segunda-feira, 12 de abril de 2021

FHC diz que governo Lula foi "época feliz" e afirma que poderá votar nele contra Bolsonaro

Pela primeira vez, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sinaliza a intenção de apoiar o ex-presidente Lula, num eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro. No entanto, ele ainda não desistiu da tentativa de criar uma "terceira via"

Brasil 247, 12/04/2021, 09:18 h Atualizado em 12/04/2021, 10:36
   Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma entrevista ao jornalista Cristiano Romero, do Valor, em que defendeu parcialmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dizer que seu governo foi uma "época feliz". FHC afirmou ainda que Lula pode atrair o chamado centro. "Bolsonaro é mais extremo que o Lula. Se não aparecer uma [terceira] candidatura, o Lula vai somar essa gente [que hoje faz oposição ao governo] para enfrentá-lo. O Lula é inteligente, pegou no ar, aprendeu. O que ele vai simbolizar? Não sei. O que foi que ele simbolizou com o governo? Foi uma época feliz da vida no Brasil. E a economia foi bem. Mas ele não vai simbolizar o que vão dizer que ele simboliza, que é o socialismo, o comunismo, o Lula vermelho", disse FHC.

FHC também afirmou que poderá votar em Lula num eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro. "No segundo turno, se ficar o Lula contra o Bolsonaro, não sei se o PSDB vai fazer isso... Se depender da minha inclinação, iria nessa direção, com muita dificuldade porque o Lula jogava pedra em mim", afirmou FHC, que disse ainda que não vai contribuir para transformar o ex-presidente num "fantasma".

Le Monde descortina bastidores da Lava Jato

Sob o título “No Brasil, o naufrágio da operação anticorrupção Lava Jato”, o jornal francês Le Monde mostra os motivos, os interesses e como a Lava Jato atendeu aos interesses geopolíticos e econômicos norte-americanos

Site do PT, 12/04/2021 09h11 - atualizado às 10h04

Um magistrado considerado “tendencioso”, às vezes ilegal e à sombra dos Estados Unidos: a maior operação anticorrupção da história do Brasil tornou-se seu maior escândalo jurídico. Meses de investigação foram necessários para que o “ Le Monde” traçasse o outro lado dessa cena.

Existe algo podre no Reino do Brasil. Todo o país é atingido por uma série de crises simultâneas, uma espécie de tempestade perfeita – recessão econômica, desastres ambientais, polarização extrema da vida política, Covid-19… A isso deve ser adicionado o naufrágio do sistema judicial. Um trovão adicional em um céu já pesado, mas carregado de esperança há sete anos, quando um jovem magistrado chamado Sergio Moro lançou, em 17 de março de 2014, uma vasta operação anticorrupção chamada “ Lava Jato”, envolvendo a gigante do petróleo Petrobras, construtoras e um número expressivo de lideranças políticas.

De uma só tacada, dizia-se, o requerente e sua equipe de investigadores, apoiados pelo judiciário e pela mídia, iam limpar e salvar o Brasil, finalmente! Foram emitidos 1.450 mandados de prisão, apresentadas 533 denúncias e 174 pessoas foram condenadas. Nada menos que 12 chefes ou ex-chefes de Estado brasileiros, peruanos, salvadorenhos e panamenhos foram implicados. E a colossal soma de 4,3 bilhões de reais (610 milhões de euros) foi recuperada dos cofres públicos de Brasília. Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adorado pela maioria de opinião, não resistiu à onda, e foi parar atrás das grades.

E então, de repente, quase nada. Em menos de dois meses, a extensa investigação desmoronou como uma explosão. No início de fevereiro, o Ministério Público Federal deixou estourar o anúncio do fim do “Lava Jato” , desmontando-a com uma frieza que não se conhecia sequer a principal equipe de promotores. Em seguida, um juiz do Supremo Tribunal Federal ordenou a anulação das acusações contra Lula. Quinze dias depois, em 23 de março, foi a vez da mais alta corte brasileira decidir que o juiz Moro foi “tendencioso” durante sua investigação.

Conversa entre Bolsonaro e Kajuru é “crime de responsabilidade gravado”, diz Orlando Silva

"É o maior escândalo político da República. O Presidente em pessoa liga para um Senador para cobrar que este mude o foco de uma CPI para investigar inimigos políticos e pautar impeachment de ministro do Supremo. É CRIME DE RESPONSABILIDADE GRAVADO!”, postou o deputado Orlando Silva nas redes sociais

Brasil 247, 12/04/2021, 09:24 h Atualizado em 12/04/2021, 09:24
  Orlando Silva (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado - 10.ago.2017)

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) usou sua conta no Twitter para afirmar que a divulgação do diálogo em que Jair Bolsonaro revela ao senador Jorge Cajuru (Cidadania-GO) revela a intenção de usar a CPI da Pandemia para perseguir governadores, prefeitos e ministros do STF é um “crime de responsabilidade gravado”.

“É o maior escândalo político da República. O Presidente em pessoa liga para um Senador para cobrar que este mude o foco de uma CPI para investigar inimigos políticos e pautar impeachment de ministro do Supremo. É CRIME DE RESPONSABILIDADE GRAVADO!”, escreveu o parlamentar na rede social.

