quinta-feira, 3 de março de 2016

Saudade: 20 anos sem Mamonas Assassinas

O início dos anos 90 definitivamente ficou marcado, entre outras coisas, pela criação de uma das bandas de maior sucesso, no Brasil todo. Marcados pelo bom humor e muito, mas muito carisma, os integrantes do grupo Mamonas Assassinas continuam, até hoje, mesmo após uma morte bem trágica, na mente e no coração dos “órfãos” fãs.

Neste contexto, nesta quarta-feira (2) tem tudo para ser de muitas lembranças e saudade para os admiradores, amigos e familiares de Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli, já que fazem exatamente 20 anos que os artistas morreram, em um acidente aéreo na cidade de São Paulo, em pleno auge de sua carreira, iniciada em 1990.

No próximo sábado (5), inclusive, o vocalista Dinho completaria seus 45 anos de idade e a data também acabou sendo um motivo a mais para que as lembranças dos artistas fluíssem na mente de seus grandes admiradores.

O início

Depois de várias conversas e ideias, que tiveram como principal cenário a periferia de Guarulhos, os cinco jovens, cheios de sonhos, principalmente de viverem exclusivamente da música, decidiram formar uma banda, que, inicialmente, recebeu o nome de Utopia e se tornou bem conhecida no próprio município paulista.

Com um estilo debochado de se apresentar e músicas com letras super divertidas, o grupo começou, como vários de seus colegas, com uma agenda de shows não tão lotada, mas, em questão de poucos meses, foram vendo o sucesso começar a aparecer, além de notarem que precisavam dar uma mudada no nome da banda, para acompanharem tamanha repercussão.

Mesmo ainda com uma guitarra bem marcante em seu som, os figurinos dos músicos passaram a ficar mais divertidos, combinando perfeitamente com o novo nome escolhido para o grupo: Mamonas Assassinas, duas palavrinhas que não saem da cabeça das pessoas, em que devem permanecer por muito, muito tempo ainda.

Fama e sucesso

Tamanho talento e determinação em alcançar o topo das paradas musicais despertou a atenção do renomado produtor musical Rick Bonadio, que aceitou o desafio de ajudar os meninos a buscarem uma gravadora que também topasse ajudá-los.

Depois de perceber que a música dos Mamonas tinham chamado a atenção do filho, Rafael, e poderia vir a ser aprovada por vários outros adolescentes, o diretor João Augusto Soares, da empresa EMI, convidou o grupo para entrar para seu seleto time, já com planos em mente, inclusive, da gravação de um primeiro disco.

Mesmo com apenas uma semana para a composição de mais hits, após a assinatura do contrato, Dinho e seus companheiros pareceram não ficar com medo de tanta responsabilidade e não só cumpriram o combinado, como também foram até os Estados Unidos para finalizarem seu primeiro CD, intitulado de Mamonas Assassinas, que já foi lançado batendo vários recordes, principalmente por conter o sucesso Vira-Vira.

Além dos diversos shows que passaram a ser marcados, cada vez em maior quantidade, por todo o Brasil, os novos artistas também eram muito requisitados pelos mais conhecidos apresentadores de televisão, como Fausto Silva e Silvio Santos, e contavam com um avião fretado para darem conta de tantos compromissos. Só não imaginavam que tal meio de transporte poderia colocar um ponto final definitivo em suas carreiras.

Morte trágica

O que era para ser um dia de ainda mais alegrias, principalmente por anteceder a viagem para Portugal, que abriria as portas do mercado internacional para os Mamonas, acabou ficando marcado por uma tragédia. No dia 2 de março de 1996, depois de embarcarem em um jatinho, para um último show em Brasília, antes da saída para a Europa, os jovens acabaram morrendo, após o avião se chocar com a Serra da Cantareira, também em São Paulo.

Em questão de apenas alguns instantes, o Brasil inteiro já havia parado, mesmo em pleno fim de semana, para conferir a cobertura completa do acidente fatal, que acabou com a história que prometia render ainda mais sucesso para a banda, feita por diversas emissoras de televisão, que fizeram questão de obter detalhes ao vivo do ocorrido.

