domingo, 18 de julho de 2021

'Só Deus me tira do cargo', diz Bolsonaro. Lira e Aras agradecem o elogio





Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
18/07/2021 11h50

Ao deixar o hospital na manhã deste domingo (18), após tratar de uma obstrução intestinal, Jair Bolsonaro repetiu que só a intervenção divina o removeria do cargo. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e o procurador-geral da República, Augusto Aras, devem ter ficado lisonjeados com o elogio.

"Querem derrubar o governo? Já disse, só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só Deus me tira daquela cadeira", afirmou.

Tivesse o presidente um histórico de democrata, a declaração seria vista apenas como uma boba reafirmação sobre sua saúde. Mas como não é o caso, fica mais uma vez a impressão de que ele quer se perpetuar na função, reforçando as declarações golpistas que ele vem dando quanto à eleição de 2022.

A questão é que o milagre que mantém Bolsonaro no cargo, mesmo acusado de mais de duas dezenas de crimes de responsabilidade e com 126 pedidos de impeachment apresentados, não é operado nem pelo Pai, nem pelo Filho, muito menos pelo Espírito Santo. Mas por Santo Arthur e por Santo Augusto.

O presidente da Câmara mantém o impeachment em um limbo político, sem engavetar, nem dar prosseguimento a nenhum dos pedidos. Dessa forma, mantém Bolsonaro sob rédea curta, atendendo às necessidades do centrão em emendas, cargos e apoio a projetos de lei e mudanças infralegais que interessam aos grupos que ele representa.

Lira, representante do interesse de centenas de deputados que arrendaram o apoio ao presidente, diz que falta "materialidade" aos crimes de responsabilidade e que um processo não teria apoio da casa neste momento. Traduzindo: por que uma boa parte do Congresso Nacional iria querer sacrificar sua galinha dos ovos de ouro se, quanto mais vulnerável, mais Jair entrega?

Como há um viés de melhor na economia, o que reduz a insatisfação do empresariado, e as grandes manifestações ainda não são grandes, nem frequentes o bastante para pressionar o parlamento, segue o jogo.

Ao mesmo tempo, Augusto Aras, desejoso de uma indicação a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, tem colocado a Procuradoria-Geral da República como escudeira dos interesses pessoais do presidente da República. Há fartos elementos para que uma denúncia seja feita ao STF por crimes cometidos por Bolsonaro antes e durante a pandemia, o que faria com que, pelo menos, a Câmara se pronunciasse em sua cumplicidade. Mas ele já deixou claro que, se depender dele, nada vai sair de lá.

Diante de uma PGR que agiu como espectadora das ações do Poder Executivo, omitindo-se de suas funções constitucionais, a ministra Rosa Weber teve que constranger publicamente o órgão a abrir um inquérito, transformando noticia-crime apresentada por senadores em investigação para entender se Bolsonaro prevaricou ao ignorar informações sobre a corrupção na compra da Covaxin.

Sentindo-se livre, leve e solto, o presidente segue atacando as instituições. Não à toa, ao deixar o hospital, aproveitou para bombardear novamente nosso sistema de votação e a Justiça Eleitoral. Falou em fraudes e disse que os contrários à introdução do voto impresso querem impedir que a eleição seja auditável. Uma dupla mentira, pois ele não apresenta uma mísera prova sequer e ignora que o sistema eletrônico de votação já é auditável e nunca demonstrou falhas que comprometessem o resultado do desejo popular.

Da mesma forma que usou sua doença para faturar politicamente, ele utiliza a saída do hospital para, mais uma vez, atiçar seus seguidores mais fiéis e preparar terreno para o golpismo em caso de derrota nas eleições do ano que vem, além de jogar uma cortina de fumaça sobre as más notícias de hoje, como as denúncias de corrupção envolvendo a compra de vacinas pelo Ministério da Saúde e as rachadinhas de sua família.

