domingo, 18 de outubro de 2015

Déficit de atenção na Educação

*Cristovam Buarque

A pedagogia brasileira considera como doença o déficit de atenção dos alunos, sem perceber o déficit de atenção dos governantes com a escola e seus alunos.

Impossível uma criança não sofrer déficit de atenção em aula para turmas diferentes na mesma sala, dividida por meia-parede, às vezes por um simples móvel entre duas ou mais turmas; ou em uma sala de aula deficiente, com bancos desconfortáveis onde os alunos se sentam. Os baixos salários dos professores e suas constantes greves são déficit de atenção dos governos com a educação e provocam obviamente déficits de atenção das crianças nos seus estudos. Difícil não haver déficit de atenção do aluno quando o professor usa quadro-negro no lugar de lousas inteligentes e outros equipamentos de tecnologia da informação para crianças da era da informática e dos celulares, nascidas no século XXI.

Injustificável jogar sobre as crianças a razão do déficit de atenção que elas têm. Apesar disso, tratamos o problema do déficit de atenção das crianças como um problema biológico, de hormônios; psiquiátrico, de desajustes; ou mesmo neurológico, de disfunções. O déficit de atenção é do Brasil para com elas, ao não lhes oferecer as condições ideais em boas salas de aulas, climatizadas, bem equipadas, com professores muito bem remunerados, preparados e motivados.

A escola é um exemplo, mas não é apenas em relação a ela que o Brasil padece de déficit de atenção.

O país tem déficit de atenção para com suas florestas, seus rios, suas cidades, seus pobres. As doenças endêmicas que molestam milhões de brasileiros por ano, o descuido com os sistemas preventivos e o abandono dos hospitais são o resultado do déficit de atenção com a saúde pública. As mortes no trânsito ou por violência também seriam evitadas se o Brasil não tivesse déficit de atenção; cada ano, acidentes com deslizamentos de encostas seriam evitados com um pouco de atenção. Há déficit de atenção quando fazemos projetos de infraestrutura sem reservar os recursos necessários, nem cuidamos da qualidade da obra, e especialmente quando não impedimos corrupção de sobrepreços e propinas.

O próprio déficit fiscal, além de crime de responsabilidade, é também um déficit de atenção dos governos com o valor da moeda.

Nossa preferência pelo consumo no presente, sem preocupação com poupança para o futuro; a opção pelo ensino superior, deixando de lado a educação de base; o desprezo à ciência, à tecnologia e à inovação são decisões tomadas com déficit de atenção ao país. As políticas dos governos brasileiros e o comportamento de nossa população se caracterizam por déficits de atenção.

O Brasil padece de déficit de atenção, e a culpa não é das crianças. Como cada criança não aprende por déficit de atenção no estudo e compromete seu futuro pessoal, o Brasil compromete nosso futuro nacional por déficit de atenção com seus problemas.

*Senador pelo PDT/DF

Fonte: Brasil 247, 18/10/2015

Collares: 'Impeachment é para quem cometeu crime'


Primeiro governador negro do Rio Grande do Sul e ex-chefe de Dilma Rousseff, Alceu Collares fez duras críticas ao movimento liderado pelo senador Aécio Neves (PSDB), que tenta retirar a presidente do poder. 

"Não tem como aplicar impeachment. Impeachment só se aplica em quem cometeu um crime. Ela não cometeu crime nenhum, ela ganhou a eleição", afirmou.

Sem citar o nome de Aécio, Collares sugeriu que o tucano ponha "a viola no saco". "Quem perdeu não se conforma e está tentando sobreviver. Mas perderam. E quem perdeu tem que botar a viola no saco e esperar a oportunidade de, com proposta melhor, ganhar", afirmou.

Dilma diz que Levy 'fica' e critica Cunha: 'Lamento que seja um brasileiro'

Luís Guilherme Barrucho, 18/10/2015

Reprodução/Facebook/Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff confirmou neste domingo (18) a permanência de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda e disse lamentar que o escândalo envolvendo as supostas contas secretas mantidas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, na Suíça tenha como protagonista "um brasileiro".

As declarações foram dadas a jornalistas no hotel onde a presidente está hospedada, em Estocolmo, na Suécia. Dilma está em viagem oficial pelo país e pela Finlândia durante quatro dias. Ela retorna ao Brasil na noite da próxima terça-feira.

Sobre Levy, Dilma desmentiu informação divulgada pela revista "Veja" na última sexta-feira de que o titular da Fazenda teria lhe apresentado seu pedido de demissão do cargo. Os dois se reuniram na sexta-feira passada no final da tarde depois que o ex-presidente Lula pediu publicamente a demissão de Levy.

"O ministro Levy fica", acrescentou. "Ele não está saindo do governo."  "A partir de agora, não vou mais responder sobre o ministro Levy. Se ele fica, é porque nós concordamos com ela [política econômica]".

Questionada sobre a declaração do presidente do PT, Rui Falcão, que também defendeu o afastamento de Levy se ele não mudar em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo" deste domingo, Dilma afirmou que "o presidente do PT pode ter a opinião que quiser".

"Não é a opinião do governo. A gente respeita a opinião do presidente do PT, porque ele é o presidente do partido que integra a base aliada, mas isso não significa que é a opinião do governo", disse.

"Vivemos uma democracia. Não podemos querer que todas as pessoas pensem igual. A pessoa tem direito de externar que não concorda com a posição."

"No passado, quando a gente divergia, a gente ia para a cadeia. Hoje, é absolutamente normal que as pessoas têm opiniões divergentes."

Sobre Lula, a presidente disse que o petista nunca lhe cobrou a demissão de Levy. "Ele nunca me pediu nada. Quando o presidente Lula quer uma coisa que diz respeito a posições dele, ele não tem o menor constrangimento de falar comigo."

Segundo Dilma, o maior do problema do Brasil é "estabilizar a economia, fazer com que o país volte a crescer".

