domingo, 15 de fevereiro de 2026

Pacheco busca aliança com Aécio para enfrentar candidato de Zema, diz jornal

Senador se filia ao União Brasil e articula chapa de oposição com apoio de Lula, MDB e PSDB para disputar governo mineiro

Brasil 247, 15 de fevereiro de 2026, 09:36 h

Rodrigo Pacheco (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Convencido pelo presidente Lula a disputar governo de Minas, o senador Rodrigo Pacheco acertou sua saída do PSD para se filiar ao União Brasil. A filiação foi definida em reunião em Belo Horizonte entre o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e o deputado federal Rodrigo de Castro (União Brasil-MG), escolhido por Pacheco para presidir o diretório estadual.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), é considerada nome certo para uma das vagas ao Senado na eventual chapa encabeçada por Pacheco.

A composição da chapa inclui o deputado federal Aécio Neves (PSDB) para a segunda vaga. De acordo com o colunista, o tucano não apoiaria Lula, e o Partido dos Trabalhadores também não pediria votos para Aécio. Ainda assim, a articulação teria como objetivo ampliar o alcance político da chapa, posicionando-a mais ao centro.

A formalização da filiação ao União Brasil está prevista para ocorrer após o Carnaval, enquanto Pacheco aguarda uma conversa com Lula para confirmar sua candidatura e iniciar negociações para formar uma chapa de oposição ao governo de Romeu Zema (Novo).

Pacheco pretende ainda atrair para a aliança em Minas Gerais o MDB, liderado por Newton Cardoso Júnior. A definição da chapa deve incluir a escolha de vice e das duas vagas ao Senado. Aécio Neves, embora não queira disputar a reeleição para deputado federal, deve definir sua estratégia política em abril. Pacheco, por sua vez, mantém a prerrogativa de montar seu palanque.

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Universidades da China superam Harvard e dominam lista de melhores do mundo

Internacional

Casas de estudo da China ocupam sete das dez posições do CWTS Leiden Ranking, com os dois primeiros lugares

ICL, 27/01/2026 | 20h42


Por Brasil de Fato

(Victor Farinelli | Opera Mundi) — O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, divulgou há poucos dias sua mais recente versão do ranking global das universidades, com a presença de duas universidades chinesas nos dois primeiros lugares, superando a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, que aparece em terceiro lugar.

Nesta nova edição do Leiden Ranking, a primeira posição é da Universidade de Zhejiang, no sudeste da China. O segundo lugar é da Universidade Jiao Tong, na cidade de Xangai, também no sudeste chinês.

Além dos dois primeiros lugares, as universidades chinesas ocupam outras cinco posições no top 10 do ranking: do quarto lugar até o oitavo, aparecem as universidades de Pequim Fudan, Tsinghua, Hefei (Universidade de Ciência e Tecnologia da China) e Nanjing.

Os dois últimos lugares do top 10 são de instituições dos Estados Unidos: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, por sua sigla em inglês) e a Universidade da California (Berkeley).

O Brasil se destaca na lista pela presença da Universidade de São Paulo (USP) no 17º lugar, que a coloca entre as poucas instituições não chinesas que ocupam os 20 primeiros lugares.

Vale destacar que o Leiden Ranking se baseia exclusivamente na produção científica, artigos e reviews indexados na Web of Science e não incorpora critérios como reputação acadêmica, prestígio entre empregadores, internacionalização formal, proporção de estudantes estrangeiros, prêmios individuais ou percepção da qualidade do ensino, razão pela qual o modelo é considerado imune à influência de variáveis simbólicas ou mercadológicas.

Causas

Segundo o jurista e cientista político Hugo Albuquerque, o atual cenário de hegemonia das universidades chinesas é o resultado de “um brutal investimento feito desde a Revolução de 1949 para formar pessoas que pudessem construir o país, e isso nunca parou”.

“Esse enorme investimento estatal aconteceu principalmente no âmbito das ciências exatas e da tecnologia, e onde podemos ver uma evolução muito grande. Também houve muito investimento nas ciências humanas, mas não tanto quanto nas ciências exatas e na tecnologia. E é óbvio que isso fez parte de um projeto de construção de um país, de uma superpotência”, analisou Albuquerque.

Estados Unidos

O jurista também falou sobre as informações que Leiden Ranking traz sobre os Estados Unidos. Para ele, a lista reflete “uma crise nas universidades norte-americanas”, que levaram as mesmas a perderem protagonismo a nível mundial.

Sobre as causas dessa crise, Albuquerque cita o “custo muito alto e a desvinculação das universidades de um projeto de país que, na verdade, não existe”.

