domingo, 18 de março de 2018

Jungmann e as balas perdidas nos Correios



"Não sei se o ministro mentiu ou apenas cometeu um equívoco primário, o que é grave para alguém na sua posição, mas a questão continua em aberto".

"Se o lote não foi roubado nos Correios da Paraíba em 2006, onde foi roubado então?", questiona o colunista do 247 Alex Solnik diante da contradição do ministro da Segurança, Raul Jungmann, sobre a munição de 9 mm usada para matar Marielle Franco, que fazia parte de lote destinado à Polícia Federal.

"Ou não foi roubado? Jungman está mais perdido que as balas que segundo ele foram perdidas nos Correios".

sábado, 17 de março de 2018

Izaías Almada: Brasil numa enruzilhada; ou reage ao fascismo e entreguismo ou será consumido pelo ódio e violência

Viomundo,16 de março de 2018 às 10h43

ENCRUZILHADA

por Izaías Almada, especial para o Viomundo

Tudo indica que as palavras do general interventor no Rio de Janeiro, ao anunciar que a cidade maravilhosa se tornaria um “laboratório” para outras intervenções do tipo pelo país, começa a se tornar realidade.

Antes desta declaração, um seu superior, o comandante do Exército, general Vilas Boas, também declarou qua a intervenção militar deveria ter garantias de que sua ação não seria confrontada, quem sabe, por uma nova Comissão da Verdade.

O que pensar dessas duas declarações quando na noite de ontem, dia 14 de março de 2018, uma integrante da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, vereadora do Psol na mesma cidade, Marielle Franco, é covarde e brutalmente assassinada ao lado do seu motorista numa emboscada que reúne todas as características de uma morte por encomenda e um claro recado para quem ainda tem veleidades de tentar interferir a sério no chamado crime organizado carioca.

Os dois generais foram confrontados e ridicularizados em suas declarações, se considerarmos a possibilidade de que foram feitas com alguma boa intenção.

O crime, hediondo, como é todo crime dessa natureza, merece investigação mais do que rigorosa, pois não se trata apenas de justiça para Marielle e sua corajosa luta, mas, sobretudo, de começar a punir os meliantes que assaltaram o palácio da Alvorada e adjacências.

Pois é disso que se trata: a morte de Marielle é um crime político.

O governo (e peço licença para assim me expressar) do presidente Temer, com a sua incapacidade para governar um país como o Brasil ajuda a botar mais lenha na fogueira e deixa que a lei da selva se instale em definitivo entre nós.

Mas a pergunta que fica é mais terrível: quem irá investigar, se o fascismo já está integrado ao cotidiano brasileiro e muito dele a se aproveitar de marginais para o serviço sujo?

Talvez um arremedo de investigação seja feito para aplacar aos mais revoltados, pois atualmente é muito fácil apontar acusados sem provas, prática antiga da polícia brasileira.

Incorporada mais recentemente, sobretudo após o golpe mequetrefe de 2016, pela justiça de qualquer instância.

O dia a dia do brasileiro transforma-se num pesadelo para muitos, numa brincadeira de mau gosto para outros e numa terra de ninguém para (com licença da expressão) o governo Temer.

Não há governo, repito, e sim grupos — mafiosos ou não — a dilapidarem o que resta do patrimônio nacional, a rasgarem o que resta de uma Constituição, a mentirem e insuflarem o ódio de classes pela imprensa e pela televisão, tudo sob a complacência e vista grossa de um Poder Judiciário cada vez mais acovardado.

O país está mais uma vez diante de uma encruzilhada.

Ou reage ao fascismo e ao entreguismo (com licença da expressão) do governo Temer ou será logo, logo, consumido pelo ódio e pela violência de grupos que não têm o menor compromisso com a democracia, a soberania do país e com a justiça social.

A História está cheia de exemplos dessa natureza, sendo o mais conhecido deles o incêndio do Reichstag, organizado e perpetrado há 85 anos na Alemanha durante a ascensão do nazismo.

Universidade onde Moro deu aula lota com estudantes assistindo disciplina sobre o golpe


Cada vez mais brasileiros ficam conscientes de que todo o processo que afastou a presidente Dilma do governo e a consequente criminalização do PT e do ex-presidente Lula faz parte de uma estratégia que envolve empresários, políticos, juízes, procuradores e até os EUA.

Por isso cresce o número de universidades criando uma disciplina para analisar o golpe.

Na Universidade Federal do Paraná, onde o juiz Sérgio Moro lecionou, a sala de aula ficou lotada.

Quem apertou o gatilho?


"A execução bárbara de Marielle e Anderson é um duro e dramático choque de realidade. Discurso ideológico mata", escreve o colunista Ricardo Cappelli.

Para ele, "mãos poderosas apertaram o gatilho. Destruíram nossa economia. Implodiram o tecido social. Manobram e zombam de nossas instituições".

