quarta-feira, 29 de julho de 2020

Justiça aceita denúncia e Serra e filha viram réus por lavagem de dinheiro

A Justiça aceitou a denúncia da força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal em São Paulo. Ele foi denunciado no dia 3 de julho, quando foi alvo da Operação Revoada, que fez busca e apreensão na residência do tucano

Brasil 247, 29/07/2020, 19:04 h Atualizado em 29/07/2020, 19:36
  José Serra (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O senador e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) e sua filha, Verônica Serra, viraram réus na Justiça Federal sob acusação de lavagem de dinheiro transnacional, nesta quarta-feira, 29. 

A Justiça aceitou a denúncia da força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal em São Paulo. Ele foi denunciado no dia 3 de julho, quando foi alvo da Operação Revoada, que fez busca e apreensão em sua residência.

A operação apontou que José Serra (PSDB) recebeu da Odebrecht mais de R$ 23 milhões para liberar créditos frente à Dersa em 2009 e 2010. O tucano também recebeu R$ 4,5 milhões entre 2006 e 2007 para gastos de campanhas ao governo estadual.

De acordo com as investigações, o ex-chefe do Executivo paulista desviou dinheiro durante a construção do Rodoanel. Ele teria usado o cargo para receber da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras. 

O ex-governador usou uma offshore para esconder o dinheiro. Segundo as apurações, Verônica Serra, filha do ex-governador, constituiu empresas no exterior, ocultando nomes, para receber pagamentos destinados ao tucano pela construtora.

Flávio Dino defende Lula e critica Moro: “estava contaminado com visões partidárias”

"Nós não tivemos um processo de acordo com a lei. Ele não serve de elemento de análise. Um juiz totalmente contaminado com visões partidárias e ideológicas", afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino, ao criticar a sentença de Sérgio Moro contra Lula no processo do triplex em Guarujá (SP)

Brasil 247, 29/07/2020, 15:51 h Atualizado em 29/07/2020, 17:03
   Flávio Dino, Lula e Sérgio Moro (Foto: Brasil 247 | Abr)

Potencial candidato a presidente da República em 2022, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou a condenação do ex-juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do triplex em Guarujá (SP). 

"Nós não tivemos um processo de acordo com a lei. Ele não serve de elemento de análise. Um juiz totalmente contaminado com visões partidárias e ideológicas. Imagina um árbitro de futebol que vai confraternizar com o time vencedor após a partida", disse o chefe do Executivo maranhense durante entrevista com o jornalista Marco Antonio Villa.

De acordo com o governador, ex-juiz federal, Moro "conduziu um processo de modo muito destoante das regras jurídicas" e "contaminou" outras instâncias. "O TRF-4, no qual eu conheço pessoalmente todos os personagens porque fui juiz federal, infelizmente também foi contaminado pelo chamado ‘direito excepcional’ do processo penal do espetáculo. O processo do triplex é altamente contaminado. Analisei ele página por página", continuou.

Moro condenou Lula sem provas no processo do triplex em Guarujá (SP). O ex-presidente foi acusado de ter recebido um apartamento como propina da OAS em contrapartida de contratos da empreiteira com a Petrobrás. Ele nunca dormiu nem tinha a chave do apartamento. 

Ao apresentar a denúncia em setembro de 2016, o procurador Henrique Pozzobon admitiu que não havia "provas cabais" de que Lula era o proprietário do imóvel. 

Uma reportagem do Intecept Brasil, publicada no ano passado, apontou que o procurador Deltan Dallagnol duvidava da existência de provas contra Lula. Outra publicação revelou que procuradores fizeram o possível para impedir entrevista do ex-presidente antes do segundo turno da eleição presidencial de 2018, quando o Supremo Tribunal Federal acatou o pedido de entrevista do jornal Folha de S.Paulo.

Flávio Dino ainda considerou os governos Lula e Dilma como um "ciclo de muitas vitórias". "Esse ciclo que nós conduzimos, nós participamos. O meu partido participou. Eu participei pessoalmente como deputado federal no primeiro governo Dilma. Foi um ciclo de muitas virtudes, muitas vitórias, muitos méritos. Conjugamos democracia política, crescimento econômico e distribuição de renda", disse.

"O ex-presidente Lula e a ex-presidenta Dilma fizeram muita coisa. Talvez tenha faltado mostrar tudo que foi feito e isso resultou nessa concepção errada de que esses governos tenham sido tolerantes com a corrupção e isso resultou no fortalecimento da extrema-direita", acrescentou. 