Vale lembrar que, conforme foi revelado na época do acidente, no mesmo dia de sua morte, Júlio Rasec (tecladista do grupo) disse para um amigo que havia sonhado, na noite anterior, com um acidente de avião, o que, claro, causou ainda mais alvoroço, no momento da tragédia.

Como não podia deixar de ser, milhares de fãs acompanharam tanto o velório quanto o enterro de seus queridos ídolos e, mesmo depois de duas décadas, continuam lembrando e relembrando os artistas, que, aliás, também têm sido alguns dos principais assuntos de vários tipos de matérias, não apenas na TV, mas no rádio e, atualmente, na internet.

Homenagens

Por conta dos 20 anos de sua morte, Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio estão sendo os principais temas de várias homenagens póstumas neste ano de 2016, que, claro, estão sendo compartilhadas com os fãs, amigos e parentes dos eternos Mamonas.

Entre as várias manifestações de carinho programadas para os próximos dias, está a peça O Musical Mamonas, que deve estrear dentro de apenas alguns dias, em São Paulo. Na montagem, Ruy Brissac foi escolhido para interpretar o vocalista Dinho, enquanto Yudi Tamashiro, conhecido por suas diversas aparições na televisão, deve ser o guitarrista Bento Hinoto.

Os atores escalados para darem vida aos integrantes de um dos maiores fenômenos da música brasileira no teatro, inclusive, também devem ser os mesmos que vão protagonizar a série mais do que especial, composta por cinco episódios, que a Record está preparando, e que deve estrear ainda no segundo semestre deste ano na grade da emissora.

Além disso, uma possível exposição, contendo objetos e imagens marcantes na trajetória da banda também deve entrar para a lista de homenagens, que, claro, vão fazer com que a saudade que praticamente todo mundo sente dos Mamonas Assassinas seja amenizada, pelo menos um pouco, e se transforme, ainda mais, em boas e eternas lembranças, principalmente do tamanho bom humor e carisma, presentes em todos os cinco artistas, sem exceção.

Governo não pode tratar Cunha como um qualquer, mas não deve temê-lo

Li, hoje, no Uol que "o Palácio do Planalto acompanhou com cautela e evitou comemorar nesta quarta-feira (2) decisão da maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) pela abertura de ação penal contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O receio é de que o peemedebista utilize a possibilidade de virar réu como pretexto para retaliar o governo federal em votações no Congresso Nacional, como fez anteriormente após o vazamento de informações contra ele no rastro da Operação Lava Jato.

A maior preocupação é de que, alegando perseguição por parte do procurador-geral Rodrigo Janot, o peemedebista acelere a votação de pautas-bomba que tramitam na Câmara dos Deputados, como a proposta que aumenta os gastos em saúde e decreto legislativo que altera o indexador das dívidas dos Estados e municípios com a União.

(...).

Para evitar uma retaliação, a ordem do Palácio do Planalto é evitar comentar sobre a decisão da Suprema Corte e adotar o discurso sobre a separação dos poderes e a soberania do STF."

"É uma questão judicial e o governo federal não tem desde o começo desse processo que envolve o deputado federal feito qualquer observação de caráter político em relação a isso. A Câmara dos Deputados é soberana para tomar suas decisões", disse o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Por outro lado, o governo não deve temer Eduardo Cunha porque, na condição de réu, ele perde significativamente a força, mesmo na Presidência da Câmara. A de se considerar, também, que o Conselho de Ética, finalmente conseguiu dar um passo importante, ao aprovar na madrugada desta quarta-feira (2), com placar apertado, o relatório preliminar que pede a continuidade do processo disciplinar com pedido de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com isso, o peemedebista vai ser investigado por quebra de decoro por ter ocultado contas bancárias no exterior.

Eduardo Cunha, com razão, sofre um massacre midiático e poucos deputados continuarão sendo fieis a ele, depois de tanto desgaste político. Hoje, a maioria dos deputados sabe que não pode fortalecer o ainda presidente da Casa sob pena de também sofrer um desgaste político.

