domingo, 28 de dezembro de 2025

Salários de professores no Brasil mostram disparidade de mais de R$ 8 mil entre estados

Levantamento aponta disparidades regionais que afetam motivação, concursos públicos e qualidade do ensino no país.

Portal de Prefeitura, 25 de dezembro de 2025 às 09:00 - Atualizado às 10:33
                         Professor em sala de aula Foto: José Cruz / Agência Brasil

O salário dos professores no Brasil, em 2025, revela um cenário desigual, com vencimentos que vão de menos de R$ 4 mil a mais de R$ 12 mil, dependendo do estado. Profissionais com jornada de 40 horas semanais e nível superior enfrentam realidades muito distintas, o que impacta diretamente a disputa por concursos públicos e a atração de novos talentos para a educação pública.

Segundo especialistas, essas diferenças estão ligadas à legislação estadual, orçamento local e políticas de valorização do magistério, além do ajuste do piso nacional, que em 2025 foi fixado em R$ 4.867,77 pelo Ministério da Educação (MEC), acima da inflação.

Estados com salários mais altos incentivam permanência e atraem talentos

No topo do ranking, Mato Grosso do Sul se destaca com salários iniciais para professores entre R$ 11.935 e R$ 12.381, incluindo benefícios, colocando a rede estadual entre as mais competitivas do país.

O Pará aparece em seguida, com salário base de R$ 8.289,87 e vale-alimentação de R$ 1.500, elevando a remuneração total próxima de R$ 9.700. Mato Grosso, Ceará e Rio Grande do Norte também oferecem vencimentos acima do piso, com valores entre R$ 6.400 e R$ 7.005, combinando salário e incentivos pedagógicos.

“Estados que investem em políticas salariais consistentes conseguem reter profissionais qualificados e melhorar a qualidade do ensino”, afirmam especialistas em educação.

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Salários medianos e desafios regionais

Estados como o Distrito Federal e São Paulo apresentam salários iniciais intermediários, acima do piso nacional, mas ainda abaixo dos líderes. No DF, os professores recebem mais de R$ 6.000, enquanto em São Paulo o valor médio gira em torno de R$ 5.565 para 40 horas semanais.

Já Minas Gerais cumpre o piso nacional com vencimentos próximos a R$ 4.800, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta dificuldades históricas para equiparar a remuneração ao mínimo legal, muitas vezes recorrendo a abonos temporários.
Impactos das diferenças salariais na carreira docente

A disparidade nos salários evidencia um dos principais desafios da educação pública no Brasil: a falta de uniformidade na remuneração. Enquanto alguns estados oferecem vencimentos mais de duas vezes o piso nacional, outros lutam para garantir o mínimo legal, afetando motivação e atração de novos profissionais.

Especialistas e sindicatos defendem que salários mais atrativos e harmonizados entre estados podem reduzir desigualdades, melhorar a qualidade do ensino e aumentar a competitividade da carreira docente. “Garantir remuneração justa e benefícios consistentes é fundamental para reter professores qualificados e fortalecer a educação no país”, afirmam.


Base teórica de sustentação das correntes do pensamento de esquerda.

E por falar em ideologia, muita gente, no Brasil, nessa década, fala muito a palavra ideologia, esquerda, direita, extremistas, conservador. Assim, nesta matéria, vamos focar a ideologia de esquerda, dando uma pequena contribuição a este assunto

*Anezio Ribeiro de Souza

A ideologia de esquerda não é um bloco monolítico, mas um espectro que engloba várias teorias, todas com o objetivo comum de promover maior igualdade social e combater as desigualdades.

Origem e Fundamentos Teóricos

Os termos "esquerda" e "direita" surgiram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII, quando os defensores de mudanças radicais (jacobinos) sentaram-se à esquerda do presidente da Assembleia Nacional, enquanto os defensores da manutenção do status quo (girondinos) sentaram-se à direita.

Teoricamente, a ideologia de esquerda é fortemente influenciada por pensadores como Karl Marx, Friedrich Engels, Mikhail Bakunin e Proudhon.

