segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Cuba e Estados Unidos: o que você precisa entender

Conhecimento

Mais de seis décadas de sanções, rupturas e propaganda moldaram o conflito entre Cuba e Estados Unidos. Você precisa entender o que sustenta esse impasse

ICL Notícias, 26/06/2025 | 09h00


Por Leila Cangussu

Você ouve falar de Cuba desde criança. Na escola, nos jornais, nos memes, nas rodas de conversa. Sempre com um filtro. De um lado, a imagem de um país oprimido por uma ditadura comunista. Do outro, o símbolo romântico da resistência anticapitalista.

Mas, mesmo assim, pouca gente te mostra por que, há mais de sessenta anos, Cuba e Estados Unidos vivem uma relação travada. Bloqueio econômico, propaganda política e um jogo de forças que atravessa décadas.

Entender esse embate ajuda a ler o funcionamento do poder no mundo. Quem impõe sanções. Quem sustenta o bloqueio. Quem lucra com a instabilidade. E quem paga a conta.

A relação entre Cuba e Estados Unidos não começou em 1959

Você já ouviu falar que os Estados Unidos romperam com Cuba por causa da Revolução. Mas o histórico é bem mais antigo. Desde o século XIX, os EUA demonstravam interesse pela ilha. Houve tentativas de compra de Cuba da Espanha. E, após a independência formal em 1902, os EUA mantiveram forte influência política e econômica no país vizinho.

O período da ocupação militar norte-americana entre 1898 e 1902 foi marcado pela imposição da Emenda Platt, que autorizava os EUA a intervir nos assuntos internos cubanos. Essa influência se manteve até 1959, quando o governo de Fulgencio Batista — aliado dos EUA — foi derrubado pela Revolução liderada por Fidel Castro.

A Revolução Cubana e a ruptura com Washington

Em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros guerrilheiros entraram em Havana. Batista fugiu. Começava um novo ciclo político, com forte apelo nacionalista e anti-imperialista. Em pouco tempo, Cuba nacionalizou empresas estrangeiras, incluindo bancos, usinas, indústrias e propriedades norte-americanas.


Fidel Castro, Che Guevara e companheiros marcham pelas ruas de Havana após a vitória da Revolução Cubana em 1959. A imagem se tornou símbolo de uma ruptura histórica que desafiou o imperialismo dos Estados Unidos e acendeu debates políticos em toda a América Latina. Foto: reprodução

Em resposta, os Estados Unidos impuseram sanções comerciais e romperam relações diplomáticas em 1961. Também apoiaram a fracassada invasão da Baía dos Porcos no mesmo ano. A radicalização do governo cubano levou à aproximação com a União Soviética. O ponto máximo da tensão veio em 1962, com a Crise dos Mísseis.

O embargo econômico: como ele funciona

O embargo dos Estados Unidos contra Cuba começou oficialmente em fevereiro de 1962, quando o então presidente John F. Kennedy assinou a ordem executiva que proibia todas as transações comerciais e financeiras com a ilha.

O que antes era uma série de restrições parciais virou uma política de bloqueio total. Desde então, Cuba está formalmente impedida de acessar boa parte da economia global, não por decisão de mercado, mas por imposição legal dos Estados Unidos.

O que está proibido

O embargo é uma política ativa de restrição econômica que transforma a vida cotidiana em Cuba e afeta a forma como outros países se relacionam com a ilha. O alcance é amplo e interfere em operações básicas do comércio internacional. O que está formalmente proibido inclui:
  • Transações financeiras entre empresas americanas e entidades cubanas
  • Exportações e importações entre Cuba e os Estados Unidos, com exceções mínimas
  • O uso do dólar em operações internacionais envolvendo Cuba
  • A entrada de produtos fabricados em outros países que contenham mais de 10% de componentes ou tecnologia dos EUA

Na prática, isso significa que até um computador feito na Alemanha, mas com chips fabricados nos Estados Unidos, não pode ser vendido para Cuba sem licença especial. O bloqueio se estende até os bancos: qualquer instituição que opere em dólares ou tenha negócios nos EUA pode ser penalizada se fizer transações com a ilha. Isso afeta remessas, compras on-line, contratos com empresas estrangeiras, serviços financeiros e até parcerias científicas.

Como o embargo foi reforçado?

Ao longo das décadas, o embargo foi endurecido por leis adicionais. Em 1992, a Lei Torricelli, aprovada no governo George H. W. Bush, proibiu que empresas subsidiárias de companhias americanas em outros países fizessem negócios com Cuba. Ou seja, uma filial da IBM no Brasil, por exemplo, não poderia fornecer serviços à ilha.

Em 1996, a Lei Helms-Burton deu caráter permanente ao embargo. Ela determinou que qualquer suspensão só poderia ocorrer com aprovação do Congresso dos EUA. Também autorizou sanções contra empresas estrangeiras que operem em Cuba utilizando propriedades nacionalizadas após 1959, o que ampliou a pressão extraterritorial sobre governos e empresas de fora dos EUA.

A lista de entidades restritas

Em fevereiro de 2025, o Departamento de Estado Americano atualizou a relação de instituições cubanas com as quais é proibido manter relações comerciais diretas.

O argumento usado pelo governo americano é que essas entidades estariam ligadas aos setores militar, de inteligência e segurança do Estado cubano. Mas a consequência prática é outra: o isolamento financeiro e comercial de amplas áreas da economia da ilha.

A lista inclui:

  • Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (MINFAR)
  • Ministério do Interior (MININT)
  • GAESA, grupo empresarial ligado às Forças Armadas
  • Empresas como Gaviota, CIMEX e Habaguanex, voltadas ao turismo e comércio
  • Redes de hotéis operadas por corporações estrangeiras em parceria com o Estado
  • Marinas, agências de turismo, produtoras de rum e tabaco, centros de convenções e serviços logísticos

Com a lista em vigor, qualquer empresa americana ou associada a bancos e sistemas financeiros que operam nos EUA fica proibida de interagir com esses grupos. Isso reduz drasticamente as possibilidades de investimento, encarece operações básicas e empurra Cuba ainda mais para o isolamento econômico.

