quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Polícia Federal põe 18 vezes nome de Lula em interrogatório de Bumlai

Pra quem tinha dúvida, agora ficou muito claro: a PF quer, de qualquer jeito, "botar as mãos em Lula"

24/12/2015

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é escoltado por policiais federais

A Polícia Federal lançou 18 vezes o nome do ex-presidente Lula no termo do novo interrogatório do empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do petista desde 2002.
O interrogatório é o terceiro em série a que foi submetido Bumlai desde que a PF o prendeu dia 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato que investiga o emblemático empréstimo de R$ 12 milhões tomado pelo pecuarista junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004 - o real destinatário do dinheiro foi o PT, segundo Bumlai. O inquérito é dirigido pelo delegado da PF Filipe Hille Pace.

Um longo trecho do interrogatório, realizado na segunda-feira (21), é dedicado às relações do pecuarista com Lula, que teve seu nome registrado 18 vezes no termo. O Instituto Lula, criado pelo ex-presidente quando deixou o Palácio do Planalto, no início de 2003, foi citado três vezes.

A linha de questionamentos da PF a Bumlai revela que os investigadores buscam algum indício de envolvimento do ex-presidente e do PT nos negócios do pecuarista. Em todas as vezes em que a PF o indagou sobre Lula, o prisioneiro blindou o ex-presidente - como já o fizera nos relatos anteriores.

Sobre o capítulo Schahin, o pecuarista disse que o empréstimo foi negociado na presença do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares - mais tarde réu e condenado no processo do Mensalão. A PF também questionou Bumlai sobre e-mail dele para o secretário da Embaixada do Catar em Brasília, em fevereiro de 2014, em que o pecuarista demonstra empenho em agendar uma reunião com o ex-presidente.

Indagado sobre se a presença de Delúbio Soares na sede do Banco Schahin representava para o reinterrogando o interesse de Luiz Inácio Lula da Silva na realização do empréstimo, disse que não. "Na verdade, sua (Delúbio) presença traduzia o interesse do Partido dos Trabalhadores."

Que indagado 'se está tentando proteger figuras públicas de responsabilidade no episódio, tais como o ex-presidente da República e outros dirigentes do Partido dos Trabalhadores, tais como seu presidente à época José Genoíno, respondeu que não está tentando proteger ninguém'.

Que indagado 'se se sentiria constrangido em não atender a uma solicitação do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, disse, em suas palavras: "que solicitação ele poderia me fazer? Ele não precisava de mim para nada. Acho que ele não me pediria nada. Ele tinha as pessoas de confiança dele. Eu não era uma pessoa assim."

Que indagado 'se seria uma pessoa de confiança de Luiz Inácio Lula da Silva, disse acreditar que sim, exceto em assuntos relativos a negócios'.

Que indagado 'se, em verdade, o suposto constrangimento que sofreu não advinha do fato de que o pedido para que o reinterrogando tomasse o empréstimo em prol do Partido dos Trabalhadores teria partido do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ou de outros dirigentes da agremiação política, respondeu negativamente'.

Que indagado 'se realmente nunca tratou de questões comerciais ou políticas com Luiz Inácio Lula da Silva, respondeu que não'.

Que perguntado 'se exercia funções de secretário de Luiz Inácio Lula da Silva disse que não'.

Que perguntado 'sobre a forma de comunicação que mantinha com Luiz Inácio Lula da Silva disse que entrava em contato através do número de sua esposa'.

Que 'pelo que o reinterrogando sabe Luiz Inácio Lula da Silva nunca possuiu um número de celular próprio'.

Que 'durante os anos de 2014 e 2015, não repassou qualquer demanda de interessados em solicitar reuniões, palestras e outros pleitos a Luiz Inácio Lula da Silva'.

Que 'indagado novamente se confirma que nunca tratou de assuntos comerciais ou políticos com Luiz Inácio Lula da Silva respondeu que, além do caso narrado acima (e-mail da Embaixada do Catar), não se recorda de outros episódios, contudo, gostaria de esclarecer que não possui relações comerciais com Lula'.

