domingo, 4 de janeiro de 2026

Da Guatemala ao Panamá: as intervenções dos EUA na América Latina que deram errado

Da Doutrina Monroe à Guerra Fria, ações militares e operações secretas dos Estados Unidos marcaram a história da América Latina com golpes, conflitos e consequências duradouras

A referencia, 02/01/2026 17:00, Atualizado em 03/01/2026 11:59

As intervenções dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe fazem parte de uma política externa de longa duração, marcada por ações abertas e secretas que nem sempre produziram os resultados esperados. Desde o século XIX, com a formulação da Doutrina Monroe, Washington passou a enxergar o continente como uma área de influência estratégica, postura que se intensificou ao longo do século XX, especialmente durante a Guerra Fria.

A pressão recente do governo norte-americano sobre a Venezuela se insere nesse histórico. Operações militares, ações da CIA e sanções econômicas refletem uma lógica antiga, associada à ideia da “Política do Big Stick” (“Grande Porrete”, em tradução literal), popularizada no início do século passado pelo presidente Theodore Roosevelt (1901-1909) e baseada no provérbio africano “Fale manso e carregue um grande porrete”. O princípio era simples: combinar diplomacia com força militar para proteger interesses considerados vitais pelos EUA.

Prisioneiros da Brigada 2506 guardados por fidelistas cubanos, 1961 (Foto: WikiCommons)

Após a Segunda Guerra Mundial, o foco das intervenções passou a ser o combate ao comunismo. A Revolução Cubana, em 1959, reforçou o temor de Washington quanto à expansão da influência soviética no hemisfério. A partir daí, operações clandestinas e apoio a governos autoritários tornaram-se frequentes em diversos países latino-americanos.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Guatemala, em 1954, quando a CIA apoiou a derrubada do presidente Jacobo Árbenz após reformas agrárias que atingiram interesses de uma grande empresa americana. O golpe abriu caminho para décadas de instabilidade política e violência, além de servir de modelo para outras intervenções na região.

Outro episódio marcante foi a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em 1961. O fracasso da operação não apenas fortaleceu o regime de Fidel Castro, como também contribuiu diretamente para a Crise dos Mísseis de 1962, levando o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Na década de 1980, os EUA voltaram a intervir diretamente no Caribe e na América Central. A invasão de Granada, em 1983, e o apoio aos Contras na Nicarágua evidenciaram a tentativa de conter governos alinhados à esquerda. No caso nicaraguense, o conflito provocou impactos sociais e econômicos profundos e se tornou um dos maiores escândalos políticos da história americana, com o caso Irã-Contras.

A invasão do Panamá, em 1989, que resultou na queda do general Manuel Noriega, é frequentemente citada como um dos raros exemplos considerados bem-sucedidos por parte de analistas, embora também seja alvo de críticas quanto às consequências de longo prazo.

Ao longo de mais de um século, as intervenções dos EUA na América Latina deixaram marcas profundas. Golpes, conflitos armados e instabilidade política moldaram a história de vários países, levantando debates que permanecem atuais sobre soberania, interesses geopolíticos e os limites da política externa americana no continente.

TERREMOTO NO CONGRESSO: Operações da PF atingem gregos e troianos e prometem pautar 2026!



Postagem de Hilton Aquino no Facebock, 04/01/2026



O cenário eleitoral já começa pegando fogo. Três grandes operações da Polícia Federal deflagradas em 2025 — Sem Desconto, Carbono Oculto e Compliance Zero — estão tirando o sono de figuras poderosas e devem influenciar pesadamente as eleições deste ano.

A "limpeza" não escolhe lado e atinge governo, oposição e o coração do Centrão:

Farra do INSS: A operação Sem Desconto investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. Entre os investigados estão o senador Weverton Rocha (PDT) e até Fábio Luís, filho do presidente Lula, suspeito de repasses indevidos. A CPMI do caso foi prorrogada e vai manter o assunto vivo até as eleições.

PCC e Combustíveis: A Carbono Oculto mira a adulteração de combustíveis ligada ao crime organizado (PCC). As investigações chegam a nomes pesados como Ciro Nogueira (presidente do PP) e envolvem tentativas de delação contra Davi Alcolumbre.