O efeito teia

O embargo funciona como uma teia. Não se trata apenas de impedir a venda direta entre Cuba e Estados Unidos. Ele afeta qualquer tentativa de integração econômica da ilha com o resto do mundo. Empresas, bancos e governos evitam vínculos com Cuba por medo de punições. É o isolamento forçado por pressão econômica. E ele segue em vigor há mais de seis décadas.


Cubanos protestam contra o embargo econômico dos Estados Unidos segurando cartaz com os dizeres “Abaixo o bloqueio”, durante manifestação em Havana. A cena reflete a resistência popular às sanções impostas desde 1962, que seguem impactando a vida cotidiana na ilha. Foto: AFP
Impactos do embargo na sociedade cubana

O bloqueio não atinge apenas o governo. Ele dificulta a aquisição de medicamentos, alimentos, peças de reposição e insumos essenciais. Afeta serviços de internet, limita transações bancárias e encarece produtos básicos. O acesso a tecnologias com componentes americanos, mesmo que produzidas em terceiros países, é vetado.

Segundo dados oficiais cubanos, o embargo gerou perdas superiores a 159 bilhões de dólares. Estimativas da ONU apontam prejuízos sociais significativos, sobretudo nas áreas da saúde, energia e transporte.
O argumento americano e a realidade

O governo dos Estados Unidos afirma que o embargo é uma forma de pressionar por democracia e respeito aos direitos humanos. Mas o histórico mostra que países com violações semelhantes ou piores, desde que aliados estratégicos, não recebem tratamento semelhante. A medida é seletiva e tem peso geopolítico.

Cuba é o único país do continente americano submetido a um bloqueio tão prolongado. Isso levanta a pergunta: trata-se de defesa de princípios ou de manutenção de hegemonia?
Votações na ONU: o mundo contra o embargo

Desde 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas vota anualmente uma resolução que condena o embargo dos EUA a Cuba. Em todas as ocasiões, a esmagadora maioria dos países votou a favor do fim das sanções. Os únicos votos contrários recorrentes são dos Estados Unidos e de Israel.

Essas resoluções não são vinculantes, mas têm valor simbólico. Reforçam o isolamento diplomático da política de embargo e pressionam Washington a rever sua postura. Mesmo assim, as sanções seguem ativas.

Mudanças parciais e retrocessos

Durante o governo de Barack Obama, houve um movimento de distensão entre Cuba e Estados Unidos. Em 2015, os dois países restabeleceram relações diplomáticas após mais de cinco décadas de ruptura. A embaixada dos EUA em Havana foi reaberta, e algumas restrições foram afrouxadas. Passou a ser possível viajar à ilha com menos burocracia, e os limites para envio de remessas foram ampliados. Em 2016, Obama se tornou o primeiro presidente americano a visitar Cuba desde 1928.

Foto: STF/AFP/JC


Barack e Michelle Obama desembarcaram em Havana sob chuva fina, em março de 2016. A visita marcou o início de um breve período de reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, após mais de meio século de tensão diplomática. 

O cenário mudou em 2017, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca. O governo retomou a lógica de pressão total e adotou mais de 200 medidas para reforçar o bloqueio. Entre elas:Restrições a voos comerciais e cruzeiros saindo dos EUA com destino a Cuba
Redução no limite de envio de remessas por residentes cubano-americanos

Inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo

A retórica também mudou. O discurso da Casa Branca voltou a tratar Cuba como ameaça à segurança nacional. Isso justificou novas sanções e afastou qualquer possibilidade de retomada da política de aproximação.

Com Joe Biden, a expectativa era de reversão, mas a maior parte das restrições permaneceu. Em 2022, algumas flexibilizações foram implementadas. O limite para envio de dinheiro foi elevado, e voos comerciais voltaram a ser autorizados para outras cidades além de Havana.

Mesmo assim, a estrutura do embargo segue intacta. O bloqueio não depende só da vontade política do Executivo. Está amarrado à legislação. E, por isso, continua valendo mesmo quando o tom do discurso muda.

Migração cubana e os efeitos do bloqueio

Mais de dois milhões de cubanos vivem fora da ilha. A maioria está nos Estados Unidos. Esse movimento de saída começou logo após a Revolução de 1959 e continua até hoje, em diferentes formatos. Ao longo das décadas, cubanos deixaram o país por motivos políticos, econômicos ou familiares.

A comunidade cubana que vive nos EUA é diversa e nem sempre pensa da mesma forma. Parte apoia o bloqueio e defende uma política mais dura contra o governo de Cuba. Outra parte mantém laços ativos com a ilha. Envia dinheiro, visita parentes e se posiciona contra as sanções.

Em 2022, o número de cubanos tentando entrar nos Estados Unidos aumentou de forma significativa. Muitos fizeram a travessia pela fronteira com o México. Outros usaram rotas marítimas ou voos até países da América Central. O aumento da migração está diretamente ligado ao agravamento das condições de vida em Cuba. A crise econômica, os impactos do bloqueio e a falta de acesso a produtos e serviços básicos estão entre os principais fatores.

A política dos EUA para migrantes cubanos mistura permissões especiais e medidas restritivas. Durante décadas, cubanos tiveram tratamento diferenciado em relação a outras nacionalidades latinas. Mas isso vem mudando. Hoje, a migração é cada vez mais usada como peça no jogo político entre os dois países.
O papel dos meios de comunicação

A cobertura midiática sobre Cuba nos Estados Unidos costuma reforçar a narrativa do fracasso socialista. Pouco se fala sobre os efeitos do embargo. A censura de plataformas digitais e restrições ao acesso de jornalistas também afetam a circulação de informações.

A produção audiovisual sobre Cuba reflete essa disputa de narrativas. Documentários, filmes de ficção e reportagens mostram diferentes perspectivas sobre a realidade cubana. Muitas dessas produções ajudam a compreender o cotidiano da população e os dilemas enfrentados por quem vive na ilha.

Cuba além dos clichês

Cuba não é só o regime político. É uma sociedade com contradições, histórias diversas, avanços em áreas como saúde e educação, e limitações estruturais profundas. É um país afetado pelo bloqueio, mas também por decisões internas. A crítica ao embargo não implica idealização do governo cubano.

