domingo, 15 de fevereiro de 2026

O que é o orçamento secreto?

Recursos têm origem em emendas, verba prevista no Orçamento da União para investimentos indicados pelos parlamentares. Falta de transparência é questionada no STF.

Por g1 — São Paulo,12/10/2022 07h28 Atualizado 14/10/2022


O que é orçamento secreto?

O chamado orçamento secreto surgiu com a criação de uma nova modalidade de emendas parlamentares. Emendas são recursos do Orçamento da União direcionados por deputados para suas bases políticas ou estados de origem. As verbas devem ser usadas para investimentos em saúde e educação.

As emendas podem ser:

individuais: cada parlamentar decide onde alocar o dinheiro;
de bancada: emendas coletivas, elaboradas por deputados do mesmo estado ou região;
de comissão: emendas coletivas de comissões permanentes da Câmara ou do Senado.

A nova modalidade partiu de emendas que o relator podia fazer ao Orçamento da União -- ajustes pontuais para corrigir itens do texto.

Em 2019, o Congresso aprovou novas regras, que ampliaram o poder do relator. Ele passou a liberar valores do Orçamento a pedido de deputados e senadores. Nos sistemas do Congresso, não aparecem os nomes dos parlamentares que são beneficiados, somente o nome do relator. Daí a expressão orçamento secreto.

Além disso, os critérios de distribuição desse dinheiro têm pouca transparência e depende de negociação política. A grande maioria da verba acaba indo para base aliada do governo no Congresso.

Em 2021 e 2022, o Planalto destinou bilhões de reais para essas emendas de relator — o que foi interpretado como uma forma de fazer barganha política com o Legislativo. Existe uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a legalidade do orçamento secreto. O caso está com a ministra Rosa Weber.


A privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins

O que está em jogo na proposta do agronegócio é a materialização de uma visão de país onde a natureza é um recurso a ser explorado para lucro de poucos

ICL, 14/02/2026 | 08h00

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Por Frei Betto*

O coração hídrico do Brasil pulsa na Amazônia, e seus principais vasos – rios como o Tapajós, o Madeira e o Tocantins – estão no centro de um embate que redefine fronteiras entre desenvolvimento, soberania e sobrevivência.

Um projeto articulado entre o agronegócio e setores do governo federal ameaçava transformar esses cursos d’água em meras hidrovias de eficiência logística, através de um processo duplo: a concessão à iniciativa privada (uma forma de privatização da gestão dos rios) e a dragagem intensiva para garantir o escoamento de grãos. Esta equação, vendida como progresso, ignorava o custo social e ambiental astronômico, e revelava os contornos de uma política que beneficiaria uma elite econômica em detrimento de povos tradicionais e do patrimônio natural do país.

Os rios em questão são mais do que rotas; são ecossistemas complexos, berços de biodiversidade e, sobretudo, a espinha dorsal de vida para centenas de comunidades indígenas e ribeirinhas.

O Tapajós, de águas verde-azuladas, é vital para os Munduruku, que há séculos dependem da pesca e de suas margens para cultura e subsistência.

O Madeira, um gigante de águas barrentas e grande produtor de peixes, sustenta inúmeras comunidades e tem importância ecológica imensurável.

O Tocantins, já impactado por barragens, permanece como fonte de vida para povos como Apinajé e Krahô.

O responsável pela intenção de transformar estes rios em corredores de navegação é o agronegócio, especificamente o complexo soja-milho do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. A justificativa é econômica: escoar a produção pelos rios até os portos do Norte seria mais barato e competitivo do que pelo eixo Centro-Sul, considerado caro e saturado. Para viabilizar navios graneleiros de grande calado, é necessária a dragagem contínua e o aprofundamento do leito dos rios.

Na noite de sexta-feira, 6 de fevereiro, o governo federal, por pressão dos povos indígenas, suspendeu a licitação que habilitara uma empresa para dragagem do rio Tapajós ao custo de R$ 61,8 milhões. A nota foi assinada pelos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, “nenhuma medida relativa a ações ou serviços no rio Tapajós avançará sem que os povos da região sejam amplamente consultados e sem que todas as normas vigentes sejam rigorosamente cumpridas. O decreto não autoriza concessões da hidrovia nem a realização de obras como dragagem.”