O Rombo do Banco Master: A Compliance Zero revelou um buraco de R$ 12 bilhões no banco de Daniel Vorcaro. As conexões citadas incluem novamente Ciro Nogueira e Alcolumbre, gerando munição política que a oposição tenta usar até contra Alexandre de Moraes.

Além deles, Arthur Lira (emendas), Rodrigo Pacheco (mineração) e Sóstenes Cavalcante (verba de gabinete) também foram alvos de outras ações recentes. A mensagem é clara: a PF está trabalhando e ninguém está acima da lei.

Fonte: PaiPee


sábado, 3 de janeiro de 2026

Rússia defende soberania da Venezuela contra ingerência externa após ataque dos EUA

Mundo

Chancelaria russa condena ações militares externas, defende diálogo político e apoia convocação do Conselho de Segurança da ONU

Brasil 247, 03 de janeiro de 2026, 08:11 h

Chanceler russo, Sergei Lavrov (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a Venezuela deve ter assegurado o direito de decidir seu próprio futuro, sem interferência externa. Segundo a diplomacia russa, a América Latina precisa manter-se como uma zona de paz, princípio estabelecido desde 2014, e evitar iniciativas que provoquem instabilidade ou agravem tensões na região.

Segundo a Sputnik Brasil, Moscou expressou preocupação com ações militares externas dirigidas ao país sul-americano. Para o governo russo, esse tipo de iniciativa representa uma ameaça direta à soberania venezuelana e à estabilidade regional.

Rússia critica ações militares externas

No comunicado, a chancelaria russa avalia que atos de agressão armada promovidos por Washington contra a Venezuela são motivo de profunda preocupação e merecem condenação. Moscou considera que intervenções desse tipo violam princípios do direito internacional e contribuem para o aumento das tensões geopolíticas na América Latina.

A diplomacia russa sustenta que qualquer tentativa de interferência externa, especialmente de natureza militar, é destrutiva e compromete esforços voltados à paz e à estabilidade regional.

Apoio à soberania e à liderança venezuelana

A Rússia reafirmou solidariedade ao povo venezuelano e manifestou apoio à orientação de sua liderança, destacando o compromisso com a defesa da soberania do Estado. Moscou considera essencial respeitar as escolhas internas do país e garantir que decisões políticas sejam tomadas exclusivamente pelos próprios venezuelanos.

O governo russo também declarou que mantém contato permanente com as autoridades venezuelanas, reforçando a disposição de acompanhar a situação de forma diplomática e responsável.
Defesa do diálogo e do papel da ONU

Ainda segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, é fundamental evitar qualquer escalada adicional do conflito e buscar soluções por meio do diálogo. Moscou manifestou apoio à convocação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a situação na República Bolivariana.

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Ataques dos EUA à Venezuela matam civis, autoridades e militares

América Latina

Ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano atingiram a capital, os estados de Miranda e Aragua, além de várias outras localidades do país

Brasil 247, 03 de janeiro de 2026, 08:30 hAtualizado em 03 de janeiro de 2026, 08:31 h

  Explosões em Caracas - 3/1/2026 (Foto: VIDEO OBTAINED BY REUTERS)

Artigo de Leonardo Sobreira

Um carro foi explodido em Caracas e o ato deixou vítimas civis, disse o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em publicação na rede social X neste sábado (3). Além disso, o ataque dos Estados Unidos matou autoridades e militares, afirmou neste sábado a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

“Condenamos essa agressão brutal que tirou a vida de autoridades, militares e venezuelanos inocentes”, declarou Rodríguez.

Nenhuma vítima americana resultou da operação na Venezuela, informou neste sábado o jornal The New York Times, citando uma autoridade dos Estados Unidos. Segundo a reportagem, a autoridade se recusou a comentar sobre possíveis vítimas venezuelanas.

Ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano atingiram a capital, os estados de Miranda e Aragua, além de várias outras localidades do país, afirmou neste sábado o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López.