Ao longo das décadas, Cuba construiu redes de solidariedade, investiu em ciência e saúde pública e participou de ações internacionais de cooperação. Mas enfrenta sérios desafios econômicos e sociais.

A disputa pelo imaginário

A relação entre Cuba e Estados Unidos é também uma batalha simbólica. Para os EUA, manter o bloqueio é uma forma de reafirmar autoridade política na região. Para Cuba, resistir ao embargo virou parte do discurso de soberania.

Essa polarização impediu debates mais amplos sobre alternativas econômicas, reformas internas e democratização. A política de isolamento favorece o endurecimento do regime e dificulta avanços sociais reais.

Foto: reprodução

Na foto acima, o chanceler cubano Bruno Rodríguez participa da cerimônia de reabertura da embaixada de Cuba em Washington, em 20 de julho de 2015. O evento marcou um passo simbólico na retomada das relações entre os dois países, mas o fim do embargo comercial ainda depende de decisão do Congresso dos EUA. 

O que está em jogo?

Você não precisa apoiar o regime cubano para perceber que o embargo impõe sofrimento à população. A política externa dos EUA com relação à ilha tem menos a ver com defesa de direitos e mais com controle regional. A manutenção das sanções responde a interesses eleitorais e geopolíticos.

Cuba e Estados Unidos vivem um impasse prolongado. Entender esse embate ajuda a refletir sobre soberania, autodeterminação e as formas de poder no sistema internacional.
O que você pode fazer? Buscar fontes diversas de informação sobre Cuba
Acompanhar debates internacionais sobre o embargo
Ouvir vozes cubanas da ilha e da diáspora
Refletir sobre o papel dos Estados Unidos no cenário global
Questionar a seletividade das sanções econômicas

Conclusão

A relação entre Cuba e Estados Unidos não está no passado. Ela segue viva, tensa e cheia de camadas. São mais de sessenta anos de bloqueio econômico, disputas ideológicas, operações secretas, migrações em massa e reaproximações frustradas. Nada disso se resolve com frases prontas.

Cuba continua tentando manter seu projeto político sob pressão constante. Com erros, limites e contradições, mas também com autonomia diante da maior potência do planeta. Os Estados Unidos seguem impondo um bloqueio que já foi condenado por quase todos os países do mundo, mas que permanece por interesses geopolíticos e disputas internas.

Se você quer entender o presente da América Latina e o papel do imperialismo no século XXI, precisa olhar com atenção para o que acontece entre Cuba e EUA. A história não acabou. E o que está em jogo vai muito além de duas bandeiras.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Urgente: Trump cogita usar ação militar para tomar a Groenlândia

Mundo

Ditador estadunidense quer ocupar território da Dinamarca, implodindo a própria OTAN

Brasil 247, 06 de janeiro de 2026, 18:20 hAtualizado em 06 de janeiro de 2026, 18:25 h

Urgente: Trump cogita usar ação militar para tomar a Groenlândia (Foto: Reuters)

Artigo da Redação Brasil 247

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar forte repercussão internacional ao afirmar que o país “precisa” da Groenlândia por razões de segurança nacional. Segundo a Casa Branca, o governo estadunidense discute diferentes caminhos para adquirir o território semiautônomo ligado à Dinamarca, incluindo, em último caso, o emprego de forças militares.

Em comunicado oficial, a Casa Branca afirmou que Trump deixou claro que a incorporação da Groenlândia é tratada como uma prioridade estratégica. “O presidente e sua equipe estão discutindo uma gama de opções para alcançar esse importante objetivo de política externa e, claro, o uso das Forças Armadas é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”, declarou o governo estadunidense.

As declarações ganharam força após Trump reiterar, no fim de semana, que os Estados Unidos “necessitam da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”. O território, localizado no Ártico, é considerado estratégico por sua posição geopolítica e integra o Reino da Dinamarca, que também é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Na segunda-feira (28), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reagiu de forma dura às declarações vindas de Washington. Ela advertiu que qualquer ataque dos Estados Unidos contra a Groenlândia significaria, na prática, o fim da Otan, aliança militar baseada no princípio de defesa mútua entre seus integrantes.

O debate sobre o futuro da Groenlândia voltou ao centro das atenções após a recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, quando tropas de elite realizaram uma operação para capturar o presidente Nicolás Maduro e levá-lo a Nova York sob acusações relacionadas a drogas e armas. No dia seguinte à ação, Katie Miller, esposa de um dos principais assessores de Trump, publicou em redes sociais um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira norte-americana, acompanhado da palavra “EM BREVE”.

Também na segunda-feira (28), o assessor sênior da Casa Branca, Stephen Miller, reforçou publicamente a posição do governo. “É a posição formal do governo dos Estados Unidos que a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos”, afirmou. Em entrevista, ele argumentou que o país exerce papel central na Otan e que, para garantir o controle do Ártico e proteger os interesses da aliança, “obviamente a Groenlândia deveria ser parte dos Estados Unidos”.

Questionado de forma insistente sobre a possibilidade de o governo descartar o uso da força para anexar o território, Miller evitou assumir compromissos e respondeu: “Ninguém vai lutar contra os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”.

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Jeffrey Sachs denuncia histórico de intervenções dos EUA e defende soberania da Venezuela na ONU

Mundo

Economista afirma no Conselho de Segurança que mudanças de regime impostas por Washington violam a Carta da ONU e aprofundam crises humanitárias

Brasil 247, 06 de janeiro de 2026, 07:23 h

Jeffrey Sachs denuncia histórico de intervenções dos EUA e defende soberania da Venezuela na ONU (Foto: .REUTERS/Max Rossi)

Artigo de Guilherme Levorato

O economista Jeffrey Sachs, presidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, fez um pronunciamento contundente durante a reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU realizada na segunda-feira (5), dedicada à operação militar deflagrada pelos Estados Unidos na Venezuela e ao sequestro de Nicolás Maduro. Em sua fala, Sachs afirmou que o centro do debate não deveria ser o caráter do governo venezuelano, mas sim a legalidade do uso da força, da coerção e do estrangulamento econômico por um Estado-membro para decidir o futuro político de outro país.
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No discurso, Jeffrey Sachs sustentou que a prática de intervenções para promover mudanças de regime é uma marca recorrente da política externa dos Estados Unidos desde o pós-guerra, em afronta direta à Carta das Nações Unidas, que proíbe ameaças ou o uso da força contra a integridade territorial e a independência política dos Estados.

