quarta-feira, 23 de abril de 2014

STF determina instalação imediata da CPI 'exclusiva' da Petrobrás

Na decisão que atende aos pedidos feitos pela oposição, ministra Rosa Weber ordena a suspensão da discussão em plenário sobre a abrangência da comissão parlamentar


Brasília - A ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber determinou na noite desta quarta-feria, 23, a instalação imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigação exclusiva das suspeitas de irregularidades envolvendo negócios da Petrobrás.

Weber ainda determinou que, até que o mérito da ação seja julgado, que o Senado suspenda a discussão em plenário da abrangência da CPI. A ministra ainda rejeitou o pedido de liminar feito pelo PT para que impedisse a instalação da CPI exclusiva.

A decisão da ministra é liminar. O mérito da ação ainda será julgada pelo plenário do Supremo, mas ainda não há data definida para isso acontecer.

Confira trecho da decisão:

"(...) defiro em parte a liminar , sem prejuízo, por óbvio, da definição, no momento oportuno, pelo Plenário desta Suprema Corte, da cognoscibilidade da presente ação mandamental e de seu mérito, e até que tal ocorra, para suspender o ato impugnado, no que implica submeter à deliberação da maioria do Senado o requerimento da CPI da minoria, a despeito do aparente cumprimento dos requisitos constitucionais, e para determinar que a CPI seja implementada não com o objeto alargado do RQS nº 303, de 2014, e sim com o objeto restrito proposto no RQS nº 302, de 2014, de que signatários os impetrantes. Notifique-se a autoridade apontada como coatora para que preste informações, em dez dias (arts. 7º, I, da Lei 12.016/09 e 203 do RISTF). Cientifique-se a AGU (art. 7º, II, da Lei 12.016/09). Após, vista ao Ministério Público Federal (arts. 12, caput , da Lei 12.016/09 e 205 do RISTF). Publique-se. Brasília, 23 de abril de 2.014 (22 h)"

Fonte: Msn, 23/04/14

1 em cada 5 professores de 6° a 9° ano não fez curso superior

Cristiane Capuchinho/Do UOL, em São Paulo 23/04/201405h00


Alex Almeida/Folhapress

       Em 2013, 21,5% dos professores brasileiros que davam aulas nos anos finais do ensino fundamental (6° ao 9° ano) não fizeram ensino superior. Dos profissionais em sala de aula nessa fase de ensino, 35,4% não são habilitados para dar aula --ou seja, não fizeram licenciatura. Os dados são do Censo Escolar e foram compilados pela ONG Todos pela Educação.

No ensino médio, 22,1% dos professores brasileiros não fizeram licenciatura. São administradores, advogados ou profissionais com alguma formação de ensino superior que estão na escola dando aulas de física, química, matemática e educação física, entre outras.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, todos os docentes de ensino fundamental e médio deveriam ter diploma de ensino superior em pedagogia ou uma licenciatura para estar em sala de aula. No entanto, o Brasil ainda não conseguiu superar o déficit de formação do professorado.

Professor no Brasil
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"Não temos professores formados em quantidade suficiente em várias áreas, principalmente em física, química, artes. Os cursos se concentram nas grandes cidades, embora, os cursos superiores de educação a distância estejam contribuindo com a formação de professores em cidades do interior", aponta Bertha do Valle, pesquisadora da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

A dificuldade em encontrar professores com formação adequada é um misto entre falta de profissionais nos lugares em que são necessários, baixa atratividade da profissão e dificuldades dos professores nas salas de aulas se especializarem.

Apesar da criação de programas de incentivo à formação dos professores, como cursos de licenciatura a distância da UAB (Universidade Aberta do Brasil) ou bolsas de curso superior específicas para quem quer se tornar professor, especialistas consideram que ainda falta uma política coordenada.

"Existe o curso, mas o professor que está em sala não é liberado de suas aulas para fazer a licenciatura. Ele tem que se desdobrar e nem sempre consegue fazer os dois, sobretudo em municípios mais afastados", destaca Bernadete Gatti, que pesquisa a formação docente na Fundação Carlos Chagas.