Com duas aparentes derrotas, Cunha está cambaleando e sabe que outros torpedos serão atirados em sua direção. Portanto, salvo melhor juízo, a via crúcis dele tende a aumentar.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Constatação

Andrade é tucana, mas delata PT e PMDB. Por quê?


Maior doadora da campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da República, a Andrade Gutierrez é a bola da vez do mercado de delações premiadas, com acusações relacionadas à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.

Capitaneada por Otávio Azevedo, a Andrade se tornou controladora da Cemig, nas gestões do PSDB em Minas, mesmo sendo minoritária, e foi beneficiada com pagamentos excessivos de dividendos.

Além disso, a cúpula da empreiteira torceu abertamente pela eleição de Aécio; no entanto, a delação de seus executivos é parcial e mira apenas desvios relacionados ao PT e ao PMDB, em obras como Mané Garrincha, Maracanã, Arena Amazonas e Angra 3.

Ao que tudo indica, a empresa – que na gestão de Fernando Pimentel perdeu o controle abusivo na Cemig – se prepara para um novo ciclo político no Brasil e tenta contribuir para que ele chegue mais rapidamente.

Defesa expõe dez motivos para Moro soltar Santana e sua esposa


247 – A defesa do publicitário João Santana e de sua mulher e sócia, Mônica Moura, apresentou ao juiz Sérgio Moro, que comanda os processos da Lava Jato em primeira instância, dez motivos que justificariam a soltura do casal.

Entre as razões, os advogados Fábio Tofic Simantob e Débora Gonçalvez Perez, que assinam a petição, argumentam que os dois marqueteiros, que trabalharam nas duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff, de Lula, em 2006, e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), "foge completamente ao perfil de investigados" na operação.

"Não são nem nunca foram funcionários públicos, não têm nem nunca tiveram contratos com o poder público, não são nem nunca foram operadores de propina ou lobistas", sustenta a defesa no documento encaminhado ao juiz.

"São empresários de renome do marketing político brasileiro e internacional, e, se cometeram algum pecado, foi o de receber recursos lícitos, fruto de trabalho honesto, em conta não declarada no exterior, crime que, nem mesmo neste egrégio Juízo, costuma sujeitar o réu ao cumprimento de prisão antecipada", argumentam ainda.

Os dois foram presos na quarta-feira 24, no âmbito da 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé. Na última sexta-feira 26, Sérgio Moro revogou a prisão temporária dos dois por mais cinco dias. O prazo vence nesta quinta-feira 3. Confira aqui a íntegra do documento apresentado pela defesa de João Santana e Mônica Moura, divulgado pelo blog de Fausto Macedo.

Os advogados do publicitário João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, enviaram hoje (2) um novo pedido pela liberdade do casal ao juiz federal Sérgio Moro. Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz na semana passada, durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

Após a detenção, o casal prestou depoimento em Curitiba, na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Paraná. A defesa já havia pedido a revogação das prisões logo após os depoimentos prestados na semana passada.

Na sexta-feira (26), o juiz Moro prorrogou a prisão de Santana e de Mônica por cinco dias, atendendo a pedido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Segundo a PF, há indícios de que o publicitário João Santana recebeu R$ 4 milhões da empreiteira Odebrecht no Brasil e os documentos apreendidos contradizem a versão apresentada pelo casal nos depoimentos. A suspeita é que o dinheiro tenha origem no esquema de desvios na Petrobras.

Na decisão, Moro disse que João Santana e Mônica Moura não explicaram, nos depoimentos na Polícia Federal, os motivos pelos quais a Odebrecht teria feito pagamentos a eles pela participação em campanhas eleitorais na Venezuela e em Angola.

Em defesa do casal, os advogados argumentam ainda que Santana e Mônica “são empresários de renome do marketing político brasileiro e internacional e que, se cometeram algum pecado, foi o de receber recursos lícitos, fruto de trabalho honesto, em conta não declarada no exterior, crime que, nem mesmo neste egrégio Juízo, costuma sujeitar o réu ao cumprimento de prisão antecipada”.