Ao contextualizar sua argumentação, Sachs lembrou que, desde 1947, Washington tem recorrido de forma sistemática a guerras, operações secretas e manipulação política para derrubar governos estrangeiros. Ele citou dados documentados pela cientista política Lindsey O’Rourke, segundo os quais os Estados Unidos tentaram ao menos 70 operações de mudança de regime entre 1947 e 1989. Para o economista, o fim da Guerra Fria não representou uma ruptura com esse padrão.

Segundo Sachs, operações desse tipo continuaram nas décadas seguintes sem autorização do Conselho de Segurança, incluindo ações no Iraque, em 2003; na Líbia, em 2011; na Síria, a partir de 2011; em Honduras, em 2009; na Ucrânia, em 2014; e na Venezuela, desde 2002. Ele descreveu um conjunto de métodos recorrentes nessas iniciativas, que vão desde guerras abertas e ações encobertas de inteligência até incitação à desordem, apoio a grupos armados, manipulação da mídia, suborno de autoridades, assassinatos seletivos, operações de falsa bandeira e sanções econômicas destinadas a colapsar a vida civil.

“O uso dessas medidas é ilegal sob a Carta da ONU e, em geral, resulta em violência prolongada, conflitos letais, instabilidade política e sofrimento profundo da população civil”, afirmou Sachs, ao destacar os efeitos humanitários dessas estratégias.

Ao tratar especificamente da Venezuela, o economista afirmou que o histórico de ingerência dos Estados Unidos é “claro e contínuo”. Ele recordou que, em abril de 2002, Washington tinha conhecimento e aprovou uma tentativa de golpe contra o governo venezuelano. Já na década de 2010, segundo Sachs, os Estados Unidos financiaram grupos da sociedade civil envolvidos em protestos antigovernamentais, especialmente em 2014. Após a repressão estatal às manifestações, vieram as sanções econômicas.

Sachs destacou que, em 2015, o então presidente Barack Obama classificou a Venezuela como “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”. Dois anos depois, em 2017, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a discutir abertamente, em um jantar com líderes latino-americanos durante a Assembleia Geral da ONU, a possibilidade de uma invasão militar para derrubar o governo venezuelano.

Entre 2017 e 2020, segundo o economista, as sanções impostas à estatal petrolífera venezuelana tiveram efeitos devastadores. A produção de petróleo caiu 75% nesse período, enquanto o Produto Interno Bruto per capita, ajustado por paridade de poder de compra, recuou 62%. Sachs lembrou ainda que a Assembleia Geral da ONU votou repetidas vezes, por ampla maioria, contra esse tipo de medida coercitiva unilateral, ressaltando que, pelo direito internacional, apenas o Conselho de Segurança tem autoridade para impor sanções.


O economista também mencionou o episódio de janeiro de 2019, quando os Estados Unidos reconheceram unilateralmente Juan Guaidó como “presidente interino” da Venezuela e congelaram cerca de US$ 7 bilhões em ativos soberanos venezuelanos no exterior, transferindo a ele o controle de parte desses recursos. Para Sachs, essas ações fazem parte de um esforço contínuo de mudança de regime que já dura mais de duas décadas.

Ao ampliar a análise para o cenário global recente, Sachs afirmou que, no último ano, os Estados Unidos realizaram bombardeios em sete países — Irã, Iraque, Nigéria, Somália, Síria, Iêmen e Venezuela — sem autorização do Conselho de Segurança e fora das hipóteses de legítima defesa previstas na Carta da ONU. Ele acrescentou que, apenas no último mês, Donald Trump fez ameaças diretas a pelo menos seis países-membros da ONU, incluindo Colômbia, Dinamarca, Irã, México, Nigéria e Venezuela.

Na avaliação de Sachs, os membros do Conselho de Segurança não estavam reunidos para julgar Nicolás Maduro, mas para decidir se o direito internacional e a Carta das Nações Unidas seriam efetivamente defendidos. Ele recorreu à teoria realista das relações internacionais, citando o acadêmico John Mearsheimer, para afirmar que o realismo descreve a “tragédia da política das grandes potências”, mas não oferece uma solução para a paz.

O economista lembrou que a Liga das Nações fracassou nos anos 1930 por não conseguir impor o respeito ao direito internacional, abrindo caminho para a Segunda Guerra Mundial. A ONU, segundo ele, surgiu como uma segunda tentativa da humanidade de colocar a lei acima da anarquia internacional, com o objetivo explícito de poupar as gerações futuras do flagelo da guerra. “Na era nuclear, esse fracasso não pode se repetir. Não haveria uma terceira chance”, advertiu.

Ao concluir, Sachs apresentou uma série de medidas que, em sua avaliação, deveriam ser imediatamente adotadas pelo Conselho de Segurança. Entre elas, a cessação de todas as ameaças e do uso da força contra a Venezuela por parte dos Estados Unidos, o fim do bloqueio naval e de outras medidas militares coercitivas sem autorização da ONU, a retirada de forças militares norte-americanas do entorno do país e a nomeação de um enviado especial do secretário-geral para conduzir esforços diplomáticos.

“Paz e a sobrevivência da humanidade dependem de saber se a Carta das Nações Unidas continuará sendo um instrumento vivo do direito internacional ou se será deixada definhar até a irrelevância”, afirmou Jeffrey Sachs em seu pronunciamento final ao Conselho de Segurança.

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Brasil tem superávit comercial de US$ 68,3 bi em 2025 e governo vê saldo de até US$ 90 bi em 2026

Economia

Pela estimativa do MDIC, este ano deve ser encerrado com exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões

Brasil 247, 06 de janeiro de 2026, 16:16 h

Contêineres no Porto de Santos (SP) (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

Artigo de Leonardo Sobreira

BRASÍLIA, 6 Jan. (Reuters) - O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, com recorde de exportações e crescimento mais forte das importações, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta terça-feira.

Também nesta terça, o MDIC apresentou sua projeção para o saldo comercial em 2026, prevendo um resultado positivo de US$70 bilhões a US$90 bilhões.

