sábado, 29 de agosto de 2015

Após uma década de avanços, a economia brasileira corre risco, segundo Marcelo Neri

Um dos maiores especialistas do país em distribuição de renda, o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ, diz que o Brasil vive um "filme dramático" após uma década de avanços. "Nossa trajetória positiva dos últimos anos está em risco."

Ex-ministro e economista da
FGV, Marcelo Neri
Ex-presidente do Ipea e ex-ministro da SAE/PR, Neri diz que os mais pobres vinham "bombando" por conta do mercado de trabalho até o governo Dilma 2, que agora entra em uma espiral de rápido aumento do desemprego.

"Quando analisamos os motivos de a renda ter crescido e a desigualdade caído, não é tanto por causa do Bolsa Família ou do impacto do salário mínimo sobre a Previdência. O principal foi o peso da renda do trabalho, formal e informal", afirma.

O quadro nesta página mostra o peso da renda do trabalho e de outras fontes entre 2001 e 2013. A renda do trabalho foi preponderante entre os 40% mais pobres e na média da população.

"O pobre da última década não foi uma cigarra consumidora. Mas um trabalhador que teve grande evolução em sua renda por meio do seu esforço." Leia a entrevista:

Folha - Entre 2003 e 2013, o PIB per capita no Brasil cresceu 30% e a renda média, 58%. As chamadas classes A, B e C incorporaram cerca de 56 milhões de pessoas. Para este ano há uma projeção de queda de 2% do PIB e de 0,15% em 2016, com perspectiva de baixo crescimento no futuro. Qual o impacto disso sobre os avanços conquistados?

Marcelo Neri - Nesse período da última década houve uma combinação de elementos que a tornaram especial. Não foi tanto o crescimento do PIB, mas o fato de ele ter crescido de maneira relativamente contínua, o que não acontecia há muito tempo.

O segundo componente é que a renda das pessoas cresceu bem mais do que o PIB. O terceiro é que esse crescimento se deu mais forte na base da distribuição, com a redução da desigualdade.

A combinação dessas três coisas por um longo período gerou esse boom social. É o que a gente pode chamar de um "caminho do meio". Não foi só crescimento, mas houve redução da desigualdade e aumento do bem-estar.

Quando analisamos os motivos de a renda ter crescido e a desigualdade caído, não é por causa do Bolsa Família, que foi importante, mas significou menos de 20% de efeito sobre a desigualdade. Também não foi por causa do impacto do salário mínimo sobre a Previdência, que desempenhou algum papel. O principal foi a renda do trabalho, formal e informal.

O que é mais surpreendente é que desde 2011, quando o PIB parou de crescer, a renda média das pessoas continuou subindo acima do PIB, de maneira até mais forte.

O ano de 2012 foi o do Pibinho. Enquanto a renda per capita subiu 7,5%, o PIB per capita cresceu menos do que 1%. No biênio 2012 e 2013, a renda cresceu 5,5% per capita ao ano, já descontando a inflação, enquanto o PIB andou bastante de lado.

Estamos no final desse ciclo. Vamos voltar para trás agora? Certamente, mas não voltaremos para o começo nem para o meio do caminho, espero. Teríamos que passar por uma crise muito forte, com desajustes crescentes.

Entramos na crise com uma taxa de desemprego bem menor do que em outros momentos ruins, como em 2003 e 1999. Com mais empregos formais e mais gastos sociais. Isso impedirá que a desigualdade aumente drasticamente?

Exatamente. É verdade que a taxa de desemprego está subindo muito rapidamente. Voltamos cinco anos nesse item. Foi uma reversão muito rápida, que veio acompanhada de redução de salários, o que teve um impacto maior na queda da renda.

A fotografia de hoje é mais ou menos a de 2010, quando se cogitava se iríamos entrar ou não em uma situação de pleno emprego. E estamos indo para o outro lado, passando por uma reversão grande e rápida. Mas, levando em conta os níveis das séries, ainda não é muito ruim. O problema é se entrarmos em uma situação de crise crônica.

Estamos vivendo um filme dramático, com reversão de tendências muito rápidas.