"A crise política é um componente da (crise) econômica. Criando esse clima de unidade, de cooperação, o Brasil sairá dessa crise o mais rápido possível". "As duas (crises econômica e política) estão relacionadas".

Cunha

A presidente negou que o governo tenha feito um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para evitar um impeachment. "O acordo do Eduardo Cunha não era com o governo, mas com a oposição, que era público e notório", afirmou.

"Cunha não integra o meu governo. Eu lamento que seja com um brasileiro", disse Dilma sobre o presidente da Câmara dos Deputados. 

Questionada sobre uma eventual queda de Cunha, após as denúncias de que o peemedebista mantinha contas secretas na Suíça fruto de sonegação fiscal e evasão de divisas, Dilma afirmou "não ter como se manifestar no que acontece no Legislativo e no Judiciário".

Estabilidade política

Questionada sobre a estabilidade política, Dilma também pediu um acordo com a sociedade para vencer a crise. "Hoje, temos de buscar sistematicamente um ambiente de diálogo, de entendimento, de paz. E não um ambiente em que questões partidárias ou pessoais sejam colocadas acima dos interesses do país".

Comentando sobre a decisão do STF que suspendeu o rito de impeachment definido por Cunha, Dilma afirmou "que se tratou de um pleito de um deputado e não diz respeito ao governo".

CPMF Dilma também cobrou o retorno da CPMF como parte do conjunto de medidas para retomar o crescimento econômico. "O Brasil precisa aprovar a CPMF para ter um 2016 estável no sentido de reequilibrar as nossas finanças. Nós (Dilma e Levy) discutimos tudo isso (na reunião de sexta-feira)". "Ela (CPMF) é crucial para o Brasil voltar a crescer. Precisamos estabilizar as contas públicas". "Sem a CPMF, isso é muito difícil". "Se você me perguntar se eu queria elevar a CPMF (de zero para 0,2%), eu diria que não".

Estimativas da equipe econômica do governo apontam que o retorno da CPMF poderia elevar a arrecadação em até R$ 32 bilhões, metade do ajuste total de R$ 64,9 bilhões na peça orçamentária de 2016, aliviando a situação fiscal do país. 

"O retorno da CPMF contribuirá para o país voltar a crescer. As pessoas podem não entender agora, mas certamente vão entender quando os efeitos que essa medida produzir, que é a estabilidade fiscal, permitindo ao país voltar a crescer".

"A CPMF está combinada com várias medidas, como o programa de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, a política de expansão da exportação, investimentos nos planos safra, o investimento na área de energia".

"Os brasileiros entendem quando as coisas são ditas. No primeiro momento, podem não absorver pois se trata de aumento de imposto. Mas não estamos aumentando imposto porque queremos. É porque precisamos".

Autocrítica

Dilma fez ainda uma autocrítica sobre seu primeiro governo, quando foram feitas concessões. "Aliás, no meu primeiro governo, um dos fatos que leva à nossa dificuldade agora é que tivemos um nível de desoneração para além do que era desejável, se considerarmos que a China desaceleraria nessa proporção e haveria o fim do superciclo das commodities".

"Como não sabíamos na época, e tendo em vista que é sempre melhor economicamente reduzir do que aumentar imposto, exceto em momentos em que você se defronta com problemas críticos".

Enem 2015: O que todo candidato precisa saber sobre o Brasil de hoje

Enem: candidato pode aproveitar última semana para revisar temas atuais

São Paulo – Daqui a menos de uma semana, 7,8 milhões de estudantes brasileiros devem prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – porta de entrada para algumas universidades públicas e requisito para a obtenção de bolsas de programas como o ProUni.

Nesta reta final, é comum que o candidato tire um tempinho para revisar o que já foi estudado durante o ano e se atualizar. Para facilitar um pouco a tarefa, EXAME.com consultou um time de professores que indicaram sete aspectos do Brasil de hoje que podem ser abordados tanto nas questões objetivas como na redação. Veja quais foram as apostas.

Crise da água

Desde o ano passado, as grandes metrópoles do Sudeste convivem com o medo das torneiras secarem

Em São Paulo, a diminuição drástica do volume dos sistemas de abastecimento como o Cantareira fez com que parte da população sofresse com a redução da pressão de água e cortes no abastecimento.

A crise também afetou indústrias e comércio, que precisaram diminuir o ritmo da produção

Para os professores consultados, o tema poderá aparecer na prova objetiva, com questões relacionadas ao meio ambiente, mas, também, ao desperdício e àresponsabilidade do poder público de administrar o recurso. 

“Apesar da questão ser mais ligada ao centro-sul do país, o tema é de interesse nacional e foi muito repercutido”, diz Rui Calaresi, professor de Geografia do Cursinho da Poli. 

Nelson Almeida/AFP

PEC das Domésticas

Em junho deste ano, Dilma Rousseff sancionou o texto que regulamenta a chamada PEC das Domésticas. 

A PEC entrou em vigor em 2013, mas alguns temas ainda precisavam ser regulamentados. Dois anos depois, as regras saíram do papel e trouxerammudanças importantes para quem emprega e para quem trabalha na área.

Como o tema gerou muitas discussões na época, a aposta dos professores é que ele apareça no Enem deste ano – inclusive, como tema da redação. 

Violência contra mulher

A sanção da lei que classifica o feminicídio como crime hediondo é outro tema que deve ser abordado nas provas do Enem. Desde março deste ano, o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou discriminação de gênero.

O texto prevê o aumento da pena quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima, se for contra menores de 14 anos ou maiores de 60 e se acontecer durante a gestação. 

A proposta foi aplaudida pela Organização das Nações Unidas, que a caracterizou como “um avanço político, legislativo e social”. 

Fernando Frazão/Agência Brasil

Ética e corrupção

Para os professores consultados, é pouco provável que apareça na prova questões ligadas às recentes investigações de corrupção no Brasil, como as da Operação Lava Jato

Isso, no entanto, não impede que a ética de governantes e dirigentes seja abordada nas questões, sugere João Puglisi, diretor editorial do Sistema de Ensino Poliedro.