“Hoje, há uma divisão hoje nos Estados Unidos sobre o que é o projeto de país. O Partido Republicano, que está no poder, nega a importância das ciências, da tecnologia, do esclarecimento de um modo geral. Então, acredito que isso prejudique o desenvolvimento universitário norte-americano”, acrescenta.

]Albuquerque lembra dos ataques feitos por Trump contra as universidades, em seus discursos, durante o primeiro ano do seu atual mandato presidencial.

“Por mais que elas (universidades) gozem de autonomia, essa postura (de Trump) cria um cenário de impasse, porque não há um debate entre dois projetos de país que envolva dois modelos de civilização. O que há nos Estados Unidos é uma disputa entre um projeto dominado pelas ideias do neoliberalismo e outro pelas ideias do fascismo, que nega o papel central da educação, da ciência, desses aspectos nos quais os chineses investem bastante”, completa o jurista.

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

Senado argentino aprova reforma de Milei que reduz direitos e amplia jornada de trabalho

Internacional

Texto reduz indenizações, amplia jornada para até 12 horas e enfrenta forte reação sindical

ICL, 13/02/2026 | 19h40

(LUIS ROBAYO/AFP)

Publicada originalmente às 16h13 de 12/02/2026*

O Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (12) o polêmico projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). A proposta representa uma das primeiras grandes vitórias legislativas do governo de extrema direita e reforça sua agenda pró-mercado. O texto passou por 42 votos a 30, após mais de 13 horas de debate, e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta, defendida pelo presidente e por aliados como uma “modernização” das leis trabalhistas argentinas, contém uma série de mudanças que flexibilizam o mercado de trabalho e reduzem proteções históricas aos trabalhadores.

Entre os principais pontos estão a facilitação de contratações e demissões, a redução de indenizações por demissão sem justa causa, a possibilidade de estender a jornada de trabalho padrão de oito para 12 horas e novas limitações ao direito de greve.

O governo de Milei alega que as regras atuais eram “obsoletas” e que a reforma ajudará a atrair investimentos, reduzir a burocracia e incentivar a formalização de empregos em um país em que cerca de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.

Presidente argentino, Javier Milei (Foto: LUIS ROBAYO / AFP)

Precarização do trabalho

A aprovação no Senado ocorreu em meio a forte oposição sindical e política. A reforma enfrenta críticas duras de sindicatos, partidos peronistas e movimentos sociais, que afirmam que as mudanças representam “erosão de direitos históricos” e precarizam as condições de trabalho.

Protestos e confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados nas imediações do Congresso em Buenos Aires, durante a votação. Houve uso de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança, enquanto movimentos de rua denunciavam as alterações propostas.

Para garantir maioria, deputados governistas e aliados aceitaram uma série de ajustes de última hora no texto, como a exclusão de uma medida que reduziria a alíquota do imposto de renda para grandes empresas e ajustes relacionados às contribuições sindicais.

Ameaça de greve nacional
Nota de repúdio do CGT em relação à aprovação no Senado da Reforma Trabalhista de Milei. (Imagem: Reprodução)

Em nota, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) expressou um duro comunicado contra o projeto e a forma como foi conduzido o debate. A central sindical criticou o “tratamento expresso” dado à proposta e afirmou que a discussão não esteve à altura da “profundidade e relevância” dos temas abordados.

Para a CGT, a iniciativa representa “um retrocesso em matéria de direitos coletivos e individuais” e consolida “uma transferência de recursos do trabalho para o capital”. A entidade classificou a proposta como uma “falsa modernização”, argumentando que ela não responderá aos problemas estruturais do mundo do trabalho na Argentina.

A central também direcionou críticas aos parlamentares que votaram favoravelmente ao texto, considerando “irresponsável” o apoio dos senadores que endossaram o projeto. Segundo a CGT, o debate está longe de terminar e deve se intensificar na Câmara dos Deputados.

“Aos deputados e deputadas dizemos que esta central continuará seu plano de ação em todas as áreas que forem necessárias”, afirmou a liderança cegetista, mencionando mobilizações nas ruas, atuação na Justiça e pressão no próprio Congresso como frentes de resistência.

No trecho final do comunicado, a CGT declarou que o avanço da reforma constitui “um verdadeiro retrocesso dos direitos trabalhistas” e defendeu que o cenário só poderá ser revertido por meio de “um projeto político que coloque novamente o trabalhador e sua dignidade no centro”.