Eleições

Ao comentar sobre as eleições de 2022, o governador afirmou que vê um cenário "menos fragmentado que o das eleições municipais desse ano". "Não acho que teremos candidatura única, nem no campo da esquerda nem no campo da direita. Eu acho que na direita você tem o Bolsonaro – que só pensa em reeleição – e segmentos de ‘centro-direita’. Acho que teremos dissidência", disse.

"Do lado de cá acho que temos que agregar ao máximo, diminuir a conflituosidade e as arestas. Nossas arestas impediram união no segundo turno de 2018, facilitando a vitória de Bolsonaro. Espero que, caso não haja uma candidatura única, que a gente consiga um diálogo que permita uma união no segundo turno que permita que consigamos vencer as eleições", acrescentou.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Boff: "Bolsonaro tem as características do Anticristo"

"Temos de nos indignar"!

Conversa Afiada, 28/07/2020
  (Guilherme Santos/Sul21)


Tutaméia - “O país é governado por alguém que tem as características do Anticristo, um espírito inimigo da vida, inimigo de tudo que é bom”, diz o teólogo LEONARDO BOFF, escritor e professor emérito de ética, filosofia da religião e ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Em entrevista ao TUTAMÉIA, ele diz não é mais possível tolerar que “em um país como um nosso, que tem uma população tão sofrida, se coloquem ainda mais cruzes sobre ela”.

Boff denuncia o ataque de Bolsonaro às populações indígenas, sua política antipovo e que prejudica as comunidades mais carentes, especialmente durante a pandemia. E afirma que está nascendo uma nova consciência na humanidade, que diz que o mundo e o Brasil, assim como estão, não podem continuar, porque é perverso demais.

Por isso, ele conclama as mulheres e os homens de bem: “Temos de nos indignar, não aceitar o que está aí, mas mais do que tudo temos que ter a coragem de resistir, de ir à rua. Não acreditar nas fake News, criar grupos de reflexão de articulação, sermos solidários para com todas aquelas famílias que perderam seus entres queridos, apoiar os médicos, enfermeiros que sacrificam suas vidas. Ter a coragem de alimentar essa dimensão de luz em nós e a coragem de ir à rua para destituir esse homem, porque esse é a maior pedra que caiu sobre a população brasileira. Temos que transformá-la na base de um novo tipo de Brasil, generoso, cordial, hospitaleiro e que celebra a beleza e a grandeza da vida”.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Em carta, 152 bispos dizem que Bolsonaro é incapaz de enfrentar a crise

Governo defende uma "economia que mata"

Conversa Afiada, 27/07/2020
     (Carolina Antunes/PR)

Uma carta com fortes críticas ao governo de Jair Bolsonaro foi assinada por 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos do Brasil. Ela seria publicada na quarta-feira 22/VII, mas foi suspensa até análise do conselho permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O texto, chamado de "Carta ao Povo de Deus", foi obtido pela coluna de Monica Bergamo na Folha de S.Paulo. No documento, os bispos afirmam que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, vivendo uma "tempestade perfeita": uma crise sem precedentes na saúde e um "avassalador colapso na economia" com a tensão sobre "fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República [Jair Bolsonaro] e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança".

" Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises", diz o texto.

Leia, a matéria, na íntegra, acessando o link :

Deputada Rejane Dias, do Piauí, tentou ser ouvida, mas PF ignorou e preferiu operação, mostram emails

Série de emails trocados entre advogados da parlamentar e a delegada Milena Caland mostram que Rejane Dias (PT) tentou prestar esclarecimentos durante cinco meses, mas a PF preferiu operação espetacularizada no Piauí

Brasil 247, 27/07/2020, 18:14 h Atualizado em 27/07/2020, 19:23
   (Foto: Agência Câmara | Divulgação/ Polícia Federal)

A deputada federal Rejane Dias (PT), alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 27, tentou ser ouvida pela PF há mais de cinco meses mas não teve êxito. É o que mostra uma série de emails trocados entre advogados da parlamentar e a delegada da Polícia Federal Milena Caland. 

A PF cumpriu mandados no gabinete de Rejane em Brasília e na casa dela em Teresina, numa ação contra supostos superfaturamentos em contratos da Secretaria de Educação, quando a 

parlamentar foi secretária estadual de educação do Piauí, durante três períodos entre os anos de 2015, 2016 e 2017. 

Nas mensagens eletrônicas, os advogados mostram que a deputada se coloca à inteira disposição para prestar esclarecimentos, informando inclusive várias datas que poderiam ser utilizadas para uma sessão.

