sábado, 25 de fevereiro de 2017

The New Yorker: Sob Temer, caos no Brasil promete novas explosões


"As coisas não vão bem no Brasil", escreve na revista The New Yorker desta semana o prestigiado jornalista e escritor John Lee Anderson.

Depois de historiar a crise dos dois últimos anos no Brasil, destacando os casos de corrupção, a Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff, ele fala dos confrontos violentos nos presídios e da crise de segurança e diz que "Temer e seus aliados se movem rapidamente para desfazer o legado de 13 anos do PT, em cujos governos o país tornou-se um dos maiores exportadores de commodities no auge do boom da China

A maioria desses ganhos está agora em risco, com Temer instituindo medidas de austeridade e um congelamento de 20 anos em todos os gastos públicos. Com a situação social em ruínas, o Brasil tem todos os ingredientes para enfrentar novas explosões".

Como Temer e Padilha caíram na armadilha de Cunha


Jornalista Andrei Meireles, do site Os Divergentes, questiona "o caminho tortuoso da entrega" do dinheiro que teria chegado ao escritório de José Yunes, amigo de Michel Temer, em "envelopes".

"Não há motivo plausível para a Odebrecht, com seu estruturado departamento de propina, ter optado por um modo tão amador para um pagamento dessa envergadura", observa.

"Na interpretação de quem conhece esse jogo, quem deu, intermediou e operou o pagamento ali quis carimbar a entrega", completa.

Para Juca Kfouri governo Temer anda mal de saúde


Em entrevista a Alex Solnik, do 247, o jornalista Juca Kfouri ironiza os escândalos diários do governo Temer, como o mais recente, em que Eliseu Padilha saiu para fazer uma cirurgia da próstata após ser delatado por José Yunes.

"O governo não está bem de saúde. Veja, essa coisa do Yunes não tem pé nem cabeça, né. A versão dele. É um documento... um documento um pouco mais espesso que o cara disse que era 1 milhão de reais...", diz.

Para ele, "não é mais Ali Babá e os 40...é o Temer e os 140".

Para o jornalista, "Temer tem mais medo de Cunha que Cunha de Temer".

Governo Temer provavelmente nomeará para a política internacional alguém ligado a Serra

Pra manter a mesma linha de ação

"Serra não tinha o que propor ao governo. A política externa do governo desapareceu, mais além de conflitos regionais, sem maior expressão internacional. A saída do Serra poderia ser um momento para que o governo mudasse as prioridades e o tom do discurso", diz o colunista do 247 Emir Sader. No entanto, avalia, é mais provável que o governo perca essa oportunidade.

"Temer vai discutir com o Serra, que por sua vez vai querer emplacar algum que mantenha a linha pitbull que ele colocou em prática. Aloysio Nunes estaria perfeitamente nesse figurino retrógrado. Ou algum dos ex-embaixadores tucanos, todos absolutamente subservientes aos EUA".

O impeachment comprado


Para o colunista Alex Solnik, a denúncia feita por José Yunes que envolve Eliseu Padilha e Michel Temer, "ajuda a entender que o impeachment foi resultado de uma conspiração.

Que a conspiração começou ainda na eleição de Cunha à presidência da Câmara e que os 140 deputados financiados para eleger Cunha também votaram a favor do impeachment".

"As questões que se colocam são: 1) se esses 140 votos precisaram ser comprados é porque os deputados não estavam convencidos de que o impeachment se sustentava; 2) sem esses 140 votos não teria havido impeachment; 3) comprovando-se a existência dessa compra não seria o caso de anular o impeachment?", questiona o jornalista.

Moro ocultou o crime da mula?

Por que as perguntas de Cunha são "impertinentes"?

Conversa Afiada, 25/02/2017
Do FaceBook de Jeferson Miola:

Além de Padilha e Temer, denúncia de Yunes compromete Moro

Jeferson Miola

O depoimento que José Yunes prestou ao MP assumindo-se como simples “mula” para transportar os R$ 4 milhões da propina da Odebrecht destinada a Eliseu Padilha é demolidor para o governo golpista.