O ICMBio e o Ibama emitiram pareceres técnicos apontando os impactos ambientais e riscos decorrentes da dragagem caso prosseguisse.

Portanto, graças à mobilização dos povos originários e do Ministério Público Federal no Pará, conseguiu-se evitar a privatização do uso e da gestão de um bem público fundamental.

Caso a dragagem prosseguisse, o Estado ficaria com o ônus, ao assumir os riscos políticos e os conflitos, enquanto o setor privado receberia o bônus: gerenciar a infraestrutura com garantia de lucro, através de tarifas, e o agronegócio obteria sua rota de escoamento a um custo operacional reduzido.

Seria uma simbiose perfeita entre poder público e capital, com os custos socializados e os lucros fortemente privatizados.

A reação dos povos indígenas serviu de alerta máximo e resistência. Quase nunca são informados e consultados previamente, como determina a Convenção 169 da OIT. O §3º do art. 231 da Constituição estabelece que o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, e a pesquisa e lavra de riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas. Portanto, a Constituição exige autorização do Congresso Nacional e consulta às comunidades indígenas impactadas.

Os impactos de uma possível dragagem são evidentes: revolve sedimentos, libera possíveis contaminantes, destrói habitats de desova e alimentação de peixes, envenena a água e afeta a perenidade e a qualidade do pescado. Para comunidades que dependem da pesca não apenas como alimento, mas como elemento cultural e de renda, seria um golpe devastador. A navegação intensiva de grandes embarcações altera a dinâmica do rio, aumenta o risco de acidentes e contaminações por óleo e afasta os peixes, comprometendo a segurança alimentar.

A “privatização” do rio significaria, na prática, o controle do acesso. Locais sagrados, áreas de pesca tradicional e as próprias margens poderiam se tornar zonas de conflito com as empresas concessionárias, que priorizariam o tráfego de commodities. A militarização e o aumento do fluxo de pessoas em regiões frágeis também trazem violência, grilagem e pressão sobre territórios já demarcados.

O que está em jogo na proposta do agronegócio no Tapajós, no Madeira e no Tocantins transcende a discussão sobre logística. É a materialização de uma visão de país onde a natureza é um recurso a ser explorado até a exaustão para benefício e lucro de poucos.

A resistência indígena e de movimentos socioambientais não é contra o desenvolvimento, mas por um desenvolvimento que não signifique a morte dos rios e o extermínio de modos de vida. Cabe à sociedade brasileira decidir se seus rios serão estradas líquidas para o agronegócio ou veias vivas de uma Amazônia diversa e soberana.

O futuro mostrará que a decisão de suspender a licitação que habilitara uma empresa a dragar o rio Tapajós definirá muito mais do que o curso das águas; definirá o rumo do país.
Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão.

*Frei Betto é escritor, autor de dois livros sobre os povos indígenas: “Uala, o Amor” (FTD) e “Tom Vermelho do Verde”(Rocco), entre outras obras. Livraria virtual: freibetto.org

Pesquisa confirma cenário de Lula presidente

Para o jornalista Paulo Moreira Leite, números mostram liderança de Lula e acendem alerta sobre reação da direita brasileira ao resultado eleitoral

Brasil 247, 14 de fevereiro de 2026, 07:58 h

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Artigo do jornalista Paulo Moreira Leite

Quando faltam oito meses para a corrida às urnas da próxima eleição presidencial, uma pesquisa da Genial/Quaest mostra números que a maioria dos brasileiros e brasileiras já pode adivinhar: Lula mantem boa vantagem para garantir um novo mandato.

Os dados foram publicados pelo Estado de S. Paulo, insuspeito de qualquer esforço estimular uma nova canditatura do presidente. Os números, sempre numa eventual eleição em primeiro turno, são claros.

Lula lidera acima da margem erro nos três cenários, entre 35% e 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonardo perde sempre, em segundo lugar, degraus abaixo, numa diferença que varia conforme a escalação dos demiais concorrentes.

Se o Brasil fosse um país onde as disputas políticas são travadas com métodos civilizados, com respeito à vontade do eleitor e às regras da democracia, seria possível aguardar o pleito com a disposição e o otimismo normal das democracias. Salvo acidentes de percurso, a reeleição estaria assegurada.