As principais teorias e conceitos subjacentes incluem:

Socialismo e Comunismo: Defendem a superação do capitalismo e a propriedade pública (ou coletiva) dos meios de produção, visando uma sociedade sem classes sociais.

Anarquismo: Algumas vertentes da esquerda radical propõem a supressão total do Estado e a organização social baseada na autogestão e cooperação voluntária.

Justiça Social e Igualdade: Um pilar central é a busca por políticas que redistribuam recursos e oportunidades para reduzir as disparidades sociais e econômicas.

Intervenção Estatal: Em geral, as teorias de esquerda defendem um papel mais ativo do Estado na economia e na provisão de serviços públicos (saúde, educação, segurança social) para garantir direitos e bem-estar à população.

Emancipação da Classe Trabalhadora: Foco na valorização do coletivo, dos direitos trabalhistas e na luta anti-imperialista e por inclusão de grupos marginalizados (minorias sociais, população LGBTQIA+, etc.).

Diversidade de Correntes

O pensamento de esquerda se fragmenta em múltiplas correntes teóricas e práticas, como: Esquerda Liberal/Social-Democracia: Busca reformas graduais dentro do sistema capitalista, combinando políticas de mercado com uma forte rede de proteção social (Estado de bem-estar social).

Socialismo Democrático: Defende a propriedade pública de serviços essenciais e mudanças estruturais por meio de processos democráticos, rejeitando modelos autoritários.

Esquerda Marxista Revolucionária: Advoga por uma revolução para substituir o sistema capitalista por um novo modelo de sociedade, muitas vezes baseando-se em teorias leninistas ou trotskistas.

Portanto, a ideologia de esquerda possui um conjunto rico e complexo de teorias que fundamentam suas diferentes propostas políticas e visões de mundo. Para aprofundar o entendimento dessas teorias, a obra "Direita e Esquerda: Definição e Justificação" de Norberto Bobbio é considerada uma leitura fundamental.

Anézio Ribeiro de Souza é Bacharel e Licenciado Pleno em Ciências Sociais (sociólogo), pela UFPA - Universidade Federal do Pará, com especialização em Ciência Politica. Foi professor da Rede Estadual de Educação do Pará, entre 1983 e 2016

sábado, 20 de dezembro de 2025

Dino: Bolsonaro volta a minimizar a tragédia. A tal "moderação" é fake news! É crueldade!

RESGASTE HISTÓRICO

Conversa Afiada,  31/07/2020

Do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB): Jair Bolsonaro voltou a minimizar nesta sexta-feira 31/VII o impacto da Covid-19, que já tirou a vida de mais de 91 mil brasileiros.

“Não tem problema. É uma coisa que tem que enfrentar. […] Tem que enfrentar as coisas, acontece. Eu tô no grupo de risco. Agora, eu nunca negligenciei. Eu sabia que um dia eu ia pegar. Assim como vocês, acho que quase todos vão pegar o vírus um dia. Tem medo do quê? Enfrenta!”, afirmou em entrevista coletiva em Bagé, no Rio de Grande do Sul.

Bolsonaro ainda disse lamentar as mortes em decorrência da pandemia, mas destacou que “morre gente todo dia de uma série de causas, né? É a vida”.

De acordo com o mais recente boletim do Ministério da Saúde, o Brasil tem 91.263 mortes pela Covid-19, além de 2.610.102 casos confirmados.

Recomendo a leitura:


Trump age na surdina e EUA podem capturar o maior tesouro natural do Brasil


Por Pedro Silvini, em Diario do Comercio, 16/12/2025

                                                    (Reprodução/AP Photo)

Em meio à crescente disputa global por minerais estratégicos, os Estados Unidos avançam silenciosamente sobre um dos maiores ativos naturais do Brasil: as terras raras. Enquanto negociam com o governo federal a possibilidade de explorar diretamente essas reservas, os EUA já financiam, por meio de estatais e mineradoras transnacionais, empresas que atuam no país, ampliando sua influência sobre um setor considerado vital para a transição energética e a indústria militar.

