Tragédia de Itumbiara
Padre questiona a fé, a formação religiosa transmitida e os comportamentos consequentes diante da tragédia na qual um católico mata os dois filhos e depois comete suicídio
14 de fevereiro de 2026
Além de profundamente impactado com essa tragédia em Itumbiara, confesso que algo me assusta ainda mais.
Todos se dizem piedosos. Falam de Deus com facilidade. Citam Nossa Senhora, pedem perdão, proclamam amor divino. Mas que Deus é esse que está sendo experimentado? Que espiritualidade é essa que convive com o abismo sem perceber o próprio delírio?
Sou padre. Sou líder religioso. E digo com dor: estamos falhando gravemente na nossa missão. Há muito despreparo. Há muita liderança movida por emoção, espetáculo e sensacionalismo espiritual. Falta profundidade. Falta acompanhamento sério. Falta formação da consciência.
Quando a fé se torna fuga psicológica, quando a devoção substitui o cuidado com a saúde mental, quando o discurso religioso não confronta distorções internas, algo está profundamente errado.
Fé autêntica não aliena. Não adoece. Não legitima o desespero.
Se continuarmos confundindo fervor com maturidade espiritual, outras tragédias virão e continuaremos dizendo que “era um homem de fé”.
Isso é gravíssimo. E precisa ser dito.
Pe. Ronan
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