Basta recordar o espírito anti-democrático e as práticas golpistas do submundo da direita brasileira para prever o retorno de jogo bruto e tradicionais manobras para tentar impedir a vontade do povo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Pacheco busca aliança com Aécio para enfrentar candidato de Zema, diz jornal

Senador se filia ao União Brasil e articula chapa de oposição com apoio de Lula, MDB e PSDB para disputar governo mineiro

Brasil 247, 15 de fevereiro de 2026, 09:36 h

Rodrigo Pacheco (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Convencido pelo presidente Lula a disputar governo de Minas, o senador Rodrigo Pacheco acertou sua saída do PSD para se filiar ao União Brasil. A filiação foi definida em reunião em Belo Horizonte entre o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e o deputado federal Rodrigo de Castro (União Brasil-MG), escolhido por Pacheco para presidir o diretório estadual.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), é considerada nome certo para uma das vagas ao Senado na eventual chapa encabeçada por Pacheco.

A composição da chapa inclui o deputado federal Aécio Neves (PSDB) para a segunda vaga. De acordo com o colunista, o tucano não apoiaria Lula, e o Partido dos Trabalhadores também não pediria votos para Aécio. Ainda assim, a articulação teria como objetivo ampliar o alcance político da chapa, posicionando-a mais ao centro.

A formalização da filiação ao União Brasil está prevista para ocorrer após o Carnaval, enquanto Pacheco aguarda uma conversa com Lula para confirmar sua candidatura e iniciar negociações para formar uma chapa de oposição ao governo de Romeu Zema (Novo).

Pacheco pretende ainda atrair para a aliança em Minas Gerais o MDB, liderado por Newton Cardoso Júnior. A definição da chapa deve incluir a escolha de vice e das duas vagas ao Senado. Aécio Neves, embora não queira disputar a reeleição para deputado federal, deve definir sua estratégia política em abril. Pacheco, por sua vez, mantém a prerrogativa de montar seu palanque.

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Universidades da China superam Harvard e dominam lista de melhores do mundo

Internacional

Casas de estudo da China ocupam sete das dez posições do CWTS Leiden Ranking, com os dois primeiros lugares

ICL, 27/01/2026 | 20h42


Por Brasil de Fato

(Victor Farinelli | Opera Mundi) — O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, divulgou há poucos dias sua mais recente versão do ranking global das universidades, com a presença de duas universidades chinesas nos dois primeiros lugares, superando a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, que aparece em terceiro lugar.

Nesta nova edição do Leiden Ranking, a primeira posição é da Universidade de Zhejiang, no sudeste da China. O segundo lugar é da Universidade Jiao Tong, na cidade de Xangai, também no sudeste chinês.

Além dos dois primeiros lugares, as universidades chinesas ocupam outras cinco posições no top 10 do ranking: do quarto lugar até o oitavo, aparecem as universidades de Pequim Fudan, Tsinghua, Hefei (Universidade de Ciência e Tecnologia da China) e Nanjing.

Os dois últimos lugares do top 10 são de instituições dos Estados Unidos: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, por sua sigla em inglês) e a Universidade da California (Berkeley).

O Brasil se destaca na lista pela presença da Universidade de São Paulo (USP) no 17º lugar, que a coloca entre as poucas instituições não chinesas que ocupam os 20 primeiros lugares.

Vale destacar que o Leiden Ranking se baseia exclusivamente na produção científica, artigos e reviews indexados na Web of Science e não incorpora critérios como reputação acadêmica, prestígio entre empregadores, internacionalização formal, proporção de estudantes estrangeiros, prêmios individuais ou percepção da qualidade do ensino, razão pela qual o modelo é considerado imune à influência de variáveis simbólicas ou mercadológicas.

Causas

Segundo o jurista e cientista político Hugo Albuquerque, o atual cenário de hegemonia das universidades chinesas é o resultado de “um brutal investimento feito desde a Revolução de 1949 para formar pessoas que pudessem construir o país, e isso nunca parou”.

“Esse enorme investimento estatal aconteceu principalmente no âmbito das ciências exatas e da tecnologia, e onde podemos ver uma evolução muito grande. Também houve muito investimento nas ciências humanas, mas não tanto quanto nas ciências exatas e na tecnologia. E é óbvio que isso fez parte de um projeto de construção de um país, de uma superpotência”, analisou Albuquerque.