“Neste momento, a barbárie das forças invasoras profanou nossa terra sagrada em Fuerte Tiuna, em Caracas, nos estados de Miranda e Aragua, e em La Guaira”, disse López em um pronunciamento em vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo o ministro, as autoridades venezuelanas estão investigando relatos de possíveis vítimas civis após os ataques dos Estados Unidos.

“As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas informam à comunidade internacional que, nas primeiras horas de hoje, 3 de janeiro, o povo venezuelano se tornou alvo da mais criminosa agressão militar já perpetrada pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte… Neste momento, estamos reunindo informações sobre os feridos e os mortos”, declarou.

López afirmou ainda que o ataque dos EUA contra a Venezuela é vil e covarde e ameaça a paz regional.

“Diante desse ataque vil e covarde, que coloca em risco a paz e a estabilidade da região, emitimos nossa mais enérgica condenação”, disse o ministro.

A Venezuela não cederá aos ataques dos Estados Unidos e sairá vitoriosa, acrescentou.

“Fomos atacados, mas não nos dobraremos… Juntos, soldados e povo, formaremos um muro inquebrantável de resistência. A vitória é nossa, porque a razão e a dignidade estão do nosso lado — venceremos”, afirmou.

Por fim, López pediu que a população evite o pânico e a anarquia.

“Não sucumbamos ao pânico que o inimigo busca semear. Evitemos o pânico e a anarquia — armas tão mortais quanto as próprias bombas”, concluiu.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Balança comercial deve ter superávit de US$ 67 bilhões em 2026

 Economia

Projeções indicam saldo levemente acima de 2025 e reforço importante ao setor externo

Brasil 247, 02 de janeiro de 2026, 05:17 h

Lula e Alckmin - 05/08/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O superávit da balança comercial brasileira deve alcançar US$ 67 bilhões em 2026, resultado um pouco acima dos US$ 63,6 bilhões esperados para 2025, segundo a mediana de 46 projeções reunidas em levantamento do Valor com consultorias, entidades e instituições financeiras. A expectativa é de um saldo ainda robusto, embora com crescimento limitado, contribuindo para sustentar o setor externo em um cenário de preços de commodities mais “comportados” e importações em nível elevado.

Após a marca excepcional de US$ 98,9 bilhões em 2023, os níveis de exportação e importação tendem a retornar a um patamar considerado mais “normal”, segundo economistas ouvidos. Em 2024, o saldo já havia sido menor, de US$ 74,2 bilhões, e a trajetória esperada para os próximos anos sugere acomodação do desempenho comercial, sem perda completa do fôlego externo.

O resultado oficial da balança comercial de 2025 será divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) na terça-feira, 6 de janeiro, o que deve calibrar expectativas para o ano seguinte. O cenário projetado para 2026 combina exportações com preços moderados e importações ainda fortes, refletindo uma economia em expansão, embora em ritmo mais lento.
Commodities seguem no centro do jogo e preocupam pelo preço

Entre as projeções mais otimistas para 2026 está a da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que estima superávit de US$ 77,4 bilhões, acima dos US$ 63,8 bilhões previstos pela entidade para 2025. O presidente da AEB, José Augusto de Castro, afirma que o saldo não deve subir por uma explosão dos embarques, e sim por uma combinação de volumes com preços sem grande avanço.

A preocupação central está no comportamento das commodities, especialmente petróleo e soja, que dominam a pauta exportadora ao lado do minério de ferro. Segundo Castro, não há base sólida para um ciclo forte de alta nas cotações. Ele ressalta:

“Temos expectativa de crescimento de volume de exportação de petróleo, porque há aumento de produção. Mas há uma preocupação com preços, tanto de petróleo quanto de soja. Porque não há nada no momento que sustente uma estimativa de crescimento forte das cotações.”

Na avaliação dele, a soja deve continuar relevante em 2026, mas abaixo do recorde esperado para 2025, enquanto os preços podem “andar de lado”. O peso desses produtos é grande: petróleo, soja e minério de ferro respondem atualmente por 34% da receita total das exportações brasileiras, o que torna o país especialmente sensível às oscilações internacionais.

Castro vincula esse cenário à perspectiva de desaceleração do comércio global em 2026, mesmo após revisões recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC revisou em outubro sua projeção de crescimento do comércio mundial em 2025 para 2,4%, acima das previsões anteriores, mas estima desaceleração para apenas 0,5% em 2026, indicando menor impulso externo no horizonte.