Freixo: conversa entre Bolsonaro e Kajuru confirma mais um crime de responsabilidade

"Bolsonaro está morrendo de medo e tenta sabotar as investigações", diz ainda o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ)

Brasil 247, 12/04/2021, 05:36 h Atualizado em 12/04/2021, 05:43
  (Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados)

"A conversa entre Bolsonaro e Kajuru é a prova de mais um crime de responsabilidade do presidente, que tenta intervir no Legislativo e intimidar o STF. O objeto da CPI da Covid não pode ser modificado. Bolsonaro está morrendo de medo e tenta sabotar as investigações", escreveu o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), líder da minoria, em suas redes sociais.

Na conversa, Bolsonaro revela a intenção de usar a CPI da covid para perseguir governadores, prefeitos e ministros do STF.

Kajuru diz que avisou Bolsonaro da gravação 20 minutos antes de publicá-la

Com vinte minutos de antecedência, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) avisou a Jair Bolsonaro que publicaria nas suas redes sociais a conversa sobre a CPI da Covid que tivera com ele na véspera

Brasil 247, 12/04/2021, 08:10 h Atualizado em 12/04/2021, 08:57
Suplente de Kajuru está entre os candidatos mais ricos de Goiás 
(Foto: Câmara de Goiânia)

Com vinte minutos de antecedência, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) avisou ao presidente Jair Bolsonaro que publicaria nas suas redes sociais a conversa sobre a CPI da Covid que tivera com ele na véspera. A informação é do jornal Estado de S.Paulo.

“Avisei ele hoje 12h40, que a conversa nossa seria publicada a uma hora da tarde. E assim eu fiz”, disse Kajuru. Na conversa, Bolsonaro diz temer que CPI investigue só o governo federal e instrui o senador a incluir Estados e municípios.

De acordo com a reportagem, questionado se o presidente saberia que estava sendo gravado, o senador afirmou que Bolsonaro conversou “sabendo que a conversa poderia ir ao ar”, como já fez “seis, sete, oito vezes” antes.

Grampo de Kajuru complica Bolsonaro e Flávio vai levá-lo ao conselho de ética

Flávio Bolsonaro alega que o senador Jorge Kajuru quebrou o decoro parlamentar ao divulgar uma conversa mantida com Jair Bolsonaro. No diálogo, Bolsonaro revela a intenção de usar a CPI da Pandemia para perseguir governadores, prefeitos e ministros do STF

Brasil 247, 12/04/2021, 10:32 h Atualizado em 12/04/2021, 10:51
   Flávio Bolsonaro (Foto: Beto Barata - Agência Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)irá ingressar com uma representação contra o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) junto ao Conselho de ética do Senado. Flávio deverá alegar que Kajuru precisa ser punido por quebra de decoro parlamentar, por ter tornado pública uma conversa mantida com Jair Bolsonaro. A informação é da coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo.

No diálogo, divulgado pelo próprio Kajuru nas redes sociais, Bolsonaro incorre em crime de responsabilidade ao revelar a intenção de usar a CPI da Pandemia, cuja abertura pelo Senado foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, para perseguir governadores, prefeitos e ministros do STF.

Kajuru manda recado a Kassio Nunes: "sabemos o seu preço"

Após divulgar uma gravação em que Jair Bolsonaro revela a intenção de interferir nos rumos da CPI da Covid, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) mandou um recado a Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Bolsonaro ao STF. "Kassio, nós sabemos seu preço", tuitou

Brasil 247, 12/04/2021, 08:50 h Atualizado em 12/04/2021, 08:57
Senador Jorge Kajuru e o ministro do STF Kassio Nunes Marques 
(Foto: Geraldo Magela - Ag. Senado - STF)

O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) mandou um recado a Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Kassio, nós sabemos seu preço", tuitou, compartilhando uma reportagem da revista Época que sinaliza que o magistrado seria o único contra a instalação da CPI.

Kassio Nunes vem sendo algo de duras críticas por ter liberado a realização de cultos e missas diante da maior crise sanitária da história do País, enquanto outros ministros da Corte posicionaram-se contra a medida.

O parlamentar divulgou uma conversa em que Jair Bolsonaro pretende interferir nos rumos da CPI da Covid, para perseguir ministros do STF, governadores e prefeitos.


Ainda no Twitter, Kajuru compartilhou uma entrevista de Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Para o ex-ministro da Saúde, a CPI "vai pegar fogo". "Como se fosse um posto de gasolina", acrescentou o senador.

domingo, 11 de abril de 2021

Leia a íntegra da reportagem que demonstra como Moro quebrou o Brasil e trabalhou para os Estados Unidos

Reportagem do Le Monde revela como o ex-juiz Sergio Moro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por parcialidade, trabalhou para empobrecer o Brasil

Brasil 247, 11/04/2021, 10:48 h Atualizado em 11/04/2021, 10:59
  Sérgio Moro (Foto: Lula Marques/AGPT)

Na edição de sábado (10), o jornal francês Le Monde destacou como a Operação Lava Jato, chefiada pelo procurador Deltan Dallagnol e orientada pelo ex-juiz Sergio Moro, declarado pelo Supremo Tribunal Federal como parcial, agiu para destruir o Brasil e beneficiar os Estados Unidos.