Que 'indagado qual o motivo que a autoridade policial tem para acreditar na versão dos fatos dado pelo reinterrogando se ele continua a omitir e mentir sobre fatos relevantes para a investigação, respondeu que o caso anterior (Embaixada do Catar) reflete a necessidade de elucidação de fatos que chegam ao conhecimento das autoridades com o avançar das investigações'.

Que 'gostaria de afirmar que não existirão tantos outros fatos a serem elucidados'.

Que 'considerando que, no entender da autoridade policial, o reinterrogando faltou com a verdade ao afirmar que nunca tratara de assuntos comerciais e políticos com Luiz Inácio Lula da Silva, indagado se confirma que nunca conversou com o ex-presidente sobre o problema que enfrentava com a Schahin, disse que nunca conversou sobre este tema com ele'.

Que 'indagado se mantém sua última afirmação, uma vez que lhe foi demandado que dissesse se tem certeza sobre o fato de que nunca tratou de seu empréstimo com Lula, disse que acredita e que tem quase certeza de que nunca tratou deste tema com o ex-presidente'.

O Instituto Lula não comentou.

2016, um ano de esperanças para o povo brasileiro

O ano de 2015 está terminando e certamente este, foi um ano para ficar na história. A economia brasileira desandou, entrou em crise. Crise essa que foi agravada pela crise política gerada pela mente doentia de um candidato derrotado a Presidência da República, que não aceitou o resultado do pleito e foi buscar para o seu intento - o impeachment de Dilma - os aliados de primeira hora, todos defensores de interesses escusos, salvos aqueles que se deixaram levar por discursos mentirosos.

Nesse contexto é preciso dizer que o capitalismo sofre crises cíclicas. Isso ocorreu em 1929 com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque e afetou o mundo inteiro. Também em 1997 com a quebra da Bolsa de Valores de Hong Kong, o mundo tremeu nas bases. 

Em 2009, a crise imobiliária dos Estados Unidos provocou muitos estragos mundo afora. A Grécia quebrou, a Espanha está em crise, com o índice de desemprego na casa dos 25%; Portugal está tentando encontrar o caminho há quase uma década e a China está enfrentando problemas econômicos sérios. Na América do Sul, Argentina sofre bastante há algum tempo e a Venezuela vê sua moeda virar pó.

O Brasil faz parte do mundo, é um país capitalista e não poderia ficar imune. É a bola da vez. Não tenho dúvidas de que algumas ações e estratégias devam ser revistas, mas o problema maior é que a crise econômica foi agravada pela crise política.  

Em Brasília a presidente Dilma Rousseff se tornou refém do PMDB, que através de Cunha visualizou em Aécio o parceiro ideal para derrubá-la, com a conspiração de Temer. Por sua vez Cunha, um chantagista de carteirinha, jogava com os dois lados e o governo ficou engessado, submisso a seus caprichos, até ele se revelar de vez. Parte da situação juntou-se a oposição e a cada dia tinha um discurso novo para bater de frente com o governo. Como parte dos opositores do Brasil a mídia golpista capitaneada pelas organizações Globo vem cumprindo seu papel. Vazamentos de noticias seletivas tem sido uma constante.

Seria infantil se negasse que não há corrupção no governo, mas em todos os governos  e em todos os poderes há indícios deste câncer. Combatê-lo é uma necessidade, mas fazer dele um cavalo de batalha e acusar o PT de inventor da corrupção é de um mal-caratismo sem par, é desconhecer a história do Brasil. Foi esse discurso mentiroso repetido diariamente na tv que levou a baixa popularidade da presidente Dilma. Portanto, Dilma não colheu o que plantou.

Hoje, o povo brasileiro começa a entender que esse enredo de impeachment trata-se de uma música com uma nota só, trata-se de capricho, trata-se de tomar o poder e não permitir a continuidade das investigações em torno da Petrobras. Para se ter uma idéia, basta dizer que mais da metade dos integrantes da chapa cunhista para derrubar Dilma, responde processos no Supremo. 