China, soja e os efeitos da guerra comercial

O economista André Valério, do Inter, destaca que as exportações brasileiras de soja no fim de 2025 foram impulsionadas por compras incomuns da China, num movimento associado à guerra comercial com os Estados Unidos. Ele afirma:

“A China comprou muito mais soja do que compra normalmente do Brasil nesse período. Da última vez que isso aconteceu, o Brasil ganhou o mercado chinês. Acredito que deva acontecer de novo, mas não devemos repetir o recorde de 2025, porque a China tem se comprometido a voltar a comprar dos Estados Unidos, o que deve também impactar as exportações brasileiras.”

Valério também aponta que o cenário não favorece um ciclo de alta consistente em commodities, pois não se observa recuperação forte da demanda chinesa. Ele resume:

“Além disso não vemos uma demanda chinesa se recuperando de maneira significativa a ponto de gerar um ciclo de alta de commodities.”

Ou seja, mesmo com ganhos pontuais de mercado e volume, o Brasil pode enfrentar limites no preço médio das exportações, o que reduz a margem de ampliação do superávit.
Preços “mistos” e exportações aos EUA no radar após tarifaço

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, descreve o cenário de 2026 como de “preços mistos”, em que volumes devem determinar o desempenho. Segundo ela:

“Não sabemos de fato para onde eles vão e os volumes é que vão dominar a dinâmica.”

Benedito avalia que não há “pontos alarmantes” imediatos, mas considera que mudanças nas negociações com os Estados Unidos podem melhorar o desempenho comercial brasileiro. Ela observa que as exportações aos americanos foram muito afetadas em 2025 pela política tarifária do governo Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e que um eventual avanço nas tratativas pode trazer ganhos adicionais para 2026 e 2027.

A economista projeta uma trajetória de saldos crescentes: US$ 65 bilhões em 2025, US$ 68,4 bilhões em 2026 e US$ 76,4 bilhões em 2027, sinalizando que o setor externo pode seguir como um dos pilares de estabilidade macroeconômica nos próximos anos.
México eleva tarifas e aumenta risco para exportação brasileira

Outro fator novo no radar é a decisão do México de elevar tarifas de importação para produtos do Brasil, da China e de outros países sem acordo de livre comércio com os mexicanos. As novas tarifas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e, no caso brasileiro, atingem itens como automóveis e autopeças, têxteis e vestuário, calçados, eletrodomésticos, siderúrgicos, plásticos e móveis.

Valério avalia que a medida pode afetar especialmente a exportação brasileira de aço, adicionando um componente de risco ao superávit do próximo ano, sobretudo se o Brasil enfrentar uma sequência de barreiras comerciais em mercados relevantes.
UE-Mercosul pode ajudar, mas efeito tende a ser gradual

Entre os fatores positivos, economistas citam o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul, cuja expectativa é de assinatura em janeiro. O Inter considera o acordo benéfico, mas com impacto diluído ao longo do tempo, sem efeito imediato claro para 2026.

Em paralelo, o ambiente global é descrito como marcado por tendência de aumento de medidas de proteção tarifária, o que amplia incertezas para exportadores e reforça o peso das negociações diplomáticas e comerciais na formação do saldo brasileiro.
Importações devem seguir altas, mas podem perder fôlego

Do lado das importações, Castro, da AEB, prevê queda de 2,7% em 2026 em relação ao esperado para 2025, após três anos de crescimento puxado não apenas por preços, mas também por quantidade. Ele avalia que o impulso pode se esgotar: “Chegou a hora em que o fôlego acaba”.

Valério, por sua vez, vê uma possível desaceleração doméstica contribuindo para o superávit via redução das compras externas, mas ressalta que parte das importações é considerada produtiva, ligada a insumos, bens intermediários e equipamentos. Ele aponta que, especialmente se os juros caírem ao longo de 2026, a entrada de Investimento Direto no País (IDP) pode sustentar um nível de importação elevado.

