domingo, 30 de janeiro de 2022

As eleições deste ano podem se transformar em batalha campal

ELEIÇÕES DE 2022

"Mas há sinais fortes do judiciário e das forças armdas de que a Constituição será cumprida, garantidas as eleições e a posse do eleito", diz Laurez Cerqueira

Brasil 247, 29/01/2022, 17:46 h Atualizado em 29 de janeiro de 2022, 17:46
Lula, Bolsonaro, Moro e Ciro (Foto: Stuckert | ABr)

Por Laurez Cerqueira

As bombas da semana estremeceram o chão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, indicam que a campanha eleitoral pode se transformar numa batalha campal.

O TCU quebrou o sigilo do processo que investiga a participação do ex-juiz Sérgio Moro em contratos com a empresa Alvarez & Marsal, com sede nos Estados Unidos.

A montanha de dinheiro apareceu. Só das empresas alvo da Lava-Jato, a Alvarez & Marsal levou R$ 42,5 milhões de reais.

Dessa montanha de dinheiro, feitas as contas em miúdos, Moro embolsou mais ou menos R$10 mil reais por dia, por serviços prestados.

Que trabalho tão valioso é esse que Moro fez para receber, por serviços de consultoria, US$ 45 mil dólares (R$ 240 mil reais por mês), mais bônus de US$ 150 mil dólares (R$750 mil reais)?

No contrato inicial com a Alvarez & Marsal, Moro aparece como sócio da empresa, mas, depois que o TCU abriu o processo, o contrato foi mudado e ele passou a figurar como empregado. Estranho, não?

Apenas para refrescar a memória, nesse calor de janeiro, o Tribunal de Contas da União foi quem legitimou a farsa das “pedaladas fiscais” que acabou sendo a peça jurídica de sustentação do impetchment da presidenta Dilma. Na época, Aécio Neves arrebanhou um grupo de parlamentares golpistas e foi ao TCU, em comitiva, buscar o tal relatório das “pedaladas fiscais”.

No mesmo dia da quebra de sigilo do processo do ex-juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula foi inocentado pela juíza morista Pollyana Alves, da 12° Vara da Justiça Federal, no “caso triplex”, e o processo foi arquivado definitivamente. O manto moralista que cobria a “Operação Lava-jato” está se esfarrapando. Não dá mais para encobrir o escândalo.

A juíza Pollyana Alves é uma da turma de magistrados que assinou um manifesto de apoio a Sérgio Moro, quando ele era mandatário da Lava-jato. Isso é sinal de que a percepção de quem realmente Sérgio Moro é está mudando. Moro e seus processos forjados estão expostos na praça ao sol do meio dia. A Vaza-jato também contribuiu para que os falsarios de Curitiba fossem desmascarados.

O ex-presidente Lula vê a verdade triunfar, entra na campanha como vítima da perseguição de uma organização criminosa chefiada por um juiz não apenas parcial, como o STF o condenou, mas como juiz venal.

Ou seja, o golpe que derrubou a presidenta Dilma deu numa tragédia política, econômica, social, e os golpistas não têm projeto para tirar o país da crise, não têm candidato para concorrer às eleições, não têm lideranças nem articulação orgânica. O negócio dessa gente é negócio.

Também, no mesmo dia, Bolsonaro se recusou a depor na Polícia Federal, no inquérito do STF que investiga o vazamento, por ele, de dados sigilosos de um processo em segredo de justiça.

Diante do descumprimento da decisão judicial, o ministro Alexandre de Moraes poderia determinar a condução coercitiva do presidente, mas optou por levar o caso ao plenário do STF. Bolsonaro perdeu a oportunidade de, no depoimento, se defender. Sem o depoimento, o tribunal dará a sentença de acordo com os elementos de que dispõe.

Tudo indica que essa decisão de Bolsonaro foi calculada. Ele pode transformar isso numa bandeira de mobilização dos seus seguidores para manifestações contra o STF e o TSE. Pode dizer que está sendo perseguido e que não aceitará qualquer decisão do TSE, inclusive o resultado das eleições. Seria estertores de um derrotado.

Condenado em última instância, Bolsonaro torna-se “ficha suja” e impedido de registrar a candidatura no Tribunal Superior Eleitoral.

A campanha começa a dar ares de uma batalha campal. Não vão querer o país nos trilhos da democracia. Mas há sinais institucionais fortes do judiciário e das forças armdas de que a Constituição será cumprida, garantidas as eleições, a posse do eleito, e o enquadramento dos fora da lei.

sábado, 29 de janeiro de 2022

Em minutos, Moraes nega recurso da AGU e reitera que Bolsonaro deve depor pessoalmente à PF

COMPORTAMENTO 

Ministro do STF não recuou diante da ausência de Jair Bolsonaro no depoimento das 14h nesta sexta-feira (28) e reforçou a determinação

Brasil 247, 28/01/2022, 14:51 h Atualizado em 28 de janeiro de 2022, 16:19
(Foto: ABr)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) apresentado na tarde desta sexta-feira (28) argumentando que, por ser investigado, Jair Bolsonaro não seria obrigado a comparecer pessoalmente à Polícia Federal para prestar depoimento às 14h, conforme determinação dada nesta quinta pelo magistrado. A investigação apura se Bolsonaro vazou informações sigilosas em uma live.

O recurso foi negado por Moraes em apenas alguns minutos. Trata-se de agravo regimental apresentado pelo advogado-geral da União, Bruno Bianco, que chegou às 13h48 na sede Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ficou até 14h31, pouco mais de meia hora, conforme informou o Metrópoles. Segundo a Globonews, a AGU já informou que irá recorrer da decisão monocrática de Moraes.

Em sua decisão, Moraes negou pedido de Bolsonaro para que abrisse mão de ser ouvido na investigação sobre a divulgação, em 4 de agosto de 2021, da íntegra de um inquérito sigiloso da Polícia Federal, como forma de atacar a segurança das urnas eletrônicas.

Segundo informações de bastidores, Bolsonaro estava insatisfeito com a decisão do ministro do STF e teria dito a aliados estar sendo perseguido por Moraes, que lhe oferece um “tratamento que nunca deu nem a traficante de drogas” e que quer “botar fogo no Brasil e depois colocar a culpa em mim”.

3 ideias simples (mas muito engenhosas!) para mudar a cara da sua cozinha

CASA & AMBIENTE

Quer tornar o ambiente mais prático e funcional sem deixar de lado o apelo visual? Aposte nessas sugestões!

POR JULIA NATULINI

ALTO ASTRAL, 14/12/2021 ÀS 15:00, ATUALIZADO ÀS 15:00
Que tal mudar a decoração da cozinha? Veja só as dicas - Shutterstock

Por se tratar de um espaço muito requisitado da casa, a cozinha costuma exigir soluções eficientes para deixá-la bonita, convidativa e, ao mesmo tempo, funcional. Não é à toa que o ambiente sempre costuma ser pensado de acordo com o estilo e necessidade do morador. Se você está pensando em incrementar ou mudar a cara da sua cozinha, inspire-se nessas 5 propostas das arquitetas Bianca Atalla e Fernando Mendonça:

Lixeira embutida

Lixeiras embutidas economizam espaço e valorizam o ambiente. Outra opção é escondê-la diretamente na pedra utilizada para a bancada ou pia da cozinha.

Fios escondidos na marcenaria

É comum nas bancadas da cozinha os fios dos eletrodomésticos poluírem a visão. Em parceria com o eletricista e o marceneiro, as arquitetas projetaram um gabinete que ganhou tomadas em seu interior. Com isso, garantiram uma área de apoio visualmente limpa e otimizada para atender as demandas dos moradores.