As tentativas duraram vários meses, sendo a mais recente já no dia 22 de julho. Nos e-mails, fica claro que os advogados também fizeram contatos por telefone, mas sem êxito. No dia 19 de fevereiro, um advogado faz referência ao contato telefônico e sugere o dia 12 de março para uma audiência em Brasília. A delegada da PF, Milena Caland, responde no dia seguinte confirmando ciência do pedido e prometendo confirmar a data ou propor uma nova. 

Além de Rejane Dias e do irmão dela, Rogério Ribeiro, foram alvos da operação servidores da cúpula da Secretaria de Educação do Piauí e pessoas que agiam como intermediários entre esses servidores e empresários do setor de transporte escolar. Segundo a PF, o governador Wellington Dias não é um dos investigados.

Confira, abaixo, a troca de emails.


Dino propõe a Bolsonaro reunião com governadores e Pacto Nacional pelo Emprego

Um dos principais nomes da oposição, o governador do Maranhão enviou ofício a Jair Bolsonaro após o anúncio de que o desemprego, que está em 12,9%, irá subir ainda mais no segundo semestre

Brasil 247, 27/07/2020, 16:24 h Atualizado em 27/07/2020, 17:08
              Jair Bolsonaro e Flávio Dino (Foto: PR | LULA MARQUES)

O governador Flávio Dino (PCdoB) enviou nesta segunda-feira, 27, um ofício a Jair Bolsonaro propondo uma encontro com governadores, presidentes de confederações empresariais e centrais sindicais para discutir a criação de “Pacto Nacional pelo Emprego”. 

Um dos principais nomes da oposição ao governo, Dino defende a criação de medidas imediatas de geração de emprego e renda. O governador maranhense se manifestou após declaração do secretário de Política Econômica do Governo Federal, Adolfo Sachsida, alertando que o desemprego, que ficou em 12,9% em junho, irá crescer ainda mais no segundo semestre.

"Neste encontro, também seria de extrema importância a apresentação de propostas para proteção dos pequenos e microempresários, assim como um plano de obras públicas, indispensável para recolocar o país no rumo do crescimento", diz Dino no ofício a Bolsonaro. 


Leia o documento na íntegra:


Governador do Piauí reage à operação da PF: "Mais um espetáculo em nome de investigação"

Governador do Piauí, Wellington Dias, reage à operação da PF desfechada contra ele e sua família na manhã desta segunda-feira e qualifica a ação de "ridícula". Em nota, o chefe do Executivo criticou "mais um espetáculo" da corporação. "Enfatiza-se que, infelizmente, muitos espetáculos ainda poderão acontecer", porém, disse ele, "existe a lei de abuso de autoridade"

Brasil 247, 27/07/2020, 10:07 h Atualizado em 27/07/2020, 12:36
Governador do Piauí, Wellington Dias (Foto: Divulgação)

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), reagiu à operação da Polícia Federal deflagrada contra à sua gestão - trata-se de uma ostensiva do governo Jair Bolsonaro em cima de governos estaduais. "O governador classifica a operação como mais um espetáculo e destaca que a vida toda ele e sua família sempre agiram respeitando as leis e as instituições", diz a nota.

Sobre a Operação Topic, o chefe do Executivo estadual destacou "que as investigações são contra empresas e referentes a contratos do ano de 2013, quando ele não era governador do estado, portanto, não tem nenhuma relação com a investigação, bem como nenhum membro da sua família". 

"Enfatiza-se que, infelizmente, muitos espetáculos ainda poderão acontecer, mas ressalta que existe a lei de abuso de autoridade para que casos como este não aconteçam indiscriminadamente", acrescentou.

Leia a íntegra da nota:

O governador Wellington Dias repudia a forma como se deu a operação da Polícia Federal na manhã dessa segunda (27) em sua casa onde, atualmente, mora seu filho e família, que nunca tiveram nenhuma função no estado. Seu filho é médico e trabalha na linha de frente do combate ao coronavírus, e desde março o governador mantem distanciamento recomendado pelas instituições de saúde. O governador classifica a operação como mais um espetáculo e destaca que a vida toda ele e sua família sempre agiram respeitando as leis e as instituições.

Sobre a Operação Topic, o governador esclarece que as investigações são contra empresas e referentes a contratos do ano de 2013, quando ele não era governador do estado, portanto, não tem nenhuma relação com a investigação, bem como nenhum membro da sua família.


Uma operação nestes moldes se torna desproporcional e desnecessária já que estamos falando de um fato de 2013, anterior à sua gestão, e em um processo em que a ex-secretária da Educação, hoje deputada federal, prontificou-se a colaborar por duas vezes nos últimos meses, colocando-se à disposição para esclarecimentos, bem como para repassar todo e qualquer documento ou equipamento necessário, conforme registrado por e-mails.