Serra do Cachimbo gera polêmica em debate


Agricultores e órgãos de preservação do meio ambiente divergem sobre projeto que transforma reserva biológica no Pará em parque nacional e área de preservação ambiental

Jornal do Senado, 23/04/2014 - Meio ambiente
 
Enquanto agricultores do Pará apoiam o projeto (PLS 258/2009) de Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que transforma a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo em modalidade de conservação que permite o turismo e outras atividades, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) defendem a manutenção da destinação original da área.

O assunto foi discutido ontem na Comissão de Meio Ambiente (CMA). O projeto divide a reserva, localizada no oeste do Pará, em Parque Nacional Nascentes da Serra do Cachimbo e Área de Proteção Ambiental Vale do XV.

Os agricultores da Associação de Produtores do Vale do XV argumentam que já ocupavam as terras quando foi feita a demarcação da reserva, em 2005. As terras agora devem ser desapropriadas, pois uma reserva biológica não permite propriedade privada nem uso dos recursos. Os agricultores defendem o projeto porque parques nacionais podem receber turistas e áreas de proteção ambiental podem desenvolver atividades econômicas sustentáveis e com proteção da biodiversidade.

Fábio Barbosa, presidente da associação, disse que a reserva e outras unidades de conservação na região foram usadas como moeda de troca para a pavimentação da BR-163.

— Tínhamos um sonho de ver a pavimentação da BR-163, de desenvolver nossa região, mas isso se tornou pesadelo, pois agora somos obrigados a sair da nossa propriedade.

Roberto Vizentin, presidente do ICMBio, reconheceu que as famílias foram levadas à região por programas de ocupação do poder público. Se há justificativa técnica e científica para a criação da reserva, disse, o governo deve indenizar essa população. Ele teme que a mudança na Serra do Cachimbo abra precedente para reversão de outras unidades.

O ICMBio emitiu parecer contrário ao projeto, por considerar que as áreas da Reserva Nascentes da Serra do Cachimbo, pela composição de solo, topografia e suscetibilidade à erosão, precisam ser protegidas. Para ele, seria um erro permitir atividade econômica.

Paulo Barreto, do Imazon, manifestou preocupação com o aumento do desmatamento, caso a área deixe de ser uma reserva biológica. Ele informou que uma área equivalente à do território de Alagoas foi desmatada no Pará, entre 1995 e 2013, e outros 2,4 milhões de hectares poderão ser abertos, caso sejam aprovados o projeto de Flexa e outras propostas. Barreto lembrou que a redução do desmatamento na Amazônia foi acompanhada de crescimento da produção agropecuária, indicando que a preservação da floresta não impede o agronegócio.

O engenheiro florestal Ederson Zanetti afirmou que a população que vive na região está disposta a se ajustar às demandas do governo, fazendo a recuperação das áreas degradadas para produção sustentável e a proteção das áreas ainda florestadas.

Achado avião desaparecido em Jacareacanga

 (Foto: Reprodução/DOL)

Foi achado por volta das 17h desta terça-feira (22) o avião que havia desaparecido no município de Jacareacanga, sudoeste do Estado, há mais de um mês. A aeronave foi achada a cerca de 40 km da cidade, em uma área de mata fechada, próxima a vicinal do Jaburu. Não há sobreviventes.


 Avião caiu de bico num pântano Foto de Wálter Tertulino (Facebook)

A aeronave foi encontrada por um garimpeiro, que avisou a  FAB - Força Aérea Brasileira, responsável direta pelas buscas do bimotor no município.

O avião desapareceu no último dia 18 de março, após decolar do município de Itaituba, por volta das 11h40. Pouco mais de uma hora de voo ele desapareceu.

No avião, além do piloto, havia um motorista e três técnicos de enfermagem. As vítimas foram identificadas como Rayline Sabrina Brito Campos, Luciney Aguiar de Sousa, Raimunda Lúcia da Silva Costa, um homem identificado apenas por Ary, além de Luiz Feltrin (piloto).