Rússia lamenta fim de tratado nuclear com os EUA, que querem incluir China em futuros acordos

Putin queria renovar trato por mais um ano, mas Washington exige regulamentação de arsenal de Pequim

ICL, 06/02/2026 | 07h39

(Kirill Kudryavtsev/ Various Sources/ AFP)


O Kremlin lamentou o fim do acordo que regulamenta os arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos. O último tratado de não proliferação de armas nucleares entre os dois países expirou nesta quinta-feira (5), uma mudança importante no controle de armamentos desde a Guerra Fria.

“Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, sobre o fim do acordo Novo START, que limita a quantidade de ogivas nucleares implantadas por cada país.

O documento expirou às 0h00 GMT de 5 de fevereiro (21h da quarta-feira em Brasília), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não respondeu a uma proposta de seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, de prolongar por um ano os termos do acordo. O presidente dos EUA exigiu que qualquer novo tratado na área deveria incluir a China.

Putin “ressaltou que, nesta situação, agiremos com prudência e responsabilidade”, informou o assessor diplomático do presidente russo, Yuri Ushakov, em uma coletiva de imprensa.

“Continuamos abertos a encontrar vias de negociação e a garantir a estabilidade estratégica”, assegurou Ushakov.
China

Com o fim do tratado, Moscou e Washington estão formalmente liberados de uma série de restrições sobre seus arsenais nucleares. O Ministério das Relações Exteriores da China se uniu a outras vozes no cenário internacional que lamentaram a expiração do tratado, mas afirmou que “nesta etapa” não participaria de eventuais conversações nucleares.

“As capacidades nucleares da China são de uma escala totalmente diferente das dos Estados Unidos e da Rússia. Não participaremos, nesta etapa, de negociações de desarmamento nuclear”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian.

Rússia e Estados Unidos controlam conjuntamente mais de 80% das ogivas nucleares do mundo, mas os acordos de controle de armas têm perdido força. O arsenal nuclear chinês aumenta rapidamente: analistas calculam que o país possui 550 lançadores estratégicos, abaixo dos 800, cada um, dos Estados Unidos e da Rússia.

Reino Unido e França, aliados dos Estados Unidos, têm outros 100 em conjunto. O Novo START, firmado pela primeira vez em 2010, limitava o arsenal nuclear de cada parte a 1.550 ogivas estratégicas implantadas, uma redução de quase 30% com relação ao limite anterior estabelecido em 2002.

Também permitia a cada parte realizar inspeções ‘in situ’ do arsenal nuclear da outra, mas estas foram suspensas em 2023. O secretário-geral da ONU, António Guterres, o classificou como “um momento sério para a paz e a segurança internacionais” e exortou Washington e Moscou a “retornarem à mesa de negociações sem demora e a estabelecerem um quadro sucessor”.

Um funcionário da Otan, que pediu anonimato, pediu “moderação e responsabilidade” e afirmou que a aliança atlântica “continuará dando os passos necessários” para garantir a sua defesa. Além disso, criticou a “retórica nuclear irresponsável da Rússia”, enquanto a China “continua expandindo e diversificando rapidamente o seu arsenal nuclear”.

O papa Leão 14, que raramente se pronuncia sobre o âmbito nuclear e seus tratados, alertou para o risco de uma “nova corrida armamentista” e fez “um apelo urgente para que não se abandone este instrumento sem tentar garantir-lhe um seguimento concreto e eficaz”.

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“Coisa de moleque”: ministros do STF ficam indignados com vazamento de reunião sobre Toffoli

Divulgação de diálogos atribuídos a magistrados sobre o caso Master aprofunda tensão interna na Corte e expõe divergências sobre suspeição

Brasil 247, 14 de fevereiro de 2026, 04:44 h
Ministro do STF, Dias Toffoli 12/02/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Adriano Machado)

artigo de Redação Brasil 247

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram com indignação ao vazamento de uma reunião reservada realizada na noite de quinta-feira, na qual foi discutida a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master. Um dos magistrados classificou a divulgação das conversas como “coisa de moleque”, segundo relato publicado pela imprensa.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com base em reportagem do site Poder360, que reproduziu falas atribuídas aos ministros durante o encontro fechado.

Maioria era favorável à permanência de Toffoli

De acordo com o conteúdo divulgado, sete ministros — Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques — manifestaram-se a favor da permanência de Toffoli na relatoria do caso Master. Outros dois, Cármen Lúcia e Edson Fachin, fizeram ressalvas durante a discussão.

Ao serem questionados pelo jornal, alguns ministros colocaram em dúvida a fidelidade dos diálogos divulgados. Um integrante do STF afirmou que havia elementos “diferentes” nas conversas publicadas. Segundo a reportagem, o vazamento intensificou o ambiente de desconfiança dentro da Corte, resgatando um clima de tensão institucional semelhante ao observado antes da pandemia, quando divergências entre magistrados se tornaram públicas.