O governador ressalta que o Estado é vítima e o maior interessado na resolução desta questão e irá trabalhar para que tudo seja plenamente esclarecido. Enfatiza-se que, infelizmente, muitos espetáculos ainda poderão acontecer, mas ressalta que existe a lei de abuso de autoridade para que casos como este não aconteçam indiscriminadamente.

Por fim, é necessário prudência para que ninguém seja acusado injustamente e nem incriminado sem o pleno direito de defesa.

Veja agora a matéria publicada pelo Brasil 247 sobre o assunto: 

A Polícia Federal fez buscas na casa do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), no gabinete da primeira-dama e deputada Rejane Dias (PT), em Brasília, em empresas e na casa do irmão da deputada, e na sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em Teresina. Ação integra ofensiva prometida pelo governo Bolsonaro contra governadores de oposição.

De acordo com a PF, servidores públicos e empresários teriam se associado para superfaturar contratos de transporte escolar. Em nota, a Seduc afirmou que está "colaborando plenamente com a investigação em curso da Polícia Federal e sempre se colocou à total disposição dos órgãos de controle para esclarecer quaisquer questionamentos, visando a transparência e o correto funcionamento da administração pública". Os relatos foram publicados no portal G1

A deputada Rejane Dias disse que "recebe com tranquilidade os desdobramentos da referida Operação" e que está à disposição para esclarecer o caso. "Durante seu exercício à frente da Secretaria de Educação, a parlamentar sempre se portou em observância às Leis, tendo em vista a melhoria dos índices educacionais e a ampliação do acesso à educação dos piauienses".

Segundo a PF, entre 2015 e 2016, servidores da cúpula administrativa da Seduc teriam se associado a empresários do setor de locação de veículos e desviado, no mínimo, R$ 50 milhões de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE).

sábado, 25 de julho de 2020

Elon Musk confessa participação no golpe na Bolívia e diz que golpeará quem for necessário

Dono da Tesla reagiu à crítica de que atuou no golpe que derrubou Evo Morales, para ter acesso às maiores reservas de lítio do mundo, e disse que dará quantos golpes forem necessários

Brasil 247, 25/07/2020, 11:39 h Atualizado em 25/07/2020, 13:15
     Elon Musk, da Tesla

Após ser criticado por envolvimento por golpe na Bolívia, o bilionário Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, publicou no Twitter afirmando que dará “golpe em que quiser. Lidem com isso!”. 

O CEO da Tesla e da SpaceX estava reagindo a um comentário de um seguidor afirmando que não é do interesse do povo norte-americano “o governo dos EUA organizando um golpe contra Evo Morales na Bolívia" para que ele "possa obter lítio”.

“Mais de 50% dos depósitos de lítio globais se encontram no ‘Triângulo do Lítio’ - com fontes do material concentradas na Argentina, Bolívia e Chile. Os desertos montanhosos da Bolívia – o Salar de Uyuni – têm de longe as maiores reservas conhecidas”, segundo reportagem do Brasil de Fato.

O ex-presidente golpeado Evo Morales denunciava, quando estava no poder, que o lítio não deveria ser vendido a multinacionais. Após o golpe, a tendência, como acenou o candidato a vice da atual presidente usurpadora Jeanine Áñez, é a abrir as portas para que empresas como a Tesla explorem o recurso no país.

O empresário boliviano Samuel Doria Medina, candidato a vice de Áñez, defendeu, com a possível vinda da Tesla para a América do Sul, a construção de "uma gigante fábrica no Salar de Uyuni para fornecer baterias de lítio”.

TSE da Bolívia tenta salvar Añez e adia novamente eleições no país


Brasil 247, 24/07/2020, 17:44

Operamundi - Atendendo à solicitação da autoproclamada presidente Jeanine Ánez, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia anunciou oficialmente, nesta quinta-feira (23), o adiamento das eleições presidenciais e do parlamento bicameral previstas para 6 de setembro. 

O pleito que já havia sido adiado do início de abril para setembro, agora foi remarcado para 29 de novembro, conforme afirmou o presidente do TSE, Salvador Romero, indicado por Áñez. 

A alegação utilizada é de que a decisão obedece a “informes médicos” que alertam que a pandemia de coronavírus — a mesma que não foi combatida pelo governo que busca vencer nas urnas — terá seu auge entre o final de agosto e o começo de setembro.