Fonte: DOL, 22/04/14

terça-feira, 22 de abril de 2014

PT ameaça André Vargas de expulsão caso ele não renuncie ao cargo

Em resposta, deputado licenciado desafia a cúpula petista afirmando que permanece no cargo 'até o fim' e diz que fará o sucessor na vice-presidência da Câmara

Atualizado: 22/04/2014 18:18 | Por Vera Rosa, estadao.com.br

Brasília - Em reunião ocorrida em Brasília na manhã desta terça-feira, 21, dirigentes do PT avisaram o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) que, se ele não renunciar ao mandato, será expulso do partido. Vargas resistiu e desafiou a cúpula petista. "Não renuncio. Agora vou até o fim e vou fazer o meu sucessor na vice-presidência da Câmara", afirmou, numa referência ao deputado Luiz Sérgio (RJ).

O presidente do PT, Rui Falcão, disse a Vargas que as denúncias de irregularidades envolvendo o nome dele desgastam ainda mais a imagem do partido, já abalada com o escândalo do mensalão. "Você já deveria ter renunciado para evitar tudo isso", afirmou Falcão, em tom duro.

A reunião, na sede do PT, foi marcada pela tensão. A portas fechadas, o presidente do PT pediu a Vargas que abra mão do mandato para não prejudicar o partido e as campanhas eleitorais de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo; de Gleisi Hoffmann à sucessão no Paraná e da própria presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Diante da resistência de Vargas - que levou para a reunião os deputados José Mentor (SP) e Luiz Sérgio (RJ) -, dirigentes petistas deixaram claro não haver dúvida sobre sua expulsão do PT, uma vez que o caso já está com a Comissão de Ética da legenda.

Vargas também é alvo de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, que investiga suas ligações com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por suspeitas de lavagem de dinheiro e outros crimes.

"Nós sabemos que você não vai conseguir sustentar sua versão dos fatos no Conselho de Ética e no plenário da Câmara", disse Falcão a Vargas. "Ele tem o direito de se defender e nós vamos ajudá-lo", rebateu Mentor.

Nos bastidores do partido e do governo, Luiz Sérgio, Mentor e o deputado Cândido Vaccarezza (SP) são chamados de "tropa de choque" de Vargas.

Protelação. A pedido do deputado licenciado, o petista José Geraldo (PA) apresentou, na tarde desta terça, pedido de vista no processo disciplinar contra o ex-vice-presidente da Câmara. Com a manobra, ele conseguiu ganhar tempo e adiar a análise do caso para o dia 29.

Pressionado pelo PT e por ministros, Vargas só renunciou até agora à vice-presidência da Câmara. Integrante da corrente "Construindo um Novo Brasil", majoritária no partido, ele está disposto a fazer de Luiz Sérgio o seu sucessor, desafiando o grupo de Rui Falcão, que prefere no cargo o deputado José Guimarães (PT-CE).

Ainda nesta terça, Falcão fará relato da conversa com Vargas à presidente Dilma, com quem se reunirá à noite, no Palácio da Alvorada, juntamente com outros coordenadores da campanha.

Para o líder do PT na Câmara, Vicente Paulo da Silva (SP), o Vicentinho, Vargas está cometendo um "grande erro" ao expor o partido, o governo e seus candidatos. "Ele vai ficar sangrando em praça pública", disse Vicentinho, que também participou da reunião de hoje com Vargas. "Esperamos que ele volte atrás."

Defendendo a Petrobrás

A parte da imprensa que serve à oposição se encarregou de transformar a compra de Pasadena num escândalo com um massacre midiático inimaginável

Ultimamente muitas notícias sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobrás, se constituíram em verdadeiros ataques que estão sendo articulados de fora do Brasil e tem aqui, boa parte da imprensa como aliada e aqueles que fazem oposição ao governo, a partir de manipulação grosseira de dados e informações, com o objetivo único de desgastar politicamente a presidenta Dilma, visando ganhar a disputa eleitoral para presidente da República, neste ano e, depois, privatizar a maior empresa nacional estatal do mundo no ramo petrolífero.