Maioridade penal

Outro tema que gerou polêmica neste ano foi a proposta de redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue, agora, para o Senado. 

Segundo uma pesquisa feita pelo Datafolha, 87% dos brasileiros dizem ser favoráveis à redução da maioridade penal. 

A questão, no entanto, é complexa e, por isso, é apontada como um provável tema da redação.

Marcelo Camargo/Agência Brasil


Mobilidade Urbana

A vida nas cidades é tema recorrente no Enem. Neste ano, podem ser abordadas questões ligadas à mobilidade urbana, como a construção de ciclofaixas e, até mesmo, o Uber.

“A questão da especulação imobiliária e a periferização das cidades também podem inspirar questões”, diz Hugo Anselmo, professor de Geografia do Anglo Vestibulares.

Cecilia Bastos/Jornal da USP



Conceito de família e discussão de gênero

Há uma definição correta de família? Em fevereiro deste ano o tema ganhou destaque depois que uma enquete que questionava justamente isso foi colocada no site da Câmara dos Deputados.

A ideia era medir a aprovação do projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que coloca família como o núcleo formado pela união de um homem e de uma mulher.

Recentemente, a Comissão Especial que avalia o projeto de Lei aprovou a mesma definição, excluindo do texto os casais homoafetivos. A decisão gerou polêmica e muitas discussões, mas segue para votação na Câmara.

Luis Acosta/AFP



Tópicos: Enem, Educação no Brasil, MEC, Política no Brasil
Fonte: Revista Exame, 18/10/2015

Senador Paulo Rocha deixa Aécio calado: “E seus encontros secretos com Eduardo Cunha? Vai explicar?”

Muito além do debate sobre o direito de a oposição pedir ou não o impeachment de uma presidenta legitimamente eleita, é fundamental refletir sobre os métodos que vêm sendo utilizados pelo PSDB e seus aliados para desestabilizar o governo – e as consequências dessas ações para o País.

O alerta é do senador Paulo Rocha (PT-PA), que no acalorado debate em plenário, chamou os tucanos a uma reflexão sobre a necessidade de preservar a ordem democrática tão duramente conquistada pelos brasileiros.

“O que questiono aqui são os métodos que estão sendo usados”, afirmou Rocha, dirigindo-se a Aécio Neves (PSDB-MG),candidato derrotado na disputa presidencial de 2014. “A presidenta Dilma ganhou as eleições. Depois disso, infelizmente, companheiro, não foi com essa fala mansa de agora que você se portou após o resultado”, cobrou o senador petista.

De pé no plenário, ainda encarando Aécio Neves e a bancada tucana – a quem chamou o tempo todo de “companheiros” e colegas” e a quem se dirigiu com a voz firme, mas cortês.

Paulo Rocha convidou os tucanos a explicarem os encontros secretos com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – acossado pela revelação de suas contas bancárias na Suíça –, para “organizar” o impeachment de Dilma e advertiu que os “métodos usados no processo de fazer oposição” ao PT incluem “colocar em cheque a própria democracia que todos nós lutamos para consolidar”. E finalizou:“Falo isso, Aécio Neves, assim, de frente, porque venho de um julgamento, do julgamento do mensalão”.

“Olha só, Aécio: vocês estão querendo dizer que o dinheiro que saiu do mesmo caixa – da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, da UTC, de todos que financiam campanha neste País –, para o PT, para a Dilma, é sujo. E o dinheiro que saiu do mesmo caixa para você não é sujo? É isso que querem colocar no processo do debate político. Não, nós não aceitamos isso!”, afirmou Paulo Rocha.

Rapidinhas

Temer, o conspirador
Vice-presidente está afastado do centro do poder, evita falar do governo e tocar no tema impeachment; em uma linha, ele passou a ouvir conselhos de aliados para se reservar, uma vez que era a alternativa direta de poder em caso de queda da presidente Dilma Rousseff; com o tema do impeachment mais frio, Michel Temer percebeu que sua presença virou um incômodo entre ministros petistas; na avaliação de ministros próximos, ele estaria conspirando contra o governo; distanciamento tende a não ser passageiro.

Sinuca de bico para Levy
O presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, fez duras críticas à política econômica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "é preciso que se libere crédito para investimento, para consumo... é uma forma de fazer a economia rodar... da mesma forma, é insustentável manter a atual taxa de juros", disse ele; "está errada a política de contenção exagerada do crédito... precisamos devolver esperança à população"; Rui disse ainda que Levy deve sair se não estiver disposto a mudar o rumo atual.

Por onde passa um boi, passa uma boiada
Investigada na Lava Jato por ser beneficiária de uma das contas secretas do pai no exterior, por onde teriam passado milhões em propina, Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha, presta serviços ao deputado Hugo Motta (PMDB-PB), que preside a CPI da Petrobras. Comissão apura os desvios na estatal e, em tese, o que ela própria e seu pai estão envolvidos.

Ombudsman detona Folha no caso 'Lulinha'
Para a jornalista Vera Guimarães Martins, "a Folha já foi além das tamancas na última sexta (16) ao cravar a manchete 'Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula'. Primeiro, porque não foi isso que Fernando Baiano disse". Segundo ela, trata-se do problema de "títulos 'esquentados': o impacto inicial não correspondido deixa a reportagem com cara de bala de festim".

Dilma e a desmoralização dos "santos" golpistas

"É consenso que a presidente é pessoa de moral ilibada. Já em relação aos seus detratores... Já se ouviu bastante coisas a respeito do ex-candidato tucano Aécio Neves. Agripino Maia, destacado líder do DEM, flagrado, de verde e amarelo, em manifestações pelo impeachment da presidente, foi acusado de receber propina milionária em obra realizada em seu estado. Agora, fica-se sabendo de novas denúncias, contra Eduardo Cunha". "No final das contas [offshore], é a presidente da República que deve ser julgada e impedida? Que moral tem aqueles que a querem impedir de governar?".

