segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Maioria vota por investigar Geddel, mas decisão é adiada

Empurrar o problema com a barriga é uma maneira encontrada para permitir o governo respire

A maioria dos conselheiros da Comissão de Ética Pública da Presidência votou por abrir um processo contra o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, mas o pedido de vistas de José Saraiva adiou a decisão definitiva para dezembro.

Cinco dos sete conselheiros se manifestaram a favor da abertura do processo. Depois do pedido de vistas, Marcelo Figueiredo, que ainda não havia votado, decidiu esperar pela próxima reunião, em 14 de dezembro.

Com o adiamento, Michel Temer, que até agora ignorou a denúncia de que o ministro praticou tráfico de influência, deixa de ser pressionado pelo colegiado

Rapidinhas

Colaboração com os EUA? Porque? Os EUA viraram Justiça e Polícia do Mundo? Paulo Roberto Costa fechou acordo de cooperação com o FBI (polícia federal americana) e o Departamento de Justiça dos EUA. A defesa do ex-diretor de abastecimento da Petrobras, primeiro delator da Operação Lava Jato, confirma a conclusão da negociação, mas não dá detalhes.

América 2. Mais submissão do Brasil? Pelo acordo, Costa se compromete a cooperar com as investigações no âmbito da Promotoria de Justiça americana, com fornecimento de documentos e outros materiais. Ele também deverá comparecer a depoimentos e entrevistas sempre que for chamado. O ex-diretor cumpre pena em regime aberto.

A maioria é contra o corte?  Uma pesquisa coordenada por professores da Unifesp e da USP mostra rejeição em São Paulo à ideia de que o governo pode cortar gastos com saúde e educação em momentos de crise. Cerca de 85% das pessoas são contra a medida, tanto entre mais pobres (com renda de até R$ 1.760) quanto entre mais ricos (renda superior a R$ 17.600).

A cabeçado brasileiro "Quisemos medir o consenso sobre medidas privatizantes, de Estado mínimo e cortes sociais que estão na agenda do governo de Michel Temer", diz a socióloga Esther Solano (Unifesp), que conduziu o levantamento, com 1.058 entrevistas em toda a cidade, ao lado de Marcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado (ambos da USP). As perguntas eram ligadas a temas como PEC do Teto e reforma da Previdência.

Dois lados Segundo o estudo, o "consenso não liberal" é maior entre os entrevistados mais pobres. A eventual privatização de estatais como os Correios, por exemplo, é repudiada por 48% das pessoas na faixa salarial mais baixa. Na mais alta, o percentual cai para 26%.

Me engana que eu gosto O governo Temer diz que o projeto de congelamento dos gastos federais não significa corte de verbas para saúde e educação, que seriam mantidas no orçamento.


Encontro e despedida  "Milton Nascimento - Nada Será como Antes", musical que rodou o Brasil nos últimos quatro anos, fará sua última sessão no próximo dia 10, no Memorial da América Latina, com entrada gratuita. Dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, o espetáculo levou 300 mil pessoas aos teatros. O próprio Milton já assistiu à montagem mais de dez vezes. Ele também foi convidado para a despedida.

Enganação

Michel Temer participa da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social

Essa gente aí te representa?

O Conselhão é mais um instrumento desse 'governoide'' (o de Temer) para jogar poeira nos olhos dos tolos.

Matéria da Folhapress publicada no Jornal do Commercio de Pernambuco de hoje: "... a expectativa de assessores do presidente é que o primeiro encontro (do Conselhão) passe uma imagem pública de apoio da sociedade civil às mudanças". 

O Conselhão - Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - só tem empresários e entidades "alinhadas" ao governo. Portanto, só reúne o pessoal do amém. 

Sobre crítica a Dilma, qualquer pessoa que tenha clareza da situação que estávamos e da situação que estamos, sabe que a mudança foi pra pior.

domingo, 20 de novembro de 2016

O golpe foi dado para reinstalar o neoliberalismo


"Temer e/ou os tucanos ou outra qualquer via serve a esse fim: reinstalar o modelo neoliberal, com o desmonte do Estado, o corte radical dos recursos para as políticas sociais, com o ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, com o fim da política externa soberana. Tudo se subordina a esse objetivos", diz o colunista Emir Sader.

"A Lava Jato ataca a quadros politicamente mortos da direita, como o Eduardo Cunha e o Sergio Cabral, poupando os que ainda servem ao objetivo central de restauração neoliberal. Podem cair ainda políticos como o Renan Calheiros ou outros, conforme sua utilidade ao projeto neoliberal do golpe. Mas a reinstalação do neoliberalismo é o objetivo central do golpe".

Aécio se diz inocente, prega anista ao caixa 2 e sugere prisão de Lula

Um imoral prega a moralidade. Pode?