Toffoli nega gravação da reunião

Em meio às suspeitas, Dias Toffoli afirmou ao jornal que não gravou a reunião. “Jamais fiz ou faria algo assim. Pura inverdade e especulação”, declarou o ministro.

Segundo integrantes do STF citados na reportagem, o encontro contou apenas com os dez ministros atualmente em exercício, sem a presença de auxiliares ou técnicos, o que ampliou o desconforto com a divulgação do conteúdo.
Relatório da PF e pedido de suspeição

A crise ganhou força após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório pericial sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento teria identificado menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no aparelho. A informação foi inicialmente revelada por veículos como o UOL e confirmada pelo jornal.

Após o envio do relatório, foi aberto na Corte um pedido de suspeição contra Toffoli. Em nota divulgada na quarta-feira, o gabinete do ministro afirmou ter recebido um “pedido de declaração de suspeição” elaborado pela Polícia Federal, mas classificou o relatório encaminhado a Fachin como baseado em “ilações”.

A reunião da quinta-feira ocorreu após Toffoli contestar a suspeição e o relatório ser remetido à Procuradoria-Geral da República.

Divergências sobre a suspeição

Segundo o Poder360, o ministro Gilmar Mendes antecipou que votaria contra a suspeição de Toffoli com base nas mensagens coletadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. O decano do STF também teria defendido uma solução célere para o impasse, antes do Carnaval, a fim de evitar maior desgaste institucional.

Alexandre de Moraes, ainda conforme o portal, criticou a atuação da Polícia Federal na investigação e afirmou ter alertado para riscos de nulidades no inquérito. A reportagem menciona que o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, foi contratado para defender o Master por R$ 129 milhões ao longo de três anos.

Nunes Marques também teria sustentado não haver fundamento jurídico para afastar Toffoli, afirmando que, após examinar o relatório da PF, não identificou elementos que justificassem impedimento ou suspeição.

Na mesma linha, André Mendonça reconheceu a existência de uma crise institucional, mas sinalizou voto contrário à suspeição. Segundo o portal, o ministro relativizou a participação de magistrados em eventos patrocinados por empresas privadas, afirmando que tal critério poderia atingir qualquer integrante da Corte.

Cristiano Zanin, conforme a reportagem, declarou que votaria pela permanência de Toffoli e questionou o volume e a consistência das informações encaminhadas pela Polícia Federal, alertando que o reconhecimento formal da suspeição poderia anular provas já produzidas.

Flávio Dino, ainda de acordo com o Poder360, defendeu que pedidos de suspeição contra ministros do STF só devem prosperar em situações extremas. Ele sugeriu que a crise fosse resolvida administrativamente, por meio de nota conjunta reafirmando que não haveria impedimento de Toffoli.

Apesar da maioria favorável, Cármen Lúcia e Edson Fachin apresentaram ponderações. A ministra manifestou confiança em Toffoli, mas destacou a necessidade de preservar a institucionalidade. Já Fachin defendeu que o tema fosse levado ao plenário.

Segundo a reportagem, Toffoli afirmou compreender que tinha maioria para permanecer no caso, mas acenou com a possibilidade de pedir a redistribuição do processo. Fachin teria concordado com esse encaminhamento.

O vazamento da reunião, no entanto, tornou-se o principal fator de tensão, aprofundando divisões internas e reacendendo o debate sobre os limites da exposição pública de discussões reservadas no Supremo Tribunal Federal.

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Padre ficou impactado diante da tragédia de Itumbiara

Tragédia de Itumbiara

Padre questiona a fé, a formação religiosa transmitida e os comportamentos consequentes diante da tragédia na qual um católico mata os dois filhos e depois comete suicídio

14 de fevereiro de 2026


Além de profundamente impactado com essa tragédia em Itumbiara, confesso que algo me assusta ainda mais.

Todos se dizem piedosos. Falam de Deus com facilidade. Citam Nossa Senhora, pedem perdão, proclamam amor divino. Mas que Deus é esse que está sendo experimentado? Que espiritualidade é essa que convive com o abismo sem perceber o próprio delírio?

Sou padre. Sou líder religioso. E digo com dor: estamos falhando gravemente na nossa missão. Há muito despreparo. Há muita liderança movida por emoção, espetáculo e sensacionalismo espiritual. Falta profundidade. Falta acompanhamento sério. Falta formação da consciência.

Quando a fé se torna fuga psicológica, quando a devoção substitui o cuidado com a saúde mental, quando o discurso religioso não confronta distorções internas, algo está profundamente errado.

Fé autêntica não aliena. Não adoece. Não legitima o desespero.