Nichos para hortinha

Não quer desperdiçar nenhum espaço? Nichos localizados no canto da bancada são uma ótima ideia para ter os temperos preferidos sempre à mão.

Fontes: Bianca Atalla e Fernando Mendonça, arquitetas do escritório Oliva.

SOMBRA DA DEMISSÃO RONDA QUEIROGA APÓS MINISTRO SE OPOR A PORTARIA

GOVERNO BOLSOARO

Ministro da Saúde, pode ser o quarto demitido da pasta por discordar do presidente



Congresso em foco, 26.01.2022 19:56 0

Rumores no Ministério da Saúde (MS) dão conta de que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está na mira do presidente Jair Bolsonaro e que sua demissão – que seria a quarta na Saúde desde o início da pandemia de covid-19 – seria uma questão de tempo. De acordo com informações que chegaram ao Congresso em Foco Insider, essa possibilidade gerou preocupação nesta quarta-feira (26) nos corredores do ministério. A razão seria a portaria do Secretário de Ciência e Tecnologia do MS, Hélio Angotti Neto, defendendo o uso da cloroquina no tratamento da covid-19 e desqualificando as vacinas.

A postura do ministro da Saúde que, na segunda-feira (24), afirmou que a hidroxicloroquina não possui eficácia comprovada contra a covid-19, indo na contramão da portaria, estaria desagradando Bolsonaro – um notório defensor do medicamento sem nenhuma eficácia contra a covid-19 – e desgastando sua relação com Queiroga.

O conteúdo deste texto foi publicado antes no Congresso em Foco Insider, serviço exclusivo de informações sobre política e economia do Congresso em Foco. Para assinar, entre em contato com comercial@congressoemfoco.com.br.

“Hoje o ministro foi chamado para ir até o Palácio do Planalto, sem que houvesse qualquer compromisso na sua agenda com o presidente. Imaginei que já seria a demissão dele”, revelou uma fonte do gabinete do ministro que pediu para não se identificar. “ Está um mal estar interno e já se fala sobre a demissão nos corredores do Ministério. Porque o ministro não se posicionou a favor da portaria, além de sempre dizer que o Hélio não é secretário dele.”

De acordo com a fonte, Queiroga não revoga a portaria, e também não demite Angotti porque “tem algo maior por cima”. O ministro da Saúde cogitou demiti-lo quando assumiu a pasta em março do ano passado mas que, por conta do bom relacionamento que Helio teria com a família Bolsonaro, acabou voltando atrás na decisão. Helio é um dos indicados da chamada “ala olavista”, oriunda de conservadores com afinidade ao escritor e polemista Olavo de Carvalho, falecido nesta terça-feira (25).

“O Hélio entrou no início do governo, em janeiro de 2019. Ele está desde o início do governo Bolsonaro e veio pelo presidente”, diz o servidor. “Queiroga já disse que não reconhece como secretário porque não foi nomeado por ele.”

Anvisa na mira

Longe de vir a ser demitido, há possibilidades de, ao contrário, Hélio Angotti ser promovido. Se depender do presidente Jair Bolsonaro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode ter um novo diretor-presidente em julho e o indicado ao cargo, que hoje é ocupado pelo almirante Antonio Barra Torres, seria ninguém menos que Hélio Angotti Neto.

Angotti, que assinou a portaria contrária às vacinas contra a covid-19 e a favor do uso da cloroquina, já foi um dos alvos da CPI da Pandemia por supostamente ter apoiado o gabinete do ódio. Além disso, o secretário integrou a comitiva que foi a Israel acompanhar o desenvolvimento de um spray nasal contra o novo coronavirus.

VANESSA LIPPELT Editora. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, foi correspondente internacional da ESPN, repórter na TV Globo, Band Rio, Jornal Extra e Globo.com. Foi editora e editora-executiva do Jornal de Brasília.

Bolsonaro anuncia reajuste de 33,24% para piso salarial de professores

PISO DO MAGISTÉRIO

Bolsonaro quer faturar politicamente em cima do reajuste, e tenta passar a ideia de que ele deu porque quer valorizar a Educação Pública, que ele tanto persegue desde o dia que assumiu a Presidência da República

Brasil 247, 27/01/2022, 14:59


BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira o reajuste de 33,24% para o piso salarial dos professores, em uma decisão que desagrada prefeitos e governadores pelo temor de uma pressão nas contas públicas e um efeito de bola de neve entre as demais categorias.

"É com satisfação que anunciamos para os professores, da educação básica, um reajuste de 33,24% no piso salarial", escreveu Bolsonaro em suas redes sociais. "Esse é o maior aumento já concedido, pelo governo federal, desde o surgimento da Lei do Piso."

Com o reajuste, o piso salarial da categoria passará dos atuais 2.888,24 para 3.848,29 para professores que tenham carga de 40 horas semanais.

Aprovado em 2008, o piso dos professores é calculado com base na arrecadação do ICMS, imposto estadual que este ano teve uma variação recorde.

No entanto, a lei do Fundo da Educação Básica (Fundeb), modificada no ano passado, dizia que, com as novas regras --que ampliaram o fundo-- o cálculo para reajuste do piso terá novas regras a serem aprovadas posteriormente, o que levou a equipe econômica a propor um valor mais baixo, que levasse em conta apenas a variação da inflação.

Bolsonaro, no entanto, optou pelo percentual mais alto.

Em conversa com apoiadores, na noite de quarta, o presidente provocou os governadores.

"Eu vou seguir a lei. Governadores não querem 33%. Eu vou dar o máximo que a lei permite, que é próximo disso, ok?", afirmou.

Estados e municípios são os responsáveis pelo pagamento da massa de professores da educação básica afetados pelo valor do piso. De acordo com a lei, a União deverá entrar com uma complementação no caso de governos estaduais e municipais que comprovarem não ter como arcar com o reajuste dentro do percentual do orçamento vinculado à educação.

Encaminhada a solução com PSB e Alckmin, foco e desafio de Lula passam a ser levar o PSD para ampla coligação de 1º turno

PSB QUER TER A FORÇA QUE NÃO TEM

O partido não é orgânico, não obedece um direcionamento, é socialista apenas no nome e não ajudará tanto o Lula na campanha, como imagina

Por Luís Costa Pinto27 de janeiro de 2022, 15:17

Por Luís Costa Pinto, do 247 – Eram poucos, entre líderes políticos da esquerda e da centro-esquerda, aqueles que acreditavam na disposição da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, quando ela dizia ser verdadeiro e honesto o empenho pela consumação da Federação partidária com PSB, PCdoB e PV até a reunião das legendas na última quarta-feira 26 de janeiro. Eram muitos, entre esses mesmos líderes políticos da esquerda e da centro-esquerda, aqueles que preferiam dar ouvidos às duras reclamações e imposições públicas para a grande aliança postas à mesa de negociações pelo presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Gleisi estava certa, Siqueira parece ter jogado pragmaticamente e corretamente. A Federação está desenhada, tem prevalência dos petistas em seu Conselho Político e está às vésperas de se constituir no ato juridicamente perfeito (inclusive, registrado em cartório civil como se fosse uma sociedade de fato, como exige a regulamentação das federações instituída pelo Tribunal Superior Eleitoral) por meio do qual o ex-governador paulista Geraldo Alckmin sacramentará sua entrada no PSB e a confirmará seu nome como candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo ex-presidente Lula. Como em todas as eleições tudo que está pré-estabelecido vale até a visita do Sobrenatural de Almeida às coxias do teatro de operações da política, é esse o roteiro que está valendo.