Um dos políticos mais delatados na Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) concedeu uma longa entrevista em que defendeu a "criminalização do caixa dois" daqui para a frente – a senha para anistiar quem cometeu o crime no passado.

Ele também negou ter recebido propinas nas obras da Cidade Administrativa como já foi dito por delatores e, ao mirar nos adversários, disse que a sociedade não deveria se preocupar com uma eventual prisão do ex-presidente Lula.

"Quero justiça", diz ele. Aécio já foi acusado de comandar um mensalão em Furnas, de ser "o mais chato" cobrador de propinas de empreiteiras, de superfaturar obras em Minas em troca de doações e de manipular uma CPI para abafar ligações com o Banco Rural, na época do chamado mensalão.

Planalto procura o Facebook para barrar vomitaços contra Temer


Alvo de protestos com emojis com cara de vômito em todas as suas postagens, Michel Temer pediu a seus assessores que procurassem o Facebook para barrar o protesto.

A rede social, no entanto, não tem uma solução para o problema enfrentado por Temer.

Juca Ferreira: Geddel pode ter ganho sua cobertura


O ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, revela uma história estarrecedora. Ele conta que, durante sua gestão, havia demitido o superintendente do Iphan, órgão responsável pelo patrimônio histórico na Bahia, em razão de sua insistência em aprovar um espigão na região do centro histórico de Salvador.

No entanto, uma das primeiras medidas do governo Temer após o golpe parlamentar de 2016, foi a nomeação para o cargo do responsável por um parecer que liberava a obra.

"Temer não poderá alegar que não sabia do crime cometido por Geddel, que usou suas prerrogativas de ministro para obter benefício pessoal. O ministro palaciano tem que ser imediatamente afastado e as denuncias contra ele apuradas com rigor. É preciso investigar a compra dessa cobertura que Geddel tem no prédio. Houve compra ou seria um pagamento por serviços prestados?", questiona ainda Juca Ferreira.

Congressistas estão acuados, diz Onyx Lorenzoni, relator das 'dez medidas'

É um acordo, os congressistas tornam o o judiciário intocável em troca do silêncio deste diante da anistia do caixa dois. Até porque o que queriam fazer - afastar a Dilma - já fizeram

André Borges - 10.abr.2013/Folhapress 
Onyx Lorenzoni (DEM-RS), relator das medidas contra a corrupção elaboradas pelo Ministério Público

O médico veterinário Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirma ver um grande risco de que a Câmara dos Deputados aprove uma anistia aos alvos da Lava Jato, o que segundo ele jogará por terra o pacote de medidas elaborado pelo Ministério Público Federal com o objetivo alegado de combater a corrupção e apoiado por mais de dois milhões de eleitores.

Relator há quatro meses das "dez medidas", que ele elevou para 17, Lorenzoni diz ver um Congresso "acuado" e em "desespero".

Com o apoio de líderes de partidos, a Câmara gesta nos bastidores um texto com o objetivo de deixar claro que os alvos da Lava Jato estarão livres da regra que criminaliza o caixa dois eleitoral, já que a lei penal não pode retroagir para atingir o réu. O parecer do deputado deve ser votado na terça (22).

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes trocam ofensas ao vivo

Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes protagonizaram uma discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal. O bate-boca constrangedor foi transmitido ao vivo

Redação Pragmatismo, 17/11/2016
Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, ministros do STF (Montagem: Pragmatismo Político)

Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendesprotagonizaram uma discussão no plenário do Supremo Tribunal Federal na tarde desta quarta-feira (16). Durante o bate-boca, Mendes chegou a criticar a condução de Lewandowski no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

A confusão começou quando Lewandowskiquestionou um pedido de vista feito por Mendes, que já havia votado. Os ministros podem mudar o voto até que o julgamento seja finalizado. A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, afirmou que o procedimento de Mendes estava correto.


Lewandowski: Pela ordem, o ministro Gilmar Mendes já não havia votado? Eu tenho impressão que acompanhou a divergência. Depois votou o ministro Marco Aurélio e Sua Excelência está abrindo mão do voto já proferido e pediu vista? Data vênia, é um pouco inusitado.

Gilmar Mendes: Enquanto eu estiver aqui eu posso fazê-lo.

Cármen Lúcia: Enquanto não estiver proclamado, o regimento permite que haja…

Mendes: Vossa Excelência fez coisa mais heterodoxa…

Lewandowski: Eu, graças a Deus, não sigo o exemplo de Vossa Excelência em matéria de heterodoxia, viu? Graças a Deus e faço disso ponto de honra.

Mendes: Basta ver o que Vossa Excelência fez no Senado.

Lewandowski: No Senado? Basta ver o que Vossa Excelência faz diariamente nos jornais. Uma atitude absolutamente ao meu ver incompatível com …

Mendes: Faço isso inclusive para poder reparar os absurdos que Vossa Excelência faz.