Pela estimativa do MDIC, este ano deve ser encerrado com exportações entre US$340 bilhões e US$380 bilhões, enquanto as importações ficariam entre US$270 bilhões e US$290 bilhões.

O superávit de US$68,3 bilhões da balança comercial brasileira em 2025 ficou acima das previsões do governo. O MDIC previa um saldo positivo de US$60,9 bilhões para o ano, em estimativa informada em outubro.

2025 - O resultado comercial do ano passado reflete um valor de US$348,7 bilhões em exportações -- patamar mais alto da série histórica -- e de US$280,4 bilhões em importações, nível também recorde.

As exportações em 2025 ficaram 3,5% acima do resultado do ano anterior, consequência de aumento do volume vendido, mais do que compensando um recuo nos preços médios dos produtos. Já as importações subiram com mais força, alta de 6,7% em relação ao verificado em 2024.

Em meio ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, houve recuo nos embarques para o país norte-americano, uma queda de 6,6% no ano, segundo o MDIC. A participação do país norte-americano no total das exportações brasileiras caiu de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025.


Por outro lado, as vendas para China cresceram 6% no período, levando o país asiático a responder por uma fatia de 28,7% das exportações brasileiras no ano passado, ante 28,0% em 2024. A China é o maior comprador de produtos do país.

Os Estados Unidos impuseram em agosto do ano passado uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, provocando alarme em setores produtivos e levando o governo a anunciar medidas emergenciais de crédito e alívio tributário.

Enquanto produtores buscavam mercados alternativos para direcionamento dos produtos, negociações levaram os Estados Unidos a ampliar exceções à tarifa ao longo do ano, aumentando a lista de itens poupados da cobrança. Em novembro o governo estimou que 22% das exportações para os EUA seguiam sujeitas à taxa de 50%.

No recorte por setores, as vendas do Brasil ao exterior cresceram com mais força na agropecuária (+7,1%), seguida da indústria de transformação (+3,8%). Por outro lado, as exportações da indústria extrativa caíram 0,7%.

O saldo anual foi incrementado pelo resultado de dezembro, um superávit de US$9,633 bilhões, com US$31,037 bilhões em exportações e US$21,405 bilhões em importações.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

Fundeb 2026: veja quanto cada município vai receber para investir em educação

Mais recursos para a educação Publica Brasileira também significa valorização dos professores

Conecta professores, 3 de janeiro de 2026

Artigo de Leonardo Lima


A definição dos valores do Fundeb 2026 marca mais um passo decisivo para o planejamento da educação básica no Brasil. A Portaria Interministerial nº 14/2025, publicada no Diário Oficial da União, trouxe a estimativa oficial de receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação para o próximo exercício. Ao todo, o montante previsto chega a R$ 370,3 bilhões, valor que deve impactar diretamente cerca de 4 mil municípios em todo o país.

O crescimento estimado é de aproximadamente 9,5% em relação a 2025, reforçando o papel do Fundeb como principal instrumento de financiamento da educação pública brasileira. Os recursos servirão de base para que estados e prefeituras organizem seus orçamentos, planejem investimentos e garantam a continuidade de políticas educacionais essenciais.
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De onde vêm os recursos do Fundeb 2026

Segundo a portaria, R$ 301,1 bilhões do total estimado terão origem nas contribuições de estados, Distrito Federal e municípios. Já a complementação da União alcançará R$ 69,2 bilhões, o equivalente a 23% do montante arrecadado pelos entes federativos.

Esse modelo de financiamento busca reduzir desigualdades regionais e assegurar que redes de ensino com menor capacidade arrecadatória consigam manter um padrão mínimo de investimento por aluno. Na prática, o Fundeb funciona como um mecanismo de redistribuição, direcionando mais recursos para quem mais precisa.

Valores de referência por aluno em 2026

Além do volume total de recursos, a Portaria Interministerial nº 14/2025 definiu os principais indicadores que orientam a distribuição do Fundeb em todo o país. Para 2026, os valores mínimos nacionais ficaram estabelecidos em:

VAAF-MIN (Valor Anual Mínimo por Aluno Fundeb): R$ 5.962,79
VAAT-MIN (Valor Aluno Ano Total): R$ 10.194,38

Esses parâmetros são fundamentais para o planejamento das secretarias municipais e estaduais de educação, pois indicam o patamar mínimo de investimento por estudante, considerando diferenças socioeconômicas e regionais.
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Como funcionam as complementações da União no Fundeb 2026

A complementação federal será distribuída em três modalidades, alcançando aproximadamente 4 mil municípios e diversas redes estaduais de ensino.

1. Complementação VAAF (10%)
Com valor estimado em R$ 30,1 bilhões, essa modalidade beneficia 1.849 municípios em dez estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio de Janeiro. O objetivo é garantir que essas redes alcancem o valor mínimo anual por aluno definido nacionalmente.

2. Complementação VAAT (10,5%)
A modalidade VAAT contará com cerca de R$ 31,6 bilhões em 2026. Ela beneficiará 2.479 municípios, distribuídos em 26 estados, além das redes estaduais do Maranhão e do Piauí. O foco é assegurar que o investimento total por aluno atinja o padrão mínimo nacional, considerando todas as fontes de recursos vinculados à educação.

3. Complementação VAAR (2,5%)
Voltada a resultados educacionais, a complementação VAAR terá um volume estimado de R$ 7,5 bilhões. Serão contempladas 3.034 redes de ensino, sendo 3.025 municipais e nove estaduais. Essa modalidade busca estimular melhorias na qualidade do ensino, premiando redes que apresentam avanços em indicadores educacionais

Em relação a 2025, as mudanças são significativas. 328 municípios passarão a receber a complementação VAAR, enquanto 136 deixarão de ser beneficiados. No caso do VAAT, 286 municípios entram no benefício pela primeira vez, e 179 deixam de receber, o que reforça a importância de uma gestão eficiente e atenta aos critérios do Fundo.

Impactos diretos do Fundeb 2026 para professores e alunos

Mais do que números, o Fundeb 2026 representa impactos concretos no dia a dia das escolas públicas. 

