domingo, 8 de fevereiro de 2026

“Lula precisa de uma frente mais ampla que o PT e tem de ocupar o centro”, diz Renan Filho

Ministro dos Transportes afirma que oferecer a vice ao MDB pode facilitar apoio em 2026

Brasil 247, 08 de fevereiro de 2026, 05:47 h

Renan Filho e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Matéria de Redação Brasil 247

O ministro dos Transportes, Renan Filho, defendeu que o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 caminhe “o máximo possível do centro político”, com uma articulação mais ampla do que a base tradicional do PT. Em entrevista, ele afirmou que a eventual oferta da vaga de vice ao MDB pode ajudar na negociação pelo apoio formal do partido e disse que a estratégia deve isolar o bolsonarismo na extrema direita.

A entrevista foi publicada pelo jornal O Globo e traz, além do cálculo eleitoral, avaliações sobre o cenário em Alagoas, críticas ao papel de Arthur Lira no estado e a defesa de medidas do governo, como a reforma no processo de obtenção da CNH. Renan Filho também comentou a disputa sobre o vice, citou a ministra Simone Tebet como quadro competitivo no debate público e afirmou que o Ministério dos Transportes pode contratar mais de R$ 400 bilhões em investimentos em quatro anos.

MDB, vice e a aposta no centro político

Renan Filho avaliou que o MDB, por sua capilaridade e peso institucional, pode ser decisivo para ampliar o arco de alianças do presidente Lula. Ele observou que o partido só define oficialmente seu caminho em convenção, mas sinalizou confiança na ala governista para vencer a disputa interna por apoio ao Planalto.

Ao tratar do desenho da chapa, o ministro defendeu uma composição que amplie a competitividade e reforce a centralidade política do projeto. "O MDB é muito importante para ampliar, do ponto de vista administrativo e ideológico, a candidatura do presidente Lula. Precisa construir uma frente mais ampla do que o PT e do que o próprio presidente Lula, a fim de ocupar o máximo possível do centro político, isolando o bolsonarismo na extrema direita." Na mesma resposta, ele associou esse movimento à fragmentação do campo conservador e ao reposicionamento de possíveis candidaturas no espectro da direita.

Questionado sobre a possibilidade de a vice ser oferecida ao MDB, Renan Filho afirmou que a negociação dependerá de um pacote mais amplo, que inclui diretrizes econômicas e participação no governo. "A negociação será ditada pela proposta para os próximos quatro anos, a linha da economia... E, sim, a própria participação (do MDB) no governo e a composição da chapa." Para o ministro, lideranças emedebistas pressionam por mais espaço por terem projetos políticos próprios.

Alckmin, debate sobre a vice e o próprio futuro de Renan

A entrevista também trouxe uma leitura sobre as sinalizações do presidente Lula a respeito de Geraldo Alckmin. Renan Filho disse ver naturalidade no debate sobre a melhor composição eleitoral para 2026, mas ressaltou a contribuição do vice-presidente no primeiro mandato.

"O presidente está verificando qual é a melhor aliança que amplia a possibilidade de reeleição. E digo isso com a certeza de que o vice-presidente Geraldo Alckmin é um grande vice e ampliou essa aliança neste primeiro mandato. Haverá um novo debate sobre isso." Na sequência, ao ser perguntado se poderia ser vice, Renan afirmou que seu foco é a pré-candidatura ao governo de Alagoas, embora participe das discussões sobre o tema.

No cenário local, o ministro descreveu uma conjuntura ainda em aberto, influenciada por decisões do prefeito de Maceió, JHC, sobre concorrer ao governo ou ao Senado. Ele negou ter pedido ao prefeito que abrisse mão de disputar e destacou o tamanho do MDB no estado, citando a força municipal, a maioria na Assembleia e a presença no Senado. Sobre a montagem das chapas, indicou que uma das vagas ao Senado será do senador Renan Calheiros e relativizou a necessidade de fechar todas as definições desde já.

Alagoas, Arthur Lira e a disputa por palanques

Renan Filho afastou a hipótese de estar numa mesma aliança estadual com o deputado Arthur Lira (PP-AL), mesmo reconhecendo que o presidente Lula pode buscar o maior número de apoios possível. Na entrevista, ele fez críticas diretas ao papel de Lira no período recente e ao impacto disso para Alagoas, além de usar uma imagem esportiva para ilustrar o argumento.