Estados Unidos

O jurista também falou sobre as informações que Leiden Ranking traz sobre os Estados Unidos. Para ele, a lista reflete “uma crise nas universidades norte-americanas”, que levaram as mesmas a perderem protagonismo a nível mundial.

Sobre as causas dessa crise, Albuquerque cita o “custo muito alto e a desvinculação das universidades de um projeto de país que, na verdade, não existe”.

“Hoje, há uma divisão hoje nos Estados Unidos sobre o que é o projeto de país. O Partido Republicano, que está no poder, nega a importância das ciências, da tecnologia, do esclarecimento de um modo geral. Então, acredito que isso prejudique o desenvolvimento universitário norte-americano”, acrescenta.

]Albuquerque lembra dos ataques feitos por Trump contra as universidades, em seus discursos, durante o primeiro ano do seu atual mandato presidencial.

“Por mais que elas (universidades) gozem de autonomia, essa postura (de Trump) cria um cenário de impasse, porque não há um debate entre dois projetos de país que envolva dois modelos de civilização. O que há nos Estados Unidos é uma disputa entre um projeto dominado pelas ideias do neoliberalismo e outro pelas ideias do fascismo, que nega o papel central da educação, da ciência, desses aspectos nos quais os chineses investem bastante”, completa o jurista.

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

Senado argentino aprova reforma de Milei que reduz direitos e amplia jornada de trabalho

Internacional

Texto reduz indenizações, amplia jornada para até 12 horas e enfrenta forte reação sindical

ICL, 13/02/2026 | 19h40

(LUIS ROBAYO/AFP)

Publicada originalmente às 16h13 de 12/02/2026*

O Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (12) o polêmico projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). A proposta representa uma das primeiras grandes vitórias legislativas do governo de extrema direita e reforça sua agenda pró-mercado. O texto passou por 42 votos a 30, após mais de 13 horas de debate, e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta, defendida pelo presidente e por aliados como uma “modernização” das leis trabalhistas argentinas, contém uma série de mudanças que flexibilizam o mercado de trabalho e reduzem proteções históricas aos trabalhadores.

Entre os principais pontos estão a facilitação de contratações e demissões, a redução de indenizações por demissão sem justa causa, a possibilidade de estender a jornada de trabalho padrão de oito para 12 horas e novas limitações ao direito de greve.

O governo de Milei alega que as regras atuais eram “obsoletas” e que a reforma ajudará a atrair investimentos, reduzir a burocracia e incentivar a formalização de empregos em um país em que cerca de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.

Presidente argentino, Javier Milei (Foto: LUIS ROBAYO / AFP)

Precarização do trabalho

A aprovação no Senado ocorreu em meio a forte oposição sindical e política. A reforma enfrenta críticas duras de sindicatos, partidos peronistas e movimentos sociais, que afirmam que as mudanças representam “erosão de direitos históricos” e precarizam as condições de trabalho.

Protestos e confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados nas imediações do Congresso em Buenos Aires, durante a votação. Houve uso de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança, enquanto movimentos de rua denunciavam as alterações propostas.

Para garantir maioria, deputados governistas e aliados aceitaram uma série de ajustes de última hora no texto, como a exclusão de uma medida que reduziria a alíquota do imposto de renda para grandes empresas e ajustes relacionados às contribuições sindicais.

Ameaça de greve nacional
Nota de repúdio do CGT em relação à aprovação no Senado da Reforma Trabalhista de Milei. (Imagem: Reprodução)

Em nota, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) expressou um duro comunicado contra o projeto e a forma como foi conduzido o debate. A central sindical criticou o “tratamento expresso” dado à proposta e afirmou que a discussão não esteve à altura da “profundidade e relevância” dos temas abordados.

Para a CGT, a iniciativa representa “um retrocesso em matéria de direitos coletivos e individuais” e consolida “uma transferência de recursos do trabalho para o capital”. A entidade classificou a proposta como uma “falsa modernização”, argumentando que ela não responderá aos problemas estruturais do mundo do trabalho na Argentina.

A central também direcionou críticas aos parlamentares que votaram favoravelmente ao texto, considerando “irresponsável” o apoio dos senadores que endossaram o projeto. Segundo a CGT, o debate está longe de terminar e deve se intensificar na Câmara dos Deputados.