Entre os principais efeitos esperados estão:

* Valorização dos professores, com possibilidade de aplicação dos recursos em salários, planos de carreira, formação continuada e programas de incentivo;

* Melhoria da infraestrutura escolar, incluindo manutenção de prédios, compra de materiais didáticos e ampliação de escolas;

* Redução das desigualdades educacionais, ao fortalecer redes localizadas em municípios com menor arrecadação;

Expansão da educação em tempo integral, estimulada pela Emenda Constitucional nº 135/2024, que prevê a destinação de 4% da receita de impostos vinculada ao Fundeb para criação de novas matrículas nessa modalidade.

Embora a regulamentação detalhada do uso desses recursos ainda esteja em discussão, o direcionamento já sinaliza uma prioridade clara para a ampliação da jornada escolar.

Planejamento e atenção das prefeituras

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que o volume expressivo de recursos do Fundeb 2026 exige planejamento rigoroso e atenção às regras legais. As prefeituras devem priorizar:

Planejamento financeiro detalhado;

Aplicação correta de cada tipo de complementação;

Transparência na execução orçamentária;

Observância das normas relacionadas à educação em tempo integral.

Quando bem gerido, o Fundeb 2026 tem potencial para transformar a realidade educacional de milhares de municípios, promovendo mais oportunidades de aprendizagem, fortalecendo o trabalho docente e garantindo educação pública de qualidade para milhões de estudantes em todo o Brasil.

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Fundeb 2026: VAAF, VAAT e VAAR explicados para gestores e educadores

Da Guatemala ao Panamá: as intervenções dos EUA na América Latina que deram errado

Da Doutrina Monroe à Guerra Fria, ações militares e operações secretas dos Estados Unidos marcaram a história da América Latina com golpes, conflitos e consequências duradouras

A referencia, 02/01/2026 17:00, Atualizado em 03/01/2026 11:59

As intervenções dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe fazem parte de uma política externa de longa duração, marcada por ações abertas e secretas que nem sempre produziram os resultados esperados. Desde o século XIX, com a formulação da Doutrina Monroe, Washington passou a enxergar o continente como uma área de influência estratégica, postura que se intensificou ao longo do século XX, especialmente durante a Guerra Fria.

A pressão recente do governo norte-americano sobre a Venezuela se insere nesse histórico. Operações militares, ações da CIA e sanções econômicas refletem uma lógica antiga, associada à ideia da “Política do Big Stick” (“Grande Porrete”, em tradução literal), popularizada no início do século passado pelo presidente Theodore Roosevelt (1901-1909) e baseada no provérbio africano “Fale manso e carregue um grande porrete”. O princípio era simples: combinar diplomacia com força militar para proteger interesses considerados vitais pelos EUA.

Prisioneiros da Brigada 2506 guardados por fidelistas cubanos, 1961 (Foto: WikiCommons)

Após a Segunda Guerra Mundial, o foco das intervenções passou a ser o combate ao comunismo. A Revolução Cubana, em 1959, reforçou o temor de Washington quanto à expansão da influência soviética no hemisfério. A partir daí, operações clandestinas e apoio a governos autoritários tornaram-se frequentes em diversos países latino-americanos.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Guatemala, em 1954, quando a CIA apoiou a derrubada do presidente Jacobo Árbenz após reformas agrárias que atingiram interesses de uma grande empresa americana. O golpe abriu caminho para décadas de instabilidade política e violência, além de servir de modelo para outras intervenções na região.

Outro episódio marcante foi a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em 1961. O fracasso da operação não apenas fortaleceu o regime de Fidel Castro, como também contribuiu diretamente para a Crise dos Mísseis de 1962, levando o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Na década de 1980, os EUA voltaram a intervir diretamente no Caribe e na América Central. A invasão de Granada, em 1983, e o apoio aos Contras na Nicarágua evidenciaram a tentativa de conter governos alinhados à esquerda. No caso nicaraguense, o conflito provocou impactos sociais e econômicos profundos e se tornou um dos maiores escândalos políticos da história americana, com o caso Irã-Contras.

A invasão do Panamá, em 1989, que resultou na queda do general Manuel Noriega, é frequentemente citada como um dos raros exemplos considerados bem-sucedidos por parte de analistas, embora também seja alvo de críticas quanto às consequências de longo prazo.

Ao longo de mais de um século, as intervenções dos EUA na América Latina deixaram marcas profundas. Golpes, conflitos armados e instabilidade política moldaram a história de vários países, levantando debates que permanecem atuais sobre soberania, interesses geopolíticos e os limites da política externa americana no continente.

TERREMOTO NO CONGRESSO: Operações da PF atingem gregos e troianos e prometem pautar 2026!



Postagem de Hilton Aquino no Facebock, 04/01/2026



O cenário eleitoral já começa pegando fogo. Três grandes operações da Polícia Federal deflagradas em 2025 — Sem Desconto, Carbono Oculto e Compliance Zero — estão tirando o sono de figuras poderosas e devem influenciar pesadamente as eleições deste ano.

A "limpeza" não escolhe lado e atinge governo, oposição e o coração do Centrão:

Farra do INSS: A operação Sem Desconto investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. Entre os investigados estão o senador Weverton Rocha (PDT) e até Fábio Luís, filho do presidente Lula, suspeito de repasses indevidos. A CPMI do caso foi prorrogada e vai manter o assunto vivo até as eleições.

PCC e Combustíveis: A Carbono Oculto mira a adulteração de combustíveis ligada ao crime organizado (PCC). As investigações chegam a nomes pesados como Ciro Nogueira (presidente do PP) e envolvem tentativas de delação contra Davi Alcolumbre.

O Rombo do Banco Master: A Compliance Zero revelou um buraco de R$ 12 bilhões no banco de Daniel Vorcaro. As conexões citadas incluem novamente Ciro Nogueira e Alcolumbre, gerando munição política que a oposição tenta usar até contra Alexandre de Moraes.

Além deles, Arthur Lira (emendas), Rodrigo Pacheco (mineração) e Sóstenes Cavalcante (verba de gabinete) também foram alvos de outras ações recentes. A mensagem é clara: a PF está trabalhando e ninguém está acima da lei.