Se continuarmos confundindo fervor com maturidade espiritual, outras tragédias virão e continuaremos dizendo que “era um homem de fé”.

Isso é gravíssimo. E precisa ser dito.

Pe. Ronan

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado

Davi Alcolumbre poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco

Brasil 247, 13 de fevereiro de 2026, 05:56 h

Impeachment de Toffoli tem chances reais de ser votado no Senado(Foto: Gustavo Moreno/STF)

Artigo da Redação Brasil 247

O Senado Federal reúne atualmente mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, segundo análise publicada na Coluna do Estadão, o ministro Dias Toffoli passou a enfrentar, pela primeira vez, a possibilidade concreta de ter seu afastamento analisado pela Casa.

De acordo com a colunista Roseann Kennedy, do jornal Estado de S. Paulo, o cenário é descrito como uma “tempestade perfeita”, combinando investigações, desgaste institucional e tensões entre os três Poderes da República.

Embora Alexandre de Moraes seja o recordista em número de representações, é Toffoli quem se encontra em situação mais delicada neste momento. A avaliação publicada aponta que o ministro aparece cada vez mais envolvido no caso do Banco Master, cujo desdobramento passou a atingir diretamente sua imagem dentro e fora do Supremo.

Caso Banco Master e pedido da Polícia Federal

A situação ganhou novos contornos após vir a público que a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli em razão de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme relatado na coluna, foram encontradas conversas entre o empresário e o ministro em celular apreendido pela PF. Também teriam sido identificadas menções a Toffoli em trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros.


Segundo o texto, Toffoli nega relações de amizade e comerciais com o banqueiro.

O episódio ampliou o mal-estar dentro do Supremo Tribunal Federal e agravou o desgaste político do ministro. A publicação destaca que interlocutores das cúpulas dos três Poderes afirmam que Toffoli “não é bem quisto”, o que reduziria sua base de apoio em um eventual processo no Senado.

Desgaste com Legislativo e Executivo

A análise também ressalta que, no Legislativo, Toffoli coleciona desafetos, especialmente por ter instaurado de ofício o inquérito das Fake News, apontado como marco do que foi chamado de “hipertrofia” do poder do Supremo. Além disso, seus votos considerados decisivos para desmontar a Operação Lava Jato teriam ampliado resistências políticas.

No Executivo, segundo a coluna, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que indicou Toffoli ao STF em 2009 — carregaria mágoas antigas, além de um desentendimento recente ocorrido em reunião sobre o caso Master.

Em ano eleitoral, o texto destaca que a desconfiança da sociedade em relação à conduta de instituições como o STF, o Banco Central e a Polícia Federal não favorece o governo e pode fortalecer a oposição.

Possíveis impactos no STF

A eventual abertura de processo de impeachment contra Toffoli teria repercussões diretas na composição do Supremo. Uma eventual cassação abriria nova vaga na Corte. De acordo com a análise, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia negociar a indicação de seu antecessor, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira já existente no STF.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Roberto Brant: O que o caso Master está a nos dizer

"O que torna o caso Master um evento tectônico é o que foi, aos poucos, sendo revelado, mesmo que de forma incompleta e fragmentada, por meio de vazamentos que conseguiram romper o alto grau de sigilo imposto ao caso por um ministro do Supremo Tribunal Federal"

Por Roberto Brant, Correio Braziliense,  09/02/2026 06:03
"Quase tudo o que se relaciona ao caso Master ainda não é de conhecimento público" - (crédito: Rovena Rosa/Agencia Brasil)
Apesar dos ruídos e das tensões que percorrem os ares de Brasília, prenunciando que algo grande e inconveniente pode estar para acontecer, quase tudo o que se relaciona ao caso Master ainda não é de conhecimento público.

A insolvência de uma instituição financeira pouco relevante, por si só, não despertaria atenção, pois é um fato normal no mundo dos negócios. Como gostava de dizer o saudoso Delfim Neto, capitalismo sem falência é o mesmo que catolicismo sem inferno. Neste caso específico, nem a chamada economia popular foi atingida severamente. Os danos e os prejuízos parecem circunscritos aos limites da alta finança.

Os recursos públicos envolvidos estão concentrados no Banco de Brasília, já que uma tentativa anterior, que envolvia a Caixa Econômica Federal, foi evitada a tempo, embora com o sacrifício de seus servidores técnicos de carreira, que ousaram resistir aos políticos da área. Instituições infinitamente maiores, como o Banco Nacional e o Bamerindus, por exemplo, foram liquidadas sem reação política ou judicial. Eram outros tempos — senão em tudo, pelo menos no reino da política e das instituições públicas. Não que reinasse a inocência entre os homens, mas os comportamentos eram mais contidos, pelo medo da desonra, por certo respeito à opinião pública e porque a política ainda não era dominada por pessoas, mas por partidos impessoais.

