De 2013 para cá as discussões sobre política, no Brasil, ficaram mais acaloradas. Muitas pessoas falam sobre esquerda, direita, centro e extremos, sem ter nenhum conhecimento teórico, o que prejudica e deturpa a discussão. Daí, a iniciativa de produzir este artigo
Ato da esquerda em São Paulo, na Paulista, contra a Anistia e a PEC da Imunidade
(Foto: Luisa Purchio/ Gazeta do Povo)
Artigo de Anézio Ribeiro de Souza*
Evolução histórica do termo “Esquerda”
A origem do termo “esquerda” nos remete à Revolução Francesa, ocorrida entre 1789 e 1799, motivada pela crise que a França vivia na época e influenciada principalmente por ideias iluministas.
Dentre as ideias iluministas precursoras da Revolução Francesa, haviam especificamente dois pensadores, Edmund Burke e Thomas Paine. Edmund Burke acreditava que as mudanças pretendidas pela revolução deveriam ocorrer de forma gradual e com uma certa estabilidade, mantendo certas tradições, sendo o precursor do conservadorismo.
Já Thomas Paine acreditava em uma reforma radical, formulada desde o início, rompendo completamente com o que existia anteriormente, sendo o precursor do pensamento progressista.
A diferença entre esses ideais culminou, durante o processo revolucionário, na criação de dois grupos com interesses bem distintos na Assembleia Nacional Constituinte realizada para decidir os novos rumos do país em 1789.
Uma parte desse grupo era composta pela aristocracia, chamados de Girondinos que defendiam que as transformações fossem mais lentas, não rompendo totalmente com a ordem tradicional, mantendo o status quo. Estes se posicionavam à direita no parlamento.
Já a outra parte, chamado de Jacobinos, era composta pela baixa e média burguesia, se posicionavam à esquerda do Parlamento, defendendo ideias mais radicais de transformações, como a República, rompendo completamente com o absolutismo.
Desse modo, pode-se dizer que a origem dos termos de “direita” e “esquerda” surgiram na Revolução Francesa, onde os Girondinos ocupavam a posição mais à direita do orador no parlamento e os jacobinos uma posição mais à esquerda.
Todavia, a definição sobre o que é ser de esquerda não fica restrita à ordem posicional onde os Girondinos e Jacobinos se sentavam no Parlamento durante à Revolução Francesa.
A partir do século XIX, com a consolidação do capitalismo e a expansão do antagonismo entre burguesia e proletariado, a burguesia passou a agir de forma mais conservadora, alinhando-se mais aos ideais da direita.
A esquerda, passa a ganhar um novo olhar através do surgimento do socialismo científico e da luta do proletariado por direitos trabalhistas, passando esses termos a serem utilizados em outros contextos para determinar as posições ideológicas das pessoas, de grupos e partidos políticos que perduram até hoje.
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A esquerda defende a redução das desigualdades sociais e econômicas, priorizando a coletividade e a intervenção do Estado para garantir justiça social, serviços públicos fortes (como saúde e educação), regulação econômica e proteção aos mais vulneráveis. Suas pautas incluem direitos civis, progressismo nos costumes e, em vertentes radicais, a superação do capitalismo.
Os principais pontos defendidos incluem:
Igualdade Social e Econômica: Foco na redução da disparidade entre ricos e pobres, com políticas de distribuição de renda.
Papel do Estado: Defesa de um Estado forte e ativo na economia para regular o mercado, garantir empregos e prover serviços básicos (como o SUS no Brasil)
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Direitos Sociais e Coletividade: Valorização de pautas coletivas, movimentos sociais, sindicatos e minorias, em contrapartida ao individualismo.
Progressismo nos Costumes: Defesa de pautas indenitárias, direitos das mulheres, população LGBTQIA+, liberdade de expressão e, frequentemente, a laicidade do Estado.
Tributação Progressiva: Aumento de impostos sobre grandes fortunas e rendas elevadas para financiar políticas sociais.
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Esquerda Moderada vs. Radical:
Esquerda Moderada/Social-democracia: Busca reduzir desigualdades dentro do sistema capitalista, aceitando a economia de mercado com regulação.
Esquerda Radical/Socialismo/Comunismo: Defende a superação do capitalismo, a coletivização dos meios de produção e transformações profundas na estrutura social.
No Brasil, partidos como PT, PSB, PSOL, PCdoB e PDT se situam nesse espectro, com diferentes níveis de moderação ou radicalismo.
*Anézio Ribeiro de Souza é Bacharel e Licenciado Pleno em Ciências Sociais, com ênfase em Ciência Política pela UFPA e doutor em Psicologia Social pela Universidad Kennedy, de Buenos Aires, Argentina.
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