Pimenta e Wadih pedem investigação contra a Globo

O Império Global está ameaçado e outra história começa a ser escrita

Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) protocolaram no Ministério Público Federal nesta quarta-feira 2 um pedido para que sejam feitas diversas investigações sobre as conexões entre a Rede Globo, a FIFA, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e offshores do Panamá que teriam sido utilizadas para cometer crimes.

O documento assinado por mais de 30 parlamentares pede investigação sobre "a existência de eventuais bens da família Marinho em situação ilícita de ocultação patrimonial, as atividades das offshores vinculadas ao grupo Globo e as relações entre a Globo, suas respectivas empresas e offshores e a FIFA".

De goleada, Eduardo Cunha vira réu no Supremo

A era Cunha esta chegando ao fim, antes que ele acabe com o Brasil

Responsável direto pela crise política, com seu pedido de impeachment e suas pautas-bomba, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se tornou réu por corrupção e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, 2.

Em um resultado parcial de 6 a 0, a maioria do plenário aceitou a acusação de que Cunha usou seu cargo para pressionar o empresário Julio Camargo via requerimentos na Câmara a fim de receber propina e ainda pelo crime de lavagem de dinheiro.

O relator, Teori Zavascki rejeitou a acusação por crimes relacionados à celebração de contrato fraudulento.

O seu voto foi seguido pelos ministros Cármen Lúcia, Luiz Carlos Fachin, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber; julgamento continua nesta quinta.

O Brasil perdeu muito com este infame, mas era Cunha esta chegando ao fim.

O verdadeiro significado

Lula publica documentos sobre triplex investigado na Lava Jato

Contra provas não há argumentos

O Instituto Lula, que faz assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicou documentos neste domingo para rebater insinuações de irregularidades na aquisição de uma cota da Cooperativa Nacional dos Bancários (Bancoop). Imóveis do condomínio Solaris, no Guarujá, são investigados na 22ª fase da Operação Lava Jato, entre eles um triplex que seria fruto de um investimento do ex-presidente.

Lula publicou contratos com a Bancoop, sua declaração de Imposto de Renda, a declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os contratos que compravam a desistência da ex-primeira-dama Marisa Letícia em continuar com o imóvel. “A mesquinhez dessa ‘denúncia’, que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País”, diz a nota do Instituto Lula.

A 22ª fase da operação, que recebeu o nome de Triplo X, investiga a abertura de empresas no exterior e compras de apartamentos no Guarujá, no litoral paulista, que seriam usados para lavagem de dinheiro. Entre os alvos da operação estão a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a empreiteira OAS e a empresa Mossack Fonseca. De acordo com as investigações, a Mossack Fonseca abriu offshores para esconder a propriedade de apartamentos de luxo no litoral de São Paulo. Esses imóveis eram da Bancoop e em 2009 foram assumidos pela OAS, também envolvida no esquema de corrupção da Petrobras. Por meio de nota, a Bancoop confirmou que em novembro de 2009 a Justiça homologou a transferência do Condomínio Solaris para a OAS, e que desde então não tem mais nenhuma relação com o empreendimento.

Veja as informações publicadas pelo ex-presidente:

Abril de 2005

Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Adesão e Compromisso de Participação” com a Bancoop – Habitacional dos Bancários de São Paulo.

A cláusula 1a. do Termo de Adesão diz: “O objetivo da Bancoop é proporcionar a seus associados a aquisição de unidades habitacionais pelo sistema de autofinanciamento, a preço de custo”.

O que isso significa?

Que Marisa Letícia tornou-se associada à Bancoop e adquiriu uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico, na praia de Astúrias, em Guarujá, balneário de classe média no litoral de São Paulo.

Como fez para cada associado, a Bancoop reservou previamente uma unidade do futuro edifício. No caso, oapartamento 141, uma unidade padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área privativa de 82,5 metros quadrados.



Maio de 2005 a setembro de 2009

Marisa Letícia paga a entrada de R$ 20 mil, as prestações mensais e intermediárias do carnê da Bancoop, até setembro de 2009. Naquela altura, a Bancoop passava por uma crise financeira e estava transferindo vários de seus projetos a empresas incorporadoras, entre as quais, a OAS.