O que torna o caso Master um evento tectônico é o que foi, aos poucos, sendo revelado, mesmo que de forma incompleta e fragmentada, por meio de vazamentos que conseguiram romper o alto grau de sigilo imposto ao caso por um ministro do Supremo Tribunal Federal. O Master errou nas boas práticas de gestão financeira, mas foi competente para construir uma rede extensa de conexões com agentes dos três Poderes da República, cujo desvendamento revela conflitos de interesses e comportamentos indefensáveis para autoridades públicas.

Nada do que foi até agora trazido a público consegue ser explicado. Sabemos ainda pouco, por causa do sigilo e do controle das investigações, mas este pouco que sabemos é suficiente para provocar um terremoto na República, na medida em que atinge a cúpula do Poder Judiciário, parte importante da elite do Congresso e dos partidos e até o governo, que não tem explicações para as indicações dos ex-ministros Mantega e Lewandowski para posições de extravagante remuneração numa empresa cujas práticas atípicas eram — ou deveriam ser — do conhecimento das autoridades. Causa estranheza como pessoas poderosas e experimentadas foram acessíveis a ligações com uma empresa tão fora de qualquer padrão.

Graças à ação da imprensa democrática, as investigações vão se estender e cobrir tudo o que merece ser investigado, abortando as conspirações para o seu abafamento. Vários segredos de polichinelo vão ser revelados, justamente num ano de eleições, quando os brasileiros merecem saber tudo sobre os seus políticos e o país precisa, dramaticamente, de reformas institucionais de fundo, que só eleições em tempos de crise podem propiciar.

Minha grande angústia é saber, a esta altura, se o Master foi apenas um caso isolado ou se esse tipo de promiscuidade é mais uma regra do que uma exceção no relacionamento do mundo dos negócios com as autoridades. Quem sabe se essas teias de relações ilícitas não são atualmente o modelo padrão de funcionamento da política brasileira e só vieram à tona neste caso porque a empresa fracassou? Quantos negócios não fracassados e bem geridos continuam turbinados por essas conexões, que garantem privilégios legislativos, judiciais e administrativos? E quantos encontros informais, fora da agenda, com as principais autoridades do país?

O Brasil tem sido um enigma para observadores internacionais que, conhecendo o país e seus enormes e variados recursos, não conseguem entender por que não somos um país muito mais rico, comparável à Espanha e a Portugal, por exemplo. Talvez, o caso Master, ao retirar a grande máscara que cobre as fachadas graciosas dos três Poderes, seja a triste resposta a esse doloroso enigma.

António José Seguro, do Partido Socialista, é eleito presidente de Portugal

Mundo

Com 95% das urnas apuradas, o socialista tem 66% dos votos contra 34% do ultradireitista André Ventura

Brasil 247, 08 de fevereiro de 2026, 19:01 hAtualizado em 08 de fevereiro de 2026, 21:44 h

António José Seguro (Foto: REUTERS/Rodrigo Antunes)

Artigo de Otávio Rosso

O candidato socialista moderado António José Seguro venceu de forma expressiva o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, ao derrotar o representante da extrema direita André Ventura, líder do partido Chega. Com 99% das urnas apuradas, Seguro obteve quase 67% dos votos válidos, contra 33% do adversário.

Aos 63 anos, António José Seguro tem formação acadêmica em Relações Internacionais e é mestre em Ciência Política. Sua trajetória política inclui atuação como deputado em Portugal e também no Parlamento Europeu durante os anos 1990.

Entre 2001 e 2002, Seguro ocupou o cargo de ministro-adjunto no governo do então primeiro-ministro António Guterres, atualmente secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O histórico político e institucional do socialista foi apontado como um dos elementos centrais de sua candidatura.

Com a vitória, António José Seguro assume a Presidência da República em março, substituindo Marcelo Rebelo de Sousa, que foi eleito pelo Partido Social Democrata (PSD) e atualmente está sem filiação partidária.

Em Portugal, o presidente exerce o papel de chefe de Estado, mas não de governo. A condução do Executivo cabe ao primeiro-ministro, função ocupada desde 2024 por Luís Montenegro, do PSD, legenda de centro-direita.

Em discurso após a confirmação do resultado, em Lisboa, Seguro afirmou que a eleição representou uma vitória coletiva e ressaltou o papel da população diante das dificuldades recentes provocadas por fenômenos climáticos. “Os vencedores da noite são os portugueses e a democracia. Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio”, declarou.

