TRAGÉDIA DE MINAS
Ao menos 32 pessoas morreram e 38 estão desaparecidas na Zona da Mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região
ICL Noticias, 25/02/2026 | 18h20

O governo de Romeu Zema (Novo) reduziu as despesas na infraestrutura de combate às chuvas de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre os anos de 2023 e 2025. Os dados estão no Portal de Transparência do Estado e foram revelados pelo jornal O Globo.
Desde a noite de segunda-feira (23), ao menos 32 pessoas morreram e 38 estão desaparecidas na Zona da Mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região. Outras 208 pessoas foram resgatadas com vida. Cenas de moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas completamente alagadas, além de carros e até caixões de funerária sendo levados pela enxurrada, se repetiam ao longo do dia.
Nos investimentos de “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”, que incluem gestão de desastres, atendimento emergencial e mitigação de danos em rodovias, além da prevenção de eventos meteorológicos críticos, o governo destinou cerca de R$ 134,8 milhões em 2023. Desde então, o valor caiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2025.
Neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais. Os dados sob essas rúbricas do primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema, que se estendeu entre os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência.
Familiares acompanham busca e resgate de pessoas em escombros de casas soterradas por lama após fortes chuvas.(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Chuvas em Minas Gerais
Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, registrava na noite desta terça 25 óbitos e 37 desaparecidos, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Outras sete mortes aconteceram na cidade de Ubá, a 111 quilômetros, que também buscava dois desaparecidos, segundo a corporação.
Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça, o que foi reconhecido pelo governo federal. Ubá e a cidade de Matias Barbosa também decretaram a medida, o que facilita para receber ajuda tanto federal quanto estadual.
Voluntário acompanha busca e resgate de pessoas em escombros de casas soterradas por lama após fortes chuvas. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Depois dos temporais, o vice-governador, Mateus Simões (PSD), anunciou a destinação de R$ 38 milhões a Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. O governador Zema informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) serão deslocadas para as cidades para mapear todas as áreas de risco.
“Fiz questão de me deslocar até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas”, afirmou Zema.
O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. O presidente Lula (PT) se solidarizou com a população e informou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está a caminho e que a Defesa Civil Nacional trabalha em alerta máximo.
A Defesa Civil determinou ainda, na terça-feira, a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros de JF, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias.
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