Quando o empreendimento Mar Cantábrico foi incorporado pela OAS e passou a se chamar Solaris, os pagamentos foram suspensos, porque Marisa Letícia deixou de receber boletos da Bancoop e não aderiu ao contrato com a nova incorporadora.

O que isso significa?

1) Que a família do ex-presidente investiu R$ 179.650,80 na aquisição de uma cota da Bancoop. Em setembro de 2009, este investimento, corrigido, era equivalente a R$ 209.119,73. Em valores de hoje, R$ 286.479,32. Portanto, a família do ex-presidentepagou dinheiro e não recebeu dinheiro da Bancoop.

2) Que, mesmo não tendo aderido ao novo contrato com a incorporadora OAS, a família manteve o direito de solicitar a qualquer tempo o resgate da cota de participação na Bancoop e no empreendimento.

3) Que, não havendo adesão ao novo contrato, no prazo estipulado pela assembleia de condôminos (até outubro de 2009), deixou de valer a reserva da unidade 141 (vendida mais tarde pela empresa a outra pessoa, conforme certidão no registro de imóveis).



Março de 2006 a março de 2015

Na condição de cônjuge em comunhão de bens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ao Imposto de Renda regularmente a cota-parte do empreendimento adquirida por sua esposa Marisa Letícia, de acordo com os valores de pagamento acumulados a cada ano.

A cota-parte também consta da declaração de bens de Lula como candidato à reeleição, registrada no TSE em 2006, que é um documento público e já foi divulgado pela imprensa.

O que isso significa?

Que o ex-presidente jamais ocultou seu único e verdadeiro patrimônio no Guarujá: a cota-parte da Bancoop.



2014-2015

Um ano depois de concluída a obra do Edifício Solaris, o ex-presidente Lula e Marisa Letícia, visitam, junto com o então presidente da empresa incorporadora OAS, Léo Pinheiro, uma unidade disponível para venda no condomínio.

Era o apartamento tríplex 164-A, com 215 metros de área privativa: dois pavimentos de 82,5 metros quadrados e um de 50 metros quadrados. Por ser unidade não vendida, o 164-A estava (e está) registrado em nome da OAS Empreendimentos S.A, matrícula 104.801 do cartório de imóveis de Guarujá.

Lula e Marisa avaliaram que o imóvel não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava.

Foi a única ocasião em que o ex-presidente Lula esteve no local.

Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís Lula da Silva voltaram ao apartamento, quando este estava em obras. Em nenhum momento Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade.

A partir de dezembro de 2014, o apartamento do Guarujá tornou-se objeto de uma série de notícias na imprensa, a maior parte delas atribuindo informações a vizinhos ou funcionários do prédio, nem sempre identificados, além de boatos e ilações visando a associar Lula às investigações sobre a Bancoop no âmbito do Ministério Público de São Paulo.

Durante esse período, além de esclarecer que Marisa Letícia era dona apenas de uma cota da Bancoop, a Assessoria de Imprensa do Instituto Lula sempre informou aos jornalistas que a família estava avaliando se iria ou não comprar o imóvel.

As falsas notícias chegam ao auge em 12 de agosto de 2015, quando O Globo, mesmo corretamente informado pela Assessoria do Instituto Lula, insiste em atribuir ao ex-presidente a propriedade do apartamento. Em evidente má-fé sensacionalista, O Globochamou o prédio de Edifício Lula na primeira página de 13 de agosto.

O jornal mentiu ao fazer uma falsa associação entre investimentos do doleiro Alberto Youssef numa corretora de valores e o contrato da OAS com o agente fiduciário do projeto Solaris, com a deliberada intenção de ligar o nome de Lula às investigações da Lava Jato. O editor-chefe do jornal e os repórteres que assinam a reportagem estão sendo processados por Lula em grau de recurso. (http://www.institutolula.org/lula-entra-com-acao-contra-o-globo-por-conta-de-mentiras-sobre-triplex-no-guaruja)


26 de novembro de 2015

Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Declaração, Compromisso e Requerimento de Demissão do Quadro de Sócios da Seccional Mar Cantábrico da Bancoop”.