Há quem tenha acreditado que ele se acalmaria após a conversa com o presidente do STF, da mesma forma que existem adultos que acreditam em Papai Noel. Após uma semana em que ameaçou um golpe eleitoral, usou expressões chulas para se referir às investigações da CPI da Covid, xingou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, incentivou a intimidação do Senado pelas Forças Armadas, Jair ganhou um cafezinho de Luiz Fux e uma nova tentativa de reconciliação. Ressalte-se que o papel do ministro seria cuidar da Constituição, não passar pano para um presidente.

Após testar limites, Bolsonaro sempre puxa o freio, apaziguando membros de outros poderes e gerando análises do tipo "ele foi contido" em uma parte da opinião pública. Em questão de dias, recomeça tudo novamente. Neste caso, voltou à carga através de postagens enquanto internado. Agora, completa o serviço com uma coletiva à imprensa, em frente ao hospital. Detalhe: sem máscara de proteção.

E para que não haja dúvidas de suas intenções, ele ainda aproveitou para defender remédios que até o próprio Ministério da Saúde já considerou ineficazes para o tratamento da covid.

"O que me surpreende é de ver o mundo, alguns países investindo em remédio para curar a covid, e aqui, quando você fala de cura para covid, parece que você é criminoso. Não pode falar em cloroquina, ivermectina", disse.

Poder, pode. Mas não funciona e só fará mal à população. Tal como a guerra que ele trava diariamente, seja de uma cama de hospital, da cadeira no Palácio do Planalto ou em pré-campanha eleitoral em algum lugar do Brasil, viajando com nossos impostos.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Veja as contradições no depoimento de Roberto Dias, preso pela CPI

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, ouvido e preso pela CPI da Covid nesta quarta-feira, 7, fez declarações contraditórias durante depoimento à comissão no Senado ao comentar sobre a sua participação nas conversas com intermediários da Davati Medical Supply

bRASIL 247, 7/07/2021, 18:20 h Atualizado em 7/07/2021, 18:47
Roberto Dias e facada da Davati (Foto: Pedro França/Agência Senado | Reprodução)

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, ouvido e preso pela CPI da Covid nesta quarta-feira, 7, fez declarações contraditórias durante depoimento à comissão no Senado ao comentar sobre a sua participação nas conversas com intermediários da Davati Medical Supply.

A Davati prometia a venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, mas não era sequer credenciada pela farmacêutica para venda do imunizante.


Lacunas

O ex-diretor de Logística disse que o jantar com Dominghetti ocorreu por acaso, mas reconheceu que o seu ex-assessor e coronel da reserva Marcelo Blanco, que acompanhava Dominghetti no jantar, sabia que ele estava no restaurante.

Mensagem por áudio veiculada durante a sessão da CPI, obtida do celular de Dominghetti, que foi apreendido, mostra que o PM afirma a um interlocutor que teria uma reunião com Dias no dia 25 de fevereiro, o dia do jantar no restaurante de Brasília. Dias, no entanto, manteve a afirmação de que o encontro foi casual.

Durante a CPI, Dias jogou a responsabilidade da negociação de vacinas para a Secretaria Executiva da Saúde, controlada por militares, mas ao mesmo tempo confirmou que conversou até por WhatsApp com um representante da Davati dias antes do jantar. O ex-diretor de Logística diz que não estava negociando vacinas, mas apenas checando se a proposta era verdadeira.

Ele não repassou as propostas da Davati ao então secretário-executivo da Saúde, coronel Elcio Franco, apesar de ordem interna para centralizar as discussões sobre vacinas para a Covid-19 na área. Dias alegou falta de documentos.

Mesmo sinalizando que sofreu interferências da secretaria controlada pela ala militar, tendo dois de seus auxiliares trocados por militares, ele disse desconhecer as razões das exonerações dos seus auxiliares ou de quem partiu esta ordem, apesar da insistência dos senadores da CPI para saber do assunto com mais detalhes.
Preso

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, deu voz de prisão contra o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias durante sessão da CPI da Covid nesta quarta-feira, 7.