Vencido o obstáculo da Federação, vamos ao PSD

Portanto, bem encaminhada a solução de Federação Partidária com o PSB, o PCdoB e o PV e definido o espectro do personagem Geraldo Alckmin no script de 2002, o “Lula Movimento” dedica-se a roteirizar um novo ato do grande drama brasileiro que nos tem a todos como sujeitos e espectadores de cena – como se estivéssemos em meio a uma apresentação de peça dirigida por José Celso Martinez Correa.

O novo ato, ora em esboço, é a integração do PSD de Gilberto Kassab a essa união de largo diapasão que o ex-presidente constrói já agora a fim de lhe permitir vencer no 1º turno a disputa presidencial e sentar na cadeira presidencial o mais rápido possível. O País está em ruínas, desgovernado, e não haverá tempo a ser desperdiçado com construção de maiorias ou agendas de convergências depois de janeiro de 2023. Elas têm de estar explícitas e definidas muito antes disso.

Kassab demarcou o espaço de sua legenda, o PSD, fundado depois da cisão do antigo PFL, em 2003, e o papel central que desempenharia nas negociações presidenciais, ao dizer há alguns meses ter a pretensão de lançar candidato próprio à Presidência. O ex-prefeito paulistano jamais levou a sério uma candidatura de seu partido. Porém, serviu-se dela – no caso, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a quem sentou no trono transitório e imaginário de “candidato”. Com isso, deu corda a arranjos regionais, estabeleceu os lances milimétricos para ampliar a bancada federal e se estabeleceu na boca do palco. Mesmo que não estabeleça Federação com nenhuma outra legenda, o PSD é candidato a sair das urnas proporcionais de 2022 (eleições para deputado federal e deputado estadual) como um dos partidos integrantes do primeiro pelotão.

Lula encontrará Gilberto Kassab nos próximos dias, em conversa remarcada por causa da convalescença do pessedista. Ele contraiu Covid-19 e só agora se recuperou. O ex-prefeito paulistano poderá anunciar – em minha opinião, a tendência é essa e ele deverá fazê-lo – a desistência de Pacheco do pleito nacional e uma aliança com o PT e sua Federação, aberta ou intrínseca, em diversos estados.

Eis as pedidas pessedistas sobre a mesa:

Em Minas Gerais, o rumo é o apoio dos petistas ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. No Rio de Janeiro, o PT estará coligado com o PSB de Marcelo Freixo, para o governo estadual, porém, o prefeito carioca Eduardo Paes, do PSD, negocia apoio ao ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) ou a candidatura própria do presidente da OAB Felipe Santacruz e pode passar a se movimentar sem maiores hostilidades do PT e de seus aliados fluminenses. Na Bahia, 4º maior colégio eleitoral do País, a determinação passaria a ser consolidar a chapa do senador Jaques Wagner (PT) ao governo e apoiar a reeleição de Otto Alencar (PSD) ao Senado. No Amazonas, raro estado onde Jair Bolsonaro ainda vence o petista, o PT pode apoiar o senador Omar Aziz (PSD), que deseja voltar ao governo local. De quebra, caso esse “argumento” de roteiro para o novo ato das alianças vingue, Rodrigo Pacheco pavimentaria uma tranquila reeleição como presidente do Senado no primeiro biênio da próxima legislatura, 2023-2025.

O ex-presidente Lula é hoje, ao mesmo tempo, roteirista, produtor, diretor e protagonista dessa espetacular peça de engenharia política cuja encenação testemunhamos – ora atônitos, pela genialidade e sofisticação da trama, ora surpresos e até indignados pelo tanto que nos exige de olhar para a frente sem mirar o retrovisor da História. Coisa assim, só vimos Juscelino Kubitscheck fazer, em 1955, ao perdoar os golpistas que queriam revogar-lhe o direito à posse, e Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, na costura da Aliança Democrática de 1984/85.

Lula celebra fim do caso do triplex do Guarujá: "quem era herói está virando bandido e quem era bandido está virando herói"

CASO LULA

Ex-presidente concede entrevista nesta sexta-feira na qual fala também sobre o cenário eleitoral: "o povo vai ter uma chance de dizer que Brasil que ele deseja"

Brasil 247, 28/01/2022, 12:15 h Atualizado em 28 de janeiro de 2022, 13:19
Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Lula (PT), em entrevista à Rádio Liberal FM, do Pará, nesta sexta-feira (28) comentou a decisão da 12ª Vara Federal de Brasília que encerrou o caso do triplex do Guarujá contra ele.

Lula afirmou que o processo era uma "mentira" promovida por seus "algozes", em referência ao ex-juiz parcial Sergio Moro (Podemos) e ao ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos). "As mentiras foram contadas contra mim, ontem a Justiça matou definitivamente esse processo. Sempre acreditei que a verdade viria à tona".

"Desde o golpe da Dilma até minha prisão, foi uma coisa planejada. Era preciso tirar o Lula da disputa presidencial porque se tiver eleição para presidente o Lula vai ganhar. Essa tramóia que foi feita, essa combinação, essa tramóia espúria que foi feita por uma parte do Ministério Público, mais o juiz, mais a Polícia Federal, mais a imprensa fez com que eu, durante muito tempo, fosse achincalhado nos meios de comunicação como jamais alguém foi na história. Como eu sempre acreditei na verdade e acho que quem tem fé e consciência limpa vai sempre vencer, eu hoje estou em uma posição de muita tranquilidade vendo a verdade aparecer a cada dia, a cada hora, a cada movimentação. Ou seja, quem era herói está virando bandido e quem era bandido está virando herói", complementou.

Perguntado sobre o cenário eleitoral, Lula disse que ainda é preciso mais tempo para fazer melhores avaliações, visto que as alianças regionais e nacionais ainda não estão definidas. "Vamos ter que ter um pouco mais de paciência para ver como vai ficar o quadro político para que a gente possa ter uma definição de quem vai disputar de verdade e eleição".

Bolsonaro revoga decretos de luto oficial por dom Helder Câmara e frei Damião e mantém os de Figueiredo e Geisel

COMPORTAMENTO QUESTIONÁVEL

Brasil 247, 27/01/2022, 14:59


O governo Bolsonaro revogou 35 decretos de pesar editados por seus antecessores, sob alegação de anular normas "cuja eficácia ou validade encontra-se completamente prejudicada". Assim, cancelou os lutos oficiais por católicos dom Helder Câmara e frei Damião. Entretanto, manteve os decretos de luto pelos ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo.

"Trata-se de decretos já exauridos, que tiveram efeitos por determinado período [de luto]", disse à Folha de S.Paulo a Secretaria-Geral da Presidência. Entretanto, integrantes de gestões anteriores da SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos) ouvidos em caráter reservado pela reportagem do jornal afirmaram não ver sentido no cancelamento de decretos de pesar. A subchefia é a estrutura que faz a revisão final dos atos publicados no "Diário Oficial" da União.

A revogação de decretos de pesar no governo Bolsonaro não teve tratamento igualitário para todas as autoridades e personalidades que receberam a honraria oficial nos últimos anos.

Em um mesmo período de tempo, foram anulados decretos de luto para determinadas pessoas, enquanto a de outras foram mantidos.


O ex-ministro da Secretaria-Geral Jorge Oliveira, que hoje integra o TCU (Tribunal de Contas da União) e assinou o cancelamento dos decretos sob Bolsonaro, disse que não comenta o caso.