Como se trata de um formulário padrão, criado na ocasião em que os associados foram chamados a optar entre requerer a cota ou aderir ao contrato com a OAS (setembro e outubro de 2009), ao final do documento consta o ano de 2009.

A decisão de não comprar o imóvel e pedir o resgate da cota já havia sido divulgada pela Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, em mensagem à Folha de S. Paulo, no dia 6 de novembro.

O que isso significa?

Que a família do ex-presidente Lula solicitou à Bancoop a devolução do dinheiro aplicado na compra da cota-parte do empreendimento, em 36 parcelas, com um desconto de 10% do valor apurado, nas mesmas condições de todos os associados que não aderiram ao contrato com a OAS em 2009.

A devolução do dinheiro aplicado ainda não começou a ser feita.


Por que a família desistiu de comprar o apartamento?

Porque, mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento.

A família do ex-presidente Lula lamenta que notícias falsas e ações sem fundamento de determinados agentes públicos tenham causado transtornos aos verdadeiros condôminos do Edifício Solaris.

Janeiro de 2016

A revista Veja publica entrevista do promotor Cássio Conserino, do MP de São Paulo, na qual ele afirma que vai denunciar Lula e Marisa Letícia pelos crimes de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, no curso de uma ação movida contra a Bancoop.

Trata-se de um procedimento que se arrasta há quase dez anos, do qual Lula e sua família jamais foram parte, e que é sistematicamente ressuscitado na imprensa em momentos de disputa política envolvendo o PT.

Além de infundada, a acusação leviana do promotor desrespeitou todos os procedimentos do Ministério Público, pois Lula e Marisa sequer tinham sido ouvidos no processo. A intimação para depoimento só foi expedida e entregue na semana seguinte à entrevista.

No dia 27 de janeiro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Triplo X, que busca estabelecer uma conexão entre o Edifício Solaris e as investigações da Lava Jato, reproduzindo dados da ação dos promotores de São Paulo.

Diferentemente do que fazem crer os pedidos de prisão e de busca apresentados ao juiz Sergio Moro pela força-tarefa da Lava Jato, as novidades do caso, alardeadas pela imprensa, já estavam disponíveis há meses para qualquer pessoa interessada em investigar esquemas de lavagem de dinheiro – seja policial, procurador ou jornalista “investigativo”.

A existência de apartamentos tríplex registrados em nome da offshore Murray e a ligação desta com a empresa panamenha Mossack Fonseca constam, pelo menos desde agosto passado, da ação que corre em São Paulo. Foram anexadas por um escritório de advocacia que atua em favor de ex-cotistas da Bancoop.

O mesmo escritório de advocacia anexou a identificação e os endereços dos supostos representantes da Murray e da Mossack Fonseca no Brasil.

Mesmo que tenham vindo a público agora, em meio a um noticiário sensacionalista, estes fatos nada têm a ver com o ex-presidente Lula, sua família ou suas atividades, antes, durante ou depois de ter governado o País. Lula sequer é citado nos pedidos da Força-Tarefa e na decisão do juiz Moro.

O que isso significa?

1) Que fracassaram todas as tentativas de envolver o nome do ex-presidente no processo da Lava Jato, apesar das expectativas criadas pela imprensa, pela oposição e por alguns agentes públicos partidarizados, ao longo dos últimos dois anos.

2) Que fracassaram ou caminham para o fracasso outras tentativas de envolver o ex-presidente com denúncias levianas alimentadas pela imprensa, notoriamente a suposta “venda de Medidas Provisórias”, plantada pelo Estado de S. Paulo no âmbito da Operação Zelotes.

3) Que aos adversários de Lula – duas vezes eleito presidente do Brasil, maior líder político do País, responsável pela maior ascensão social de toda a história – restou o patético recurso de procurar um crime num apartamento de 215 metros quadrados, que nunca pertenceu a Lula nem a sua família.

A mesquinhez dessa “denúncia”, que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País.

Sem ideias, sem propostas, sem rumo, a oposição acabou no Guarujá. Na mesma praia se expõem ao ridículo uma imprensa facciosa e seus agentes públicos partidarizados.”