O Supremo tomou as rédeas do processo, Cunha é coisa do passado, a economia vai se reerguer e Dilma não sairá pela porta dos fundos como querem os céticos.

Em Itaituba, Eliene Nunes, ganhou a eleição, a exemplo de Dilma, com pequena vantagem e aqui como lá, o machismo também fala alto.  No início do mandato me opus a composição de seu governo e creio que nesse aspecto ela melhorou um pouco. Não se ganha uma eleição com apoio dos políticos e depois, despreza-os, mas confesso que Eliene está fazendo um governo muito melhor que seu antecessor. A infraestrutura da cidade melhorou consideravelmente e mais obras serão inauguradas para o bem da população.

Tenho críticas ao governo de Eliene, mas entendo que ela supera seus correntes na eleição de 2016. quanto aos apoios que ela perdeu na Câmara, a sociedade sabe porque isso ocorreu.

Sem impeachment, sem engessamento, sem chantagistas e livre do bebê chorão, o segundo mandato da presidente Dilma vai começar. Os ajustes são uma necessidade, mas a política desenvolvimentista ocupará um lugar de destaque e o Brasil vai superar a crise. 

Quanto aos céticos existem três possibilidades: a primeira mudar de opinião, a segunda conviver com os contrários - regra básica da democracia - e a terceira mudar do Brasil.

Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda, prevê retomada da economia em 2016


São Paulo – O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira não acredita que a crise econômica brasileira se prolongue indefinidamente, nem mesmo que persista em 2016, aposta dos setores que veem nos problemas da economia uma forte oportunidade para enfraquecer o governo Dilma Rousseff. Para ele, a crise deve começar a ser superada no próximo ano, embora o Produto Interno Bruto (PIB) ainda tenha a tendência de ser manter negativo. “Como eu acho que a economia vai começar a recuperar, então espero que no final do ano (de 2016), se o PIB ainda for negativo, e é bem possível que seja, será muito menos que este ano”, diz. “A economia já estará claramente retomando o crescimento, mas (a partir) de quase estagnação.”

Para o ex-ministro da Fazenda em 1987, no governo de José Sarney, porém, os problemas da economia do país não são apenas conjunturais, mas estruturais: “Meu entendimento é de que a economia brasileira é semiestagnada desde 1980. A renda per capita brasileira vem crescendo menos que 1% por ano, quando crescia 4,1% entre 1950 e 1980”.

Segundo a análise de Bresser-Pereira, o Brasil tem dois grandes problemas, que afetam sua capacidade de crescimento e o impedem de desenvolver uma política econômica forte e sustentável no longo prazo: a “alta preferência pelo consumo imediato”, fator do qual decorrem políticas que incentivam o déficit em conta corrente ou o câmbio apreciado “para poder consumir mais”, e a perda da “ideia de nação”.

Hospitais do Rio recebem primeiro lote de insumos doados pela União


Após decretar estado de emergência na saúde na noite de quarta-feira (23), o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, recebeu nesta manhã, no Hospital da Lagoa, material médico doado pelo Ministério da Saúde.

Um caminhão com o primeiro lote de insumos foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, de onde o material também será distribuído para os hospitais Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e Alberto Torres, em São Gonçalo, na região metropolitana.

No total, o ministério vai doar R$ 20 milhões em produtos destinados à saúde para o governo do estado.

Quem pariu o impeachment que o embale


"O impeachment, que parecia ser uma solução, virou um problema. O problema é o que fazer com ele. O que prova, mais uma vez, a sua superficialidade e desnecessidade. 

O que fazer do impeachment? Como abortá-lo? Ele virou pó. Vale a pena perturbar o clima olímpico – que vai trazer divisas importantes num momento em que o país precisa aquecer a economia – e o ano eleitoral de 2016 num processo sem fundamento, sem rua e sem votos? 