"Eles estão marchando. Mais balas virão. O povo está assustado. Bravatas não vão nos livrar dos próximos atos de barbárie. Que tal sacarmos a bala que pode derrotá-los? Ela é curtinha e poderosa. Atende pelo nome de UNIDADE", afirma.

Controvérsia: Correios nega que munição usada na morte de Marielle tenha sido furtada de sede


Em resposta à versão usada pelo ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, na sexta-feira (16), a superintendência dos Correios na Paraíba informou neste sábado (17) não ter "conhecimento" de que a munição usada no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) tenha sido furtada de sua sede no Estado.

Na sexta (16), Jugmann havia afirmado que a munição pertencia à Polícia Federal e que havia sido furtada da sede dos Correios em 2006.

O Brasil é alvo de uma guerra híbrida


Um dos principais especialistas do mundo em política internacional, o jornalista Pepe Escobar, correspondente do Asia Times, concendeu entrevista à TV 247, em que falou sobre "a guerra híbrida" promovida pelos Estados Unidos contra o Brasil, com objetivo de tomar riquezas, como o pré-sal.

"Esse ainda será um caso de estudo internacional sobre não apenas a derrubada de um governo, como também sobre como todo um país foi desestruturado", afirma.

Escobar diz que o Brasil viveu o auge de seu prestígio internacional com o ex-presidente Lula e com o chanceler Celso Amorim e diz que, hoje, tem uma política de total subserviência aos Estados Unidos, o que foi decorrente da Lava Jato, conduzida por Sergio Moro.

Brian Mier: Os EUA atuaram no golpe contra o Brasil


Co-editor do site Brazil Wire, o correspondente Brian Mier, que vive há mais de vinte anos no Brasil e é casado com uma brasileira, afirma ter certeza de que os Estados Unidos atuaram no golpe contra a presidente Dilma Rousseff e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Se os Estados Unidos atuaram em mais de 100 golpes ao na América Latina nos últimos cem anos, por que não atuariam neste de 2016?", questiona.

Ele aponta também os benefícios obtidos pelo governo norte-americano: reservas do pré-sal, Embraer e contratos de R$ 140 milhões por ano do governo federal com a Microsoft.

Mier afirma que se, de fato, o juiz Sergio Moro se mudar para os Estados Unidos, será muito bem recebido pelas empresas de petróleo.

"O Brasil está sendo saqueado".

Mier diz ainda que os Estados Unidos são o país mais corrupto do mundo – "basta ver o que foi a guerra do Iraque".

Pimenta: É assustador o poder da Globo sobre o STF


"Sinceramente, chega a ser assustador a capacidade que a rede Globo tem de intimidar a independência da Suprema Corte. Isso é apequenar o judiciário brasileiro e colocá-lo em posição de absoluto constrangimento diante da história, suas opções e responsabilidades", diz o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), diante da recusa dos ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia de colocar em pauta a questão da prisão em segunda instância.

"Enquanto suas Excelências decidem quem é, a CF continua sendo violada, e um direito inalienável de um cidadão inocente usurpado por essa indefinição", fala Pimenta.

Digitais do Estado abundam na morte de Marielle

Fonte: Josias de Souza, 17/03/2018 04:14

O proverbial abismo para o qual a segurança pública caminha no Brasil é uma figura de retórica convenientemente dispersa. Como a bandidagem já dá as cartas há muito tempo e, mesmo assim, o brasileiro continua a ver suas novelas e a pagar os seus carnês, o país vive a ilusão de que o inferno é apenas uma ficção admonitória que nunca se tornará uma realidade irrefutável. Mas a investigação preliminar do fuzilamento da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, indica que o caos completo já chegou. O Estado, que deveria prover a segurança, deixou uma abundante quantidade de digitais na execução.

15.mar.2018 - Anielle Silva chora durante o enterro da irmã, a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada a tiros na noite da quarta-feira (14) no Rio de Janeiro. Marielle tinha 38 anos e uma filha de 20. Seu corpo foi enterrado no Cemitério do Caju, na zona norte do Rio Imagem: Marcos Arcoverde/Estadão

As autoridades de Brasília, incluindo Michel Temer, ruminam a certeza de que o crime da noite de quarta-feira foi um desafio à interferência de Brasília na segurança do Rio. Se a intervenção a ser afrontada é federal, nada mais perturbador do que utilizar munição federal para atingir o alvo. As nove cápsulas de balas calibre 9 milímetros recolhidas na cena do crime pertenciam ao Departamento de Polícia Federal, em Brasília. Espanto!

A munição veio de um lote de 1,9 milhão de balas vendidas à PF em 2006 pela CBC, Companhia Brasileira de Cartuchos. Uma parte foi desviada, confirma o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública). Num desses desvios, ocorrido em 2007, um escrivão chamado Cláudio de Souza Coelho vendeu os cartuchos da PF a bandidos do Rio, acrescenta Jungmann. Pasmo!