“Aos deputados e deputadas dizemos que esta central continuará seu plano de ação em todas as áreas que forem necessárias”, afirmou a liderança cegetista, mencionando mobilizações nas ruas, atuação na Justiça e pressão no próprio Congresso como frentes de resistência.

No trecho final do comunicado, a CGT declarou que o avanço da reforma constitui “um verdadeiro retrocesso dos direitos trabalhistas” e defendeu que o cenário só poderá ser revertido por meio de “um projeto político que coloque novamente o trabalhador e sua dignidade no centro”.

Rússia lamenta fim de tratado nuclear com os EUA, que querem incluir China em futuros acordos

Putin queria renovar trato por mais um ano, mas Washington exige regulamentação de arsenal de Pequim

ICL, 06/02/2026 | 07h39

(Kirill Kudryavtsev/ Various Sources/ AFP)


O Kremlin lamentou o fim do acordo que regulamenta os arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos. O último tratado de não proliferação de armas nucleares entre os dois países expirou nesta quinta-feira (5), uma mudança importante no controle de armamentos desde a Guerra Fria.

“Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, sobre o fim do acordo Novo START, que limita a quantidade de ogivas nucleares implantadas por cada país.

O documento expirou às 0h00 GMT de 5 de fevereiro (21h da quarta-feira em Brasília), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não respondeu a uma proposta de seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, de prolongar por um ano os termos do acordo. O presidente dos EUA exigiu que qualquer novo tratado na área deveria incluir a China.

Putin “ressaltou que, nesta situação, agiremos com prudência e responsabilidade”, informou o assessor diplomático do presidente russo, Yuri Ushakov, em uma coletiva de imprensa.

“Continuamos abertos a encontrar vias de negociação e a garantir a estabilidade estratégica”, assegurou Ushakov.
China

Com o fim do tratado, Moscou e Washington estão formalmente liberados de uma série de restrições sobre seus arsenais nucleares. O Ministério das Relações Exteriores da China se uniu a outras vozes no cenário internacional que lamentaram a expiração do tratado, mas afirmou que “nesta etapa” não participaria de eventuais conversações nucleares.

“As capacidades nucleares da China são de uma escala totalmente diferente das dos Estados Unidos e da Rússia. Não participaremos, nesta etapa, de negociações de desarmamento nuclear”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian.

Rússia e Estados Unidos controlam conjuntamente mais de 80% das ogivas nucleares do mundo, mas os acordos de controle de armas têm perdido força. O arsenal nuclear chinês aumenta rapidamente: analistas calculam que o país possui 550 lançadores estratégicos, abaixo dos 800, cada um, dos Estados Unidos e da Rússia.

Reino Unido e França, aliados dos Estados Unidos, têm outros 100 em conjunto. O Novo START, firmado pela primeira vez em 2010, limitava o arsenal nuclear de cada parte a 1.550 ogivas estratégicas implantadas, uma redução de quase 30% com relação ao limite anterior estabelecido em 2002.

Também permitia a cada parte realizar inspeções ‘in situ’ do arsenal nuclear da outra, mas estas foram suspensas em 2023. O secretário-geral da ONU, António Guterres, o classificou como “um momento sério para a paz e a segurança internacionais” e exortou Washington e Moscou a “retornarem à mesa de negociações sem demora e a estabelecerem um quadro sucessor”.

Um funcionário da Otan, que pediu anonimato, pediu “moderação e responsabilidade” e afirmou que a aliança atlântica “continuará dando os passos necessários” para garantir a sua defesa. Além disso, criticou a “retórica nuclear irresponsável da Rússia”, enquanto a China “continua expandindo e diversificando rapidamente o seu arsenal nuclear”.

O papa Leão 14, que raramente se pronuncia sobre o âmbito nuclear e seus tratados, alertou para o risco de uma “nova corrida armamentista” e fez “um apelo urgente para que não se abandone este instrumento sem tentar garantir-lhe um seguimento concreto e eficaz”.