Por trás dessas noticias plantadas estão as grandes petroleiras mundiais que não se conformam em ver o Brasil ter o controle efetivo de uma riqueza incomensurável. Todos os documentos que envolvem a negociação das ações da refinaria de Pasadena são públicos, disponíveis em bolsas de valores internacionais, passíveis de auditorias por instituições que controlam negociações no mercado. As informações detalhadas estão ao alcance de todos em : Apresentação de José Sérgio Gabriele

A negociação foi um bom negócio para a Petrobras e era uma vontade do Brasil desde o governo do ex-presidente FHC, em 1999. O negócio foi fechado devido a estagnação do mercado brasileiro de gasolina e diesel desde 1996 até 2007. A última refinaria construída no Brasil era de 1980, a de São José dos Campos. Em 2002, a Petrobras valia R$ 15 bilhões. Hoje, mesmo depois da crise, vale R$ 184 bilhões. Hoje a Petrobrás é a única empresa no mundo que detém a tecnologia de perfuração da camada Pré-Sal e despertou interesses de mega-petroleiras internacionais, mega-bancos, e dos maiores fundos de pensão dos EUA, abarrotados de dólares, que buscam negócios mundo a fora.

Fonte: Artigo de Newton Lima, 14/04/2014, no jornal Brasil 247 

O crime organizado está em ação



Terça-feira (22.abr.2014) - Ao menos 30 ônibus da empresa Urubupungá são incendiados na garagem, em Osasco, na grande São Paulo, durante a madrugada. De acordo com a rádio CBN, suspeitos teriam rendido os seguranças da empresa e derramado gasolina nos veículos para incendiá-los. Segundo a PM, não houve feridos. A empresa informou que as operações seguem normalmente nesta terça-feira, sem alteração nas linhas Edison Temoteo.

Ontem, em postagem intitulada: " Estamos caminhando para a barbárie", neste blog, disse que uma boa parte dos 326 ônibus incendiados neste ano, agora 356, é responsabilidade direta do crime organizado.

Por que o crime organizado está respondendo assim? Justamente porque nunca foi reprimido como hoje. Seus chefões estão nos presídios. Parte de seus integrantes está sendo assassinada nos confrontos diretos com a polícia. É inegável que os chefões presos dão ordens, mas pior seria se eles estivessem em liberdade.

Por que o crime organizado se contrapõe neste momento político? Porque entendem a população vai se revoltar contra o governo e dará a resposta nas eleições; que a troca de partido, de comando no governo, vai beneficiá-los. Eu, entendo que independentemente de quem seja eleito, o combate ao crime tem que continuar; que as polícias vão continuar a cumprir o seus papéis institucionais. Portanto, apostar nessa direção é "chover no molhado".

Com informações e foto do bol, 22/04/14

A CPI do mau negócio e o mau negócio da CPI

No debate sobre Pasadena, o maior destaque fica por conta das repentinas juras de amor da oposição pela Petrobrás  
 
Marcelo Zero, 17 de Abril de 2014 às 07:30   Brasil.247.com

Todos os dias, empresas fazem maus negócios, que dão prejuízos. Todos os dias, firmas vão à falência. Nos períodos de bonança e crescimento, muitas empresas lucram bastante fazendo apostas altas nos mercados. Nos períodos de crise, muitas simplesmente desaparecem para nunca mais serem vistas.

Isto se chama capitalismo. O capitalismo implica riscos. Muitos e graves riscos. Há nele uma “destruição criativa”, como dizia Schumpeter, que torna o ambiente dos negócios algo muito mais próximo ao rio de Heráclito que ao ser imutável e imóvel de Parmênides.

Nos períodos de crescimento, tem-se a impressão que os bons negócios são sólidos e vão durar para sempre, ainda que sejam, muitas vezes, meras bolhas alimentadas por ambição desmedida, conveniente cegueira de longo prazo e ausência de regulação estatal. Já nos períodos de crise, como dizia outro filósofo, tudo que é sólido se desmancha no ar.

Pasadena se desmanchou no ar, não há dúvida. De acordo com Graça Fortes, o negócio teria dado um prejuízo a Petrobras de aproximadamente US$ 500 milhões. É bastante, ainda que seja uma cifra bem inferior aos quase US$ 2 bilhões alegados pelos críticos da Petrobras.

Entretanto, se subirmos corrente acima o rio de Heráclito, chegaremos à conclusão que, em 2006, ano em que foi decidida a compra da refinaria, o negócio era, sim, muito bom. Com efeito, havia na época um “boom” do refino nos EUA. As margens de lucro estavam altíssimas, turbinadas por um consumo doméstico de refinados que chegava a 9,5 milhões de barrias/dia. Muitas empresas, não apenas a Petrobras, estavam de olho nesse gigantesco e lucrativo mercado.