O Inter estima superávit de US$ 63 bilhões em 2025 e de US$ 65 bilhões em 2026, sugerindo continuidade do cenário observado ao longo de 2025, com saldo alto, mas sem grandes saltos.
Superávit seguirá alto, mas com crescimento limitado

As projeções compiladas indicam ampla dispersão, com estimativas variando de US$ 43,5 bilhões a US$ 85 bilhões para 2026. A mediana, porém, aponta para um saldo forte e estável, sustentado por exportações ainda relevantes e importações que devem perder parte do impulso, mesmo permanecendo em patamar elevado.

Em síntese, o Brasil deve manter um superávit comercial importante em 2026, contribuindo para o equilíbrio do setor externo e oferecendo amortecedor em meio às incertezas globais. Ao mesmo tempo, o desempenho dependerá fortemente do comportamento das commodities, do ritmo da demanda chinesa e do avanço — ou recuo — de políticas protecionistas em parceiros estratégicos.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Inversão de papeis

Caso Master: Vorcaro e ex-presidente do BRB se contradizem em depoimento à PF, diz jornal

Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, apresentaram contradições em depoimentos à PF sobre fraudes na venda de carteiras de crédito; acareação dependerá de decisão da delegada responsável.

Terra, 30 dez2025- 21h18, (atualizado às 21h19)

Daniel Vorcaro, dono do Master, chega para o depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF)Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram contradições em seus depoimentos à Polícia Federal nesta terça-feira, 30. A informação é do Estadão/Broadcast e dá conta de que a condição das oitivas indica que uma acareação poderá ser necessária para esclarecer os fatos.

Os depoimentos são colhidos pela PF presencialmente, em uma sala no Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva de Vorcaro durou aproximadamente três horas e Costa foi ouvido em seguida pela delegada Janaína Palazzo, responsável pelo caso.

Depois, ocorrerá o depoimento de Ailton Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), o único dos três que não é investigado.

Inicialmente, o ministro do STF Dias Toffoli, relator do processo, determinou a realização da acareação antes da coleta dos depoimentos. Já na segunda-feira, 29, o STF determinou que a acareação só ocorrerá caso a delegada avalie que existam contradições entre as versões apresentadas.

Na acareação, os depoentes são colocados frente a frente para que as falas sejam confrontadas.
   Sede do Banco Master, em São Paulo       Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Vorcaro e Costa estão sob investigação da PF por irregularidades na venda de falsas carteiras de crédito consignado do Banco Master para o BRB por R$ 12,2 bilhões. Aquino, por outro lado, é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do banco para a diretoria colegiada do BC.

Ele e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, também informaram ao Ministério Público sobre indícios de fraude encontrados no banco de Vorcaro. O BC, por sua vez, decretou a liquidação do Master em 18 de novembro.

Vorcaro foi preso preventivamente em 17 de novembro, mas foi solto com tornozeleira eletrônica 12 dias depois, após receber um habeas corpus. Costa foi afastado da presidência do BRB após decisão judicial.

A investigação foi parar no STF após a apreensão de um documento em posse de Vorcaro que citava um deputado federal, revelou o Estadão.

O que você precisa saber sobre o Orçamento Secreto

O "orçamento secreto" foi criado no governo de Jair Bolsonaro em 2019, através de um projeto de lei (PL 51/2019) enviado ao Congresso que permitiu o uso das emendas de relator (RP9) para negociação política, com o objetivo de garantir apoio parlamentar, principalmente do Centrão, apesar de Bolsonaro ter vetado uma versão inicial, mas depois ter recuado e enviado outros projetos que recriaram o esquema, que envolvia a distribuição de verbas sem transparência e fiscalização efetiva.

REUTERS/Adriano Machado

O "orçamento secreto" foi um esquema de repasse bilionário de verbas públicas, via emendas parlamentares (RP9), caracterizado pela falta de transparência na identificação dos beneficiários e projetos, sendo usado por deputados e senadores para troca de apoio político, gerando suspeitas de corrupção e superfaturamento em obras e compras. Revelado pela imprensa e investigado pelo STF, que o considerou inconstitucional em 2022, o Congresso tentou criar brechas para mantê-lo, mas a polêmica persiste, com o Judiciário barrando novas tentativas de liberar esses recursos anonimamente.