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“Coisa de moleque”: ministros do STF ficam indignados com vazamento de reunião sobre Toffoli

Divulgação de diálogos atribuídos a magistrados sobre o caso Master aprofunda tensão interna na Corte e expõe divergências sobre suspeição

Brasil 247, 14 de fevereiro de 2026, 04:44 h
Ministro do STF, Dias Toffoli 12/02/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Adriano Machado)

artigo de Redação Brasil 247

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram com indignação ao vazamento de uma reunião reservada realizada na noite de quinta-feira, na qual foi discutida a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master. Um dos magistrados classificou a divulgação das conversas como “coisa de moleque”, segundo relato publicado pela imprensa.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com base em reportagem do site Poder360, que reproduziu falas atribuídas aos ministros durante o encontro fechado.

Maioria era favorável à permanência de Toffoli

De acordo com o conteúdo divulgado, sete ministros — Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques — manifestaram-se a favor da permanência de Toffoli na relatoria do caso Master. Outros dois, Cármen Lúcia e Edson Fachin, fizeram ressalvas durante a discussão.

Ao serem questionados pelo jornal, alguns ministros colocaram em dúvida a fidelidade dos diálogos divulgados. Um integrante do STF afirmou que havia elementos “diferentes” nas conversas publicadas. Segundo a reportagem, o vazamento intensificou o ambiente de desconfiança dentro da Corte, resgatando um clima de tensão institucional semelhante ao observado antes da pandemia, quando divergências entre magistrados se tornaram públicas.

Toffoli nega gravação da reunião

Em meio às suspeitas, Dias Toffoli afirmou ao jornal que não gravou a reunião. “Jamais fiz ou faria algo assim. Pura inverdade e especulação”, declarou o ministro.

Segundo integrantes do STF citados na reportagem, o encontro contou apenas com os dez ministros atualmente em exercício, sem a presença de auxiliares ou técnicos, o que ampliou o desconforto com a divulgação do conteúdo.
Relatório da PF e pedido de suspeição

A crise ganhou força após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório pericial sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento teria identificado menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no aparelho. A informação foi inicialmente revelada por veículos como o UOL e confirmada pelo jornal.

Após o envio do relatório, foi aberto na Corte um pedido de suspeição contra Toffoli. Em nota divulgada na quarta-feira, o gabinete do ministro afirmou ter recebido um “pedido de declaração de suspeição” elaborado pela Polícia Federal, mas classificou o relatório encaminhado a Fachin como baseado em “ilações”.

A reunião da quinta-feira ocorreu após Toffoli contestar a suspeição e o relatório ser remetido à Procuradoria-Geral da República.

Divergências sobre a suspeição

Segundo o Poder360, o ministro Gilmar Mendes antecipou que votaria contra a suspeição de Toffoli com base nas mensagens coletadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. O decano do STF também teria defendido uma solução célere para o impasse, antes do Carnaval, a fim de evitar maior desgaste institucional.

Alexandre de Moraes, ainda conforme o portal, criticou a atuação da Polícia Federal na investigação e afirmou ter alertado para riscos de nulidades no inquérito. A reportagem menciona que o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, foi contratado para defender o Master por R$ 129 milhões ao longo de três anos.

Nunes Marques também teria sustentado não haver fundamento jurídico para afastar Toffoli, afirmando que, após examinar o relatório da PF, não identificou elementos que justificassem impedimento ou suspeição.

Na mesma linha, André Mendonça reconheceu a existência de uma crise institucional, mas sinalizou voto contrário à suspeição. Segundo o portal, o ministro relativizou a participação de magistrados em eventos patrocinados por empresas privadas, afirmando que tal critério poderia atingir qualquer integrante da Corte.

Cristiano Zanin, conforme a reportagem, declarou que votaria pela permanência de Toffoli e questionou o volume e a consistência das informações encaminhadas pela Polícia Federal, alertando que o reconhecimento formal da suspeição poderia anular provas já produzidas.

Flávio Dino, ainda de acordo com o Poder360, defendeu que pedidos de suspeição contra ministros do STF só devem prosperar em situações extremas. Ele sugeriu que a crise fosse resolvida administrativamente, por meio de nota conjunta reafirmando que não haveria impedimento de Toffoli.

Apesar da maioria favorável, Cármen Lúcia e Edson Fachin apresentaram ponderações. A ministra manifestou confiança em Toffoli, mas destacou a necessidade de preservar a institucionalidade. Já Fachin defendeu que o tema fosse levado ao plenário.

Segundo a reportagem, Toffoli afirmou compreender que tinha maioria para permanecer no caso, mas acenou com a possibilidade de pedir a redistribuição do processo. Fachin teria concordado com esse encaminhamento.