Fonte: Uol, 02/03/2016

Maioria dos ministros do STF vota pela aceitação da denúncia contra Cunha

Situação de Eduardo Cunha tende a se complicar muito mais, considerando que aumentou sua fragilidade

Do UOL, 02/03/2016

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, relator da denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), votou nesta quarta-feira (2) favoravelmente à abertura de processo criminal no Supremo contra o deputado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro aceitou parcialmente a denúncia.

Ministro Teori Zavascki durante a sessão do
STF que aprecia a denúncia da PGR contra
Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Após a leitura do voto, os ministros Cármen Lúcia, Luiz Fachin, Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello acompanharam a tese de Teori. Os outros ministros ainda não votaram. Apesar de a maioria ter anunciado os votos, o resultado ainda não é oficial, já que ainda há a possibilidade, mesmo que remoto, dos ministros mudarem o voto na quinta, quando o julgamento será retomado.

Caso o Supremo aceite a denúncia, o presidente da Câmara vai ser o primeiro dos 38 parlamentares investigados no esquema de corrupção da Petrobras a passar à condição de réu.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República acusa o peemedebista de ter recebido ao menos US$ 5 milhões em propina do esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato. A propina estaria ligada a contratos de navios-sonda da estatal, assinados em 2006 e 2007.

A ação foi baseada principalmente nos depoimentos, feitos sob acordos de colaboração premiada na Lava Jato, de Júlio Camargo e Fernando Soares, o Fernando Baiano.
Engrenagem espúria

Em seu voto, Teori afirmou que a denúncia não traz provas de que Cunha tenha participado da negociação da propina quando da negociação dos contratos dos navios-sonda. O ministro afirmou, no entanto, que a acusação da Procuradoria traz indícios da participação do deputado na cobrança de parcelas atrasadas do acordo de propina. Por isso, o voto de Teori foi pelo recebimento parcial da denúncia, excluídos os fatos relativos à celebração dos contratos.

"O elementos colhidos comportam sobejamente o cometimento do crime de corrupção passiva, ao menos na qualidade de partícipe, ao incorporar-se à engrenagem espúria protagonizada pelo funcionário da Petrobras Nestor Cerveró, Júlio Camargo e Fernando Soares", afirmou Teori.

O ministro citou, principalmente, as suspeitas levantadas contra os requerimentos apresentados em 2011 pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), aliada de Cunha, que pedia medidas investigatórias contra empresas ligadas a Júlio Camargo.

"Nesse item a peça acusatória narrou com segurança os fatos acusatórios e a conduta dos agentes", disse Teori.

O ministro também afirmou que as delações que embasaram a denúncia foram acompanhadas de outros indícios dos supostos crimes.

"Essas colaborações não são isoladas. Elas ganham valor na medida em que são acompanhadas de elementos indiciários muitos sugestivos", disse o ministro.
Não há provas contra Cunha, diz advogado

O deputado nega as acusações. Seu advogado, Antonio Fernando de Souza, afirmou no julgamento desta quarta-feira que não há provas de que seu cliente tenha recebido valores ligados à suposta propina.

"Apesar das denúncias de referirem a diversas transferências de valores, nenhuma delas se refere a Eduardo Cunha", afirmou Fernando de Souza.

Já o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também em manifestação durante a sessão, afirmou que o presidente da Câmara foi o responsável por "restabelecer o propinoduto" que se instalou em dois contratos de navios-sonda da Petrobras.

Foi rejeitado pelo ministro o pedido de Cunha para que o processo fosse suspenso com base no argumento de que o presidente da Câmara, assim como o presidente da República, não poderia ser processado por fatos estranhos ao seu mandato atual.

"Tal previsão constitucional se destina expressamente ao chefe do poder Executivo da União", afirmou Teori.

O ministro também rejeitou em seu voto o pedido da defesa de Cunha para anular o depoimento complementar de Júlio Camargo, no qual o delator citou a participação do deputado no esquema de propina. Segundo o ministro, apenas o acordo de colaboração precisa ser homologado pelo STF, mas não cada um dos depoimentos.

"Não se pode confundir o acordo de colaboração, que está sujeito à homologação [pelo STF], com os depoimentos do colaborador, que independem de homologação", disse o relator.