Lítio, nióbio, cobre, manganês e as chamadas terras raras — um grupo de 17 elementos químicos de difícil extração e refino — tornaram-se peças-chave da economia do século 21. Esses minérios são essenciais para a produção de carros elétricos, painéis solares, smartphones, turbinas e equipamentos militares de alta tecnologia.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a demanda por esses insumos deve crescer 1.500% até 2050, ritmo muito superior à atual capacidade global de produção. Esse descompasso tem alimentado uma corrida geopolítica entre grandes potências.

(Reprodução/Carta Capital)

Trump e a estratégia americana


Em março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto determinando a ampliação da produção de minérios críticos e terras raras, com o objetivo de reduzir a dependência externa. Hoje, os EUA ainda importam grande parte desses materiais, enquanto a China domina o setor, concentrando 60% da produção global e cerca de 90% do refino, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

A estratégia americana já passou por regiões sensíveis do mapa global. O caso mais emblemático foi o da Ucrânia: Trump condicionou a continuidade do apoio militar dos EUA à assinatura de acordos para exploração de minerais estratégicos no país em guerra com a Rússia desde 2022.

Investimentos indiretos no Brasil


Agora, o foco se volta para o Brasil. Enquanto coloca na mesa de negociações com Brasília a exploração direta das terras raras, o governo Trump atua de forma paralela, usando instrumentos financeiros para fortalecer empresas já instaladas no país.

Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a mineradora Serra Verde, a única em operação no Brasil dedicada às terras raras e a primeira fora da Ásia a produzir esses elementos em escala comercial, recebeu um aporte de US$ 465 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) do Development Finance Corporation (DFC), órgão financeiro do governo dos EUA.

Potencial brasileiro e dilema ambiental

O interesse estrangeiro se explica pelos números. Estimativas do U.S. Mineral Commodity Summaries indicam que o Brasil detém até 23% das reservas conhecidas de terras raras do mundo. Apesar disso, o país responde por menos de 1% da produção global, já que grande parte das jazidas está em áreas sensíveis, como a Amazônia.

O desafio, portanto, é conciliar o aproveitamento econômico desse potencial com a preservação ambiental em uma floresta já severamente degradada.

Nióbio e outros ativos estratégicos

Além das terras raras, o Brasil possui outro trunfo estratégico: o nióbio. O metal é usado em ligas de alta resistência aplicadas na siderurgia, construção civil, turbinas, trens de alta velocidade, baterias e no setor aeroespacial e militar, incluindo mísseis hipersônicos.

O país concentra cerca de 92% da produção mundial de nióbio, um recurso leve, resistente a altas temperaturas e que ganhou visibilidade nos últimos anos após ser defendido reiteradamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como um ativo estratégico nacional.

Pedro Silvini, autor desta matéria é jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

PF: Assessores de Sóstenes e Jordy movimentaram quase R$ 30 milhões em 7 anos

Política

Do UOL, em São Paulo, 20/12/2025 05h30
 Os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio
Imagem: Kayo Magalhães e Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Assessores dos deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) movimentaram quase R$ 30 milhões entre maio de 2018 e dezembro de 2024, de acordo com informações obtidas pela PF (Polícia Federal)

O que aconteceu

Assessor especial de Sóstenes movimentou cerca de R$ 11 milhões. A investigação aponta que as transações de Adailton Oliveira Santos se concentraram entre 2023 e 2024, num volume "incompatível com a capacidade econômica declarada do titular"

* Parente de Adailton movimentou outros R$ 4 milhões. O valor circulou por meio de saques e depósitos feitos por Florenice de Souza Santana.

* Cerca de R$ 6 milhões passaram por contas pertencentes a assessor de Jordy. Itamar de Souza Santana é apontado como possível operador "em movimentações suspeitas".

* Outra investigada movimentou cerca de R$ 7 milhões. No caso de Andrea de Figueiredo Desiderati, os recursos estavam identificados como "oriundos da Câmara dos Deputados".