Fonte: PaiPee


sábado, 3 de janeiro de 2026

Rússia defende soberania da Venezuela contra ingerência externa após ataque dos EUA

Mundo

Chancelaria russa condena ações militares externas, defende diálogo político e apoia convocação do Conselho de Segurança da ONU

Brasil 247, 03 de janeiro de 2026, 08:11 h

Chanceler russo, Sergei Lavrov (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter assegurado o direito de decidir seu próprio futuro, sem interferência externa. Segundo a diplomacia russa, a América Latina precisa manter-se como uma zona de paz, princípio estabelecido desde 2014, e evitar iniciativas que provoquem instabilidade ou agravem tensões na região.

Segundo a Sputnik Brasil, Moscou expressou preocupação com ações militares externas dirigidas ao país sul-americano. Para o governo russo, esse tipo de iniciativa representa uma ameaça direta à soberania venezuelana e à estabilidade regional.

Rússia critica ações militares externas

No comunicado, a chancelaria russa avalia que atos de agressão armada promovidos por Washington contra a Venezuela são motivo de profunda preocupação e merecem condenação. Moscou considera que intervenções desse tipo violam princípios do direito internacional e contribuem para o aumento das tensões geopolíticas na América Latina.

A diplomacia russa sustenta que qualquer tentativa de interferência externa, especialmente de natureza militar, é destrutiva e compromete esforços voltados à paz e à estabilidade regional.

Apoio à soberania e à liderança venezuelana

A Rússia reafirmou solidariedade ao povo venezuelano e manifestou apoio à orientação de sua liderança, destacando o compromisso com a defesa da soberania do Estado. Moscou considera essencial respeitar as escolhas internas do país e garantir que decisões políticas sejam tomadas exclusivamente pelos próprios venezuelanos.

O governo russo também declarou que mantém contato permanente com as autoridades venezuelanas, reforçando a disposição de acompanhar a situação de forma diplomática e responsável.
Defesa do diálogo e do papel da ONU

Ainda segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, é fundamental evitar qualquer escalada adicional do conflito e buscar soluções por meio do diálogo. Moscou manifestou apoio à convocação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a situação na República Bolivariana.

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Ataques dos EUA à Venezuela matam civis, autoridades e militares

América Latina

Ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano atingiram a capital, os estados de Miranda e Aragua, além de várias outras localidades do país

Brasil 247, 03 de janeiro de 2026, 08:30 hAtualizado em 03 de janeiro de 2026, 08:31 h

  Explosões em Caracas - 3/1/2026 (Foto: VIDEO OBTAINED BY REUTERS)

Artigo de Leonardo Sobreira

Um carro foi explodido em Caracas e o ato deixou vítimas civis, disse o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em publicação na rede social X neste sábado (3). Além disso, o ataque dos Estados Unidos matou autoridades e militares, afirmou neste sábado a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

“Condenamos essa agressão brutal que tirou a vida de autoridades, militares e venezuelanos inocentes”, declarou Rodríguez.

Nenhuma vítima americana resultou da operação na Venezuela, informou neste sábado o jornal The New York Times, citando uma autoridade dos Estados Unidos. Segundo a reportagem, a autoridade se recusou a comentar sobre possíveis vítimas venezuelanas.

Ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano atingiram a capital, os estados de Miranda e Aragua, além de várias outras localidades do país, afirmou neste sábado o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López.

“Neste momento, a barbárie das forças invasoras profanou nossa terra sagrada em Fuerte Tiuna, em Caracas, nos estados de Miranda e Aragua, e em La Guaira”, disse López em um pronunciamento em vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo o ministro, as autoridades venezuelanas estão investigando relatos de possíveis vítimas civis após os ataques dos Estados Unidos.

“As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas informam à comunidade internacional que, nas primeiras horas de hoje, 3 de janeiro, o povo venezuelano se tornou alvo da mais criminosa agressão militar já perpetrada pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte… Neste momento, estamos reunindo informações sobre os feridos e os mortos”, declarou.

López afirmou ainda que o ataque dos EUA contra a Venezuela é vil e covarde e ameaça a paz regional.

“Diante desse ataque vil e covarde, que coloca em risco a paz e a estabilidade da região, emitimos nossa mais enérgica condenação”, disse o ministro.

A Venezuela não cederá aos ataques dos Estados Unidos e sairá vitoriosa, acrescentou.

“Fomos atacados, mas não nos dobraremos… Juntos, soldados e povo, formaremos um muro inquebrantável de resistência. A vitória é nossa, porque a razão e a dignidade estão do nosso lado — venceremos”, afirmou.

Por fim, López pediu que a população evite o pânico e a anarquia.

“Não sucumbamos ao pânico que o inimigo busca semear. Evitemos o pânico e a anarquia — armas tão mortais quanto as próprias bombas”, concluiu.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Balança comercial deve ter superávit de US$ 67 bilhões em 2026

 Economia

Projeções indicam saldo levemente acima de 2025 e reforço importante ao setor externo

Brasil 247, 02 de janeiro de 2026, 05:17 h

Lula e Alckmin - 05/08/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O superávit da balança comercial brasileira deve alcançar US$ 67 bilhões em 2026, resultado um pouco acima dos US$ 63,6 bilhões esperados para 2025, segundo a mediana de 46 projeções reunidas em levantamento do Valor com consultorias, entidades e instituições financeiras. A expectativa é de um saldo ainda robusto, embora com crescimento limitado, contribuindo para sustentar o setor externo em um cenário de preços de commodities mais “comportados” e importações em nível elevado.

Após a marca excepcional de US$ 98,9 bilhões em 2023, os níveis de exportação e importação tendem a retornar a um patamar considerado mais “normal”, segundo economistas ouvidos. Em 2024, o saldo já havia sido menor, de US$ 74,2 bilhões, e a trajetória esperada para os próximos anos sugere acomodação do desempenho comercial, sem perda completa do fôlego externo.

O resultado oficial da balança comercial de 2025 será divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) na terça-feira, 6 de janeiro, o que deve calibrar expectativas para o ano seguinte. O cenário projetado para 2026 combina exportações com preços moderados e importações ainda fortes, refletindo uma economia em expansão, embora em ritmo mais lento.
Commodities seguem no centro do jogo e preocupam pelo preço

Entre as projeções mais otimistas para 2026 está a da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que estima superávit de US$ 77,4 bilhões, acima dos US$ 63,8 bilhões previstos pela entidade para 2025. O presidente da AEB, José Augusto de Castro, afirma que o saldo não deve subir por uma explosão dos embarques, e sim por uma combinação de volumes com preços sem grande avanço.