"Ele vai ser recolhido agora pela polícia. Ele está mentindo desde de manhã. O senhor está detido pela presidência da CPI", declarou Aziz.

Omar Aziz responde às Forças Armadas: 'não aceitarei intimidação'

Em discurso no Senado, o presidente da CPI da Covid cobrou posicionamento do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, dizendo que a ameaça feita contra ele atinge todo o Senado

Brasil 247, 7/07/2021, 21:07 h Atualizado em 7/07/2021, 21:36
Presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD) respondeu à nota das Forças Armadas contra ele. Durante a sessão da CPI nesta quarta-feira, 7, o senador lembrou de atuais casos de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo militares e foi atacado duramente pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e pelos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Ao interrogar o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, Aziz declarou que “os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos". A declaração foi o motivo do ataque da cúpula militar contra ele.

Em sessão no Senado Federal, após divulgação da nota, Aziz destacou que sua fala “foi pontual”. “Membros das Forças Armadas e alguns reformados… Não se falava um ‘ai’ das FA. Hoje um sargento da aeronáutica [Roberto Dias] foi depor e foi preso, porque mentiu, foi o que pediu um dólar por vacina. O coronel Élcio [Franco, secretário executivo da pasta e aliado do general e ex-ministro Eduardo Pazuello] foi homem da Covaxin”, afirmou o senador referindo-se aos mais recentes escândalos de corrupção envolvendo o governo de Jair Bolsonaro.

“E vou afirmar aqui o que disse na CPI novamente. Podem fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem. Porque quando estão me intimidando, presidente [Rodrigo Pacheco], e vossa excelência não falou disso, estão intimidando essa casa aqui”, destacou.
Ataque ao Senado

Ele criticou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), por não dar ênfase na intimidação dos militares à Casa Legislativa. “A nota é desproporcional, presidente. É muito desproporcional. V. Exa. como presidente do Senado deveria dizer isso no seu discurso. Eu sou um membro dessa casa. Deveria dizer que a nota é desproporcional, ‘eu não aceito que intimide um senador da República’. É disso que eu esperava de V.Exa.”, afirmou.

"V.Exa. não se referiu à intimidação que foi feita pela nota das Forças Armadas. Ninguém teve uma relação melhor do que eu, quando governador, com as Forças Armadas no meu estado, mas convivi com grandes generais, Villas Bôas, grande comandante do Exército brasileiro”, continuou.

Ele ainda ressaltou que não pautou os pedidos para depoimento à CPI da Covid do ministro da Defesa, general Braga Netto, e do ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos. “Em respeito às Forças Armadas, não convoquei”, argumentou.
Nota dos militares

Em nota publicada nesta quarta-feira, 7, a cúpula militar negou ter militares envolvidos em corrupção no Ministério da Saúde e disse que a “narrativa” do senador Aziz “atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”.

“O ministro de Estado da Defesa e os Comandantes da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira repudiam veemente as declarações do Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Senador Omar Aziz, no dia 07 de julho de 2021, desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção. Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”, assinala o texto.

“As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, finalizam os militares no documento.

Lula dispara e vence Bolsonaro com 23 pontos de vantagem, diz pesquisa PoderData

Ex-presidente Lula subiu 12 pontos percentuais e tem 43% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições de 2022. Jair Bolsonaro aparece em segundo, com 29%, uma queda de quatro pontos em relação ao levantamento anterior

Brasil 247, 7/07/2021, 19:54 h Atualizado em 7/07/2021, 20:07
(Foto: Ricardo Stuckert | Reuters)

Pesquisa PoderData divulgada nesta quarta-feira (7) mostra que o ex-presidente Lula subiu 12 pontos percentuais e tem 43% das intenções de voto. Jair Bolsonaro aparece em segundo, com 29%, numa queda de quatro pontos em relação ao levantamento realizado em junho.

Ciro Gomes aparece com 6%, mesmo percentual do governador João Doria, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta tem 3%.