Como Funcionava:

Emendas de Relator (RP9): O relator-geral do orçamento incluía despesas no projeto de lei orçamentária, que eram priorizadas pelo Executivo, mas sem identificação clara do parlamentar proponente
.
AnonimatoA autoria das emendas era oculta, com assinaturas atribuídas a líderes partidários ou "usuários externos", dificultando o controle social.

Troca de Apoio: Recursos eram direcionados a obras, compra de equipamentos e saúde, em troca de apoio político no Congresso, especialmente ao governo.

Principais Controvérsias:

InconstitucionalidadeO Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o mecanismo inconstitucional por violar princípios de transparência, impessoalidade e moralidade.

Corrupção e Desvio: Houve inúmeros casos de suspeitas de superfaturamento (como tratores) e desvio de verbas, resultando em investigações da PF e PGR.

Manutenção da Prática: Mesmo após a decisão do STF, o Congresso aprovou novas regras (emendas de comissão/bancada) que, na prática, recriaram a opacidade, gerando impasse e decisões judiciais para barrar esses repasses.

Situação Atual (2025):

O tema continua em disputa, com o STF e o governo buscando garantir a rastreabilidade e transparência dos recursos.

Houve um acordo entre governo, Congresso e STF para uma solução, mas a implementação ainda é complexa, e o judiciário segue suspendendo liberações de verbas ligadas a práticas do antigo orçamento secreto.

Emendas PIX e emendas individuais

Diferentemente do orçamento secreto, que foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2022, os recursos das "emendas individuais" são uma modalidade em que os autores das indicações são conhecidos, o que significa uma luz no fim do túnel.

Portanto as Emendas Pix são um tipo específico de Emenda Individual Impositiva, criadas pela Emenda Constitucional 105/2019. A diferença principal é que as "Emendas Pix" (ou Transferências Especiais) permitem a transferência direta e sem convênio para Estados e Municípios, sem finalidade definida inicialmente, o que gerou críticas por falta de transparência, enquanto outras emendas individuais têm finalidade mais específica ou exigem convênio.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Salários de professores no Brasil mostram disparidade de mais de R$ 8 mil entre estados

Levantamento aponta disparidades regionais que afetam motivação, concursos públicos e qualidade do ensino no país.

Portal de Prefeitura, 25 de dezembro de 2025 às 09:00 - Atualizado às 10:33
                         Professor em sala de aula Foto: José Cruz / Agência Brasil

O salário dos professores no Brasil, em 2025, revela um cenário desigual, com vencimentos que vão de menos de R$ 4 mil a mais de R$ 12 mil, dependendo do estado. Profissionais com jornada de 40 horas semanais e nível superior enfrentam realidades muito distintas, o que impacta diretamente a disputa por concursos públicos e a atração de novos talentos para a educação pública.

Segundo especialistas, essas diferenças estão ligadas à legislação estadual, orçamento local e políticas de valorização do magistério, além do ajuste do piso nacional, que em 2025 foi fixado em R$ 4.867,77 pelo Ministério da Educação (MEC), acima da inflação.

Estados com salários mais altos incentivam permanência e atraem talentos

No topo do ranking, Mato Grosso do Sul se destaca com salários iniciais para professores entre R$ 11.935 e R$ 12.381, incluindo benefícios, colocando a rede estadual entre as mais competitivas do país.

O Pará aparece em seguida, com salário base de R$ 8.289,87 e vale-alimentação de R$ 1.500, elevando a remuneração total próxima de R$ 9.700. Mato Grosso, Ceará e Rio Grande do Norte também oferecem vencimentos acima do piso, com valores entre R$ 6.400 e R$ 7.005, combinando salário e incentivos pedagógicos.

“Estados que investem em políticas salariais consistentes conseguem reter profissionais qualificados e melhorar a qualidade do ensino”, afirmam especialistas em educação.

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Salários medianos e desafios regionais

Estados como o Distrito Federal e São Paulo apresentam salários iniciais intermediários, acima do piso nacional, mas ainda abaixo dos líderes. No DF, os professores recebem mais de R$ 6.000, enquanto em São Paulo o valor médio gira em torno de R$ 5.565 para 40 horas semanais.

