cubano. Mas a consequência prática é outra: o isolamento financeiro e comercial de amplas áreas da economia da ilha.

A lista inclui:

  • Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (MINFAR)
  • Ministério do Interior (MININT)
  • GAESA, grupo empresarial ligado às Forças Armadas
  • Empresas como Gaviota, CIMEX e Habaguanex, voltadas ao turismo e comércio
  • Redes de hotéis operadas por corporações estrangeiras em parceria com o Estado
  • Marinas, agências de turismo, produtoras de rum e tabaco, centros de convenções e serviços logísticos

Com a lista em vigor, qualquer empresa americana ou associada a bancos e sistemas financeiros que operam nos EUA fica proibida de interagir com esses grupos. Isso reduz drasticamente as possibilidades de investimento, encarece operações básicas e empurra Cuba ainda mais para o isolamento econômico.

O efeito teia

O embargo funciona como uma teia. Não se trata apenas de impedir a venda direta entre Cuba e Estados Unidos. Ele afeta qualquer tentativa de integração econômica da ilha com o resto do mundo. Empresas, bancos e governos evitam vínculos com Cuba por medo de punições. É o isolamento forçado por pressão econômica. E ele segue em vigor há mais de seis décadas.


Cubanos protestam contra o embargo econômico dos Estados Unidos segurando cartaz com os dizeres “Abaixo o bloqueio”, durante manifestação em Havana. A cena reflete a resistência popular às sanções impostas desde 1962, que seguem impactando a vida cotidiana na ilha. Foto: AFP
Impactos do embargo na sociedade cubana

O bloqueio não atinge apenas o governo. Ele dificulta a aquisição de medicamentos, alimentos, peças de reposição e insumos essenciais. Afeta serviços de internet, limita transações bancárias e encarece produtos básicos. O acesso a tecnologias com componentes americanos, mesmo que produzidas em terceiros países, é vetado.

Segundo dados oficiais cubanos, o embargo gerou perdas superiores a 159 bilhões de dólares. Estimativas da ONU apontam prejuízos sociais significativos, sobretudo nas áreas da saúde, energia e transporte.
O argumento americano e a realidade

O governo dos Estados Unidos afirma que o embargo é uma forma de pressionar por democracia e respeito aos direitos humanos. Mas o histórico mostra que países com violações semelhantes ou piores, desde que aliados estratégicos, não recebem tratamento semelhante. A medida é seletiva e tem peso geopolítico.

Cuba é o único país do continente americano submetido a um bloqueio tão prolongado. Isso levanta a pergunta: trata-se de defesa de princípios ou de manutenção de hegemonia?
Votações na ONU: o mundo contra o embargo

Desde 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas vota anualmente uma resolução que condena o embargo dos EUA a Cuba. Em todas as ocasiões, a esmagadora maioria dos países votou a favor do fim das sanções. Os únicos votos contrários recorrentes são dos Estados Unidos e de Israel.

Essas resoluções não são vinculantes, mas têm valor simbólico. Reforçam o isolamento diplomático da política de embargo e pressionam Washington a rever sua postura. Mesmo assim, as sanções seguem ativas.

Mudanças parciais e retrocessos

Durante o governo de Barack Obama, houve um movimento de distensão entre Cuba e Estados Unidos. Em 2015, os dois países restabeleceram relações diplomáticas após mais de cinco décadas de ruptura. A embaixada dos EUA em Havana foi reaberta, e algumas restrições foram afrouxadas. Passou a ser possível viajar à ilha com menos burocracia, e os limites para envio de remessas foram ampliados. Em 2016, Obama se tornou o primeiro presidente americano a visitar Cuba desde 1928.

Foto: STF/AFP/JC


Barack e Michelle Obama desembarcaram em Havana sob chuva fina, em março de 2016. A visita marcou o início de um breve período de reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, após mais de meio século de tensão diplomática. 

O cenário mudou em 2017, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca. O governo retomou a lógica de pressão total e adotou mais de 200 medidas para reforçar o bloqueio. Entre elas:Restrições a voos comerciais e cruzeiros saindo dos EUA com destino a Cuba
Redução no limite de envio de remessas por residentes cubano-americanos

Inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo

A retórica também mudou. O discurso da Casa Branca voltou a tratar Cuba como ameaça à segurança nacional. Isso justificou novas sanções e afastou qualquer possibilidade de retomada da política de aproximação.

Com Joe Biden, a expectativa era de reversão, mas a maior parte das restrições permaneceu. Em 2022, algumas flexibilizações foram implementadas. O limite para envio de dinheiro foi elevado, e voos comerciais voltaram a ser autorizados para outras cidades além de Havana.

Mesmo assim, a estrutura do embargo segue intacta. O bloqueio não depende só da vontade política do Executivo. Está amarrado à legislação. E, por isso, continua valendo mesmo quando o tom do discurso muda.