Ao comentar a disputa com André Ventura, que reconheceu a derrota pouco antes, Seguro afirmou que pretende buscar unidade institucional e respeito democrático após a campanha. “Todos os que concorreram comigo merecem o meu respeito”, afirmou, acrescentando que “a partir desta noite deixamos de ser adversários” para “partilhar a luta por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”.

Ainda em seu discurso, o socialista reforçou sua visão sobre o papel da política como instrumento de transformação social. “Lembro-me que a política pode ser serviço e mudar vidas. Que as pessoas merecem sempre mais. Continuo a pensar igual, sou um de vocês”, declarou.

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

“Lula precisa de uma frente mais ampla que o PT e tem de ocupar o centro”, diz Renan Filho

Ministro dos Transportes afirma que oferecer a vice ao MDB pode facilitar apoio em 2026

Brasil 247, 08 de fevereiro de 2026, 05:47 h

Renan Filho e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Matéria de Redação Brasil 247

O ministro dos Transportes, Renan Filho, defendeu que o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 caminhe “o máximo possível do centro político”, com uma articulação mais ampla do que a base tradicional do PT. Em entrevista, ele afirmou que a eventual oferta da vaga de vice ao MDB pode ajudar na negociação pelo apoio formal do partido e disse que a estratégia deve isolar o bolsonarismo na extrema direita.

A entrevista foi publicada pelo jornal O Globo e traz, além do cálculo eleitoral, avaliações sobre o cenário em Alagoas, críticas ao papel de Arthur Lira no estado e a defesa de medidas do governo, como a reforma no processo de obtenção da CNH. Renan Filho também comentou a disputa sobre o vice, citou a ministra Simone Tebet como quadro competitivo no debate público e afirmou que o Ministério dos Transportes pode contratar mais de R$ 400 bilhões em investimentos em quatro anos.

MDB, vice e a aposta no centro político

Renan Filho avaliou que o MDB, por sua capilaridade e peso institucional, pode ser decisivo para ampliar o arco de alianças do presidente Lula. Ele observou que o partido só define oficialmente seu caminho em convenção, mas sinalizou confiança na ala governista para vencer a disputa interna por apoio ao Planalto.

Ao tratar do desenho da chapa, o ministro defendeu uma composição que amplie a competitividade e reforce a centralidade política do projeto. "O MDB é muito importante para ampliar, do ponto de vista administrativo e ideológico, a candidatura do presidente Lula. Precisa construir uma frente mais ampla do que o PT e do que o próprio presidente Lula, a fim de ocupar o máximo possível do centro político, isolando o bolsonarismo na extrema direita." Na mesma resposta, ele associou esse movimento à fragmentação do campo conservador e ao reposicionamento de possíveis candidaturas no espectro da direita.

Questionado sobre a possibilidade de a vice ser oferecida ao MDB, Renan Filho afirmou que a negociação dependerá de um pacote mais amplo, que inclui diretrizes econômicas e participação no governo. "A negociação será ditada pela proposta para os próximos quatro anos, a linha da economia... E, sim, a própria participação (do MDB) no governo e a composição da chapa." Para o ministro, lideranças emedebistas pressionam por mais espaço por terem projetos políticos próprios.

Alckmin, debate sobre a vice e o próprio futuro de Renan

A entrevista também trouxe uma leitura sobre as sinalizações do presidente Lula a respeito de Geraldo Alckmin. Renan Filho disse ver naturalidade no debate sobre a melhor composição eleitoral para 2026, mas ressaltou a contribuição do vice-presidente no primeiro mandato.

"O presidente está verificando qual é a melhor aliança que amplia a possibilidade de reeleição. E digo isso com a certeza de que o vice-presidente Geraldo Alckmin é um grande vice e ampliou essa aliança neste primeiro mandato. Haverá um novo debate sobre isso." Na sequência, ao ser perguntado se poderia ser vice, Renan afirmou que seu foco é a pré-candidatura ao governo de Alagoas, embora participe das discussões sobre o tema.

No cenário local, o ministro descreveu uma conjuntura ainda em aberto, influenciada por decisões do prefeito de Maceió, JHC, sobre concorrer ao governo ou ao Senado. Ele negou ter pedido ao prefeito que abrisse mão de disputar e destacou o tamanho do MDB no estado, citando a força municipal, a maioria na Assembleia e a presença no Senado. Sobre a montagem das chapas, indicou que uma das vagas ao Senado será do senador Renan Calheiros e relativizou a necessidade de fechar todas as definições desde já.