Mas não era apenas a perspectiva de grande lucro que motivava a Petrobras. Em 1999, no governo FHC, a empresa havia traçado uma estratégia de negócios que colocava o refino de nosso óleo pesado no exterior como uma das suas prioridades. Na época, ainda não tínhamos o óleo leve do pré-sal, que é bem mais fácil de processar.

Pasadena, bem situada no corredor de Houston e com uma capacidade instalada de 100 mil barris/dia, era uma boa aposta para processar o óleo pesado do pós-sal, principalmente do poço de Marlim, e vender, com lucro muito alto, os refinados no mercado norte-americano. Com isso, a nossa conta de petróleo tenderia a ficar superavitária, pois venderíamos refinados, de valor agregado bem mais alto, no exterior.

E não era apenas Pasadena. Naquele período, impulsionada pela estratégia traçada no governo tucano, a Petrobras comprou as refinarias de Baia Blanca, e San Lorenzo, na Argentina, e a refinaria de Okinawa, no Japão. Observe-se que, de acordo com o sindicato dos petroleiros, em suas transações com a Repsol, na Argentina, o Brasil entregou 3 bilhões de dólares e recebeu 750 milhões de dólares. Um prejuízo de mais de US$ 2 bilhões, quatro vezes maior que o de Pasadena. Porém, essa transação desastrosa não merece, misteriosamente, nenhum comentário da mídia.

No entanto, coerentemente com aquela estratégia traçada no governo tucano e com as condições do mercado da época, tomou-se a decisão de comprar Pasadena. Mesmo com as cláusulas Put Option e Marlim, inexplicavelmente ocultadas do conselho da empresa e explicavelmente inseridas no contrato com a Astra, já que se destinavam a compensar o fato de que a Petrobras teria efetivo poder de mando na refinaria, o negócio tinha boas perspectivas de dar certo.

As perspectivas eram muito boas não fosse um detalhe: a crise internacional, que tomou todo o mundo de surpresa e derrubou, entre muitas outras coisas, o mercado de refino dos EUA. Assim, o problema essencial de Pasadena não foram as cláusulas Put Option e Marlim ou eventual ato de corrupção de diretor da Petrobras, mas a ausência de uma “cláusula Parmênides”, que assegurasse a imutabilidade das condições da economia mundial.

Caso as condições do mercado de refino tivessem permanecido semelhantes às de 2006, ninguém estaria hoje falando de Pasadena, a não ser para elogiar uma decisão estrategicamente acertada. Pasadena já estaria “no lucro”, a Astra não teria abandonado o negócio e a presença de uma refinaria da Petrobras nos EUA, mesmo após a descoberta do pré-sal e da mudança da estratégia da empresa, não seria questionada.

Ante isso, pode-se questionar para que serviria uma CPI que tem como ponto central o mau negócio de Pasadena? Será que tem alguém beócio o suficiente para acreditar que a compra de Pasadena e o mau negócio que ela se tornou resultaram de meros atos de corrupção? É possível que sim, pois reina no Brasil do denuncismo certo reducionismo moral, que pretende explicar todos os problemas do país com base na corrupção e no malfeito.

Entre os Azande, povo africano estudado pelo famoso antropólogo Evans –Pritchard, todos os infortúnios se explicavam pela bruxaria. No Brasil de hoje, todos os problemas se “explicam” pela corrupção. Até mesmo um negócio mal sucedido.

Não que atos de corrupção e de má-gestão não possam ter ocorrido, no caso ou na empresa. Mas atribuir-lhes, de antemão, centralidade é, no mínimo, um exagero “azandeano”. Além disso, a Petrobras já é objeto de inquéritos internos e da própria Polícia Federal. Quem tiver de ser punido, que seja.

Não obstante, essa metafísica da corrupção, quando aplicada à Petrobras em pleno período eleitoral, talvez esconda interesses mais terrenos e menos moralizantes.

Em primeiro lugar, há o óbvio interesse em desgastar o governo Dilma e a candidatura da presidenta, que permanece à frente das pesquisas. Com seu preciso “timing” eleitoral e sua vaga metafísica, a CPI se tornaria palco de inúmeras ilações e denúncias, devidamente potencializadas pelo maior partido de oposição do país.