* Suspeita da PF é de que locadora de automóveis servia como empresa de fachada de deputados. A hipótese é de que eles usassem a cota parlamentar para alugar veículos em firmas que pertenciam a eles mesmos, o que é proibido pela Câmara.

* Dados constam em petição do Supremo Tribunal Federal que embasou operação de ontem. Na ação, a Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados aos deputados por suspeitas de desvio de dinheiro oriundo de cotas parlamentares. Cerca de R$ 430 mil em espécie foram apreendidos em apartamento de Sóstenes.

Parlamentares se defendem

Jordy afirmou ser vítima de "perseguição implacável" em vídeo divulgado nas redes sociais. O deputado diz que as buscas e apreensões da PF foram "covardes", instrumentalizadas pela "ditadura do Judiciário".

Em nota, Jordy disse que "não cabe ao parlamentar fiscalizar a frota ou a estrutura interna da empresa contratada". Segundo ele, cabe aos políticos "contratar o serviço mais eficiente e pelo menor custo".

Sóstenes informou que Adailton é seu motorista. O líder do PL disse que o servidor comissionado tem uma distribuidora de bebidas e, por este motivo, tem uma soma milionária de movimentação financeira.

Deputado tentou limitar a operação a um único caso. Ele afirmou que seu motorista aluga o carro usado pelo parlamentar. A PF suspeita de uso de locadora para lavar dinheiro desviado da verba de gabinete.

Mas o líder do PL se omitiu sobre pontos da investigação. O deputado não explicou movimentações milionárias de quatro pessoas citadas por Flávio Dino, ministro do STF, na decisão que autorizou a operação e determinou quebra sigilo bancário dos deputados entre 2018 e 2024.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Os alvos dos investigadores foram endereços em Brasília e no Rio de Janeiro. Os gabinetes de Sóstenes e Jordy não entraram na operação.

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PF apreende mais de R$ 400 mil na casa de Sóstenes Cavalcante

Operação Galho Fraco mira deputados bolsonaristas e investiga suspeitas de desvio de cotas parlamentares

Brasil 247, 19 de dezembro de 2025, 08:10 h

Sóstenes Cavalcante (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados | Divulgação/PF)

Artigo de Guilherme Levorato

A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo durante uma operação realizada nesta sexta-feira contra parlamentares do PL. O montante foi encontrado com o deputado Sóstenes Cavalcante, líder da legenda na Câmara dos Deputados, que é um dos alvos da ação, informa a Veja.

A ofensiva faz parte da Operação Galho Fraco, deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares. A PF cumpre sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

Além de Sóstenes Cavalcante, também é alvo da operação o deputado bolsonarista Carlos Jordy. Os mandados foram expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, o foco da investigação é um suposto esquema articulado para o desvio e a ocultação de verbas públicas. “De acordo com as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública”, afirmou a PF em nota oficial.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Aleluia! Sóstenes acordou com a PF na porta

Operação Galho Fraco expõe suspeitas de desvio de cota parlamentar, empresas de fachada e a velha retórica da perseguição quando a PF chega já!

Brasil 247, 19 de dezembro de 2025, 10:17 h

Aleluia! Sóstenes acordou com a PF na porta (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara e discípulo político de Silas Malafaia, acordou nesta sexta-feira (19) com a Polícia Federal à porta de casa, em Brasília. A mando do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) tornaram-se alvos de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Galho Fraco, que apura suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 400 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante. De acordo com investigadores, o dinheiro estava acondicionado dentro de um saco preto, guardado em um armário no flat funcional utilizado pelo deputado, na capital federal. A cena, por si só, carrega um peso simbólico difícil de ignorar.

O caso envolve suspeitas graves: peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Não se trata de erro contábil, interpretação elástica de regras ou simples descuido administrativo. As investigações apontam para contratos simulados, empresas de fachada, movimentações financeiras incompatíveis com rendas declaradas e o uso recorrente de dinheiro vivo. Nada disso combina com a retórica moralista que setores da extrema-direita costumam adotar quando discursam contra “a velha política” ou prometem varrer a corrupção do sistema.