Os decretos de luto oficial cancelados abarcam uma série de autoridades, artistas, juristas e políticos nacionais e internacionais.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Censo Demográfico 2022 começa a coletar dados em 1º de agosto

CENSO DO IBGE

Recenseadores trabalharão de uniforme e seguirão protocolos sanitários

Brasil 247, 25/01/2022, 17:52 h Atualizado em 25 de janeiro de 2022, 17:52
(Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Agência Brasil - Com o orçamento do Censo Demográfico 2022 aprovado e sancionado na íntegra em R$ 2.292.957.087, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou hoje (25) que a coleta da pesquisa terá início no dia 1º de agosto. Antes prevista para 1º de junho, a data precisou ser ajustada em decorrência da troca, em novembro de 2021, da banca responsável pela organização do processo seletivo para contratação de 183.021 recenseadores e 23.870 agentes censitários.

As inscrições no processo seletivo, organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), se encerraram na sexta-feira (21) com mais de 1,1 milhão de inscritos. Para confirmar a participação, os candidatos devem pagar a taxa de inscrição até 16 de fevereiro.

Os recenseadores contratados visitarão, entre agosto e outubro, os mais de 70 milhões de domicílios em todos os municípios do país. Eles trabalharão uniformizados, com boné e colete azuis com a logomarca do IBGE. No colete, haverá também o crachá de identificação, contendo a foto e os números de matrícula e identidade do entrevistador.

Para registro das informações, os recenseadores utilizarão o Dispositivo Móvel de Coleta, semelhante a um smartphone, na cor azul. A identidade dos entrevistadores do IBGE poderá ser verificada por meio do site Respondendo ao IBGE ou do telefone 0800 721 8181.

Para garantir a segurança dos recenseadores e dos moradores, as equipes do IBGE seguirão protocolos sanitários de segurança contra a covid-19, como uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social.

Além da entrevista presencial no domicílio, a população poderá participar do Censo via internet ou telefone. Quem optar por responder pela internet contará com suporte da Central de Apoio à Coleta em caso de dúvida ou dificuldade de acesso ao questionário.

General nomeado por Bolsonaro para chefiar Itaipu pede demissão e Centrão deve indicar substituto

TOMA LÁ, DÁ CÁ

General João Francisco Ferreira se antecipou aos rumores de mudança na estatal. Entre os nomes especulados está o de Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros

Brasil 247, 25/01/2022, 16:35 h Atualizado em 25 de janeiro de 2022, 16:56
(Foto: Divulgação/Itaipu)

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, general João Francisco Ferreira, pediu exoneração nesta terça-feira, 25, por razões pessoais. O militar estava no posto desde 7 de abril de 2021, sucedendo o general Joaquim Silva e Luna, que foi nomeado para a presidência da Petrobras.

Ele permaneceria dois anos e só sairia em maio. Ferreira é o 13º diretor-geral brasileiro e o quarto militar a comandar a Itaipu. Antes de pedir demissão, ele afirmou a assessores que seu substituto terá um perfil diferente. A especulação dentro da própria empresa era a de que a ex-governadora e atual conselheira da Itaipu, Cida Borghetti, assumisse, informa o Paraná Portal.

Borghetti é casada com o deputado Ricardo Barros, ex-ministro de Michel Temer e do mesmo partido, Progressistas (PP), do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o ministro Ciro Nogueira, do Centrão. O grupo ligado a Barros e Borghetti é denunciado por suposta corrupção envolvendo negociações da vacina da Covid-19.

FMI rebaixa para quase zero projeção de crescimento da economia para o Brasil

ECONOMIA

FMI cortou as expectativas de crescimento para o México e o Brasil em 1,2 ponto percentual cada, para 2,8% e 0,3%, respectivamente

Brasil 247, 25/01/2022, 11:30 h Atualizado em 25 de janeiro de 2022, 14:03
(Foto: Reuters)

Reuters - O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas previsões de crescimento econômico em 2022 para a América Latina e suas duas maiores economias, citando inflação, política monetária mais apertada e uma estimativa de crescimento mais baixa para os Estados Unidos como determinantes para os rebaixamentos.

O FMI cortou suas expectativas de crescimento para o México e o Brasil em 1,2 ponto percentual cada, para 2,8% e 0,3%, respectivamente, enquanto a estimativa para a América Latina e o Caribe foi diminuída em 0,6 ponto percentual, a 2,4%.

"A luta contra a inflação levou a uma forte resposta da política monetária, que pesará sobre a demanda doméstica", disse o FMI sobre o Brasil em uma atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Mundial.

O Fundo disse que o México será afetado um pouco pelas mesmas forças de mercado, agravadas por uma queda esperada no crescimento da produção nos Estados Unidos, seu parceiro de negócios mais importante.

"O rebaixamento (do crescimento econômico) dos EUA traz consigo a perspectiva de uma demanda externa mais fraca do que o esperado para o México em 2022", disse o FMI.

Zambelli mente, diz que pagou viagem aos EUA com recurso pessoal, mas é desmascarada nas redes

Comportamento

Diárias em hotel ultrapassam 10 mil reais . Viagem contou com vários passeios de luxo

Brasil 247, 25/01/2022, 12:37 h Atualizado em 25 de janeiro de 2022, 13:15
Carla Zambelli (Foto: Reprodução/Twitter)

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) foi pega mentindo em suas redes sociais nesta terça-feira (25) e a #mamatadaZambelli foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter.

O motivo: Zambelli passou dias nos EUA usando dinheiro público para visitar seus ídolos da extrema-direita e também para participar de uma marcha mundial anti-aborto.

Questionada sobre as origens do dinheiro usado para o turismo, ela justificou que usou recursos pessoais.

No entanto, basta uma simples busca no site da Câmara dos Deputados para provar que Zambelli mentiu. Custos com passagens e hospedagens foram pagos com recursos públicos.

Quatro diárias no hotel ultrapassam R$ 10 mil reais, como aponta o site.

Veja a repercussão:

Não é ilegal, mas é uma mamatinha bacana hein! Passaporte diplomático pra família Zambelli toda válido até 2023. #MamataDaZambelli pic.twitter.com/P8WPUzItO4— Desmentindo Bolsonaro (@desmentindobozo) January 25, 2022

COMÉ QUE É? Não podemos questionar pq não somos seus eleitores @CarlaZambelli38???

Acho que a 'senhoura' é FUNCIONÁRIA PÚBLICA, né kirida?!#MamataDaZambelli pic.twitter.com/aka3UZtqBC— Mary 🇧🇷🤡💸 (@Luara_25046) January 25, 2022

Zambelli tá sendo exposta!! #MamataDaZambelli no top 5 em pleno dia de BBB e live histórica do Casimiro!

Carla Zambelli disse que foi pros EUA encontrar com criminosos trumpistas com recursos próprios mas recebeu R$ 2400 por dia em que esteve nos EUA!!


— Thiago Brasil (@ThiagoResiste) January 25, 2022

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Em reunião com Lula, agronegócio reclama dos ataques de Bolsonaro contra China

ECONOMIA

O embargo da carne brasileira pela China foi, na visão dos empresários, uma retaliação política a esse tipo de postura, o que fez o setor perder milhões

Brasil 247, 24/01/2022, 12:30 h Atualizado em 24 de janeiro de 2022, 13:03
Lula em entrevista coletiva

Metrópoles - Os empresários do agronegócio que se reuniram com Lula na quinta-feira (20/01) reclamaram de Jair Bolsonaro e da má relação do governo com a China, principal cliente brasileiro.