Em segundo lugar, e menos óbvio, há também o interesse altruísta de livrar a Petrobras do fardo de ter de explorar o pré-sal. Por isso, crescem na mídia as matérias e reportagens patrioticamente dedicadas a mostrar uma Petrobras à beira da falência, ferida de morte por suposta má-gestão típica de uma estatal assediada pela política. Estratégia antiga e marota, que deu certo na época das privatizações.

Não comove os altruístas e patriotas o fato da Petrobras, como bem demonstrou Graça Foster no Senado, ser empresa sólida, com crédito no mercado, desempenho extraordinário em prospecção, expertise única em águas ultraprofundas e excepcionais perspectivas de médio e longo prazo, já que dispõe do pré-sal, enormes megajazidas de óleo leve, num mundo em que há carência de descobertas de novas jazidas, a não ser as de sujo óleo de xisto.

Talvez aconselhados pelos mesmos gênios que apregoam a volta das medidas impopulares, de saudosa memória, esses abnegados senhores desejem o retorno do modelo de concessão, instituído nos tempos de FHC e substituído pelo modelo de partilha, nos tempos de Lula. Nesse modelo de concessão, as jazidas passariam a pertencer às empresas que vencem os leilões e a Petrobras ficaria alijada da exploração conjunta. Exxon, Chevron, Shell, et caterva, agradeceriam esse gesto de grandeza. A União faria um caixa rápido para ampliar o superávit primário e a Petrobras acabaria transmutando-se na tão sonhada Petrobax.

É claro que, neste cenário, a Petrobras seria, agora sim, ferida de morte. A cadeia do petróleo sustentada pela empresa, inclusive a indústria naval, ressuscitada nos governos Lula e Dilma, também. E a alavancagem do desenvolvimento nacional e da educação brasileira pelo pré-sal seria convenientemente esquecida na névoa do denuncismo metafísico.

Assim, a CPI do mau negócio tende a se transformar num mau negócio para o país.

E não se enganem com as juras de amores à Petrobras por parte daqueles que pretendem imolá-la no altar das disputas eleitorais e achincalhá-la no vórtice das ilações e das denúncias vazias. O depoimento de Graça Fortes no Senado, no qual alguns inquisidores se referiram à empresa como “abismo moral”, “quitanda” e outras elevadas expressões, é somente uma prévia do que vem por aí.

Afinal, no caudaloso rio de Heráclito, há coisas que aqui permanecem tão imutáveis quanto o ser de Parmênides. Duas se destacam: o entreguismo e a cara de pau.

Em defesa da Petrobrás

A parte da imprensa que serve à oposição se encarregou de transformar a compra de Pasadena num escândalo com um massacre midiático inimaginável 
 
NEWTON LIMA 14 de Abril de 2014 às 14:29, no www.brasil247.com
Os ataques à Petrobras estão sendo articulados fora do Brasil e contam com gente daqui para transformar a compra da refinaria de Pasadena num elemento de desgaste político da presidenta Dilma visando a disputa eleitoral deste ano. A parte da imprensa que serve à oposição se encarregou de transformar a compra da empresa num escândalo com um massacre midiático inimaginável, a partir de manipulação grosseira de dados e informações.

Todos os documentos que envolvem a negociação das ações da refinaria de Pasadena são públicos, disponíveis em bolsas de valores internacionais, passíveis de auditorias por instituições que controlam negociações no mercado. Em dezembro de 2013, numa audiência no Senado Federal, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, prestou esclarecimentos aos senadores sobre a compra da refinaria. Não existe nenhum segredo. As informações detalhadas estão disponíveis: 


Apresentação de José Sérgio Gabriele em audiência pública....

A negociação foi um bom negócio para a Petrobras. A aquisição de companhias como a Pasadena fez parte do planejamento estratégico da Petrobras definido no governo do ex-presidente FHC, em 1999. Pasadena foi incluída no Plano Estratégico 2007/2010, quando o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a construção de quatro refinarias. Na ocasião, faziam parte do Conselho os senhores Fábio Barbosa, presidente da Abril S/A e ex-presidente da Federação dos Bancos (FEBRABAN); Jorge Gerdau, presidente do Grupo Gerdau; e Claudio Haddad, presidente-acionista da Ambev.

