domingo, 25 de dezembro de 2016

Dilma: “Este golpe parasitou as instituições e a democracia”


Em Buenos Aires, onde foi homenageada com o título de Doutora Honoris Causa da UMET (Universidade Metropolitana para a Educação e o Trabalho), nessa semana, Dilma declarou em entrevista ao portal de esquerda Página 12 que os "estados de exceção" parasitam a árvore da democracia e a correm.

Para ela, o Brasil vive nesse momento "uma democracia suspensa"; "Não é um 'estado de exceção' na democracia. São medidas de exceção que corroem a democracia. Que a suspendem. O Brasil tem uma democracia suspensa", analisa, citando como "exemplo máximo" disso a aprovação de seu impeachment sem crime de responsabilidade; a solução para a crise do País, em sua opinião: "eleições diretas já para presidente, com uma nova constituinte para solucionar o sistema político".

Padilha confirma: Temer pediu dinheiro à Odebrecht no Jaburu


"Houve o jantar. Os recursos (da Odebrecht) foram registrados por depósitos bancários, foi feita a prestação de contas, e as contas foram aprovadas pelo TSE. Eu, pessoalmente, não era candidato. Não pedi e não recebi dinheiro de ninguém", diz o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, depois de confirmar que Michel Temer pediu seu auxílio para que "se fosse possível, que se ajudasse a campanha do PMDB".

Acusado pelo ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho de receber R$ 4 milhões, quantia que teria que redistribuir, Padilha afirma ainda ter "mais do que apoio" de Temer para ficar no cargo.

Segundo o delator, escolha do Jaburu para o pedido de R$ 10 milhões foi "simbólico".

Fala de Temer foi alvo de panelaço em várias cidades


Povo recebeu o pronunciamento oficial de Michel Temer em rede nacional, feito na véspera de Natal, com panelaço em diversas cidades, como São Paulo, Rio, Salvador, Brasília, Recife, Porto Alegre, Bauru e Feira de Santana, de acordo com relatos nas rede sociais.

Fala do presidente ignorou o tema corrupção, teve o tom otimista e completamente alheio ao que se passa em volta.

2017: O duelo entre a democracia e a ditadura


"Em 2016, o Brasil sofreu a interrupção da democracia instaurada com o fim da ditadura militar. Golpistas assaltaram o governo, derrubaram a presidente reeleita pelo voto popular. Pretendiam impor uma dura e desmoralizante derrota ao movimento popular, que o deixaria fora de ação por muito tempo. Não conseguiram. Infringiram um duro golpe à democracia, a feriram, mas não de morte", escreve o sociólogo Emir Sader.

Para ele, "a disputa decisiva entre a democracia e a ditadura vai ter em 2017 seu grande cenário", com "grandes lutas sociais, de riscos para a continuidade do governo golpista. Se somam a isso as iniciativas populares de lançamento da pré-candidatura de Lula. Este segundo vetor representa a força da democracia, se opõe frontalmente ao primeiro e anuncia um choque frontal entre o projeto do golpe e o da restauração democrática".

Andrade deve ser chamada para delatar SP e MG


A expectativa é de que no início de 2017 executivos da empreiteira Andrade Gutierrez sejam chamados para falar sobre pontos que não contaram na delação premiada, mas que foram expostos por delatores da Odebrecht, como corrupção em obras em São Paulo, onde a Odebrecht revelou propina ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), o "Santo", e na cidade administrativa de Belo Horizonte, onde Aécio Neves (PSDB) é acusado de fazer parte do esquema.

Dilma diz que se ela não tivesse vencido em 2014, as coisas estariam piores

Nós já teríamos um pacote de austeridade e privatizações como o do [presidente Mauricio] Macri, na Argentina

Brasil 247, 25.12.16

247 – A presidente eleita e deposta pelo impeachment Dilma Rousseff acredita que, se não tivesse vencido a eleição de 2014, a situação do País estaria pior hoje. A análise foi feita em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada neste sábado 24.

Questionada se se arrepende de ter vencido a disputa contra Aécio Neves (PSDB), ela responde: "Nem por um momento. Se eu não tivesse vencido, as coisas estariam piores agora. Nós já teríamos um pacote de austeridade e privatizações como o do [presidente Mauricio] Macri, na Argentina".

