sexta-feira, 13 de março de 2026

Ratinho diz que defende população trans: 'Crítica não é preconceito'

Televisão

De Splash, em São Paulo, 13/03/2026 12h47, Atualizada em 13/03/2026 14h01





Ratinho, 70, se defendeu após fazer comentários transfóbicos sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), 33.

Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.

O que aconteceu

Na quarta, Ratinho foi transfóbico ao comentar a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. "Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo... Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias", disse o apresentador, no Programa do Ratinho (SBT).

Ele disse que "não acha justo" que Erika tenha sido eleita para o cargo. "Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado... A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher."

Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar. Ratinho

Erika disse, em suas redes sociais, não estar incomodada com o "esgoto da sociedade". "Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação", escreveu ela, no X (antigo Twitter).

Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. Erika Hilton

O SBT disse que as falas de Ratinho não representam a emissora. "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores", diz nota enviada ontem à imprensa.

Erika Hilton conversou ao telefone com Daniela Beyruti, presidente do SBT. "A deputada entrou em contato para conversar com a Daniela, para deixar claro que não tem qualquer problema com o SBT", confirmou a emissora a Splas.

A deputada acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar Ratinho e o SBT pelas declarações. Além do inquérito civil, Erika pede a abertura de uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti. As informações são da coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Ela afirma que as declarações de Ratinho não atingem apenas a comunidade trans, mas também outras mulheres. "Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram. Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo. Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos. Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação", disse.

O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo. E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução. Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado.

Erika diz que "Ratinho e o SBT pagarão por seus atos". "Eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato", escreveu.

A eleição de Erika Hilton para a comissão aconteceu em dois turnos, sob protestos da oposição. No primeiro turno, o quórum foi de 22 parlamentares. Deles, dez votaram pela chapa e outros 12 votaram em branco, protestando contra Hilton. O segundo turno teve um quórum de 21 votos, 11 foram favoráveis à chapa e outros dez em branco.

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