O vazamento da reunião, no entanto, tornou-se o principal fator de tensão, aprofundando divisões internas e reacendendo o debate sobre os limites da exposição pública de discussões reservadas no Supremo Tribunal Federal.

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Padre ficou impactado diante da tragédia de Itumbiara

Tragédia de Itumbiara

Padre questiona a fé, a formação religiosa transmitida e os comportamentos consequentes diante da tragédia na qual um católico mata os dois filhos e depois comete suicídio

14 de fevereiro de 2026


Além de profundamente impactado com essa tragédia em Itumbiara, confesso que algo me assusta ainda mais.

Todos se dizem piedosos. Falam de Deus com facilidade. Citam Nossa Senhora, pedem perdão, proclamam amor divino. Mas que Deus é esse que está sendo experimentado? Que espiritualidade é essa que convive com o abismo sem perceber o próprio delírio?

Sou padre. Sou líder religioso. E digo com dor: estamos falhando gravemente na nossa missão. Há muito despreparo. Há muita liderança movida por emoção, espetáculo e sensacionalismo espiritual. Falta profundidade. Falta acompanhamento sério. Falta formação da consciência.

Quando a fé se torna fuga psicológica, quando a devoção substitui o cuidado com a saúde mental, quando o discurso religioso não confronta distorções internas, algo está profundamente errado.

Fé autêntica não aliena. Não adoece. Não legitima o desespero.

Se continuarmos confundindo fervor com maturidade espiritual, outras tragédias virão e continuaremos dizendo que “era um homem de fé”.

Isso é gravíssimo. E precisa ser dito.

Pe. Ronan

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado

Davi Alcolumbre poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco

Brasil 247, 13 de fevereiro de 2026, 05:56 h

Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado(Foto: Gustavo Moreno/STF)

Artigo da Redação Brasil 247

O Senado Federal reúne atualmente mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo análise publicada na Coluna do Estadão, o ministro Dias Toffoli passou a enfrentar, pela primeira vez, a possibilidade concreta de ter seu afastamento analisado pela Casa.

De acordo com a colunista Roseann Kennedy, do jornal Estado de S. Paulo, o cenário é descrito como uma “tempestade perfeita”, combinando investigações, desgaste institucional e tensões entre os três Poderes da República.

Embora Alexandre de Moraes seja o recordista em número de representações, é Toffoli quem se encontra em situação mais delicada neste momento. A avaliação publicada aponta que o ministro aparece cada vez mais envolvido no caso do Banco Master, cujo desdobramento passou a atingir diretamente sua imagem dentro e fora do Supremo.

Caso Banco Master e pedido da Polícia Federal

A situação ganhou novos contornos após vir a público que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli em razão de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme relatado na coluna, foram encontradas conversas entre o empresário e o ministro em celular apreendido pela PF. Também teriam sido identificadas menções a Toffoli em trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros.


Segundo o texto, Toffoli nega relações de amizade e comerciais com o banqueiro.

O episódio ampliou o mal-estar dentro do Supremo Tribunal Federal e agravou o desgaste político do ministro. A publicação destaca que interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam que Toffoli “não é bem quisto”, o que reduziria sua base de apoio em um eventual processo no Senado.

Desgaste com Legislativo e Executivo

A análise também ressalta que, no Legislativo, Toffoli coleciona desafetos, especialmente por ter instaurado de ofício o inquérito das Fake News, apontado como marco do que foi chamado de “hipertrofia” do poder do Supremo. Além disso, seus votos considerados decisivos para desmontar a Operação Lava Jato teriam ampliado resistências políticas.

No Executivo, segundo a coluna, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que indicou Toffoli ao STF em 2009 — carregaria mágoas antigas, além de um desentendimento recente ocorrido em reunião sobre o caso Master.

Em ano eleitoral, o texto destaca que a desconfiança da sociedade em relação à conduta de instituições como o STF, o Banco Central e a Polícia Federal não favorece o governo e pode fortalecer a oposição.

Possíveis impactos no STF

A eventual abertura de processo de impeachment contra Toffoli teria repercussões diretas na composição do Supremo. Uma eventual cassação abriria nova vaga na Corte. De acordo com a análise, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira já existente no STF.

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