Nas simulações de segundo turno, Lula vence Bolsonaro por uma diferença de 23 pontos percentuais, por 55% a 32%.

A pesquisa PoderData ouviu 2.500 pessoas por telefone, entre os dias 5 e 7 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos e a divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Confira os números:

Confira simulações de segundo turno:

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Lula lidera pesquisa presidencial no estado de São Paulo

Nos dois cenários traçados pelo Ipespe, ele aparece numericamente à frente de Jair Bolsonaro, enquanto a chamada "terceira via" não decola

Brasil 247, 2/07/2021, 05:06 h Atualizado em 2/07/2021, 07:55
(Foto: Ricardo Stuckert)

O Instituto Ipespe, que fez pesquisa sobre a sucessão para o governo de São Paulo, também traçou cenários sobre a disputa presidencial no estado. No primeiro cenário, o ex-presidente Lula tem 30% das intenções de voto, contra 29% de Jair Bolsonaro, 7% de Ciro Gomes, 7% de João Doria e 6% de Luiz Henrique Mandetta. No segundo, Lula aparece com 32%, contra 29% de Bolsonaro, 10% de Ciro Gomes, 8% de Mandetta e 2% de Eduardo Leite. A pesquisa foi feita por telefone.

Na disputa estadual, o ex-governador tucano Geraldo Alckmin como favorito. No principal cenário, ele tem 21% das intenções de voto. Alckmin, no entanto, seria superado por uma eventual aliança entre Fernando Haddad, do PT, e Guilherme Boulos, do Psol, que, somados, teriam 26% (14% de Haddad e 12% de Boulos).

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Pedido de impeachment de Bolsonaro contra Dilma cai como luva para si mesmo

Imagem: Ricardo Moraes/Reuters/Evaristo Sá/AFP


Josias de Souza, Colunista do UOL
01/07/2021 03h07

Enfeitiçado pelo próprio feitiço, Bolsonaro descobre da pior maneira que a Terra é plana, mas dá voltas. Em pedido de impeachment que protocolou na Câmara em março de 2015 contra Dilma, o capitão disparou balas perdidas que acertam a sua própria Presidência. Falou de despreparo, desvios éticos, más companhias e abandono da sociedade.

Decorridos seis anos, há na peça que Bolsonaro esgrimiu contra Dilma parágrafos que poderiam ser reproduzidos num pedido de impeachment contra ele próprio sem mexer numa vírgula. Bastaria fazer um ajuste de gênero, trocando "denunciada" por denunciado. Num dos parágrafos, a transposição é tão perfeita que Bolsonaro poderia dedicar a si mesmo numa leitura em frente ao espelho.

Diz o seguinte: "Mais do que despreparo, mostra-se evidente a omissão da denunciada [Dilma] ao deixar de adotar medidas preventivas e repressivas para combater o câncer da corrupção em seu governo, mantendo, perto de si e em funções de alta relevância da administração federal, pessoas com fortes indícios de comprometimento ético e desvios de conduta. Deixou de agir em defesa da sociedade da qual é responsável máxima na administração pública."

Em julho de 2015, o deputado Eduardo Cunha, então mandachuva da Câmara, desengavetou 11 pedidos de impeachment protocolados contra Dilma. Um deles era o de Bolsonaro. Cunha deu dez dias ao capitão para promover ajustes no seu documento, "adequando-o aos requisitos da Lei número 1.079/1950 e do regimento interno da Câmara dos Deputados." A lei mencionada por Cunha define os crimes de responsabilidade.

Suprema ironia: quando pegava em lanças contra Dilma, Bolsonaro era um deputado do baixo clero filiado ao PP, partido do centrão que ajudou Eduardo Cunha a puxar o tapete da então inquilina do Planalto. Agora, Bolsonaro é um presidente sem partido que se casou com o centrão e acorrentou o seu futuro aos humores de Arthur Lira, um cacique do PP que o Planalto ajudou a transformar numa caricatura de Cunha.