Na avaliação do grupo que esteve com o ex-presidente no escritório de seu advogado Cristiano Zanin, o Brasil poderia estar vendendo muito mais para a China se não fossem os ataques de Ernesto Araújo, Eduardo Bolsonaro e de outros integrantes do governo ao país, ao longo da pandemia.

O embargo da carne brasileira pela China foi, na visão dos empresários, uma retaliação política a esse tipo de postura, o que fez o setor perder milhões.

Professores se movimentam contra resistência do governo ao reajuste salarial

VALORIZAÇÃO DA EDUCACÃO

Caso não haja atendimento à lei atual, professores foram orientados a judicializar

Brasil, 24/01/2022, 19:06 h Atualizado em 24 de janeiro de 2022, 19:16
Milton Ribeiro, ministro da Educação (Foto: Reprodução)

Os professores já se mobilizam para judicializações no caso de o governo barrar o reajuste salarial dos professores da educação básica, o que está previsto na Lei do Piso do magistério.

Dentro do governo, há planos para editar uma medida provisória e alterar as regras, segundo a Folha de S.Paulo. A lei atual vincula o reajuste dos ganhos mínimos variação do valor por aluno anual do Fundeb, que financia a educação básica.

Os dois milhões de docentes da educação básica pública estão ligados a estados e prefeituras, que pagam seus salários.

Com base nos critérios estabelecidos atualmente, os professores têm direito a um reajuste de 33,2% em 2022, passando dos atuais R$ 2.886,24 para R$ 3.845,34, diz o jornal paulista. O último aumento do piso foi em 2020.

O presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Heleno Araújo, afirma que a entidade orientou sindicatos da categoria a judicializar a questão caso não haja atendimento à lei atual.

"Há um movimento equivocado do MEC, orientado pela Economia e pressão da CNM, que não deseja aplicar o reajuste corretamente", diz. "O ataque é no índice, e o INPC não atende as metas PNE [Plano Nacional de Educação]", diz.

AS CANETADAS DESIGUAIS DO ORÇAMENTO


DESIGUALDADES

Camille Lichotti, Marta Salomon e Renata Buono
Pauí.Folha.Uol | 24jan2022_10h05


Os investimentos feitos com o Orçamento da União em 2021 deixam claras as prioridades do governo. Foram gastos quase 17 bilhões de reais com emendas de relator, instrumento pouco transparente de repasse de verbas dos parlamentares. Esse valor superou o gasto do governo com a compra de vacinas da Pfizer. O principal destino das emendas parlamentares foi a compra de máquinas de construção produzidas por uma empresa de Minas Gerais. Para isso, o governo desembolsou 382 milhões de reais – oito vezes o dinheiro usado em apoio à educação infantil. Os militares também receberam uma fatia generosa do Orçamento. A compra de caças para a Força Aérea Brasileira, por exemplo, custou 1,4 bilhão de reais – onze vezes o valor usado para proteger terras e direitos indígenas. Alguns setores foram preteridos. O pacote de investimentos relacionados às mudanças climáticas – que inclui estudos e projetos para a redução das emissões de carbono – ficou na última posição do ranking de investimentos do governo. O =igualdades desta semana ilustra o desequilíbrio na utilização do Orçamento da União em 2021.


A União destinou 16,7 bilhões de reais do Orçamento de 2021 às emendas de relator, instrumento pouco transparente de repasse de verbas a parlamentares. Esse valor supera o que foi pago na compra de vacinas contra a Covid-19 da farmacêutica Pfizer – 12,2 bilhões de reais. A Pfizer foi a empresa que mais recebeu recursos da União no último ano, durante a maior campanha de imunização da história do país. Até dezembro de 2021, o Brasil aplicou 153 milhões de doses de vacina da Pfizer – quase metade do total de doses.


O principal destino das emendas parlamentares em 2021 foi a compra de caminhões guindaste, carregadeiras, escavadeiras, motoniveladoras e rolos compactadores da empresa XCMG Brasil Indústria LTDA, localizada em Minas Gerais. Ao todo, os parlamentares destinaram 382 milhões de reais do Orçamento à compra desse maquinário. Já para a construção e ampliação de escolas de educação infantil, incluindo compra de equipamentos e mobiliário, o governo empenhou 50 milhões de reais.


A pavimentação de vias, muito visada por parlamentares que desejam agradar seus redutos eleitorais, consumiu 9,6 bilhões de reais do Orçamento da União em 2021. Isso é quase triplo do valor necessário para garantir que alunos e professores de escolas públicas tenham acesso à internet – ação que o governo fez de tudo para não executar. O projeto de conectar alunos da rede pública à internet foi aprovado pelo Congresso no início de 2021. O presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto, os parlamentares derrubaram o veto, e Bolsonaro recorreu então ao STF para não ter que liberar o dinheiro.


Os equipamentos militares figuram entre os maiores investimentos do governo federal. A aquisição de caças para a FAB custou 1,4 bilhão de reais aos cofres públicos em 2021. A compra faz parte do pacote de programas da Defesa Nacional, que ocupa o segundo lugar no ranking dos investimentos mais caros do Orçamento – 7 bilhões, ao todo. Enquanto isso, programas de proteção a territórios indígenas receberam uma fatia muito menor do bolo. Nessa área, o governo empenhou 130 milhões de reais do Orçamento de 2021..


Em 2021, o governo federal usou 23,6 bilhões de reais do Orçamento para pagar pensões a parentes de militares. O valor destinado às pensões foi 66 vezes o investido no combate ao desmatamento (360 milhões de reais).


O pacote de investimentos relacionados às mudanças climáticas – incluindo estudos e projetos para a redução das emissões e a adaptação aos efeitos do aquecimento global – ficou na última posição do ranking de investimentos do governo, em 2021. A União usou apenas 134 mil reais do Orçamento para investir nessa área. O valor é metade do que foi usado para bancar as viagens internacionais do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes – 280 mil reais. O astronauta foi quem mais gastou dinheiro público em viagens internacionais no governo.


A distribuição de dinheiro público em emendas parlamentares também foi desproporcional. Em 2021, cada deputado ou senador teve uma cota de 16,3 milhões de reais em emendas individuais. Essas emendas são de execução obrigatória: os parlamentares indicam o destino do dinheiro, e o governo paga. A cidade de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, recebeu 50 milhões de reais do Orçamento via emendas parlamentares. Com 405 mil habitantes, foi o segundo município que mais recebeu recursos no país, atrás apenas do Rio de Janeiro. Isso significa que o governo, via emendas parlamentares, enviou a Carapicuíba 124 reais por habitante. Já a cidade de Salvador, capital da Bahia, recebeu pouco menos de 8 milhões – ou seja, 3 reais por habitante. Outros 185 municípios não receberam nenhum centavo de emendas.

Fontes: Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento; Tesouro Nacional; Portal do Orçamento do Senado Federal (SIGA Brasil); Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União.


Marta Salomon - Jornalista especializada em políticas públicas e doutora em Desenvolvimento Sustentável (UnB), trabalhou na Folha de S. Paulo e no Estado de S. Paulo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Nunca houve uma eleição com um favorito tão claro quanto Lula, diz Marcos Coimbra

ELEIÇÕES DE 2022

O sociólogo não vê grandes diferenças entre vencer no primeiro ou no segundo turno. “No médio e no longo prazo isso, rapidamente, deixa de ser importante”.