INVESTIGAÇÃO 

Um magistrado considerado "tendencioso", às vezes ilegal e à sombra dos Estados Unidos: a maior operação anticorrupção da história do Brasil tornou-se seu maior escândalo jurídico. Meses de investigação foram necessários para que o "Le Monde" traçasse o outro lado dessa cena.

Por Gaspard Estrada e Nicolas Bourcier

Existe algo podre no Reino do Brasil. Todo o país é atingido por uma série de crises simultâneas, uma espécie de tempestade perfeita – recessão econômica, desastres ambientais, polarização extrema da vida política, Covid-19... A isso deve ser adicionado o naufrágio do sistema judicial. Um trovão adicional em um céu já pesado, mas carregado de esperança há sete anos, quando um jovem magistrado chamado Sergio Moro lançou, em 17 de março de 2014, uma vasta operação anticorrupção chamada “Lava Jato”, envolvendo a gigante do petróleo Petrobras, construtoras e um número expressivo de lideranças políticas.

“Governo Bolsonaro está crivado de nazistas”, diz Michel Gherman

“O bolsonarismo é baseado em afetos de extrema direita e em supremacismo branco, com referências identitárias muito fortes do nazismo”, explicou à TV 247 o professor da UFRJ. 

Brasil 247, 9/04/2021, 19:38 h Atualizado em 9/04/2021, 19:51
  Michel Gherman (Foto: Reprodução | Agência Brasil)

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Gherman afirmou à TV 247 que o governo Jair Bolsonaro “está crivado de nazistas” e repleto de referências históricas que remetem à Alemanha nazista e ao supremacismo branco.

Esta é, segundo ele, a base do bolsonarismo, e não se trata de cortina de fumaça. “O bolsonarismo é baseado em afetos de extrema direita e em supremacismo branco, com referências identitárias muito fortes do nazismo, muito forte. Essas referências surgiram ainda na candidatura de Bolsonaro, e aquela coisa de ‘cortina de fumaça’ é bobagem, aquilo é a base do bolsonarismo. O bolsonarismo sabe que a extrema direita mobiliza as massas, e ele mobilizou as massas enquanto a gente estava achando que aquilo não passava de palhaçada de circo”.

Para se desvencilhar de Bolsonaro e sua política nazista, de acordo com o professor, outros setores da sociedade política precisam entender que é necessário dialogar com o centro e com os eleiores do atual governo que não são nazistas ou bolsonaristas e que fizeram a escolha errada em 2018 por outros motivos que não o alinhamento ideológico com o atual governo. Além disso, se faz necessário também estabelecer diálogo com os religiosos. “A única alternativa que a gente tem hoje é dialogar com o centro para entender que para você ser antinazista você não precisa ser de esquerda. O nazismo é uma ameaça à civilização, é uma ameaça civilizatória. Esse é o debate que tem que ser feito, tem que ser feito com o centro político e com as igrejas neopentecostais. A única maneira de derrotar o fascismo e evitar o desastre, que já acontece mas pode ser de proporções inimagináveis, é dialogar com os eleitores de Bolsonaro que o fizeram com medo da esquerda”.

Procurador da Lava Jato, que derrubou Dilma e abriu caminho para Bolsonaro, agora pede impeachment (vídeo)

Segundo Carlos Fernando dos Santos Lima, Bolsonaro "é o principal responsável pelo número de mortes nesta pandemia. Manaus é culpa dele. Nós não temos vacina por culpa dele"

Brasil 247, 11/04/2021, 12:14 h Atualizado em 11/04/2021, 12:39
  Carlos Fernando dos Santos Lima (Foto: Reprodução)

O ex-procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima, que atuou na Operação Lava Jato ao lado do procurador Deltan Dallagnol e do ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou apoio ao impeachment de Jair Bolsonaro.

Em vídeo publicado pelo Congresso em Foco neste domingo (11), Carlos Fernando dos Santos Lima culpa Bolsonaro pelo caos sanitário em que se encontra o Brasil. O ex-procurador também afirma categoricamente que Bolsonaro cometeu "crimes de responsabilidade". "Destruiu o combate à corrupção, aparelhou órgãos de Estado para defender seus filhos e, principalmente, é o principal responsável pelo número de mortes nesta pandemia. Manaus é culpa dele. Nós não temos vacina por culpa dele".

O curioso é que a Lava Jato foi a grande responsável pelo golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, que representou uma das maiores rupturas democráticas do país. Além disso, a força-tarefa perseguiu o ex-presidente Lula e o deixou de fora da eleição de 2018, abrindo caminho para Bolsonaro.

Para Carlos Fernando Santos já passou da #HoradeJairEmbora.
Junte-se a nós também! #ChegadeMortes https://t.co/nFwmksgdLs pic.twitter.com/AuCdZEujIQ— Congresso em Foco (@congressoemfoco) April 11, 2021