A chamada cota parlamentar existe para viabilizar o exercício do mandato: deslocamentos, assessoria e estrutura mínima de trabalho. Transformá-la em mecanismo de enriquecimento privado — ou em instrumento de financiamento paralelo de gabinetes — é perverter o mandato popular. Quando a PF descreve um esquema de locação de veículos mantido mesmo após indícios de dissolução irregular da empresa contratada, o que se revela não é um episódio isolado, mas um método: um modus operandi baseado na sensação de impunidade.

A reação de um dos investigados, ao falar em “perseguição implacável”, segue um roteiro já conhecido da política brasileira. Sempre que o Estado começa a funcionar, surge o discurso da vitimização. O problema é que mandados de busca autorizados pelo STF não nascem de perseguição, mas de indícios consistentes. Eles resultam de investigações prolongadas, análise de documentos, quebras de sigilo e cruzamento de dados. Não é a PF que escolhe alvos ao acaso; são os fatos que se impõem quando deixam rastros.

Há ainda um elemento que torna o episódio mais perturbador: o desdobramento da investigação. A ofensiva atual só foi possível porque, em dezembro de 2024, assessores parlamentares ligados aos gabinetes de Sóstenes e Jordy já haviam sido alvo de apurações. O alerta, portanto, soou antes. Mesmo assim, o esquema teria continuado operando. Isso sugere não apenas audácia, mas a confiança excessiva de quem acredita estar blindado por cargos, discursos inflamados ou alianças políticas.

A democracia não se fortalece com espetacularização, mas com instituições funcionando dentro da lei. Nesse sentido, a Operação Galho Fraco cumpre um papel essencial: lembrar que mandato não é salvo-conduto e que verba pública não é extensão da conta pessoal de ninguém. Se os fatos forem confirmados, caberá à Justiça punir. Se não forem, caberá aos investigados demonstrar, com documentos e explicações convincentes, que tudo não passou de coincidência. Até lá, o mínimo esperado é respeito às instituições — e não ataques a quem cumpre a lei.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247

O que diz a lei sobre estacionar na frente da própria garagem?

Prática comum em áreas residenciais pode render multa, mesmo quando o carro é do próprio morador

 Artigo de Gabriel Yuri Souto, em Portal 6,17 de dezembro de 2025

(Foto: Reprodução)

Estacionar em frente à própria garagem é uma situação comum em bairros residenciais e costuma gerar dúvidas. Muitos moradores acreditam que, por serem donos do imóvel, também teriam direito de usar o espaço em frente ao portão como vaga. No entanto, a legislação de trânsito não funciona dessa forma.

Apesar da sensação de “vaga particular”, a lei trata esse espaço como parte da via pública, sujeita às mesmas regras aplicadas a qualquer outro motorista.
O que a lei brasileira determina

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) considera infração parar ou estacionar em locais que impeçam o acesso de veículos a garagens ou entradas de edificações. A regra vale independentemente de quem seja o proprietário do imóvel ou do veículo.

Ou seja, não há distinção entre estacionar em frente à própria garagem ou à garagem de terceiros. O simples fato de bloquear uma entrada já caracteriza irregularidade.
Por que estacionar ali pode gerar multa

A proibição existe para garantir segurança e fluidez do trânsito. Um carro parado diante de um portão pode dificultar manobras, reduzir a largura da via, atrapalhar a circulação de pedestres e até atrasar veículos de emergência.

Mesmo que o morador “autorize” o uso daquele espaço, isso não altera o caráter público da rua nem elimina os riscos associados ao bloqueio.
Quando a fiscalização costuma agir

Na prática, a autuação costuma ocorrer quando o veículo causa algum tipo de prejuízo visível à circulação. Entre as situações mais comuns estão:
Bloqueio total ou parcial da entrada de veículos;
Invasão da calçada ou de rampas de acessibilidade;
Redução da largura útil da via, especialmente em ruas estreitas;
Existência de sinalização proibindo parada ou estacionamento.