Brasil 247, 21/01/2022, 05:03 h Atualizado em 21 de janeiro de 2022, 09:52
Marcos Coimbra e Lula (Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert)

Por Lucas Vasques, na Fórum – O sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, avalia que o ex-presidente Lula (PT) tem amplas condições de vencer a eleição já no primeiro turno. Ele participa do Webinário Fórum, que será realizado nesta segunda-feira (24), das 19 às 21h30, online, pela plataforma Zoom, com certificado. A participação é gratuita para sócios, membros e apoiadores da Revista Fórum (inscrições aqui). Para não sócios (clique aqui para se associar), o valor é R$ 100 (inscreva-se aqui).

“Lula é o maior favorito que temos desde quando existem pesquisas de opinião no Brasil. Nenhuma eleição moderna teve um candidato tão favorito quanto ele. O que não quer dizer, é óbvio, que tenhamos condições de afirmar, com segurança, que ele vai ganhar no primeiro ou no segundo turno. O que é possível dizer é que ele é favoritíssimo a ganhar a eleição”, afirma Coimbra.

O sociólogo não vê grandes diferenças entre vencer no primeiro ou no segundo turno. “No médio e no longo prazo isso, rapidamente, deixa de ser importante”.

Coimbra relembra que quase nenhuma eleição brasileira moderna teve vitória no primeiro turno, a não ser as duas vencidas por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foram um caso à parte.

“Ambas foram especialíssimas. Foram as eleições mais manipuladas, mais caras, na qual houve uma candidatura que congregou o universo das forças de centro e de direita brasileiras. Não houve dissidência na direita, todo mundo votou no Fernando Henrique. Mas essas condições não se repetem. Portanto, é provável que o padrão de vitória só no segundo turno se repita”, destaca (leia a íntegra na Fórum).

Mesmo fora do MPF, Deltan Dallagnol recebeu R$ 207 mil de verba extra

COMPORTAMENTO

Parceiros de Dallagnol na Lava Jato, como Diogo Castor e Januário Paludo, também tiveram contracheque bem gordo em dezembro. MPF diz que pagamento foi legal

Brasil 247, 20/01/2022, 17:58 h Atualizado em 21 de janeiro de 2022, 10:41
Deltan Dallagnol (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mesmo depois de se demitir, Deltan Dallagnol teve rendimentos brutos extras de R$ 207 mil do Ministério Público Federal em dezembro.

Ele não foi o único da Lava Jato contemplado com um contracheque bem mais gordo no último mês de 2021.

O notório Januário Paludo teve acréscimo de R$ 306 mil brutos em seu salário. Isabel Cristina Groba Vieira, que exigiu que Lula a chamasse de doutora em um dos depoimentos do ex-presidente a Moro, teve vencimentos brutos acrescidos de R$ 174 mi.

Orlando Martello, que Dallagnol considerava um dos estrategistas da Lava Jato, teve um extra de R$ 158 mil.

Letícia Pohl Martello, esposa dele, que como coordenadora da área criminal do MPF de Curitiba criou com Dallagnol a força-tarefa, teve rendimentos brutos a mais de R$ 105 mil.

Diogo Castor de Mattos, que teve a pena de demissão aplicada pelo Conselho Nacional do Ministério Público pelo caso do outdoor que envolve crime de falsidade ideológica, teve um extra bruto de R$ 158 mil.

Outros membros da Lava Jato e de todo o Ministério Público Federal também foram contemplados com essas verbas extras, cujo pagamento foi autorizado pelo procurador-geral, Augusto Aras.

O maior rendimento extraordinário foi pago ao procurador Mário Lúcio de Avelar, da Procuradoria da República de Goiás: R$ 471 mil brutos, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo — que, no entanto, não citou os lavajatistas.

Depois da reportagem, Aras explicou a razão do pagamento dos extras.

"Trata-se da quitação de dívidas da União para com membros do MPF, tais como licença-prêmio, abonos e indenizações de férias não usufruídas. Parte dessas dívidas é antiga (algumas da década de 1990) e foi reconhecida por decisões judiciais, que determinaram a respectiva quitação. Referem-se, portanto, a direitos previstos em lei, reconhecidos e disciplinados pelos órgãos superiores e de controle, caso do CNMP”, disse, por meio de nota oficial.

Dallagnol pediu demissão do MPF em novembro e se filiou ao Podemos em dezembro, para disputar um cargo nas próximas eleições, possivelmente o de deputado federal, que tem salário menor do que a média do Ministério Público.

Castor de Mattos tem tentado adiar a pena aplicada pelo CNMP e, portanto, como membro ativo da instituição, continua a usufruir dos mesmos direitos que os demais.

Ele e outros procuradores da força-tarefa estão sendo investigados pelo Tribunal de Contas da União por conta de diárias que receberam ao longo do funcionamento da Lava Jato, mesmo possuindo residência em Curitiba.

Alguns procuradores embolsaram mais de R$ 700 mil ao longo de sete anos a título de diárias.

Nesse caso, há indícios de irregularidades e até mesmo de ilegalidades. Já o contracheque de dezembro, a julgar pelo esclarecimento de Aras, não é ilegal. Mas, em tempo de pandemia e consequente restrição orçamentária, é inegavelmente imoral.

Para quem quiser conferir os valores extras que cada procurador embolsou, clique aqui.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

PoderData aponta possibilidade de vitória de Lula no 1º turno. Ex-presidente bate qualquer adversário no 2º turno

ELEIÇÕES DE 2022


Empresa de pesquisa ligada ao site Poder360 registra possibilidade de vitória do ex-presidente no 1º turno. Soma de adversários é 45%

Brasil 247, 20/01;2022, 19:48 h Atualizado em 20 de janeiro de 2022, 20:34
Lula (Foto: Ricardo Stuckert | Reprodução Poder 360)

A empresa de pesquisas PoderData divulgou na noite desta 5ª feira a primeira pesquisa pré-eleitoral de 2022. Lula, o ex-presidente do PT que tentará o 3º mandato, tem 42% das intenções de voto no 1º turno. Em segundo lugar, distante, vem Jair Bolsonaro (PL), com 28%. O ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal, tem 8%. Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará, tem 3% e é o quarto colocado. João Doria (PSDB), governador de São Paulo, tem 2% – mesmo percentual obtido por André Janones (Avante), um obscuro deputado. Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania) e Simone Tebet (MDB) obtiveram 1% cada um. A soma de todos os adversários é 45%. Dessa forma, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, é possível, segundo a área técnica do PoderData, que há um cenário de vitória de Lula em 1º turno.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-02137/2022 e foi realizada em parceria pelo site Poder360 e pelo Grupo Bandeirantes. Os dados foram coletados por entrevistas telefônicas entre os dias 16 e 18 de janeiro de 2022. Foram contabilizadas 3.000 entrevistas em 511 municípios de todos as unidades da federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

“É a 2ª vez a pesquisa PoderData registra um empate técnico entre Lula e a soma de todos os outros nomes testados. A 1ª foi em julho de 2021, quando o petista tinha 43% contra 44% de uma lista menor de adversários”, registrou o Poder360 no texto de divulgação do levantamento.

Segundo o levantamento, Lula vence com larga margem no Nordeste, Sudeste e Sul e também entre mulheres e em todas as faixas de renda e de escolaridade. Bolsonaro só vence no Norte (46% x 37% de do ex-presidnete). No Centro Oeste os dois principais candidatos estão empatados ( 36% x 35%). Bolsonaro vence entre eleitores homens – 41% a 35%.