Mas ainda temos uma fotografia razoável. É como se o sujeito achasse que tinha ganho na loteria e descobrisse que não, que os números sorteadores eram outros. Ele achou que tinha ido para o céu, mas continua na terra. Não é que ele tenha ido parar no inferno.

O problema é que renda e emprego são os fundamentos da segurança familiar. E estão caindo. Ir do céu à terra pode parecer, para alguns, como ir da terra para o inferno.

Muitos economistas afirmam que a geração da nova classe média foi baseada em mais renda e consumo. Mas que o aumento do crédito foi o grande combustível do processo, que se esgotou agora.

O crédito ajudou nesse ciclo de expansão, mas houve aumento na renda das pessoas. É aquela brincadeira: classe C de "crédito"? De "consumo"? É muito mais de "carteira de trabalho assinada", que foi o que segurou as pessoas. Esse processo continuou até 2014, com alguma flutuação. Vale lembrar que a renda em dezembro de 2014 ainda crescia 2,5% per capita reais (acima da inflação).

Além do aumento da renda entre os mais pobres e da sua melhor distribuição, o que mais houve de avanços nesses 13 anos?

Houve outras mudanças. Em 2000, 45% dos municípios brasileiros tinham um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abaixo de 0,5. Em 2010, estavam perto de 0,6 (quanto mais próximo de 1, melhor). Houve, portanto, uma transformação profunda. E não é só renda.

Há mais expectativa de vida, mais crianças na escola, etc. Essas mudanças incluíram trabalho formal também. E essa é uma característica fundamental, além da redução da desigualdade com crescimento.

Mas em termos de produtividade o Brasil não fez seu dever de casa. Essa é uma agenda fundamental e é consenso entre os economistas que precisamos dar saltos de produtividade para crescer.

O Brasil também precisa de uma série de reformas, macro e microeconômicas. Outra agenda que encontra muita resistência é da poupança. No Brasil não se acredita muito nas virtudes da poupança. E perdemos uma grande oportunidade de que a crise fosse menos sentida pela população por conta disso. A poupança brasileira hoje equivale a um quarto da das famílias chinesas.

O sr. ainda estava no governo durante a campanha eleitoral de 2014. Ficou claro que houve uma fraude eleitoral, já que Dilma fez tudo ao contrário do que prometeu. Qual sua avaliação?

Não gostei da campanha e isso foi particularmente duro para quem estava lá dentro. Houve um erro na campanha. Até mesmo da própria ótica de quem quer se manter no governo. Não vejo sentido em anunciar que você vai ser expansionista e depois virar conservador de uma hora para outra. Você acaba não ganhando nada com isso. O resultado foi o pior dos mundos.

Entramos em uma grande armadilha. E o problema é que agora estamos em um momento diferente de um debate acalorado e violento de uma campanha eleitoral, que tem uma duração limitada. Ainda faltam três anos e meio até o final do mandato e isso me preocupa muito.

Vai depender das expectativas e da capacidade das pessoas de perceberam que, se não for achada uma solução conjunta, a gente pode acabar perdendo muito mais tempo do que deveria.

Hospital Regional do Tapajós está em construção graças a verba da Taxa Mineral

Hospital Regional do Tapajós, obra do Governo do Estado, na cidade de Itaituba

De acordo com pessoas que tratam do setor, o valor arrecadado pelo governo do estado no ano de 2014 com a cobrança da taxa mineral foi de R$ 361.180.000,00 (trezentos e sessenta e um milhões cento e oitenta mil reais).

A Taxa Mineral foi criada em 2011. Na época até os deputados de oposição elogiaram a iniciativa do governador Simão Jatene de buscar compensações pelo que a atividade mineral do estado deixa de recolher em impostos.

E como grande produtor mineral do estado, o município de Itaituba se beneficia da Taxa Mineral e o retorno desta taxa está vindo através da construção do Hospital Regional, portanto o problema no atraso da construção do HR do Tapajós não é por falta de recursos.