Diferença substancial 
Enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tenta colocar sob sigilo da população informações relativas ao metrô e à Sabesp, o prefeito Fernando Haddad (PT) determinou essa semana que todas as cerca de 6,5 mil questões – e suas respostas – encaminhadas à Controladoria-Geral da prefeitura até meados deste ano pelo público fossem disponibilizadas na página na internet da transparência do governo municipal, sem vetos a temas ou áreas de interesse.

Qual a diferença entre Eliene Nunes, Valmir Climaco e Ivan?
Os cabos eleitorais, os articuladores e os negociadores dos pretensos candidatos a prefeito de Itaituba estão trabalhando a todo vapor. Eles têm respostas prontas para todas as perguntas. Os defensores de Eliene dizem que ela governa melhor que Valmir e que tem a "máquina" na mão, é prefeita; Os defensores do Valmir, dizem que ele tem grupo politico forte e dinheiro na mão e os defensores de Ivan dizem que ele não tem o nome sujo e tem muito dinheiro para a campanha. Em se tratando de diferenças, tem outras perguntas, que não podem ser esquecidas. Eles cumprem compromissos firmados? Todos eles tem um projeto para Itaituba com base nos reais interesses da sociedade? Eles são transparentes? Eles sabem diferenciar o público do privado? Eles sabem se relacionar com todos os segmentos sociais? Eles são confiáveis no que diz respeito a administrar o patrimônio e o dinheiro do povo?

Balança e cai
A queda do presidente da Câmara é iminente e se dará em questão de dias. O agravamento das denúncias e o isolamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara, que tem perdido o apoio de aliados, deixa a situação do deputado insustentável. O peemedebista não tem apoio no Conselho de Ética da Câmara, onde será acelerada a investigação contra ele por quebra de decoro parlamentar e, em caso de condenação, sua possível cassação. A prisão vem na sequência.

As contas de Itaituba
Uma prefeitura é uma empresa pública, que todos os seus recursos tem que ser de conhecimento público. Há uma lei que obriga a transparência. No caso da Prefeitura de Itaituba, quais são as fontes de recursos? Como está a arrecadação própria? Houve repasses em dinheiro do consórcio dos portos graneleiros e de empresas? A prefeitura acompanha, orienta, cobra no que tange a arrecadação de impostos estaduais dentro do município? A Lei de Responsabilidade Fiscal está sendo observada? O que é mais econômico para Itaituba, pagar aluguéis caros ou investir nos seus imóveis? Os preços de locação pagos pela prefeitura - imóveis, carros, etc - estão dentro dos preços de mercados? O orçamento do município continua sendo um processo anual de seleciona, copia e cola, com um acréscimo da inflação do período? Quais foram os recursos recebidos e onde foram aplicados? O povo tá de olho!

sábado, 17 de outubro de 2015

PT faz pressão sobre Levy: "Ou muda ou sai"


O presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, fez duras críticas à política econômica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy; "é preciso que se libere crédito para investimento, para consumo... é uma forma de fazer a economia rodar... da mesma forma, é insustentável manter a atual taxa de juros", disse ele.

"Está errada a política de contenção exagerada do crédito... precisamos devolver esperança à população". Rui disse ainda que Levy deve sair se não estiver disposto a mudar o rumo atual. Nesta sexta, em reunião com a presidente Dilma, Levy se queixou do chamado "fogo amigo".

Na entrevista, Rui disse que o PT errou ao "enveredar pelo financiamento empresarial" e afirmou que a posição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é "cada vez mais insustentável"

Rapidinhas

Constatação Eliene Nunes, prefeita municipal de Itaituba, sofreu uma estrondosa vaia ao ser anunciada na Feira Agropecuária do ano passado. Neste ano as vaias não aconteceram.

Tem chance Por conta desse detalhe, tem "analistas políticos" que dizem que Eliene Nunes está se recompondo politicamente e pode ser reeleita.

Rei posto O surgimento de novas denúncias contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez líderes partidários deflagrar nesta sexta uma corrida pela sucessão ao comando da Câmara dos Deputados. Integrantes do governo, da oposição e até mesmo do PMDB iniciaram conversas reservadas em busca de um nome para ocupar o cargo. Apesar da movimentação, Cunha foi taxativo quando questionado se pretendia deixar a presidência: "Não renuncio. Não ganho nada com isso", disse ele a interlocutores.

Siga o mestre Colegas de partido apostam que Cunha será levado a adotar a chamada "solução Renan": abrir mão da Presidência da Câmara para conseguir salvar seu mandato de deputado.

Alta fidelidade Mesmo perdendo apoio público, deputados avaliam que Eduardo Cunha conservará uma base fiel e, por isso, terá influência na escolha de seu sucessor. Um correligionário lembra que o presidente da Câmara ajudou a financiar a campanha de inúmeros aliados pedindo dinheiro a empresários.

Sem chance Em rápida consulta sobre possíveis candidatos ao comando da Casa, um peemedebista notou que a relação de cotados possui mais vetos que apoios. Estão no topo da lista de rejeição os deputados Jarbas Vasconcelos (PE), Miro Teixeira (Rede-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG).

Estrela cadente Leonardo Picciani (PMDB-RJ), líder da bancada e hoje próximo ao Palácio do Planalto, não conta com o aval da bancada que ele próprio comanda. E ainda teria Eduardo Cunha jogando contra.

Preferencial No giro por Brasília, depois da divulgação de que o lobista Fernando Baiano afirmou ter enviado dinheiro a uma nora de Lula, o ex-presidente se disse alvo de "perseguição". Estava furioso com o envolvimento de seus familiares nos vazamentos da Lava Jato.