O escrivão foi processado, demitido e preso. Entretanto, Jugmann esclarece que mais de 50 inquéritos já foram abertos em função do surgimento das cápsulas surrupiadas da Polícia Federal em cenários de crimes —no Rio de Janeiro e alhures. Quer dizer: a PF diz ter punido o escrivão que entregava ouro aos bandidos. Mas não logrou recuperar a munição, que continua produzindo cadáveres mais de uma década depois do desvio. Estupefação!

Longe dos holofotes, autoridades e investigadores classificaram o assassinato de Marielle como uma “execução” desde a primeira hora. Diante dos repórteres, porém, os protagonistas do caso comportavam-se como se tivessem sido assaltados por uma dúvida. Ou várias dúvidas. Natural. Os bons detetives sempre abrem o leque de hipóteses no início de uma investigação. De resto, a coisa anda tão degradada no Rio de Janeiro que até as dúvidas assaltam. Mas as imagens captadas por câmeras ao longo do trajeto de Marielle vão dissipando as incertezas.

Já não há a mais remota dúvida de que Marielle e seu motorista foram passados nas armas com método. Coisa de profissionais. Sob o guarda-chuva do general-interventor Braga Netto, que administra a segurança do Rio por procuração de Temer, a própria Polícia Civil fluminense informou aos escalões superiores que sua principal linha de investigação é a seguinte: a execução foi planejada e executada por policiais ou ex-policiais que atuam em milícias.

Escondidos num carro estacionado atrás do veículo de Marielle, os assassinos poderiam ter disparado contra ela na Rua dos Inválidos, na saída do sobrado em que a vereadora se reuniu com um grupo de mulheres negras. Mas fizeram questão de ostentar a própria destreza. Seguiram o alvo por cerca de 15 minutos, em dois carros. Um deles emparelhou com o veículo em que estava Marielle. Os vidros escuros não prejudicaram a pontaria direcionada para o vulto acomodado no banco de trás.

Se as suspeitas dos investigadores estiverem corretas, Marielle e Anderson foram executados com as balas federais da PF, disparadas por matadores ainda pendurados na folha estadual ou assassinos que aproveitam o treinamento que receberam às custas do Estado para empreender no ramo da barbárie.

Em português claro: a menos que as apurações sofram uma reviravolta, há uma enorme probabilidade de emergir das investigações um assassinato, por assim dizer, estatal. Em linguagem ainda mais clara: na guerra que Temer deflagrou ao assinar o decreto de intervenção, em 16 de fevereiro, o primeiro inimigo a ser enfrentado é o bandido doméstico, infiltrado nas forças de segurança do Estado.

Trata-se de uma obviedade que o general Braga Netto não ignora. Aliás, o interventor já manuseou o detergente ao trocar os comandos das polícias civil e militar. Começou a passar o rodo, providenciando meia dúzia de prisões. O esforço vai virar fumaça se a intervenção não apresentar rapidamente os executores de Marielle e Anderson.

Num país como o Brasil, que se equilibra à beira do vácuo em vários setores, há muitas definições para abismo. Mas, na área de segurança pública, nada se parece mais com o fundo do poço do que um cenário no qual as pessoas não se animam a conversar com um policial a não ser em legítima defesa. A certeza de que o abismo pode ser adiado indefinidamente derrete quando se constata que o Rio é apenas o pedaço do problema que está na vitrine. Há mais encrenca no fundo da loja.

Ao refazer o caminho da munição usada na execução do Rio, a polícia verificou que balas do mesmo lote surrupiado da PF mataram 17 pessoas no caso que ficou conhecido como chacina de Osasco, em 2015. Puxaram o gatilho três PMs e um guarda civil. Além dos cartuchos da PF, usaram projéteis adquiridos na CBC pelo Exército (um lote) e Polícia Militar de São Paulo (dois lotes). Quer pista melhor dos "compradores" da munição?

O crime no Brasil é organizado porque o Estado é esculhambado. Tão avacalhado que a bandidagem consegue roubar bala das forças estatais como quem toma pirulito de criança. Além da certeza de que a segurança pública caiu no abismo não há a menor dúvida sobre quem o cavou.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Lula denuncia cooperação ilegal entre Moro e EUA


Os advogados Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio acabam de protocolar, junto ao TRF-4, provas de que o juiz Sergio Moro, que pediu demissão da Universidade Federal do Paraná e deve se mudar para os Estados Unidos, colaborou fora dos registros oficiais com autoridades estadunidenses.

Os vídeos de autoridades judiciárias norte-americanas tratam da colaboração extraoficial – o que, segundo a lei brasileira, é ilegal.

"As novas provas apresentadas reclamam a necessidade de o TRF4, ao julgar os embargos de declaração, proclamar a nulidade de todo o processo ou, então, absolver o ex-presidente Lula", diz a defesa.

Desde o inicio da Lava Jato, o Brasil já cedeu campos do pré-sal, a Embraer e até um satélite aos Estados Unidos.