Pela primeira vez, Dilma descreve seus sentimentos no dia em que a Câmara votou pela admissibilidade do processo de impeachment, na sessão de 17 de abril desse ano. "Foi um caleidoscópio de lembranças. Senti tristeza, desespero e indignação", afirma.

Ela também recorda a reação do ex-presidente Lula, que estava junto com ela no momento. "Ele chorou e me abraçou. Ele disse 'chore, Dilma, chore!' Mas eu não choro quando estou sentida. Não é assim que eu sou", conta.

Dilma comenta o episódio em que o deputado Jair Bolsonaro dedica seu voto pelo impeachment ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-Codi, órgão de repressão durante a ditadura militar e um dos torturadores de Dilma. "Eu fiquei chocada que ele pudesse dizer isso no Congresso", disse a ex-presidente.

Ainda em referência à ditadura, ela relata "todos os dias são difíceis", em alusão ao período posterior ao seu afastamento, mas ressalta que "este não foi o pior ano" da sua vida. "De jeito nenhum", atesta.

Como já disse em outras ocasiões, Dilma reforçou que o fato de ser mulher ajudou nesse processo. "O fato de eu ser a primeira mulher presidente foi significante para o que aconteceu comigo. É difícil de quantificar, não era 100% por causa disso, mas era um componente", acredita. "Acho que será mais fácil para a próxima presidente", espera.

Franceses comemoram “negócio da China” no pré-sal


A Rádio França Internacional publicou a festiva repercussão na imprensa francesa da compra pela Total, multinacional deles, de boa parte dos campos de petróleo de Iara e Lapa, no pré-sal brasileiro da Bacia de Santos (SP).

Dizem que o jornal de economia Les Echos informa que esses campos “guardam reservas gigantescas de petróleo e o valor pago foi interessante”, destaca o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Peemedebistas ameaçam pôr fogo em tudo

Alan Marques - 22.dez.2016/Folhapress 
Presidente Michel Temer entre os ministros Henrique Meirelles (esq.) e Dyogo Oliveira (dir.)

Apesar de algum possível alívio a ser trazido pela liberação das contas inativas do FGTS, no conjunto da obra o bando peemedebista que se apossou do poder demonstra surpreendente audácia. Quanto maiores os sinais de perigo, mais atiçam o fogo que crepita sob a cadeira presidencial.

Nesta quinta-feira (22) Michel Temer declarou que aproveitava a "baixa popularidade para tomar medidas impopulares". Talvez tenha achado astuta a tirada suicida do publicitário Nizan Guanaes e decidiu acolhê-la mesmo depois que a Folha mostrou a efetiva disparada da reprovação a seu nome(11/12).

À frente de um ilegítimo mandato semiparlamentarista, seria de se esperar que o chefe de governo tivesse ouvido com mais atenção o recado emitido pela Câmara dos Deputados na terça-feira (20). Ao aprovar, por 296 a 12, proposta que aliviava a situação dos Estados, a Casa mostrou o risco de quebrar as unidades da federação em nome de uma austeridade extrema. Os nobres deputados podem até se distanciar da opinião pública, como ficou claro no gorado projeto de anistia ao Caixa 2, mas dificilmente contrariam o humor popular.

Ao recusar o cancelamento de reajustes já acordados com servidores e o aumento da contribuição previdenciária de funcionários, os parlamentares buscaram amenizar a indignação dos bem organizados sindicatos do setor público. Caso contrário, os grêmios poderão funcionar como catalisadores da crescente rejeição popular ao ajuste fiscal.

A frustração com a falta de recursos nos hospitais e escolas estatais poderá engrossar os confrontos violentos, que ocorrem quase que dia a dia no Rio de Janeiro e em Porto Alegre.

Contudo, em vez de acenar com algum alívio aos cofres regionais, ao menos enquanto o PIB patina, Temer duplicou a aposta, reafirmando que as contrapartidas vetadas pela Câmara serão repostas na negociação individual de cada governador com o Ministério da Fazenda. Não satisfeito, o presidente ainda mandou apresentar, embora sob a forma de projeto de lei, a reforma trabalhista que tende a tornar letra morta a CLT.

Talvez a clique planaltina tenha se impressionado com a facilidade para passar o teto dos gastos. Ocorre que a população ainda não entendeu o significado do congelamento orçamentário. Já a reação provocada pela reforma da Previdência, cuja natureza parece ter sido rapidamente apreendida, deve ter apimentado bastante o caldo de raiva que se forma contra a atual gestão.