Já Minas Gerais cumpre o piso nacional com vencimentos próximos a R$ 4.800, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta dificuldades históricas para equiparar a remuneração ao mínimo legal, muitas vezes recorrendo a abonos temporários.
Impactos das diferenças salariais na carreira docente

A disparidade nos salários evidencia um dos principais desafios da educação pública no Brasil: a falta de uniformidade na remuneração. Enquanto alguns estados oferecem vencimentos mais de duas vezes o piso nacional, outros lutam para garantir o mínimo legal, afetando motivação e atração de novos profissionais.

Especialistas e sindicatos defendem que salários mais atrativos e harmonizados entre estados podem reduzir desigualdades, melhorar a qualidade do ensino e aumentar a competitividade da carreira docente. “Garantir remuneração justa e benefícios consistentes é fundamental para reter professores qualificados e fortalecer a educação no país”, afirmam.


Base teórica de sustentação das correntes do pensamento de esquerda.

E por falar em ideologia, muita gente, no Brasil, nessa década, fala muito a palavra ideologia, esquerda, direita, extremistas, conservador. Assim, nesta matéria, vamos focar a ideologia de esquerda, dando uma pequena contribuição a este assunto

*Anezio Ribeiro de Souza

A ideologia de esquerda não é um bloco monolítico, mas um espectro que engloba várias teorias, todas com o objetivo comum de promover maior igualdade social e combater as desigualdades.

Origem e Fundamentos Teóricos

Os termos "esquerda" e "direita" surgiram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII, quando os defensores de mudanças radicais (jacobinos) sentaram-se à esquerda do presidente da Assembleia Nacional, enquanto os defensores da manutenção do status quo (girondinos) sentaram-se à direita.

Teoricamente, a ideologia de esquerda é fortemente influenciada por pensadores como Karl Marx, Friedrich Engels, Mikhail Bakunin e Proudhon.

As principais teorias e conceitos subjacentes incluem:

Socialismo e Comunismo: Defendem a superação do capitalismo e a propriedade pública (ou coletiva) dos meios de produção, visando uma sociedade sem classes sociais.

Anarquismo: Algumas vertentes da esquerda radical propõem a supressão total do Estado e a organização social baseada na autogestão e cooperação voluntária.

Justiça Social e Igualdade: Um pilar central é a busca por políticas que redistribuam recursos e oportunidades para reduzir as disparidades sociais e econômicas.

Intervenção Estatal: Em geral, as teorias de esquerda defendem um papel mais ativo do Estado na economia e na provisão de serviços públicos (saúde, educação, segurança social) para garantir direitos e bem-estar à população.

Emancipação da Classe Trabalhadora: Foco na valorização do coletivo, dos direitos trabalhistas e na luta anti-imperialista e por inclusão de grupos marginalizados (minorias sociais, população LGBTQIA+, etc.).

Diversidade de Correntes

O pensamento de esquerda se fragmenta em múltiplas correntes teóricas e práticas, como: Esquerda Liberal/Social-Democracia: Busca reformas graduais dentro do sistema capitalista, combinando políticas de mercado com uma forte rede de proteção social (Estado de bem-estar social).

Socialismo Democrático: Defende a propriedade pública de serviços essenciais e mudanças estruturais por meio de processos democráticos, rejeitando modelos autoritários.

Esquerda Marxista Revolucionária: Advoga por uma revolução para substituir o sistema capitalista por um novo modelo de sociedade, muitas vezes baseando-se em teorias leninistas ou trotskistas.

Portanto, a ideologia de esquerda possui um conjunto rico e complexo de teorias que fundamentam suas diferentes propostas políticas e visões de mundo. Para aprofundar o entendimento dessas teorias, a obra "Direita e Esquerda: Definição e Justificação" de Norberto Bobbio é considerada uma leitura fundamental.

Anézio Ribeiro de Souza é Bacharel e Licenciado Pleno em Ciências Sociais (sociólogo), pela UFPA - Universidade Federal do Pará, com especialização em Ciência Politica. Foi professor da Rede Estadual de Educação do Pará, entre 1983 e 2016