Lewandowski: Absurdos não, Vossa Excelência retire o que disse porque isso não existe. Vossa Excelência está faltando com o decoro não é de hoje. Eu repilo qualquer… Vossa Excelência, por favor, me esqueça.
Mendes: Não retiro.
Lewandowski: Bom, então, Vossa Excelência se mantenha como está. Eu reafirmo que Vossa Excelência está faltando com o decoro que essa corte merece.

Sergio Moro nega diversos pedidos da defesa de Lula

O juiz Sergio Moro voltou a negar uma série de pedidos da defesa do ex-presidente Lula. Em despacho, o líder da Lava Jato rejeita acesso às delações premiadas dos acusadores de Lula, que, segundo Moro, estão sob "sigilo"
Ex-presidente Lula e o juiz Sérgio Moro (Imagem: Pragmatismo Político)

Pragmatismo Político, 18/11/2016

Cíntia Alves, Jornal GGN

O juiz Sergio Moro voltou a negar uma série de pedidos da defesa do ex-presidente Lula, na ação em que o petista é acusado de receber propina da OAS em contrapartida aos contratos firmados entre a empreiteira com a Petrobras. No caso, Lula seria o dono oculto de um triplex que está em nome da OAS e nunca foi usado, além de ter sido beneficiado pelo custeio da manutenção do acervo presidencial pela Granero, terceirizada pela OAS.

Em despacho assinado na última quinta (17), Moro revê sua posição ante alguns pedidos de produção de provas feitos pelos advogados, mas nega várias demandas que considera desnecessárias, trabalhosas ou despendiosas. Entre elas, o acesso integral às delações premiadas dos acusadores de Lula, que, segundo Moro, estão sob “sigilo”.

Em alguns casos, o magistrado afirma que os advogados fogem do objeto da acusação quando pedem para produzir provas que seriam “irrelevantes” para o julgamento de Lula, com o intuito de adiar a decisão final. É o caso da inclusão, nos autos, de todas as viagens que o ex-presidente fez com empresários ao exterior, que poderiam confrontar o argumento de que ele beneficiava companhias seletivamente.

O juiz justifica as negativas apontando que “é uma quantidade muita expressiva de requerimentos probatórios da defesa de Luiz Inácio e Marisa Letícia, muitos dos quais custosos e demorados, inclusive afetando terceiros, sem que eles guardem relação com o objeto da acusação ou se revelem pertinentes ou relevantes para o julgamento.”

Para Moro, “a ampla defesa, direito fundamental, não significa um direito amplo e irrestrito à produção de qualquer prova, mesmo as impossíveis, as custosas e as protelatórias. Cabe ao julgador (…) um controle sobre a pertinência, relevância e necessidade da prova. Conquanto o controle deva ser exercido com cautela, não se justifica a produção de provas manifestamente desnecessárias ou impertinentes ou com intuito protelatório.”

Em outubro, o GGN mostrou que entre os pedidos da defesa negados por Moro está uma perícia que comprovaria que Lula nunca recebeu dinheiro da OAS, muito menos recursos que suspostamente teriam sido desviados dos esquemas na Petrobras. Leia mais aqui.

Sérgio Moro reafirma em sua última decisão que o Ministério Público Federal não identificou qualquer rastro de dinheiro da Petrobras abastecendo as contas de Lula. Por isso, ele é acusado de ter se beneficiado de favores, como o triplex – que teria sido reformado pela OAS para, depois, ser transferido à família do ex-presidente – e a manutenção do acervo presidencial.

A defesa de Lula nega as acusações e recorreu à ONU contra os abusos da Lava Jato e a parcialidade de Moro.
Julgamento começa na próxima semana

Na decisão de quinta (17), Sergio Moro também reafirma que Lula e Marisa Letícia, sua esposa, estão autorizados a fazer o acompanhamento presencial dos depoimentos das testemunhas. A defesa solicitou, porém, que Lula e Marisa fossem dispensados e substituídos por um advogado, que deverá ser intimado nas próximas audiências.

“Decisão proferida em 28/10/2016 pelo juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba dispensou o comparecimento de todos os acusados, desde que as respectivas defesas concordassem em receber as intimares para as próximas audiências. Na condição de advogados de Lula, informamos, no processo, que ele não iria comparecer, sendo, portanto, improcedentes as notícias sobre a existência de decisão em contrário do juiz de primeiro grau de Curitiba“, disse a defesa, em nota nesta sexta.

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As oitivas começam na próxima segunda (21), com os delatores Delcídio do Amaral, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, Dalton Avancini e Eduardo Leite.

Na quarta (23), será a vez do ex-deputado Pedro Corrêa, dos ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, e do ex-gerente da estatal Pedro Barusco.

Na sexta (25), depões o doleiro Alberto Youssef, o pecuarista José Carlos Bumlai e os lobistas Fernando Baiano e Milton Pascowitch.

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, também deve comparecer nas audiências da semana que vem.