Escorada no centrão, a base partidária que dá suporte a Bolsonaro no Congresso é muito parecida com a de Dilma. Para ficar idêntica, faltam apenas a traição e o impeachment.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

STF proclama suspeição do ex-juiz Sergio Moro

Ex-juiz que prendeu o ex-presidente Lula para que ele não disputasse as eleições presidenciais de 2018 foi declarado suspeito pelo STF por 7 votos a 4; com isso, condenações de Lula estão anuladas e ex-presidente se fortalece para a disputa presidencial

Brasil 247, 23/06/2021, 16:13 h Atualizado em 23/06/2021, 16:22
Sérgio Moro, condenado pelo STF, e o ex-presidente Lula (Foto: Divulgação)

Com os votos dos ministros Marco Aurélio Mello e Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal concluiu nesta quarta-feira (23) por 7 a 4 o julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no âmbito do processo do triplex do Guarujá, que levou à condenação e à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marco Aurélio e Fux, os únicos que faltavam votar, se posicionaram contra o entendimento de que Moro foi um juiz suspeito ao julgar Lula, sendo derrotados, pois já havia sido declarada maioria a favor da suspeição em março deste ano.

Em seu voto, o decano da corte, Marco Aurélio, que está prestes a se aposentar, fez uma defesa enfática da Operação Lava Jato, sobre a qual destacou o “combate à corrupção”, e de Sergio Moro, quem chamou de “herói nacional” que "honrou o Judiciário". Sobre os diálogos expostos na Operação Spoofing, que revelou irregularidades entre procuradores da força-tarefa de Curitiba e de Sergio Moro, o ministro considerou "normais".

“Sim, o juiz Sergio Moro surgiu como verdadeiro herói nacional. Do dia para a noite, ou melhor, passado algum tempo, é tomado como suspeito”, afirmou o magistrado. Sem citar o nome de Gilmar Mendes diretamente, Marco Aurélio fez críticas ao colega pelo pedido de vista feito por ele inicialmente nesse caso.

Já Fux chamou Lula de “criminoso” logo no início de seu voto, declarou que o julgamento por Sergio Moro “não prejudicou o réu” e afirmou que a principal sustentação da defesa - em referência aos áudios da força-tarefa, que sequer estão nos autos - são “prova totalmente ilícita, roubada, mas que depois foi lavada. Como se faz lavagem de dinheiro. Houve uma lavagem dessa prova”.

O Plenário do STF retomou o julgamento em que se discute a decisão da 2ª Turma da corte que declarou a suspeição de Moro na ação penal contra Lula referente ao tríplex. A sessão foi realizada por meio de videoconferência.

Os sete votos pela manutenção da decisão da 2ª Turma, a favor da suspeição, foram dos ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski e das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia. Com a conclusão do voto de Marco Aurélio, que havia pedido vista dos autos, e do presidente da Corte, Luiz Fux, o julgamento foi concluído em 7 x 4. Os dois acompanharam o relator, Edson Fachin, assim como Luís Roberto Barroso.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Luana Araújo afirma que insistência em cloroquina é "ideia delirante"

A médica Luana Araújo, cuja indicação para cargo superior no Ministério da Saúde foi retirada por pressão de Jair Bolsonaro, refuta as teses negacionistas do governo sobre a pandemia

Brasil 247, 22/06/2021, 04:59 h Atualizado em 22/06/2021, 05:38
Luana Araújo (Foto: Reprodução/TV Senado)

A médica infectologista Luana Araújo rebateu em entrevista à Folha de S.Paulo a versão apresentada à CPI da Covid pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que afirmou ter retirado a indicação por conta própria em razão de resistências na classe médica ao nome da especialista.

"O que depreendi da fala do ministro é que o meu comportamento pró-ciência é desagregador. Mas, se o comportamento agregador não é o pró-ciência, a quem estamos querendo agregar?", questiona.

Luana Araújo avalia que o Brasil nunca saiu da primeira onda da Covid e considera "equivocadas" as estratégias adotadas pelo governo para enfrentar a pandemia.