Fonte: Weliton Lima/Blog do Jota Parente, 28/08/2015

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lula: enquanto eu tiver fôlego, tucanos não voltam

“Eles vão ter que aprender a voar primeiro para depois voltar à Presidência”, afirmou o Presidente em BH

Lula: tucanos vão ter que esperar 2018

Em Belo Horizonte para participar de evento da CUT (Central Única dos Trabalhadores), o Presidente Lula discursou para movimentos sociais e criticou parte da oposição que, em sua opinião, não aceitou a derrota da eleição presidencial de 2014, que reelegeu Dilma Rousseff. Em sua fala, o petista ainda reafirmou que não deixará o PSDB voltar ao poder.

“Eu perdi três eleições e eu ia, como dizia o Brizola, lamber as feridas. Eu respeitava os resultados. É um direito de vocês não concordarem com o nosso Governo, vocês cobrarem e vocês protestarem. Mas têm que esperar 2018. Têm que aprender esperar e fazer as coisas certas. Eu jamais vou dizer que sou candidato, mas não digo que não sou. Eu só quero que saibam o seguinte: enquanto eu tiver fôlego para percorrer o país, os tucanos vão ter que aprender a voar primeiro para depois voltar à Presidência. Deixem a Dilma governar e trabalhar”, disse o Presidente nesta sexta-feira (28) no 12º Congresso Estadual da central sindical, que completa 32 anos.

No evento, Lula enalteceu os programas sociais que o partido criou e ironizou as manifestações contra o PT e a Presidenta Dilma Rousseff.

“ [Antes], nós protestávamos porque queríamos mais educação. Eles protestam hoje porque conseguimos fazer com que o filho de um pedreiro virasse engenheiro e a filha da empregada virasse médica. Nós protestávamos porque eles não sabiam governar. Só governavam para um terço desse país. E nós governamos para 100% da população. A única diferença entre nós e eles é que nós protestávamos para conquistar e eles protestam contra as conquistas”, reforçou Lula na capital mineira.

E continuou: “Eu fiz oposição por muito tempo e nunca tive coragem de falar um palavrão contra ninguém. Não é a escola que dá educação para as pessoas. Tem gente que estudou demais e fala palavrão para a Presidenta. São eles, filhinhos de papai, que não se conformam com a ascensão social que aconteceu neste país”, opinou.

Fonte: Conversa Afiada, 28/08/2015

Superado o golpe, começa a disputa pela Presidência da República

E que vença o melhor para o País!

Nesta sexta-feira, ocorreram dois movimentos importantes; de um lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, pela primeira vez, que será candidato em 2018, caso seja necessário. De outro, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o PSDB trabalha com o calendário eleitoral de 2018 e que, portanto, não cogita mais a hipótese de eleições antecipadas.

Internamente, para se viabilizar, Aécio terá que conter as pretensões de Geraldo Alckmin e José Serra. Também na oposição, Marina Silva tem conseguido fazer avançar a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade.

Na base governista, Eduardo Paes pode vir a ser o nome do PMDB, caso os Jogos Olímpicos de 2016 sejam bem-sucedidos. Sem tapetão, começa a ser organizado o campeonato político de 2018. Como personagens excêntricos, poderão concorrer também Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa.

Fonte: Brasil 247, 28/08/2015

Dilma defende democracia e promete crescimento


"Meu governo pensa em duas coisas: em como aumentar o emprego, garantir que o país volte a crescer, e em reduzir a inflação, porque nós sabemos como a inflação corrói a renda do trabalho, a renda do empreendedor", discursou a presidente, ao entregar unidades do Minha Casa, Minha Vida no Ceará.

Segundo dados de hoje do IBGE, o PIB recuou 1,9% no segundo trimestre, confirmando recessão da economia; Dilma destacou também que o Brasil tem "garra" para superar suas dificuldades e assegurou que não haverá retrocessos, seja em relação aos programas sociais ou à democracia.

"Todos nós sofremos as consequências de ter um país não democrático, que não respeitava as leis, não deixava as pessoas darem suas opiniões. Nós temos muito o que preservar, nós conquistamos muita coisa".

Rui Falcão: Há forte desejo de que Lula seja candidato


O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse nesta sexta (28) que existe "um forte desejo" no partido pela candidatura de Lula a presidente em 2018. Ele também afirmou que há "um temor" na oposição de que isso aconteça. 