Migração cubana e os efeitos do bloqueio

Mais de dois milhões de cubanos vivem fora da ilha. A maioria está nos Estados Unidos. Esse movimento de saída começou logo após a Revolução de 1959 e continua até hoje, em diferentes formatos. Ao longo das décadas, cubanos deixaram o país por motivos políticos, econômicos ou familiares.

A comunidade cubana que vive nos EUA é diversa e nem sempre pensa da mesma forma. Parte apoia o bloqueio e defende uma política mais dura contra o governo de Cuba. Outra parte mantém laços ativos com a ilha. Envia dinheiro, visita parentes e se posiciona contra as sanções.

Em 2022, o número de cubanos tentando entrar nos Estados Unidos aumentou de forma significativa. Muitos fizeram a travessia pela fronteira com o México. Outros usaram rotas marítimas ou voos até países da América Central. O aumento da migração está diretamente ligado ao agravamento das condições de vida em Cuba. A crise econômica, os impactos do bloqueio e a falta de acesso a produtos e serviços básicos estão entre os principais fatores.

A política dos EUA para migrantes cubanos mistura permissões especiais e medidas restritivas. Durante décadas, cubanos tiveram tratamento diferenciado em relação a outras nacionalidades latinas. Mas isso vem mudando. Hoje, a migração é cada vez mais usada como peça no jogo político entre os dois países.
O papel dos meios de comunicação

A cobertura midiática sobre Cuba nos Estados Unidos costuma reforçar a narrativa do fracasso socialista. Pouco se fala sobre os efeitos do embargo. A censura de plataformas digitais e restrições ao acesso de jornalistas também afetam a circulação de informações.

A produção audiovisual sobre Cuba reflete essa disputa de narrativas. Documentários, filmes de ficção e reportagens mostram diferentes perspectivas sobre a realidade cubana. Muitas dessas produções ajudam a compreender o cotidiano da população e os dilemas enfrentados por quem vive na ilha.

Cuba além dos clichês

Cuba não é só o regime político. É uma sociedade com contradições, histórias diversas, avanços em áreas como saúde e educação, e limitações estruturais profundas. É um país afetado pelo bloqueio, mas também por decisões internas. A crítica ao embargo não implica idealização do governo cubano.

Ao longo das décadas, Cuba construiu redes de solidariedade, investiu em ciência e saúde pública e participou de ações internacionais de cooperação. Mas enfrenta sérios desafios econômicos e sociais.

A disputa pelo imaginário

A relação entre Cuba e Estados Unidos é também uma batalha simbólica. Para os EUA, manter o bloqueio é uma forma de reafirmar autoridade política na região. Para Cuba, resistir ao embargo virou parte do discurso de soberania.

Essa polarização impediu debates mais amplos sobre alternativas econômicas, reformas internas e democratização. A política de isolamento favorece o endurecimento do regime e dificulta avanços sociais reais.

Foto: reprodução

Na foto acima, o chanceler cubano Bruno Rodríguez participa da cerimônia de reabertura da embaixada de Cuba em Washington, em 20 de julho de 2015. O evento marcou um passo simbólico na retomada das relações entre os dois países, mas o fim do embargo comercial ainda depende de decisão do Congresso dos EUA. 

O que está em jogo?

Você não precisa apoiar o regime cubano para perceber que o embargo impõe sofrimento à população. A política externa dos EUA com relação à ilha tem menos a ver com defesa de direitos e mais com controle regional. A manutenção das sanções responde a interesses eleitorais e geopolíticos.

Cuba e Estados Unidos vivem um impasse prolongado. Entender esse embate ajuda a refletir sobre soberania, autodeterminação e as formas de poder no sistema internacional.
O que você pode fazer? Buscar fontes diversas de informação sobre Cuba
Acompanhar debates internacionais sobre o embargo
Ouvir vozes cubanas da ilha e da diáspora
Refletir sobre o papel dos Estados Unidos no cenário global
Questionar a seletividade das sanções econômicas

Conclusão

A relação entre Cuba e Estados Unidos não está no passado. Ela segue viva, tensa e cheia de camadas. São mais de sessenta anos de bloqueio econômico, disputas ideológicas, operações secretas, migrações em massa e reaproximações frustradas. Nada disso se resolve com frases prontas.

Cuba continua tentando manter seu projeto político sob pressão constante. Com erros, limites e contradições, mas também com autonomia diante da maior potência do planeta. Os Estados Unidos seguem impondo um bloqueio que já foi condenado por quase todos os países do mundo, mas que permanece por interesses geopolíticos e disputas internas.

Se você quer entender o presente da América Latina e o papel do imperialismo no século XXI, precisa olhar com atenção para o que acontece entre Cuba e EUA. A história não acabou. E o que está em jogo vai muito além de duas bandeiras.

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