A calhar A oposição celebra o fato de o petista ser alvejado justamente no momento em que volta a se mexer para ajudar a salvar Dilma do impeachment. O ex-presidente alegou algo semelhante em conversas reservadas.

Comigo não Um petista ironiza a queixa do ministro Joaquim Levy (Fazenda) de ser fritado pelo partido: "Se pedem a demissão dos nossos, imagine a dos outros".

Na mesa Prefeitos levarão para Dilma Rousseff na quinta-feira documento propondo a CPMF com alíquota de 0,38%, compartilhada em 0,17% para a União, 0,09% para os Estados e 0,12% para os municípios -aplicados exclusivamente na Saúde.

Não deu Mas nem mesmo o Palácio do Planalto acredita mais nas chances de o imposto ser aprovado pelo Congresso ainda este ano.

Assim não Apesar de sinalizar que a desvinculação de receitas da União pode começar a andar na CCJ da Câmara, Eduardo Cunha disse a aliados que o projeto do governo, que prorroga a medida até 2023 e amplia a fatia de 20% para 30%, não passará.

Assim sim Na quinta-feira, o peemedebista anexou ao projeto inicial uma proposta de Benito Gama (PTB-BA) que prorroga a medida até o fim de 2016, apenas.

Agenda secreta Um dos pontos que mais irritaram o governo Alckmin no caso dos sigilos foi o de a Polícia Militar decretar segredo de cinco anos para a agenda do comandante-geral da corporação. "Caso evidente de bobagem", diz um interlocutor do governador paulista.

Regra A ordem do Palácio dos Bandeirantes é manter em segredo apenas informações que coloquem a população em risco.

Exceção A determinação, porém, não exclui a possibilidade de casos concretos serem analisados, posteriormente, pela comissão comandada pelo secretário de Governo, Saulo de Castro.

Dupla dinâmica Em mais um esforço de aproximação com o MST, Geraldo Alckmin participará de ato político, na sexta (23), ao lado de João Pedro Stédile. O governo cedeu o Parque da Água Branca para a 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária.



Como Aécio e aliados abafaram a investigação da Lista de Furnas?

 *Joaquim de Carvalho

Depoimento de Roberto Jefferson à CPI: ele aponta o dedo para Aécio

Esta reportagem é a quarta da série sobre o escândalo da Lista de Furnas. As demais estão aqui. Elas foram financiadas através de um projeto de crowdfunding da plataforma Catarse. 

Na semana em que o DCM começou a contar a história sobre a Lista de Furnas, uma cena chamou a atenção de quem passava pela rua Goytacazes, em Belo Horizonte, altura do número 50, no final da manhã de quinta-feira, 15 de outubro. Um senhor de mais de 70 anos, vestindo camisa amarela e calça social, se aproximou de um homem de quase 60, mais baixo do que ele, tocou no seu ombro e este, ao virar, ouviu “filho da puta” e levou o soco no rosto. O mais baixo revidou com a pasta e começou a gritar: “mensaleiro”, “pega ladrão”, e o mais velho deixou o local.

O mais velho é Cláudio Roberto Mourão Silveira, quadro com extensa folha de serviços prestados às gestões do PSDB no Estado, e o mais baixo, Nílton Antônio Monteiro, o delator da Lista de Furnas. Nílton entrou em contato com o advogado Willian Santos, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB no Estado, e foi orientado a fazer um boletim de ocorrência, e a buscar testemunhas e registros em vídeo da agressão. “Até hoje, tudo o que o Nílton falou acabou se comprovando”, disse Willian.

Eu liguei para Cláudio Mourão e deixei recado na caixa postal, sem obter retorno até agora. Também enviei um e-mail para o advogado de Mourão, também sem resposta até o momento. Mourão e Nílton se tornaram desafetos quando este divulgou documentos que mostravam a utilização de caixa 2 na campanha do PSDB em 1998, num episódio conhecido como mensalão mineiro.

Cláudio Mourão foi chefe de gabinete na Secretaria de Administração no governo de Tancredo Neves, onde Eduardo Azeredo era presidente da Empresa de Processamento de Dados. Mais tarde, quando Azeredo assumiu a prefeitura de Belo Horizonte, Mourão foi nomeado secretário da Administração. Em 1994, Azeredo se elegeu governador e levou Mourão para a Secretaria de Administração do Estado. Em 1998, quando Azeredo tentou a reeleição, Mourão se tornou o tesoureiro da campanha.

Azeredo não se elegeu e deixou dívida de campanha, que foi assumida pelo aliado Mourão. Este, alegando prejuízo, se movimentou para entrar com uma ação de indenização na justiça contra Azeredo e o candidato a vice, Clésio Andrade. Tudo de maneira bem discreta. Ao mesmo tempo, assinou uma procuração para que Nílton Monteiro buscasse fazer um acordo extrajudicial com Azeredo e Clésio.

Como Nílton não é advogado e até então sua atividade conhecida era a de laranja e homem da mala do empresário e ex-deputado Ségio Naya, é claro que não se tratava de serviços jurídicos o que Mourão buscava.

E Nílton preparou uma lista, exatamente como no caso de Furnas, com o nome dos políticos que receberam doações na campanha de 1998. Lá está o nome de Aécio Neves, na época candidato a deputado federal, com o respetivo valor da doação: 110 mil reais.

Mais tarde, Mourão desistiu da ação na Justiça contra seus antigos aliados – Azeredo e Clésio – e Nílton entregou a lista e documentos para políticos do PT, quando em Brasília o PSDB atacava o governo Lula por causa da denúncia do mensalão. Não é difícil concluir que o problema de Mourão estava resolvido. Mas e Nílton, que não esconde que busca dinheiro nos subterrâneos da política?

Com a divulgação da lista do Mourão, acompanhada de recibo de depósitos bancários, se tornou público que Marcos Valério trabalhava para o PSDB de Minas Gerais muito antes de começar a servir ao PT.