"Eu ouço no povo, na militância do PT, um desejo muito grande de que ele seja. Mas daí a ele ser ou não é uma decisão para 2018", ressaltou. Segundo Falcão, existe também uma campanha orquestrada para "derreter Lula" e, assim, aniquilar o PT.

Lula pede que CNMP puna procurador que abriu investigação contra ele


A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recorrer do arquivamento da representação aberta contra o procurador da República, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes. 
O corregedor nacional do MP, Cláudio Portela, arquivou pedido de abertura de procedimento administrativo contra o colega por entender que reportagem é suficiente para motivar a abertura, de ofício, de investigação criminal. 

No recurso, enviado ao Conselho Nacional do Ministério Público, Lula pede que o caso seja discutido pelo plenário do órgão e que sejam aplicadas as penas disciplinares previstas na Lei Orgânica do MPF.

Conta de luz vai ter redução de 18% no valor da tarifa bandeira vermelha

A mudança inicia em 1º de setembro e vai até 31 de dezembro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira, 28/08, a redução de 18% no valor da tarifa da bandeira vermelha, o indicador que engloba os usuários que pagam o custo mais alto de energia. Com a decisão, o valor adicional para cada 100 kWh consumidos cai de R$ 5,50 para R$ 4,50. Para os consumidores, o novo valor corresponderá a uma redução de dois pontos percentuais no custo da conta de luz. A mudança entra em vigor em 1º de setembro e vai até 31 de dezembro.

A decisão foi adotada em razão da redução no custo de produção de energia decorrente do desligamento de 21 termelétricas, com custo variável unitário maior que R$ 600 MWh, aprovada no início deste mês.

Apesar do pedido das distribuidoras para que o valor seja mantido, devido ao aumento dos custos de geração, a diretoria da Aneel entendeu que o uso das bandeiras deve refletir o cenário de disponibilidade da geração e não os problemas de caixa das distribuidoras.

"Não podemos confundir o conceito do fundamento das bandeiras com o alívio de caixa. O valor arrecadado com as bandeiras deve cobrir o valor da geração termelétrica. Para outras razões de [alta de] custo existem outros mecanismos de compensação", disse o diretor da Aneel Reive Barros dos Santos, relator do caso.

Para o diretor Tiago Correia, os consumidores responderam ao instrumento das bandeiras, reduzindo o consumo e fazendo investimentos, como a substituição de lâmpadas incandescentes pelas de led, o que justifica a redução do valor da bandeira.

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, ressaltou que a redução não representa melhora no quadro de geração de energia do país. "O cenário não é favorável à mudança da bandeira. Não é um cenário provável. Não estamos dando nenhuma sinalização de que o consumidor possa relaxar na sua prátrica de uso da energia. A sinalização ainda é de cuidado com o consumo e de uma situação adversa", alertou Rufino.

O parque gerador de energia elétrica no Brasil é composto predominantemente por usinas hidrelétricas. Para funcionar, essas usinas dependem da chuva e do nível de água nos reservatórios. Quando há pouca água armazenada, usinas termelétricas precisam ser ligadas para não interromper o fornecimento de energia. Com isso, o custo de geração aumenta, pois essas usinas são movidas a combustíveis como gás natural, carvão, óleo combustível e diesel.

Fonte: Brasil 247, 28/08/2015

"Se quiserem governar, (primeiro) ganhem as eleições"



Ex-presidente Lula voltou a rechaçar a tentativa de golpe contra a presidente Dilma Rousseff e disse: "nós sabemos o significado do golpe, se quiserem ocupar o lugar da presidenta, disputem as eleições e conquistem a maioria dos votos".

Em homenagem em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, ele afirmou ainda que governou para provar que "a ascensão do povo brasileiro precisava só de uma oportunidade para acontecer"; o ex-presidente lembrou que foi "massacrado por ter criado o bolsa-família, para dar um pouco de dinheiro para as pessoas terem dignidade".

Baiano indica que entregará a cúpula do PMDB


Aos integrantes do Ministério Público Federal, o lobista Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB na Lava Jato, mencionou Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN), do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e do senador petista Delcídio do Amaral (MS)