Alagoas, Arthur Lira e a disputa por palanques

Renan Filho afastou a hipótese de estar numa mesma aliança estadual com o deputado Arthur Lira (PP-AL), mesmo reconhecendo que o presidente Lula pode buscar o maior número de apoios possível. Na entrevista, ele fez críticas diretas ao papel de Lira no período recente e ao impacto disso para Alagoas, além de usar uma imagem esportiva para ilustrar o argumento.

"O presidente Lula deve ter o maior número de apoios possível, mas isso não implica estarmos no mesmo palanque do Lira, que atrapalha o estado. Ele mandou no Orçamento Secreto no governo Bolsonaro, mas não tem uma obra relevante no estado que tenha sido liderada por ele. Seria trazer para o seu time aquele que faz o gol contra." Ao mesmo tempo, Renan afirmou que isso não significa defender que Lira esteja impedido de apoiar Lula nacionalmente, e comentou que o deputado não votou na última eleição.

A fala expõe uma tensão típica de anos pré-eleitorais: alianças nacionais podem se chocar com rivalidades regionais, especialmente em estados onde grupos políticos mantêm disputas históricas e controle de estruturas partidárias. Renan Filho, ao se colocar como pré-candidato, indica que pretende preservar um palanque próprio em Alagoas, com base no peso do MDB local e no apoio do presidente Lula na eleição estadual.
CNH, segurança no trânsito e “política pública popular”

A entrevista avançou para temas de governo com grande impacto cotidiano, como as mudanças no processo de obtenção da CNH e as críticas relacionadas ao exame de baliza. Renan Filho defendeu a reforma e afirmou que a baliza não é um filtro confiável de capacidade de direção, além de sustentar que o antigo modelo estimulava reprovações.

"A crítica não é justa. A baliza não seleciona quem sabe ou não dirigir, e a pessoa não vai não vai deixar de aprender, ela só não vai constar na prova. O exame tinha virado uma indústria da reprovação." Em seguida, ele minimizou o argumento de que a mudança reduziria a segurança e apontou outros fatores como determinantes para acidentes, como velocidade, álcool e uso de celular ao volante.

Para o ministro, trata-se de uma medida que dialoga com demandas sociais e pode ter capilaridade eleitoral por atingir diretamente a vida das pessoas. "É uma política pública popular que vai na direção do que as pessoas precisam. Chega na ponta, o que obviamente tem força." A leitura sugere que, em 2026, além de alianças, o governo buscará apresentar entregas com percepção direta, capazes de competir com agendas punitivistas e discursos fáceis.
Segurança pública, Tebet e o caso Banco Master

Renan Filho também falou sobre a segurança pública, tema que deve ganhar centralidade na campanha. Ele afirmou não ver fragilidade do governo no assunto e tentou deslocar o debate para resultados concretos, criticando gestos simbólicos e contrapondo indicadores de gestões estaduais associadas à direita.

Na entrevista, ele citou possíveis embates políticos e disse que seria “muito legal de ver” confrontos entre figuras do governo e nomes ligados à segurança pública em estados como São Paulo. Também defendeu que Simone Tebet seja valorizada pelo MDB, argumentando que partidos que não usam seus melhores quadros por interesses de terceiros perdem força e que, se não houver espaço, ela pode ser convidada por outras siglas.

Sobre o Banco Master e o encontro do presidente Lula com Daniel Vorcaro fora da agenda, Renan Filho buscou dissociar o governo do caso e afirmou que as investigações ocorrem na atual gestão. "O governo não tem relação com esse caso. O presidente Lula recebeu o Vorcaro como recebeu outros representantes de instituições financeiras do Brasil. São muito claras as ligações do Master com a oposição." Ele disse ainda que o tema deve ser explorado eleitoralmente e o descreveu como potencialmente o maior desfalque do sistema financeiro nacional.

Leilões, infraestrutura e meta de R$ 400 bilhões

No encerramento, o ministro tratou de sua área e afirmou que o Ministério dos Transportes ampliou a capacidade de atrair investimento privado, com expectativa de uma agenda robusta de leilões em 2026. Ele indicou que, se deixar o cargo em março, pode realizar dois leilões diretamente, mas assegurou que o restante está programado para ser cumprido.

Renan Filho disse que o governo pode chegar a 23 leilões em 2026, entre rodovias e ferrovias, e destacou o efeito fiscal da estratégia. "Isso aumenta o investimento em infraestrutura e desonera o Tesouro. Vamos chegar a mais de R$ 400 bilhões de investimentos contratados em quatro anos." A declaração aponta para uma linha narrativa que deve ganhar destaque no período eleitoral: a defesa de um ciclo de investimentos e obras como evidência de capacidade de gestão e de retomada econômica, combinada a uma articulação política mais ampla para sustentar governabilidade e isolar a extrema direita.

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