Para a médica, que fez críticas na CPI à busca por medicamentos sem eficácia, gastar tempo, energia e dinheiro em discussões como a cloroquina é uma ideia delirante.

Ela afirma sobre a decisão do governo de não mais nomeá-la para o cargo depois de ter sido indicada que nunca houve nenhuma dificuldade técnica, pelo contrário. "O que aconteceu é que foram resgatadas declarações minhas" [de antes de assumir o cargo, contra o uso de cloroquina para a Covid, por exemplo].

Luana Araújo reafirma o que disse na CPI sobre como o ministro Queiroga lhe comunicou que não seria mais nomeada: "O ministro chegou a falar em uma questão de validação política que, para mim, técnica, não filiada e apartidária, só pode ter sido atribuída a meu posicionamento pró-ciência. Mas um cargo técnico ter virado questão de validação política é extremamente temerário. Isso me deixa um pouco constrangida com eventuais rumos".

Quando fala em estratégias equivocadas, a médica se refere ao "investimento feito em medicações que não são apropriadas como estratégia prioritária de política pública, a falta de informação clara, precisa e única para a população, pouco investimento na testagem, a não utilização da atenção primária como ferramenta básica de combate à epidemia e o direcionamento da resposta à atenção terciária" [rede de hospitais].

Questionada por que muitos médicos se posicionaram a favor de medicamentos sem eficácia para a Covid, a médica afirmou que "existe uma falha na educação médica que sempre foi importante, mas que a pandemia evidenciou. Uma dificuldade enorme de compreensão de epidemiologia, do que é um artigo científico, como interpretar metodologias".

Leia a íntegra na Folha de S.Paulo

Bolsonaro tem 15 dias para explicar ao TSE declarações sobre supostas fraudes em urnas

Jair Bolsonaro, sem provas, já afirmou que, por exemplo, a eleição de 2018 foi manipulada e que somente venceu o pleito por ter tido muito mais votos que Haddad

Brasil 247, 21/06/2021, 19:39 h Atualizado em 21/06/2021, 19:39
(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil | Isac Nóbrega/PR)

O ministro Luís Felipe Salomão, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 15 dias para que Jair Bolsonaro explique as declarações sobre supostas fraudes eleitorais por meio das urnas eletrônicas.

Por mais de uma vez, Bolsonaro afirmou que as eleições no Brasil são fraudadas e que somente ganhou o pleito em 2018 por ter tido muito mais votos que seu adversário, o ex-ministro Fernando Haddad. O chefe do governo federal, no entanto, nunca apresentou provas.

O ministro ainda determinou a abertura de procedimento administrativo para apurar se houve de fato alguma fraude em 2018.

Governo Bolsonaro superfaturou compra de vacina indiana em mais de 1.000%

Escândalo de corrupção pode fragilizar ainda mais o governo, no momento em que Jair Bolsonaro mostra total descontrole emocional

Brasil 247, 22/06/2021, 06:34 h Atualizado em 22/06/2021, 07:41
(Foto: ABr)

No momento em que Jair Bolsonaro demonstra total descontrole emocional, um escândalo de corrupção na compra de vacinas pode fragilizar ainda mais o seu desastroso governo. "Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina indiana Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha o preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose).

Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia 'custaria menos do que uma garrafa de água'. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) – a mais cara das seis vacinas compradas até agora", aponta reportagem de Julia Affonso, publicada no jornal Estado de S. Paulo.

"A ordem para a aquisição da vacina partiu pessoalmente do presidente Jair Bolsonaro. A negociação durou cerca de três meses, um prazo bem mais curto que o de outros acordos. No caso da Pfizer, foram quase onze meses, período em qual o preço oferecido não se alterou (US$ 10 por dose). Mesmo mais barato que a vacina indiana, o custo do produto da farmacêutica americana foi usado como argumento pelo governo Bolsonaro para atrasar a contratação, só fechada em março deste ano", aponta a repórter.