Desta forma, figuras como Luis Fernando Camacho e Jorge Quiroga, que participaram com a polícia e as Forças Armadas do assalto à presidência, matando dezenas de bolivianos, levando centenas à prisão e resultando na partida de Evo Morales para o exílio, se somaram a Áñez na empreitada.

O ex-presidente Evo, coordenador da campanha do ex-ministro da Economia, Luis Arce Catacora, candidato do MAS-IPSP (Movimento Ao Socialismo – Instrumento Político para a Soberania dos Povos), havia alertado horas antes do comunicado do TSE para o significado de uma nova postergação.

“Um adiamento da data das eleições somente prejudicará o povo pela ingovernabilidade em que se observa a pandemia, sem nenhum controle e a crise econômica”, frisou. A declaração tinha sido feita logo após a divulgação de uma pesquisa em que 72% dos bolivianos manifestaram que pretendiam votar em 6 de setembro.
"Adiamento ilegal e inconstitucional"

Na avaliação de Evo, o novo adiamento é “ilegal e inconstitucional”. “As leis 1297 e 1304 determinam os prazos para que as eleições se realizem. O único órgão de Estado que pode modificar este prazo é a Assembleia Legislativa Plurinacional”, acrescentou em suas redes sociais. 

Para Evo, o governo Áñez “quer ganhar mais tempo para continuar com a perseguição a dirigentes sociais e contra candidatos do MAS-IPSP (Movimento Ao Socialismo - Instrumento Político para a Soberania dos Povos)”, justamente no momento em que o seu candidato à presidência lidera por ampla margem todas as pesquisas de intenção de voto.

“Acredito que, a esta altura, o governo golpista se utiliza de todas as estratégias possíveis para tentar ganhar tempo a fim de desgastar a imagem de Luis Arce e barrar o amplo crescimento da sua candidatura”, denunciou o pesquisador e cientista social Porfirio Cochi. Na avaliação do estudioso boliviano, “o adiamento é uma clara manifestação de desespero, além de descompromisso com a democracia”.

Ex-chefe das Rádios dos Povos Originários (RPOs) do Ministério da Comunicação do governo Evo, Dolores Arce alerta que também estão buscando inabilitar a candidatura e anular a sigla do MAS por meio de uma equivocada interpretação de uma lei eleitoral, na qual não poderia haver sido divulgada uma pesquisa interna.

“Querem inventar um delito eleitoral onde não existe e, ao mesmo tempo, postergar as eleições para que não tenham rivais. Temos que lembrar que Salvador Romero, do TSE, foi nomeado por Áñez e o filho [dela] é sua mão direita. Há poucos dias todos os partidos de direita e os chamados Comitês Cívicos, liderados por grandes empresários, se somaram à mídia golpista para manipular e pressionar pelo retrocesso, como se fosse uma expressão de todos”, sublinhou Dolores, também ex-diretora-executiva do Centro de Educação e Produção Radiofônica da Bolívia (Cepra).

Considerando as pesquisas divulgadas esta semana, o especialista em opinião pública Julio Córdova concluiu que o MAS pode repetir sua votação de outubro do ano passado (47%), ganhando o pleito ainda no primeiro turno.

Estados rejeitam cloroquina doada por Trump e estoque de remédio vai para o Exército

O Brasil não tem o que fazer com os comprimidos de cloroquina que vêm sendo foco da propaganda constante de Jair Bolsonaro

25 de julho de 2020, 05:38 h Atualizado em 25 de julho de 2020, 06:23
(Foto: REUTERS/Adriano Machado)

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Comprimidos de hidroxicloroquina doados ao Brasil pelo governo dos Estados Unidos e por um laboratório foram enviados ao laboratório do Exército, depois que os secretários estaduais de Saúde se posicionarem contra o uso do medicamento mediante estudos que demonstram falta de eficácia contra a Covid-19 e registro de efeitos adversos.

A doação norte-americana foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro no final de maio, depois de uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil pediu ajuda dos EUA para combate à epidemia do novo coronavírus e recebeu a promessa do envio do medicamento, que é defendido por ambos os líderes para tratar a Covid-19, apesar da falta de comprovação de eficácia em diferentes estudos.

No entanto, a maior parte dos governos estaduais não chancela o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19 e os secretários estaduais rejeitaram uma tentativa do governo federal de repassar aos Estados os custos para fracionar e reembalar os comprimidos, o que provocou um impasse.

O Ministério da Saúde afirmou nesta sexta-feira que os comprimidos doados —dois milhões enviados pelo governo norte-americano e um milhão pelo laboratório Novartis— foram enviados em parte ao laboratório do Exército, que já havia aumentando a produção própria de cloroquina a pedido de Bolsonaro.