Em ensaios de 2º turno, no levantamento do PoderData, Lula vence todos os candidatos por margem mínima de 22 pontos percentuais (Lula, 54% x 32% Bolsonaro) e máxima de 32 pontos – Lula, 48% e Doria 16%.


graf2

Lula é convidado para palestrar em associação da Universidade de Cambridge

LULA VAI PALESTRAR NOS EUA

O ex-presidente será o primeiro líder latino a discursar no local onde já palestraram Winston Churchill, Margaret Thatcher, Bill Gates e Stephen Hawking

Brasil 247, 20/01/2022, 10:00 h Atualizado em 20 de janeiro de 2022, 10:43
Lula (Foto: Reprodução/Cambridge Union Society)

Revista Fórum - Após o giro na Europa e agendamentos para discursar no México e EUA, Lula (PT) deve voltar ao velho continente a convite da Câmara da Cambridge Union Society, associação estudantil da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Liderando as pesquisas de intenção de votos, o ex-presidente será o primeiro líder latino-americano a discursar na associação, que foi fundada em 1815 e já recebeu Winston Churchill, Margaret Thatcher, Bill Gates, Stephen Hawking e Bernie Sanders.

“É uma honra para nós receber o presidente Lula que, sucedendo a visita de Michelle Bachelet na condição de Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, será o primeiro líder latino-americano a palestrar na Câmara”, afirmou a Cambridge Union em carta.

Biden celebra 1º ano de mandato e historiadora alerta: há risco real de guerra civil nos EUA

RISCO DE GUERRA CIVIL NOS EUA

A jornalista Lúcia Guimarães, correspondente nos EUA, escreve sobre novo livro de Barbara F Walter: “Como um Guerra Civil começa”

Brasil 247, 20/01/2022, 08:25 h Atualizado em 20 de janeiro de 2022, 08:25

"Como seria uma guerra civil em solo americano neste século 21? Essa pergunta faz sentido? O assunto não é simples, mas as respostas são assustadoras e podem ser encontradas em um livro lançado neste mês”, escreve provocativamente a jornalista Lúcia Guimarães em sua coluna no jornal Folha de S Paulo nesta 5ª feira. E prossegue: “A historiadora Barbara F. Walter estuda guerras civis no mundo há mais de 30 anos. Nunca se debruçou sobre a instabilidade política nos EUA. Até recentemente, seu país era o primeiro nas listas de democracias mais antigas do mundo. Não é mais, especialmente depois da tentativa de golpe de Estado com a invasão do Capitólio.”

Em 2018, a historiadora americana, professora da Universidade da Califéornia, iniciou a coleta de material e os estudos para o livro "How Civil Wars Start: And How to Stop Them" (como as guerras civis começam: e como detê-las)”. Barbara Walter havia sido recrutada pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA, órgão de Estado) com a missão específica de “não estudar os Estados Unidos”. O objetivo seria analisar outras Nações que teriam a Democracia em risco.

Contudo, “A experiência convenceu a historiadora, bem antes do 6 de Janeiro, de que seu país já tinha avançado para o segundo estágio considerado propício a uma guerra civil. Os estágios podem ser encontrados online, já que a CIA publicou a atualização de seu Guia da Insurgência”, diz a brasileira Lúcia Guimarães em seu texto sobre o livro lançado este mês nos EUA e ainda sem data de chegar ao Brasil (disponível por e-book em inglês na plataforma Amazon).Segundo Walter, “o primeiro estágio (de uma guerra civil) é organizacional —extremistas se reúnem em torno de causas—, e a eleição de Barack Obama, em 2008, foi uma bonança para a formação de milícias brancas”. A partir daí, a historiadora elenca uma sucessão assustadora e progressiva de fatos que terminaram por ocorrer nos Estados Unidos: “No segundo (estágio), grupos começam a se armar, e episódios de violência são tratados pelo governo como incidentes isolados. O ataque ao Capitólio fez alguns analistas americanos especularem se o país já tinha passado para o terceiro estágio, o da insurreição aberta”. Para Barbara Walter, de acordo com o texto de Lúcia Guimarães, “ainda não chegamos lá”.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Bancada do Podemos se rebela contra candidatura de Moro e ameaça com desfiliação em massa

ELEIÇÕES DE 2022

Dos onze parlamentares do partido, ao menos sete são contrários à candidatura do ex-juiz suspeito Sergio Moro

Brasil 247, 18/01/2022, 14:45 h Atualizado em 18 de janeiro de 2022, 14:45
Lula Marques / Fotos Públicas (Foto: Lula Marques / Fotos Públicas)

A pré-candidatura do ex-juiz Sergio Moro, declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) parcial e suspeito nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato, abriu uma crise no interior do Podemos que poderá resultar em uma debandada por parte da bancada do partido no Congresso. De acordo com a Carta Capital, dos onze parlamentares do partido, ao menos sete são contrários à candidatura de Moro.

Segundo a reportagem, os parlamentares alegam que Moro possui perfil individualista e que “a campanha majoritária irá dizimar a bancada federal. Os motivos vão desde os arranjos regionais à divisão do fundo eleitoral de 229 milhões. Pesam ainda o desempenho mediano de Moro nas pesquisas e o pouco tempo de televisão”. A pressão da bancada de deputados federais do Podemos partido é para que o ex-juiz migre para o União Brasil ou se candidate ao Senado pelo partido.

“Diante disso, deputados federais avisaram a Moro e a presidente do partido, Renata Abreu, que irão se desfiliar caso uma solução não seja encontrada”, destaca a Carta Capital. Atualmente, a maior parte bancada do Podemos é dividida entre bolsonaristas (cerca de 80% votam com o governo) e lulistas, com ao menos dois deputados, Bacelar (BA) e Ricardo Teobaldo (PE), mais próximos da esquerda em seus estados.

“É possível que alguns deputados não queiram devido aos acordos regionais, mas quem não quiser ir com o Sergio Moro pode sair e, a partir daí, o partido fecha a questão”, disse o senador Oriovisto Guimarães (PR) sobre o assunto.

Temer, que liderou o golpe contra Dilma, agora sai em sua defesa: 'é um equívoco ignorá-la, porque ela tem presença'


GOLPE DE 2016

Michel Temer foi questionado em entrevista sobre a possível ausência de Dilma na campanha de Lula

Brasil 247, 18/;01/2022, 18:00 h Atualizado em 18 de janeiro de 2022, 18:28
Dilma Rousseff e Michel Temer (Foto: Ederson Casartelli/247 | Reuters)

Revista Fórum - O ex-presidente Michel Temer (MDB), que assumiu o governo após golpear a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), decidiu sair em defesa da ex-mandatária nesta terça-feira (18). Temer disse que Dilma deve participar da campanha eleitoral do ex-presidente Lula (PT).

“Ela foi presidente da República, ela tem seus adeptos. Acho que ela pode colaborar com a campanha. Vou dar um palpite aqui com muito cuidado, mas acho um equívoco ignorarem, porque ela [Dilma] tem uma presença”, afirmou Temer em entrevista à jornalista Kelly Mattos em podcast do grupo RBS. “É uma presença nacional que pode ser utilizada, não tenho dúvidas disso”, completou.