Cunha é um emérito blefador, mas não tem cacife para reunir 342 votos contra o governo se os tucanos não votarem com ele. 

Se tudo o que é sólido desmancha no ar, imagine-se algo insólito como esse impeachment. O problema é como abortá-lo. A palavra de ordem em Brasília é: quem pariu o impeachment que o embale".

Rapidinhas

Munição extra Petistas esperam contar com mais um ingrediente para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara: a abertura do processo contra ele na Lava Jato. Dirigentes da sigla acreditam que, se isso ocorrer, podem convencer procuradores a acionar novamente o STF com o argumento de que o peemedebista faz parte da linha sucessória de Dilma Rousseff. Como há um processo de impeachment em curso, ele teria de ser afastado do cargo diante de uma denúncia criminal aceita pela corte.

Gaveta Eduardo Cunha arquivou nesta quarta-feira (23) o primeiro pedido de impeachment de Michel Temer, proposto pelo deputado Cabo Daciolo (ex-PSOL-RJ). Ele apontava responsabilidade do vice em decretos de abertura de crédito sem autorização do Legislativo.

A fila anda A Casa recebeu novo pedido, assinado por um advogado, que também se baseia nos decretos. Cunha rejeitará. “Quando assinou, Dilma tinha conhecimento de estar em desacordo com a lei. A situação de Temer é diferente”, argumenta.

Coincidência Aos olhos do PT, não se trata de “obra do destino” que o parecer do TCU isentando Temer tenha saído na terça-feira e o arquivamento do pedido de impeachment, um dia depois.

Contrariados Apesar do discurso de que não se importaram com a decisão do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, de abrir para a imprensa a audiência com Cunha, aliados do peemedebista se queixaram de “tentativa de constrangimento”.

Mamãe Noel Dilma decidiu fazer um agrado especial às mulheres no indulto de Natal: vai conceder o benefício às condenadas a até oito anos por crime sem violência que tenham filhos menores ou com necessidades especiais.

Pindaíba A penúria financeira do PSDB em SP acirrou os ânimos de aliados de Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves. Os paulistas se queixam de que o comando nacional não ajuda a quitar a dívida de R$ 17 milhões da campanha de 2012. Falta dinheiro até para o aluguel da casa que abriga o diretório.

Vem pra urna Nas contas dos tucanos, dos cerca de 27 mil filiados, 8 mil devem participar das prévias para a escolha do candidato a prefeito da capital paulista. Ou 2.000 a mais do que em 2012.

Repeteco? Movimentos sociais já olham torto para o novo ministro da Fazenda, que levantou a bandeira das reformas trabalhista e previdenciária logo nos primeiros dias no cargo. “Passamos o ano gritando ‘Fora, Levy’. Teremos de entoar ‘Fora, Barbosa’?’’, diz um líder social.


‌Óleo quente Mal esquentou a cadeira de chefe da equipe econômica e Nelson Barbosa já está sendo chamado nas internas do governo de “ministro torresmo”: aquele que é “frito o tempo todo”.

Tem limite Bancos credores da Sete Brasil, criada pelo governo para fornecer sondas à Petrobras, dizem que o prazo limite para a definição de um acordo de pagamento é fevereiro de 2016. O vencimento do empréstimo, de cerca de R$ 14 bilhões, já foi prorrogado cinco vezes.

Pepino federal O Banco do Brasil e a Caixa fazem parte do sindicato de bancos que concedeu o financiamento. Itaú, Bradesco e Santander completam o time.

Banho-maria 1 Segundo um experiente advogado que atua em casos de recuperação judicial, a queda de braço entre bancos e empresas só começou.

Banho-maria 2 “Hoje o banco cobra, mas não executa a dívida. E a empresa pede prazo, mas sabe que não tem como pagar. Em breve, alguém terá de tomar uma decisão”, diz.