Quem sabe, por outro lado, os peemedebistas queiram provar aos colegas tucanos que sacrificam, desde logo, qualquer possibilidade de disputar a Presidência da República em 2018. Para isso, como dizia Drummond, arriscam "pôr fogo em tudo", inclusive em si mesmos.

Artigo de André Singer, cientista político/Folha, 22.12.16 

Temer tenta iludir a si mesmo

Nesta noite de véspera de Natal, Temer, o presidente golpista, discursou para o Brasil. vejamos: 
Os grifos e consequentes questionamentos são deste Blog
Boa noite,
Nesta noite de Natal, dirijo-me a você e a todo povo brasileiro para transmitir mensagem de renovada esperança.
(Esperança? Esperança em que?)
O ano que está terminando trouxe imensos desafios.
Assumi definitivamente a presidência da república há pouco mais de cem dias.
(Temer seja claro, diga que derrubou um governo eleito democraticamente. E mais, não minta de novo, todos sabem que você assumiu o governo, com o apoio de seus comparsas, há 224 dias ou era seu clone que estava no poder quando a Dilma foi afastada?)
Tenho trabalhado, dia e noite, para fazer as reformas necessárias para que o país saia dessa crise e volte a crescer.
(Até onde consigo perceber teu trabalho, tuas propostas e tuas medidas provisórias implicam em diminuir o Brasil perante as nações, entregar suas riquezas, empobrecer o povo, retirar direitos trabalhistas e sociais e ferir de morte a democracia). 
O Brasil tem pressa. E eu também. Nesses poucos meses do nosso governo, muito já foi feito. 
(Sim é verdade. Muito já foi feito. Tudo diferente do que a sociedade quer e precisa. Quando a maioria do povo brasileiro elegeu Dilma para a Presidência não pensou que teria você como presidente e muito menos as ações de governo que hoje tem. Tanto se fez que tenho dificuldade em saber o que foi pior, se a entrega do nosso pré-sal a preço de banana ou a decisão de não mais investir em politicas públicas nos próximos vinte anos. Sem esquecer que o seu governo e de outros tantos delatados na Lava Jato, querem dar um presente de cerca de 100 bilhões para as teles. Tem mais: seu governo é uma ação entre amigos, a prova era o Geddel usando a máquina para fazer valer seus interesses pessoais )
Com os esforços que fizemos, a inflação caiu e voltou a ficar dentro da meta, o que vai colocar um freio na carestia que você sente no supermercado.
(Temer a inflação caiu porque todos foram obrigados a reduzir suas despesas devido a falta de dinheiro e o problema tende a aumentar. Os preços também cairam porque quem tem mercadorias quer vendê-las, mesmo que por um valor menor, para se capitalizar e quitar seus compromissos. Se você pudesse sair as ruas veria que o comércio e as indústrias, salvo raras exceções estão quebrando e se suas redes de comunicação e principalmente de enganação retratassem de forma fidedigna a realidade você saberia que o País está se desmanchando.)
Aprovamos a lei que bota ordem nos gastos públicos pelos próximos 20 anos.
(Isso não significa ordem nos gastos públicos. O nome disso é paralisia nos investimentos e equiparação do Brasil aos países mais atrasados. No mundo inteiro se enfrenta a crise com investimentos. Seu governo conhece mais de administração pública que a maioria dos países para fazer de forma diferente?)
E a lei que moraliza e dá transparência à administração das estatais.
(Sua política nesse setor é a de desvalorização das estatais para abrir caminho para a privatização. Quem viver, verá!)
Estamos começando a Reforma da Previdência, para que sua sagrada aposentadoria esteja garantida agora e no futuro. 
(Esse assunto dá até nojo, tal é a sua irresponsabilidade sobre ele. O que se percebe é que a aposentadoria está cada vez mais distante para o trabalhador. Seu objetivo foi abrir espaço para a previdência privada. E mais: você afirmou que a reforma da Previdência visa preservar "sua sagrada aposentadoria", mas um estudo do Dieese aponta que 70% dos brasileiros não terão mais benefícios se estas propostas forem aprovadas no Congresso)
Aprovamos na Câmara a Reforma do Ensino Médio, que estava parada havia anos.