A denúncia do amigo de mais de meio século do Michel Temer põe luz sobre acontecimentos relevantes da história do golpe, e pode indicar que os componentes do plano golpista foram estruturados em pleno curso da eleição presidencial de 2014:

1. a Odebrecht atendeu o pedido do Temer, dos R$ 10 milhões [os R$ 4 milhões ao Padilha são parte deste montante] operados através de Lucio Funaro, ainda durante o período eleitoral de 2014;

2. mesmo sendo o candidato a vice-presidente da Dilma, na campanha Temer trabalhava pelo esquema do Eduardo Cunha [que na eleição apoiou Aécio Neves, e não a chapa do seu partido, o PMDB], que tinha como meta eleger uma grande bancada de deputados oposicionistas ao governo Dilma;

2. a organização criminosa financiou com o esquema de corrupção a campanha de 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara;

3. Lúcio Funaro, tido até então exclusivamente como o “operador do Eduardo Cunha”, na realidade também atuava a mando de Eliseu Padilha e, tudo indica, de Michel Temer. José Yunes diz que Temer sabia tudo sobre o serviço de “mula” que Padilha lhe encomendara;

4. em janeiro/fevereiro de 2015, na disputa para a presidência da Câmara, embora em público Temer dissimulasse uma posição de “neutralidade”, nos subterrâneos trabalhou pela eleição do Cunha;

5. mesmo sendo vice-presidente da Presidente Dilma, o conspirador conhecia o plano golpista desde sempre, e participou desde o início da conspiração para derrubá-la.

O primeiro passo, como se comprovou, seria dado com a vitória do Eduardo Cunha à presidência da Câmara para desestabilizar o ambiente político, implodir os projetos de interesse do governo no Congresso e incendiar o país.

A denúncia de Yunes reabre o questionamento sobre a decisão no mínimo estranha, para não dizer obscura e suspeita, do juiz Sergio Moro.

Em despacho de 28/11/2016, Moro anulou por considerar “impertinentes” as perguntas sobre José Yunes que o presidiário Cunha endereçou a Temer, arrolado como sua testemunha de defesa.

Moro tem agora a obrigação de prestar esclarecimentos mais convincentes e objetivos que o argumento subjetivo de “impertinência”, alegado no despacho.

Caso contrário, ficará a suspeita de ter prevaricado para proteger Temer e encobrir o esquema criminoso que derrubaria o governo golpista.

Afinal, sabendo do envolvimento direto de Michel Temer no esquema criminoso, Moro teria agido para ocultar o fato?

A cada dia fica mais claro que o Brasil está dominado pela cleptocracia que assaltou o poder de Estado com o golpe.


O melhor que Temer faria ao país seria demitir toda a corja corrupta – a começar pelo Eliseu Padilha – e renunciar, porque perdeu totalmente a confiança política e a credibilidade.

A permanência ilegítima de Temer na cadeira presidencial é um obstáculo instransponível à recuperação do Brasil, que assim seguirá o caminho acelerado do abismo.

Aécio cada vez mais no comando


"Serra pulou fora do barco. Há algum tempo, Alckmin ameaça fazer o mesmo. Fhc vira e mexe envia mensagens dúbias em relação à camarilha golpista. Mas por que o grupo de Aécio continuará dando as cartas no governo golpista?", questiona o cientista social Robson Sávio.

"Com interesses e currículo similares aos da turma de Temer e seu bando peemedebista, o tucano riomineirês é o rei desse xadrez da desgraça que domina momentaneamente o país", diz.

Para ele, "Aécio é um ególatra que vive de uma perversão: pensa que sua missão é salvar o Brasil; e seu destino inexorável é a presidência da república. Como transformou essa fantasia numa obsessão, faz qualquer negócio para atingir seu intento. Não tem limites..."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Fim de Temer está mais próximo


"A saída de Eliseu Padilha, ocorrida apenas três meses depois da queda de Geddel Vieira Lima, coloca o isolamento político de Michel Temer no nível da calamidade", avalia Paulo Moreira Leite.

Para o jornalista, "o debate sobre a sucessão antecipada de Temer ganha corpo e velocidade em Brasília, estimulando uma operação vergonhosa destinada a manter a escolha de seu substituto pelo Congresso, aquele mesmo financiado e organizado pelo suíço Eduardo Cunha".

De acordo com PML, "mais do que nunca é hora de debater a emenda que obriga a convocação de eleições diretas, para permitir que o país retorne a democracia".

Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, pede licença do governo Temer

Afastamento do governo ocorre após José Yunes, amigo de Michel Temer, afirmar ter recebido um pacote em seu escritório a pedido de Padilha

Carta capital, 24/02/2017

Valter Campanato/ Agência Brasil

Padilha deve fazer, ainda no fim de semana, uma cirurgia para a retirada da próstata

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Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, pediu licença do governo de Michel Temer na noite de quarta-feira 23, alegando problemas de saúde.

A saída de Padilha ocorre em um momento de crise no governo peemedebista: o empresário José Yunes, amigo próximo de Temer, afirmou ter recebido a pedido do ministro da Casa Civil , um pacote m seu escritório enviado por Lucio Funaro, apontado como operador do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho, também afirmou que enviou dinheiro vivo, a pedido de Padilha, ao escritório de José Yunes.

Padilha viajou para a sua casa em Porto Alegre e deve fazer, ainda no fim de semana, uma cirurgia para a retirada da próstata. Ele foi internado no hospital do Exército, em Brasília, na segunda feira 21, após uma hemorragia causada por obstrução urinária. Foi constatado o aumento da próstata.

A previsão é que ele volte ao cargo no dia 6 de março.

Ministro José Serra pede demissão

Senador do PSDB-SP estava no cargo desde maio do ano passado. Em carta, Serra disse que deixa Relações Exteriores 'em razão de problemas de saúde'.

G1, Brasília, 22/02/2017 

O ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), pediu demissão do cargo na noite desta quarta-feira (22).

Na carta enviada ao presidente Michel Temer, Serra disse que decidiu deixar a pasta "em razão de problemas de saúde" - veja a reprodução da carta ao final desta reportagem.

José Serra pede demissão do cargo de ministro das Relações Exteriores

Serra estava no cargo desde maio do ano passado, quando Temer assumiu como presidente em exercício.

O tucano é senador por São Paulo e tem mandato até 2022. Ele havia se licenciado para assumir o Itamaraty.

Ao longo do período em que ocupou o Ministério das Relações Exteriores, José Serra se envolveu em algumas polêmicas, como quando determinou o envio de uma circular a embaixadores em todo o mundo para rebater a tese da ex-presidente Dilma Rousseff de que ela foi vítima de um "golpe" no processo de impeachment.

Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, Serra entregou pessoalmente a carta de demissão a Temer na noite desta quarta, no Planalto.

Conforme informou o colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, desde dezembro do ano passado Serra já dava sinais a aliados de que poderia deixar o ministério.

Com a saída de Serra, o secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, deverá responder pela pasta até que um novo ministro seja nomeado.

Trechos da carta

Na carta de demissão, Serra diz que deixa o cargo "com tristeza'. Segundo o ministro, os problemas de saúde o impedem de cumprir as viagens internacionais necessárias ao cargo, além das atividades do dia a dia.

José Serra acrescenta, ainda, que os médicos estimam um período de quatro meses para o "restabelecimento adequado" da saúde.

"Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe. No Congresso, honrarei meu mandato de senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil", conclui José Serra na carta.

Problemas de saúde

Na carta de demissão, José Serra não especifica os problemas de saúde que enfrenta. Em dezembro do ano passado, o então ministro foi submetido a uma cirurgia na coluna no Hospital Sírio-Libanês.

Além disso, em janeiro de 2014, Serra foi submetido a uma cirurgia na próstata. Ele apresentava um quadro de hiperplasia prostática benigna, quando há aumento do órgão.

Antes disso, em julho de 2013, o ministro foi submetido a um cateterismo. À época, os médicos colocaram no coração dele um stent, mola metálica que expande a artéria e aumenta a capacidade de fluxo sanguíneo.

PSDB no governo Temer

Mesmo com a saída de José Serra, o PSDB continua sendo um dos principais partido que integram a base de apoio do presidente Michel Temer.

Isso porque a legenda comanda os ministérios das Cidades (Bruno de Araújo-PE), da Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy-BA) e dos Direitos Humanos (Luislinda Valois-BA).

Além disso, o líder do governo no Senado é o tucano Aloysio Nunes (SP), candidato a vice-presidente em 2014 na chapa formada com Aécio Neves (MG), que acabou derrotada.
Carta de demissão do ministro José Serra (Foto: Reprodução)