A Procuradoria Geral da República determinou a abertura de inquérito e a Polícia Federal descobriu que, no mensalão mineiro, o dinheiro saía das estatais de Minas Gerais, via contratos de mentirinha, e ia para o caixa dos políticos, com a mediação de Marcos Valério.

Nesse tempo, Aécio já era governador de Minas e, logo depois de explodir o escândalo do mensalão mineiro, teve seu nome relacionado também na outra lista famosa, a de Furnas. Os dois casos – a Lista do Mourão e a Lista de Furnas — foram divulgados quase simultaneamente, e demonstraram que o PSDB, ao atacar o PT, era o que, nas palavras ditas mais tarde, o mesmo que o sujo falar do mal lavado.

As listas de Nílton tiveram uma repercussão estranha. Se, nos bastidores, foi fundamental para esvaziar as CPIs do Correio e do Mensalão, publicamente o alvo se tornou Nílton Monteiro. “Achacador”, diziam uns. “Falsário”, afirmavam outros. “Estelionatário”, denunciava a Polícia Civil de Minas Gerais.

A reação dos envolvidos atende a um padrão. No caso do mensalão mineiro, Mourão negou que tivesse assinado procuração em favor de Nílton, e até juntou parecer de perito contratado para dizer que a assinatura era falsa. Já os peritos oficiais, da Polícia Federal, não tiveram dúvida: a assinatura era autêntica.

No caso de Furnas, a mesma coisa. Peritos contratados, agindo fora do horário de trabalho ou já aposentados do serviço público, atestaram a falsidade, sob contrato remunerado. Os peritos da Polícia Federal chegaram à conclusão oposta.

Entre uns e outros, entraram em ação a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Ministério Público de Minas Gerais, para investigar não Furnas ou Cláudio Mourão, mas o único jornal mineiro que dava notícia sobre as listas.

Aécio e Sérgio cabral: unidos
 por sangue e por Furnas
Batizada de Anonymous, uma operação que uniu promotores, delegados e PMs, com o amparo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, resultou na busca e apreensão de documentos e computadores da sede do Novo Jornal e na retirada do site do ar.

Quando o advogado do Novo Jornal tentou reverter a decisão, a Polícia Civil se manifestou contrária e juntou um artigo do Observatório da Imprensa, publicado no dia 26 de agosto de 2008, sob título “Jornalismo ou achaque?”, em que o autor, José Luiz Ferreira Fernandes, fazia insinuações de que o dono do Novo Jornal publicava as denúncias para extorquir dinheiro de políticos e empresários.

Sete anos depois, eu procurei o autor do artigo, e descobri que não existe nenhum José Luiz Ferreira Fernandes. O editor do Observatório da Imprensa à época, Luiz Egypto, ainda guarda o celular de quem enviou o artigo. Eu liguei para o número e quem atendeu não se chama José Luiz. Também enviei um e-mail, que retornou, por se tratar de uma conta hoje inexistente.

“Na época, houve dias em que subíamos até 100 artigos e não era possível checar a autoria de todos. Este artigo foi publicado no contexto de uma polêmica sobre o fechamento do site de Minas”, diz Egypto.

O dono do Novo Jornal atribui a autoria do texto ao grupo de Aécio Neves. “É coisa da Andrea (irmã de Aécio), que comprou toda a imprensa de Minas e destruiu quem ela não conseguiu comprar”, afirma Marco Aurélio Carone.

Alguns anos mais tarde, quando Aécio Neves colocou a campanha a presidente na rua, o dono do Novo Jornal seria preso e teria o site mais uma vez retirado do ar – decisão não revertida até hoje.

O inquérito que justifica a prisão e o fechamento do jornal junta o artigo apócrifo do Observatório da Imprensa e outra publicação de imprensa, uma reportagem da revista Veja.

A Veja publica trechos de uma escuta telefônica realizada com autorização judicial para concluir que o PT de Minas Gerais tinha se unido a uma quadrilha de falsificadores para destruir Aécio Neves e seus aliados, no caso da Lista de Furnas.

Hoje já se sabe que esses trechos foram tirados de contexto, pois a mesma escuta telefônica ajudou a Procuradoria da República a concluir que a Lista de Furnas era autêntica. “Nada foi captado que indicasse a falsidade”, conforme destacou a procuradora Andrea Bayão na denúncia criminal que fez contra onze pessoas, pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A denúncia é extensa – 51 páginas. No resumo que fez ao analisar a acusação, o juiz Roberto Dantes Schuman de Paula diz que se trata “de um esquema criminoso de desvio de dinheiro no âmbito da empresa Furnas Centrais Elétricas S/A (…) que se destinaria ao financiamento de campanhas políticas e ao enriquecimento de agentes públicos, políticos, empresários e lobistas”.

O juiz considera “graves” os fatos narrados na denúncia, mas conclui que, por serem casos de corrupção passiva e corrupção ativa, devem ser julgados pela justiça estadual. Andrea Bayão já nem estava mais no Rio de Janeiro para recorrer dessa decisão do juiz.

É que, logo depois que enviou a denúncia para a Justiça, a procuradora recebeu uma promoção. Alçada ao cargo de procuradora regional, ela foi transferida para Brasília. Quando o juiz analisou a denúncia, Bayão já estava trabalhando ao lado do então procurador geral da república, Roberto Gurgel.

Esta semana, estive na Procuradoria da República no Rio de Janeiro, onde, recentemente, de volta de Brasília, a procuradora Bayão voltou a trabalhar, desta vez na instância superior. Mais uma vez, tentei falar com ela. Bayão não quis me dar entrevista, mas respondeu a algumas perguntas através da assessoria de imprensa.

Confirmou que o inquérito envolve políticos com prerrogativa de foro, que ela não tinha competência para processar. Não citou nomes, mas a lista de Furnas relaciona 156 políticos, como Aécio Neves, José Serra e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Por meio da assessoria de imprensa, Andrea Bayão disse que, após entregar a denúncia, só teve notícia do caso através da imprensa e afirmou que não comunicou ao Procurador Geral da República o nome dos políticos envolvidos, porque já era do conhecimento dele, uma vez que sua atuação no caso começou a partir de uma determinação de Brasília.