"O presidente Lula deve ter o maior número de apoios possível, mas isso não implica estarmos no mesmo palanque do Lira, que atrapalha o estado. Ele mandou no Orçamento Secreto no governo Bolsonaro, mas não tem uma obra relevante no estado que tenha sido liderada por ele. Seria trazer para o seu time aquele que faz o gol contra." Ao mesmo tempo, Renan afirmou que isso não significa defender que Lira esteja impedido de apoiar Lula nacionalmente, e comentou que o deputado não votou na última eleição.

A fala expõe uma tensão típica de anos pré-eleitorais: alianças nacionais podem se chocar com rivalidades regionais, especialmente em estados onde grupos políticos mantêm disputas históricas e controle de estruturas partidárias. Renan Filho, ao se colocar como pré-candidato, indica que pretende preservar um palanque próprio em Alagoas, com base no peso do MDB local e no apoio do presidente Lula na eleição estadual.
CNH, segurança no trânsito e “política pública popular”

A entrevista avançou para temas de governo com grande impacto cotidiano, como as mudanças no processo de obtenção da CNH e as críticas relacionadas ao exame de baliza. Renan Filho defendeu a reforma e afirmou que a baliza não é um filtro confiável de capacidade de direção, além de sustentar que o antigo modelo estimulava reprovações.

"A crítica não é justa. A baliza não seleciona quem sabe ou não dirigir, e a pessoa não vai não vai deixar de aprender, ela só não vai constar na prova. O exame tinha virado uma indústria da reprovação." Em seguida, ele minimizou o argumento de que a mudança reduziria a segurança e apontou outros fatores como determinantes para acidentes, como velocidade, álcool e uso de celular ao volante.

Para o ministro, trata-se de uma medida que dialoga com demandas sociais e pode ter capilaridade eleitoral por atingir diretamente a vida das pessoas. "É uma política pública popular que vai na direção do que as pessoas precisam. Chega na ponta, o que obviamente tem força." A leitura sugere que, em 2026, além de alianças, o governo buscará apresentar entregas com percepção direta, capazes de competir com agendas punitivistas e discursos fáceis.
Segurança pública, Tebet e o caso Banco Master

Renan Filho também falou sobre a segurança pública, tema que deve ganhar centralidade na campanha. Ele afirmou não ver fragilidade do governo no assunto e tentou deslocar o debate para resultados concretos, criticando gestos simbólicos e contrapondo indicadores de gestões estaduais associadas à direita.

Na entrevista, ele citou possíveis embates políticos e disse que seria “muito legal de ver” confrontos entre figuras do governo e nomes ligados à segurança pública em estados como São Paulo. Também defendeu que Simone Tebet seja valorizada pelo MDB, argumentando que partidos que não usam seus melhores quadros por interesses de terceiros perdem força e que, se não houver espaço, ela pode ser convidada por outras siglas.

Sobre o Banco Master e o encontro do presidente Lula com Daniel Vorcaro fora da agenda, Renan Filho buscou dissociar o governo do caso e afirmou que as investigações ocorrem na atual gestão. "O governo não tem relação com esse caso. O presidente Lula recebeu o Vorcaro como recebeu outros representantes de instituições financeiras do Brasil. São muito claras as ligações do Master com a oposição." Ele disse ainda que o tema deve ser explorado eleitoralmente e o descreveu como potencialmente o maior desfalque do sistema financeiro nacional.

Leilões, infraestrutura e meta de R$ 400 bilhões

No encerramento, o ministro tratou de sua área e afirmou que o Ministério dos Transportes ampliou a capacidade de atrair investimento privado, com expectativa de uma agenda robusta de leilões em 2026. Ele indicou que, se deixar o cargo em março, pode realizar dois leilões diretamente, mas assegurou que o restante está programado para ser cumprido.

Renan Filho disse que o governo pode chegar a 23 leilões em 2026, entre rodovias e ferrovias, e destacou o efeito fiscal da estratégia. "Isso aumenta o investimento em infraestrutura e desonera o Tesouro. Vamos chegar a mais de R$ 400 bilhões de investimentos contratados em quatro anos." A declaração aponta para uma linha narrativa que deve ganhar destaque no período eleitoral: a defesa de um ciclo de investimentos e obras como evidência de capacidade de gestão e de retomada econômica, combinada a uma articulação política mais ampla para sustentar governabilidade e isolar a extrema direita.

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