Presságio Ele diz que, depois do recorde deste ano, o número de recuperações judiciais deve explodir em 2016.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Uma questão de opção

ACM diz que: 'é lamentável' Cunha na presidência da Câmara


Ora a favor, ora contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o prefeito de Salvador, ACM Neto, quebra as amarras do DEM e, agora, defende contundentemente a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara.

"É lamentável que ele continue presidente da Câmara, espero que possa, se não for afastado, ser de lá retirado. Isso é vergonhoso para o nosso país", disse o democrata.

Sobre a tentativa de golpe da oposição contra Dilma no Congresso, ele volta a pisar no freio: "O Democratas no Congresso é a favor do impeachment. Como prefeito, eu tento me preservar de dar opinião do impeachment. Tenho um cargo institucional".

‘Bronca com apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos’


Jornalista Mário Magalhães, do Uol, escreve que "a bronca com o apê de Chico em Paris expõe intolerância e ressentimento".

"De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico. 

Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe. Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados?", ironiza.

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) faz refeição de R$ 7,5 mil com dinheiro do contribuinte

Agora diz que é contra a corrupção e quer tirar a presidente Dilma do poder. Pode?

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) é um dos reis da mordomia na "farra da boca livre". O parlamentar espetou uma conta de R$ 7,5 mil no contribuinte por uma única refeição numa famosa churrascaria. "A farra não tem fim nem limite", diz jornalista
Senador Cássio Cunha Lima paga 7,5 mil em jantar e bota na conta do Senado. (Reprodução)

Nem era para espantar mais ninguém, já que virou rotina, mas acho que Vossas Excelências andam exagerando, sem dar a menor bola para a torcida, quer dizer, nós, como diria o Heródoto Barbeiro.

“Congresso banca `hábito gourmet´ dos parlamentares”, denuncia o título da página A10 do Estadão do último domingo sobre as despesas com bocas-livres patrocinadas por parlamentares em que eles torram a nossa grana sem dó nem piedade.

O jornal ilustra a matéria com a reprodução da nota fiscal 221515 do restaurante “Porcão”, de Brasília, o preferido dos políticos que não se importam com o valor da conta, emitida em nome do senador Cássio Cunha Lima (o senador paraibano foi cassado pelo TSE quando era governador do Estado pela prática de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2006)

Valor: R$ 7.567,60, ou seja, mais de dez salários mínimos. Na parte de “discriminação das mercadorias” encontra-se uma singela informação: “Refeições”. Não diz nem quantas foram servidas porque isso, certamente, não interessa a ninguém.

Pois ato publicado pelo Senado em 2010 determina que, para receber o ressarcimento dos gastos, os parlamentares devem apresentar “nota fiscal, datada, e com a completa descriminação da despesa”.

A boca-livre com dinheiro público foi oferecida pelo senador, após uma homenagem a seu pai, o ex-parlamentar e ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima, que ficou famoso por ter disparado três tiros contra o seu antecessor Tarcísio Burity, em um restaurante de João Pessoa, sem nunca ter sido condenado, como relatam os repórteres Bernardo Caram e Andreza Matais.

Os gostos e os gastos variam. O ex-presidente e senador Fernando Collor, por exemplo, que aprecia comida japonesa, apresentou três notas do restaurante Kishimoto, cada uma no valor de R$ 1 mil. A liderança do PDSDB na Câmara prefere os frutos do mar do restaurante Coco Bambu. Só este ano, as excelências tucanas já apresentaram 14 notas deste restaurante com valores entre RS 1.280 e R$ 2.950, num total de quase R$ 27 mil.

E por aí vai. A farra não tem fim nem limite. A assessoria do senador Cunha Lima informou apenas que o jantar contou com a presença de “autoridades e parlamentares”, o que muito nos honra, claro, pois assim foi um dinheiro bem gasto. E o gabinete informou ainda aos repórteres que “o senador é extremamente criterioso com os gastos”.

Podemos imaginar o que seria se assim não fosse…

Ricardo Kotscho, em Pragmatismo Político, 22/10/2013