No Rio de Janeiro, a investigação sobre Furnas voltou à estaca zero em 2012, quando foi remetido para o Ministério Público Estadual. Hoje, as pastas da investigação da Polícia Federal se encontram na Delegacia Fazendária, juntadas ao inquérito número 921-00381.

O Código de Processo Penal estabelece 30 dias para a polícia concluir a investigação, prazo que pode ser prorrogado algumas vezes, em tese apenas sob justificativa convincente. O inquérito já está lá há três anos e até agora não foi relatado para o Ministério Público.

Na época em que saiu da Justiça Federal e foi para o Rio de Janeiro, o governador do Estado era Sérgio Cabral, que aparece na lista como destinatário de R$ 500 mil do dinheiro de Furnas (hoje R$ 1,2 milhão, corrigidos pelo IGP-M), juntamente com 23 candidatos a deputado, entre eles o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (R$ 100 mil, o equivalente hoje a R$ 239 mil).

E quem era o político que dava as cartas em Furnas, a ponto de segurar no cargo o Diretor de Planejamento, Engenharia e Construção, Dimas Toledo, apontado como mentor e executor dos desvios?

Em 2003, o deputado Roberto Jefferson queria o cargo de Dimas Toledo para um afiliado do PTB, julgando que este era o acordo para apoiar o governo federal. Não teve sucesso.

“Uma pressão grande de vários deputados sobre mim, sobre o ministro Walfrido (Walfrido dos Mares Guia, também do PTB): ‘não tira o Dimas, não tira o Dimas’. E eu percebi que o próprio ministro José Dirceu não queria tirar. Toda hora, ele dizia: ‘tem muita pressão. Tem pressão do Aécio’”, disse Jefferson em junho de 2005, ao ser questionado por um deputado na CPI dos Correios.

Na época, a lista ainda não era pública, e não se sabia do poder do grupo de Aécio Neves sobre Furnas. A fala de Jefferson implicando Aécio Neves não teve repercussão, ao contrário do que ocorreu quando ele apontou o dedo para o PT.

Dimas Toledo, afilhado político de Aécio Neves, era o dono da chave que abria o cofre de Furnas para abastecer os políticos. Sua lista, elaborada para permanecer em sigilo, apenas circulando entre pessoas com poder de pressionar o governo federal a manter Dimas Toledo na empresa, é uma confissão de crime assinada. Apesar disso, adormece na Delegacia Fazendária do Rio.

Não fosse pelo fato de figurar na lista, como manda chuva na política fluminense, Sérgio Cabral teria outro motivo para não ter interesse no aprofundamento da investigação. Sua primeira mulher, Suzana, com quem tem três filhos, é prima de Aécio Neves. Sérgio Cabral nunca foi, portanto, um estranho no ninho de Aécio, onde Furnas teve (ou tem) lugar cativo.

As empresas doadoras são as mesmas de outros escândalos envolvendo Aécio e seus aliados, como a CEMIG em Minas ou o Metrô de São Paulo. Os contratos fajutos de consultoria, usados para disfarçar os repasses, são parecidos. Mas esta é outra história, que começaremos a contar na semana que vem.
O lobista Nílton Monteiro (deitado) à vontade no barco do tesoureiro tucano Cláudio Mourão

*Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros

Fonte: DCM, 17/10/2015

A valorização do professor e o futuro do Brasil

*Sibá Machado

Hoje, 15 de outubro, Dia do Professor, é a data consagrada à mais importante das profissões. Na verdade, é mais do que uma profissão: é uma missão, uma vocação. É uma determinação interior irresistível para a condução e o aprimoramento de todas as gerações, sobretudo das mais novas.

Como dizia Paulo Freire, o patrono da educação brasileira: "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção e apreensão. Educar não é ensinar: ensinar é acumular conhecimentos; educar é preparar para a vida".

As duas atividades são fundamentais, tanto ensinar, quanto educar. Uma não exclui a outra. É possível ensinar educando, e educando, ensinar.

Hoje, comemoramos o dia de quem ensina e de quem educa. É o dia do profissional que presta o serviço mais relevante para toda a sociedade. Sem o sacerdócio do magistério, nenhuma profissão se torna possível. Por isso, saúdo aqueles que abraçaram a nobre arte de ensinar e de educar.

O Partido dos Trabalhadores há 12 anos vem realizando um trabalho revolucionário na educação do País. Gostaria de recordar algumas dessas ações que vêm contribuindo para a melhoria gradativa e sólida dessa área, fato reconhecido por organismos nacionais e internacionais.

Nos últimos anos, a educação vem construindo um caminho de oportunidades e de futuro para nossos jovens. Os governos Lula e Dilma aumentaram fortemente o orçamento do Ministério da Educação, que saltou de R$ 18 bilhões em 2002 para mais de R$ 100 bilhões em 2015. E novos recursos começarão a chegar em breve com os royalties do petróleo do Pré-Sal.

Por isso, é fundamental que mantenhamos o regime de partilha da exploração de nosso petróleo, pois somente esse sistema de exploração, que garante à Petrobras o papel de exploradora única do Pré-Sal, possibilitará que recursos vultosos sejam direcionados para a educação, a atividade mais importante de quem governa.