A preocupação central está no comportamento das commodities, especialmente petróleo e soja, que dominam a pauta exportadora ao lado do minério de ferro. Segundo Castro, não há base sólida para um ciclo forte de alta nas cotações. Ele ressalta:

“Temos expectativa de crescimento de volume de exportação de petróleo, porque há aumento de produção. Mas há uma preocupação com preços, tanto de petróleo quanto de soja. Porque não há nada no momento que sustente uma estimativa de crescimento forte das cotações.”

Na avaliação dele, a soja deve continuar relevante em 2026, mas abaixo do recorde esperado para 2025, enquanto os preços podem “andar de lado”. O peso desses produtos é grande: petróleo, soja e minério de ferro respondem atualmente por 34% da receita total das exportações brasileiras, o que torna o país especialmente sensível às oscilações internacionais.

Castro vincula esse cenário à perspectiva de desaceleração do comércio global em 2026, mesmo após revisões recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC revisou em outubro sua projeção de crescimento do comércio mundial em 2025 para 2,4%, acima das previsões anteriores, mas estima desaceleração para apenas 0,5% em 2026, indicando menor impulso externo no horizonte.

China, soja e os efeitos da guerra comercial

O economista André Valério, do Inter, destaca que as exportações brasileiras de soja no fim de 2025 foram impulsionadas por compras incomuns da China, num movimento associado à guerra comercial com os Estados Unidos. Ele afirma:

“A China comprou muito mais soja do que compra normalmente do Brasil nesse período. Da última vez que isso aconteceu, o Brasil ganhou o mercado chinês. Acredito que deva acontecer de novo, mas não devemos repetir o recorde de 2025, porque a China tem se comprometido a voltar a comprar dos Estados Unidos, o que deve também impactar as exportações brasileiras.”

Valério também aponta que o cenário não favorece um ciclo de alta consistente em commodities, pois não se observa recuperação forte da demanda chinesa. Ele resume:

“Além disso não vemos uma demanda chinesa se recuperando de maneira significativa a ponto de gerar um ciclo de alta de commodities.”

Ou seja, mesmo com ganhos pontuais de mercado e volume, o Brasil pode enfrentar limites no preço médio das exportações, o que reduz a margem de ampliação do superávit.
Preços “mistos” e exportações aos EUA no radar após tarifaço

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, descreve o cenário de 2026 como de “preços mistos”, em que volumes devem determinar o desempenho. Segundo ela:

“Não sabemos de fato para onde eles vão e os volumes é que vão dominar a dinâmica.”

Benedito avalia que não há “pontos alarmantes” imediatos, mas considera que mudanças nas negociações com os Estados Unidos podem melhorar o desempenho comercial brasileiro. Ela observa que as exportações aos americanos foram muito afetadas em 2025 pela política tarifária do governo Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e que um eventual avanço nas tratativas pode trazer ganhos adicionais para 2026 e 2027.

A economista projeta uma trajetória de saldos crescentes: US$ 65 bilhões em 2025, US$ 68,4 bilhões em 2026 e US$ 76,4 bilhões em 2027, sinalizando que o setor externo pode seguir como um dos pilares de estabilidade macroeconômica nos próximos anos.
México eleva tarifas e aumenta risco para exportação brasileira

Outro fator novo no radar é a decisão do México de elevar tarifas de importação para produtos do Brasil, da China e de outros países sem acordo de livre comércio com os mexicanos. As novas tarifas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e, no caso brasileiro, atingem itens como automóveis e autopeças, têxteis e vestuário, calçados, eletrodomésticos, siderúrgicos, plásticos e móveis.

Valério avalia que a medida pode afetar especialmente a exportação brasileira de aço, adicionando um componente de risco ao superávit do próximo ano, sobretudo se o Brasil enfrentar uma sequência de barreiras comerciais em mercados relevantes.
UE-Mercosul pode ajudar, mas efeito tende a ser gradual

Entre os fatores positivos, economistas citam o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul, cuja expectativa é de assinatura em janeiro. O Inter considera o acordo benéfico, mas com impacto diluído ao longo do tempo, sem efeito imediato claro para 2026.

Em paralelo, o ambiente global é descrito como marcado por tendência de aumento de medidas de proteção tarifária, o que amplia incertezas para exportadores e reforça o peso das negociações diplomáticas e comerciais na formação do saldo brasileiro.
Importações devem seguir altas, mas podem perder fôlego

Do lado das importações, Castro, da AEB, prevê queda de 2,7% em 2026 em relação ao esperado para 2025, após três anos de crescimento puxado não apenas por preços, mas também por quantidade. Ele avalia que o impulso pode se esgotar: “Chegou a hora em que o fôlego acaba”.

Valério, por sua vez, vê uma possível desaceleração doméstica contribuindo para o superávit via redução das compras externas, mas ressalta que parte das importações é considerada produtiva, ligada a insumos, bens intermediários e equipamentos. Ele aponta que, especialmente se os juros caírem ao longo de 2026, a entrada de Investimento Direto no País (IDP) pode sustentar um nível de importação elevado.

O Inter estima superávit de US$ 63 bilhões em 2025 e de US$ 65 bilhões em 2026, sugerindo continuidade do cenário observado ao longo de 2025, com saldo alto, mas sem grandes saltos.
Superávit seguirá alto, mas com crescimento limitado

As projeções compiladas indicam ampla dispersão, com estimativas variando de US$ 43,5 bilhões a US$ 85 bilhões para 2026. A mediana, porém, aponta para um saldo forte e estável, sustentado por exportações ainda relevantes e importações que devem perder parte do impulso, mesmo permanecendo em patamar elevado.

Em síntese, o Brasil deve manter um superávit comercial importante em 2026, contribuindo para o equilíbrio do setor externo e oferecendo amortecedor em meio às incertezas globais. Ao mesmo tempo, o desempenho dependerá fortemente do comportamento das commodities, do ritmo da demanda chinesa e do avanço — ou recuo — de políticas protecionistas em parceiros estratégicos.

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