(Reforma que a sociedade não discutiu, não conhece e empobrece o nosso ensino tais são as medidas que se pretende viabilizar)
Ampliamos em mais de R$ 8 bilhões o orçamento da Saúde, área para a qual não pouparei recursos.
(A prática diz outra coisa, fim do Mais Médicos e uma mãozinha pra saúde privada)
Mudamos a constituição para mudar o Brasil.
(Mudar para quem? Para favorecer o capital que apoiou incondicionalmente o golpe?)
Tudo isso, volto a lembrar, em poucos meses.
Tenho a perfeita consciência dos problemas do país e da missão que me foi dada.
(Quem te deu essa missão? Um congresso com grande número de parlamentares corruptos e que na prática não representa o povo brasileiro!)
Os brasileiros pagam muitos impostos e poucos recebem em troca.
(Não é com você e sua turma que essa realidade vai mudar. A gastança de vocês até agora, não engana ninguém)
Meu desafio é desburocratizar o estado e melhorar a qualidade da administração pública.
(Não há melhoria da máquina pública com a desvalorização do trabalhador.)
É o que chamo de democracia da eficiência.
2017 será o ano em que derrotaremos a crise.
(Você está mentindo ou tentando se iludir. Infelizmente não é essa a expectativa da maioria do povo brasileiro.)
Os juros estão caindo. E cairão ainda mais. 
(Minhas dívidas não tiveram a redução de um centavo sequer.)
Os empresários voltarão a investir e vamos recuperar os empregos perdidos.
(Outra grande ilusão. Empresário sem expectativa não investe.)
Precisamos crescer. Trabalhamos para voltar a crescer.
Vamos crescer.
Desta vez, um crescimento sustentável e responsável.
(Você está destruindo todos os pilares de um governo de inclusão social. Seu discurso não é realista.)
Estamos mudando as estruturas do nosso país.
(Qualquer pessoa sem a menor noção de estrutura percebe isso. Mudanças voltadas para o capital)
É um desafio complexo e árduo, mas indispensável, a ser vencido por todos nós.
Que nos deixemos, portanto, guiar pelas virtudes da temperança e da solidariedade.
E pelo entendimento de que, na humildade do diálogo e na correria da ação, construiremos juntos o caminho para fazer o futuro.
(Diálogo? Com quem? Onde? Quando?)
A verdade virá.
(A verdade já veio. Grande parte dos que vestiram verde e amarelo e bateram panelas, hoje já sabem a verdade. A Operação Lava Jato a pretexto de combater a corrupção foi um instrumento que serviu para derrubar um governo legitimamente eleito e sobre o qual não há uma prova sequer de crime contra a sociedade.)
O Brasil, repito, está no caminho certo.
(Esse não é o caminho da maioria do povo brasileiro)
O próximo Natal será muito melhor que este.
Quero encerrar esta minha mensagem prestando homenagem a um grande brasileiro que nos deixou recentemente: o cardeal dom Paulo Evaristo Arns.
A esperança foi seu lema, a coragem, a sua marca.
(Dom Arns sempre foi a favor do povo e você, contra. Citá-lo não diminui a enrascada na qual você se meteu)
Coragem e sentimento de esperança não me faltarão.
Chegaremos em 2018 preparados e fortes para avançar ainda mais.
Peço a você que acredite no Brasil.
(Com você presidente? Jamais!)
Desejo um feliz Natal.
Que o seu gesto de amizade e fraternidade nesta noite se estenda por todo o ano novo.
Vamos juntos reconstruir o nos país.
(Vamos sim, mas sem você!)
Muito obrigado a todos.
Boa noite, Brasil!''

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Dilma diz que Azevedo tem que pagar por ter mentido em delação



Em entrevista ao jornal argentino La Nación, de passagem por Buenos Aires essa semana, Dilma comenta o pedido feito por sua defesa para que o delator Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, seja investigado depois de ter mudado a versão de seu depoimento na Lava Jato a fim de proteger Michel Temer.

"Ele disse que se equivocou, e nós estamos pedindo que pague por isso. Pedimos que anulem a delação de Azevedo, porque ele deliberadamente tentou comprometer minha campanha", afirma.

Dilma defendeu ainda que a delação premiada deve ser trata como manda a lei: "um indício, e não como uma prova definitiva. O que se passa no Brasil é que quando há uma delação ela é tratada como prova definitiva", criticou.