A decisão do Conselho se baseou em pesquisa que constatou permanente estagnação do mercado brasileiro de gasolina e diesel desde 1996 até 2007. A última refinaria construída no Brasil era de 1980, a de São José dos Campos. Naquele momento o potencial de crescimento da produção de petróleo do Brasil se expandia com a descoberta de novas reservas.

As informações desmentem a versão de que a empresa Astra Oil tenha comprado Pasadena por US$ 42,5 milhões e vendido para a Petrobras por US$ 1,18 bilhão. A Astra, quando comprou, pagou US$ 326,5 milhões. A Petrobras, por sua vez, pagou US$ 486 milhões, com o estoque assim divididos: US$ 190 milhões, referente à primeira parcela e US$ 296 milhões na segunda. Quem determinou o valor da segunda parcela foi a justiça dos EUA, quando a Petrobras decidiu desfazer a sociedade com a Astra. Portanto, o valor real do negócio foi 40% do valor (US$ 1,18 bilhão) alardeado pela oposição. Uma das provas evidentes do bom negócio diz respeito ao custo da refinaria de US$ 4.860 por barril de capacidade de processamento/dia, quando a média, à época, era bem acima: US$ 9,734 por barril. A crise de 2008 derrubou a economia americana, o consumo de derivados, e os projetos de investimento no refino foram revistos. Mesmo assim, Pasadena continuou lucrativa.

Diferentemente da oposição, que durante oito anos do governo Fernando Henrique não permitiu a abertura de CPIs para investigar os escândalos ocorridos, assim como não permite CPI para investigar os escândalos dos governos tucanos em São Paulo, não adotamos a mesma conduta. Queremos a CPI Mista, mas para investigar não só a infundada denúncia sobre a Petrobras como o propinoduto do Metrô de São Paulo, as denúncias sobre o Porto de Suape e a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Nesse momento, faz sentido refletir sobre o que aconteceu com o Iraque, com a Líbia, com o Afeganistão, o que tentaram fazer com o Irã, e o que está acontecendo com a Venezuela. Todos países produtores de petróleo. Isto porque o petróleo não é apenas combustível, mas a matéria-prima que move a maior cadeia produtiva do planeta. Basta olhar ao redor e ver os produtos que têm, na sua composição, a participação do petróleo.

Os motivos dos ataques à Petrobras contam com a ajuda da oposição, que no passado tentou privatizar a empresa, nos idos dos anos 1990, no governo FHC. Tentaram mudar o nome para Petrobrax, para facilitar o fatiamento e a venda da empresa em bolsas no exterior. Não conseguiram porque a eleição do ex-presidente Lula, e depois, da presidenta Dilma, frustraram essa ofensiva. Os governos do PT defenderam e defendem a Petrobras por ser um dos maiores patrimônios do Brasil. Ela é a única empresa no mundo que detém a tecnologia de perfuração da camada Pré-Sal. Com esse domínio, acessamos nosso tesouro maior. Em 2002, a Petrobras valia R$ 15 bilhões. Hoje, mesmo depois da crise, vale R$ 184 bilhões.

A descoberta da maior reserva de petróleo do planeta, abaixo da camada Pré-Sal, despertou interesses de mega-petroleiras internacionais, mega-bancos, e dos maiores fundos de pensão dos EUA, abarrotados de dólares, que buscam negócios mundo a fora. Esses ataques têm gerado desconfiança de que gente daqui, de grandes corretoras contratadas por essas multinacionais, trabalham na perspectiva da oposição visando as eleições e negócios futuros.

São grupos que não aceitam o controle da produção do petróleo do Pré-Sal pela Petrobras, garantido na Lei aprovada no Congresso Nacional pelo governo Dilma. O jogo é pesado. É a força dos negócios.

O Brasil é um país rico de recursos naturais abundantes, de um povo extraordinário, mas com uma parte da elite desenraizada, serviçal, descolada do país, de mentalidade ainda colonial, que coloca seus negócios acima dos interesses da nação, da coletividade. Uma elite que sequer admite a conquista da cidadania pelo povo, a consolidação de direitos garantidos pela Constituição, a distribuição da renda, e o destino de ser o Brasil uma nação próspera e democrática.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

20 anos sem Senna

Aos oito anos, o jovem Ayrton Senna já mostra a predileção pelos carrinhos.