Da creche à pós-graduação, passando pela escola em tempo integral, as mudanças foram marcantes de 2003 para cá, com o PT e aliados:

• revolução no ensino técnico e profissional, com a criação do Pronatec – mais de 8 milhões de alunos atendidos até 2014;

• expansão e interiorização das universidades federais e dos institutos técnicos federais – foram criados mais de 50 câmpi universitários e mais de 200 Ifets;

• entrada dos jovens pobres no ensino superior – pulamos de 1,7 milhão de alunos em 2002 para 7,5 milhões até o presente momento;

• bolsas de estudo para as melhores universidades do mundo – Ciência sem Fronteiras, em que mais de 150 mil jovens estudaram e estudam nas melhores universidades do mundo;

• programa de financiamento estudantil – cerca de 1 milhão de alunos carentes já foram atendidos pelo Fies;

Ou seja, nos governos Lula e Dilma, a educação passou a ser ferramenta de combate às desigualdades e motor do desenvolvimento. O que antes era gasto tornou-se investimento. Um investimento no futuro do Brasil e dos brasileiros.

Não há nenhuma ação do atual Governo que não leve em consideração a Valorização do Magistério. Todo o planejamento governamental para a Educação leva em conta o papel crucial desempenhado por nossos profissionais da Educação. E essa concepção está ancorada em iniciativas bastante visíveis: ganhos salariais acentuados e crescentes, estímulo à educação continuada, valorização das iniciativas pedagógicas individuais, interlocução constante com os representantes dos profissionais da Educação.

Conseguimos praticamente universalizar o ensino fundamental, agora temos que aumentar a inclusão na pré-escola e a manutenção dos alunos no final do ensino fundamental dois (do sexto ao nono ano) e no ensino médio, mas também desenvolver qualidade.

Um dos desafios é igualar as oportunidades das pessoas ao nascimento. E os professores e as professoras de todo o Brasil estão cientes desse imenso desafio, dando o melhor de si para que aperfeiçoemos cada vez mais a qualidade de nosso ensino.

O Brasil já se orgulha de seus milhões de professores. Nós, do Partido dos Trabalhadores, estamos trabalhando arduamente para estarmos à altura da abnegação desses notáveis educadores.

Nós comprovamos com gestos todo o apreço que temos pela Educação. Bem diferente, do que hoje ocorre nos governos tucanos do Paraná e de São Paulo, estados onde ações arbitrárias e de desapreço são o cotidiano das práticas dos governantes.

No Paraná, por exemplo, ocorreu o assalto ao Plano de Saúde dos Profissionais de Ensino, a redução do incentivo à profissionalização e, pasmem, até o espancamento físico e psicológico de professores que apenas reivindicavam os seus direitos e os de seus alunos. Em São Paulo, lamentavelmente, a ação do Governo do PSDB também segue a mesma linha perniciosa de tratamento: fechamento de escolas, a demissão de muitas professoras e professores, a superlotação das salas de aula e, mais uma vez, o acirramento do sucateamento da escola pública.

O oposto disso presenciamos nos estados governador pelo PT. Em Minas Gerais, por exemplo, com o governador Fernando Pimentel, firmou-se um histórico acordo com os docentes estaduais para o pagamento do piso nacional da Educação até 2017. Foi através do diálogo que conseguimos construir um consenso, não foi com o uso de ameaças e de armas para vilipendiar direitos de professores. Em Minas Gerais, como no Acre, no Piauí, Ceará e Bahia, estados governador pelo PT e em sintonia com o governo federal, os professores são tratados com respeito, com dignidade, como deve ser com todas as categorias profissionais.

Deputado federal (PT-AC) e líder do partido na Câmara

Se Cunha for preso e assinar delação,vai arrastar metade do congresso junto

Quanto menos corrupto no poder será melhor para o Brasil. O ideal seria que não tivesse nenhum!
O suposto pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), feito no último sábado (10) por líderes do PSDB,DEM e PPS é mais uma fraude descarada plantada pela oposição “acéfala” que assola o Brasil.

Aliás, diga-se de passagem, é a oposição mais incompetente que temos acompanhado desde os anos 70.

Essa ação desastrosa de marketing foi toda planejada por Aécio Neves, Carlos Sampaio, Agripino Maia e vários outros comparsas da direita conservadora.

Foi mais uma jogada de principiante e um golpe inábil da direita, em parceria com a mídia golpista, tendo como objetivo confundir a população brasileira. Tudo não passou de encenação. Ninguém do PSDB ou mesmo de seus partidos aliados querem ver Eduardo Cunha na cadeia. Cunha sabe muita coisa sobre o PSDB e o DEM!

Cunha é um político inteligente,ardiloso,dono de muitos segredos no meio político e pode, a qualquer momento, implodir mais da metade do Congresso Nacional com denúncias de corrupção em série.

Onde estão os líderes de oposição que gritam bravamente pelo impeachment da presidente Dilma nas redes sociais como se fossem os donos da verdade? Porque não estão gritando FORA CUNHA ?

Dilma, ao contrário de Cunha, não tem nenhuma denúncia contra sua pessoa. Dilma não tem carros importados de milhares de dólares, não possui imóveis de alto padrão no Rio de Janeiro, não possui contas numeradas na Suíça e, principalmente, não recebeu propina de nenhum empresário envolvido na operação Lava-Jato, conforme já foi dito por vários delatores que passaram pelo crivo seletivo do juíz Sérgio Moro.

Porque os bravos leões da oposição não fazem o mesmo escarcéu com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha?

Mesmo com provas documentais enviadas pelo MP da Suíça contra o presidente da Câmara, a oposição se cala e enfia o rabo entre as pernas.

Cunha já avisou: “Não vou sozinho. Vou carregar muita gente comigo”. E é por esse motivo que os machões da direita se transformam em “gatinhos” diante das ameaças de Cunha.

Queremos Cunha na cadeia sim! A prisão do presidente da Câmara poderá desencadear uma limpeza nos políticos corruptos que se infestaram como ratos nas dependências do Congresso e do Senado.

Com Eduardo Cunha preso, o próximo passo seria um acordo de delação premiada com o MP.

Cunha sabe muita coisa, conhece muito podre da política brasileira. E já avisou […] vai levar muita gente junto com ele e arrastar muitos congressistas.

E que leve mesmo. Seja petista, seja peemedebista, seja tucano, enfim, seja lá quem for. 

O povo brasileiro clama por isso!