Continue lendo na Fórum

Bolsonaro teve reuniões secretas com ex-presidente golpista presa na Bolívia

RELAÇÕES SUSPEITAS

O possível encontro com Jeanine Añez pode ser a ponta de uma meada onde conspirações, fugas clandestinas de ministros e talvez entrega de armas se enredem

Brasil 247, 18/01/2022, 12:19 h Atualizado em 18 de janeiro de 2022, 12:19
Jair Bolsonaro e Jeanine Áñez (Foto: Alan Santos/PR | Reuters/Marco Bello)

Por Dario Pignotti Garcia, no Página 12 - Jair Bolsonaro reconheceu ter se encontrado com a ex-presidente boliviana Jeanine Añez, confirmando as suspeitas sobre o apoio brasileiro ao golpe que derrubou o presidente Evo Morales. O possível encontro pode ser a ponta de uma meada onde conspirações, fugas clandestinas, fuga de ministros e talvez entrega de armas se enredem. Em um ato aparentemente involuntário, o capitão e presidente aposentado afirmou: "a ex-presidente da Bolívia, Jeanine... Eu estive com ela uma vez, ela é uma pessoa legal que está na prisão". Para depois acrescentar, com raiva, "você sabe qual é a acusação contra ela? (ter cometido) atos antidemocráticos". Como até o momento não há notícias de nenhuma cúpula oficial entre os dois, essa conversa ocorreu secretamente.

Segundo essa declaração, para Bolsonaro, atacar instituições é algo que não deve ser punido com a prisão da ex-presidente, que permanece detida em um presídio em La Paz, onde se prepara para enfrentar um novo julgamento. O que Bolsonaro não disse é quando e onde ocorreu o encontro com a mulher que governou de fato entre novembro de 2019 e dezembro de 2020, quando o presidente Luis Arce tomou posse. Nesse período de pouco mais de um ano, o avião presidencial boliviano, que só pode decolar com autorização do chefe de Estado ou com ele a bordo, voou com frequência e clandestinidade para o Brasil.

A confissão

Em alguns canais bolsonaristas do YouTube, eles aparentemente perceberam a gravidade das declarações do presidente sobre sua nomeação com Añez e as retiraram do ar. O comentário presidencial, ou melhor, a confissão, poderia ser levado à consideração do tribunal, que a partir desta semana começará a julgar Añez junto com os ex-chefes militares e de polícia no processo denominado "Golpe de Estado II".

Uma ex-alto funcionário de Morales e diplomata que atualmente trabalha fora de seu país analisou, em diálogo com a condição de anonimato, a conexão Brasília-La Paz e os elementos que ela pode contribuir para o iminente novo julgamento. "Acredito que a declaração do presidente Bolsonaro é importante para este julgamento porque é mais uma prova de que o governo de Evo Morales foi atacado por uma organização internacional, isso significa que foi dada ajuda do exterior para um golpe de estado." Devemos esperar a evolução deste julgamento oral, propõe o ex-funcionário, mas "se Añez aceitar que houve essa reunião, ela terá que explicar por que não a denunciou".

"A senhora Añez está sendo investigada por não ter chegado ao poder constitucionalmente, usando o caminho da violência. O povo boliviano quer que ela seja investigada pelas mortes ocorridas para que ela chegue ao poder", continuou o diplomata.

Añez, bem-vindo

A nomeação secreta de Bolsonaro e Añez está em consonância com o apoio público dado por Brasília ao movimento que depôs Morales. Na manhã de 13 de novembro de 2019, horas após a posse de Añez, o Brasil foi o primeiro país da região a parabenizar o novo governo "constitucionalmente" surgido. Añez chegou ao Palacio del Quemado junto com o líder de Santa Cruz de la Sierra, Fernando Camacho, apelidado de "Bolsonaro da Bolívia", que em meados de 2019 havia sido recebido pelo então chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. Após a conversa, Camacho e Araújo foram fotografados ao lado da deputada Carla Zambelli, de ardente linhagem bolsonarista.

Vale ressaltar que o golpe boliviano não foi do novo tipo "soft", seja parlamentar ou via "lawfare", como os que derrubaram Dilma Rousseff em 2016 e o ​​ex-presidente paraguaio Fernando Lugo em 2012. O da Bolívia estava no clássico moldes com a participação de policiais e militares, guardando alguma semelhança com aqueles que levaram às ditaduras dos anos 60 e 70 até hoje defendidas pelo presidente brasileiro.

O apoio brasileiro ao regime cívico-militar de La Paz continuou em 2020 com o objetivo de construir uma hegemonia regional de direita, incluindo o apoio aos candidatos Keiko Fujimori no Peru e Antonio Kast no Chile. Para tanto, era preciso impedir o retorno do Movimento Morales ao Socialismo através da candidatura de Luis Arce, que finalmente venceria por larga margem em outubro de 2020. Nesse caso, o Brasil foi o último país importante que manifestou seu desejo de libertar Arce, ex-ministro da Economia e Finanças durante os governos de Morales.

Voos

A página 12 publicou em junho de 2020, quando Añez estava no Palácio del Quemado há seis meses, um artigo assinado por Felipe Yapur sobre os "voos suspeitos e repetidos" do avião presidencial da Força Aérea Boliviana 001, o FAB001, com destino ao Brasil. A investigação é baseada em informações da empresa de rastreamento de voos dos EUA FlightAware.

Na lista de viagens ao Brasil estão várias a Brasília onde poderia ter ocorrido o encontro entre Bolsonaro e Añez, ao qual o ex-capitão se referiu durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ocorrida meses atrás, quando acusou seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores para "apoiar a volta do povo de Evo Morales na Bolívia".

O primeiro voo do FAB001 foi em 11 de novembro de 2019 “após a queda do presidente Morales e antes da assunção de Añez”, diz a fonte boliviana consultada por este jornal. "Minha percepção é que a movimentação do avião no dia 11 de novembro é extremamente estranha, não sabemos se foi para levar algo ou trazer algo do Brasil. Sou diplomata de carreira, quando um presidente sai do país ele tem que avisar e deixar o vice-presidente, e isso não aconteceu."

Senador Carvalho

O senador brasileiro Rogério Carvalho, do PT, não tem dúvidas sobre a participação brasileira na trama contra Morales. "De zero a dez, a chance de Bolsonaro apoiar o golpe é dez." Questionado por este jornal, o deputado afirmou que "Bolsonaro dá seu total apoio a qualquer governo que seja antidemocrático ou a forças políticas antidemocráticas".

Segundo Carvalho, o Congresso poderia tomar providências sobre o assunto e descobrir como eram as relações de Bolsonaro com Añez e outras possíveis conexões.

Uma área cheia de perguntas sem resposta é a fronteira entre os dois países, com mais de 3.400 quilômetros de extensão, por onde teriam passado recursos para o movimento sedicioso de 2019 e que poderia ter servido como zona de fuga em 2020 para funcionários de Añez. Luis Fernando López e o Ministro do Governo Arturo Murillo.

Armas?

O diplomata e ex-funcionário de Morales lembra que Murillo, depois de passar pelo Brasil, foi preso nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados à compra de armas. E suspeita que o ex-chefe da Defesa, López, possa estar escondido no Brasil. A nossa fonte, que entrevistamos em agosto e voltamos a consultar brevemente no domingo, refere-se novamente às viagens clandestinas da FAB001 e destaca a realizada no final de dezembro de 2020.

A data desse voo coincide com a de um documento do Ministério da Defesa boliviano no qual se menciona que uma carga de armas deve ser retirada em 30 de dezembro. Dezembro? ? Sim", "Existe algum documento com papel timbrado do Ministério da Defesa do Estado Plurinacional da Bolívia que diga que haveria entrega de armas no Brasil? Sim. É possível que as armas sejam entregues em um aeroporto no Brasil para outro país. Isso é normal?" pergunta o ex-funcionário boliviano.

E conclui propondo que sejam investigados os pontos de “contato” que relacionam “Bolsonaro dizendo que se encontrou com Añez” com a possível “saída do país do ex-presidente” e a suposta “entrega de armas no Rio”.