A estreia, porém, viria por uma equipe menor, a Toleman, no GP do Brasil de 1984, que ele não terminou. Seu primeiro ponto veio na corrida seguinte, com um sexto lugar na África do Sul. O melhor da temporada, porém, viria nas corridas seguintes



Na primeira vez em que pilotou um carro da equipe Williams, Ayrton Senna classificou o evento como uma experiência incrível: "Foi em Donnington Park, um dia depois do GP da Inglaterra, em julho de 1983. Parecia um sonho ver de perto aquela tremenda máquina, altamente sofisticada, campeã do mundo, um privilégio permitido a apenas dois pilotos. Naquele dia, a Williams não era de ninguém. Era só minha. Liguei o carro, bati o recorde da pista, uma grande recordação."

Filho de um empresário do ramo metalúrgico, Ayrton Senna da Silva desde cedo interessou-se por carros de corrida.

Aos quatro anos, ganhou de presente um pequeno kart de 1 HP, com o qual começou a brincar no pátio da empresa de seu pai. Três anos depois, passou a treinar no kartódromo de Interlagos, em São Paulo.

Com oito anos, Ayrton Senna correu pela primeira vez num kart profissional, competindo com adultos. Em 1974, foi campeão paulista na categoria júnior, conquistando o título de campeão brasileiro na mesma categoria no ano seguinte.

Conquistou diversos títulos no kart, chegando a campeão sul-americano, e foi duas vezes vice-campeão mundial, em 1979 e 1980. Em novembro desse ano, Ayrton Senna fez testes para ingressar na equipe Van Dieman, de Fórmula 1600, na Inglaterra. Participou de diversas competições, obtendo várias vitórias. No ano seguinte, por um breve intervalo, voltou ao Brasil, disposto a assumir os negócios na empresa de seu pai, mas logo retornou à Inglaterra.

Em 1982, Senna disputou o Campeonato Europeu 1600. Nesse mesmo ano, transferiu-se para a Fórmula Fiat 2000. A entrada de Ayrton Senna na Fórmula 1 começou em 1983, quando disputou a Fórmula 3 na Inglaterra. Bem-sucedido nessa temporada, obteve propostas para competir na McLaren e na Williams. Acabou escolhendo uma equipe pequena, a Toleman.

Em 1985, Senna passou a competir pela Lotus, uma equipe de tamanho médio com a qual preparou o salto que daria em sua carreira. Na Lotus, disputou 48 grandes prêmios entre 1985 e 1987, vencendo seis vezes. Passou a competir com pilotos consagrados, como Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet.

Senna acertou sua entrada na McLaren Honda em 1987. Com tecnologia de ponta, a McLaren associava aerodinâmica e potência. Com ela, Ayrton Senna foi campeão mundial em 1988. Foi vice, em 1989 e novamente campeão nos anos de 1990 e 1991. Nessa época, a inimizade entre Senna e o também piloto da McLaren Alain Prost tornou-se pública.

O ano de 1992 marcou a decadência da equipe da Honda. Senna teve problemas em várias provas e acabou a temporada em quarto lugar. No ano seguinte, Senna despediu-se da McLaren, completando uma prova pela última vez, em Adelaide, na Austrália. O campeão mundial transferiu-se para a Williams em 1994, numa transação de 20 milhões de dólares.

No dia 1o de maio, Senna liderava a prova no circuito de Imola, na Itália, quando saiu da pista na curva Tamburello e bateu no muro de proteção a 210 km/h. Foi socorrido na pista. Quando a equipe médica chegou, porém, o piloto já estava em coma.

No dia 4 de maio de 1994, seu corpo chegou ao Brasil. Consternada, a população de São Paulo assistiu ao cortejo fúnebre que foi do aeroporto à Assembléia Legislativa. Coberto com uma bandeira do Brasil, o corpo do campeão foi velado por milhares de pessoas, recebendo honras de Chefe de Estado. Em dez anos de Fórmula 1, Ayrton Senna disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 65 pole positions (primeira posição de largada). O impacto de sua morte ainda hoje entristece os brasileiros.
Fonte: Uol