Em áreas com grande fluxo de carros ou histórico de conflitos entre moradores, a fiscalização tende a ser mais rigorosa.
Existe alguma exceção?

A legislação não prevê exceção formal para o morador estacionar em frente à própria garagem. Em ruas largas e pouco movimentadas, pode haver tolerância pontual por parte de alguns agentes, mas isso não representa autorização legal.

A ausência de multa em determinado momento não impede que a infração seja registrada em outra ocasião.
Placas e meio-fio amarelo autorizam o morador?

Não. Placas informais e pintura de faixa amarela servem apenas para impedir que terceiros bloqueiem a garagem, mas não transformam o local em vaga exclusiva nem liberam o uso pelo próprio morador.O espaço continua sendo público e sujeito às normas gerais de trânsito.

Como evitar multas e conflitos

A forma mais segura de evitar autuações é guardar o veículo totalmente dentro da garagem. Quando isso não for possível, algumas atitudes ajudam a reduzir riscos:
Verificar se o carro não invade a calçada;
Observar placas e sinalização horizontal;
Evitar deixar o veículo parado por longos períodos;
Consultar regras específicas do município;
Manter diálogo com vizinhos em ruas residenciais.

Com o aumento da frota e a mudança constante na circulação urbana, regras locais podem se tornar mais restritivas ao longo do tempo.
Por que a vaga não pertence ao morador

Apesar da percepção comum, ninguém é dono da vaga na rua, mesmo que ela fique em frente à sua casa. A garagem termina no limite do portão. A partir dali, o espaço é público e pertence a todos os usuários da via.

Por isso, a lei trata moradores, visitantes e terceiros da mesma forma. O objetivo não é garantir vagas particulares, mas preservar circulação, segurança e acessibilidade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Pesquisa Quaest consolida favoritismo de Lula à reeleição e deve manter Tarcísio em São Paulo

Levantamento analisado por Maria Cristina Fernandes aponta Flávio Bolsonaro como eixo do bolsonarismo e estreita o espaço para alternativas da direita

Brasil 247, 17 de dezembro de 2025, 05:51 h

Lula e Tarcísio de Freitas (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Arthur Pacheco/Governo do Estado de SP)


A mais recente pesquisa Genial/Quaest reforça o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição e indica que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tende a permanecer focado na disputa estadual. A leitura é da colunista Maria Cristina Fernandes, em análise publicada no Valor Econômico nesta terça-feira (16), que examina os efeitos políticos da ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal nome da oposição.

O levantamento mostra Flávio Bolsonaro na liderança entre os postulantes da direita, impulsionado por ampla exposição e pela formalização de sua pré-candidatura. Na pesquisa espontânea, o senador empata com o pai, Jair Bolsonaro, mas carrega um patamar elevado de rejeição, elemento que limita sua competitividade nacional e, ao mesmo tempo, reorganiza o campo oposicionista.

Segundo os dados, 54% dos entrevistados avaliam que Jair Bolsonaro errou ao lançar o filho como candidato, enquanto 62% afirmam que não votariam em Flávio “de maneira alguma”. Ainda assim, a candidatura cumpre um papel funcional para o bolsonarismo: preserva a identidade do grupo como principal força de oposição e ajuda a sustentar uma bancada expressiva do PL no Congresso.

Na análise de Maria Cristina Fernandes, mesmo com a rejeição ao presidente Lula chegando a 54%, Flávio Bolsonaro tem chances reduzidas de derrotá-lo. Sua força política, contudo, é suficiente para bloquear uma postulação presidencial de Tarcísio de Freitas. Para assegurar a reeleição em São Paulo, o governador tende a depender de um alinhamento com o bolsonarismo, inclusive com eventual apoio a Flávio no plano nacional, em troca de reciprocidade no estado.

A comparação com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ajuda a dimensionar o cenário. Apesar de menos conhecido nacionalmente, Ratinho aparece com 13% das intenções de voto, à frente de Tarcísio, que marca 10%. A diferença, segundo a análise, decorre sobretudo da rejeição junto ao eleitorado bolsonarista: 41% no caso de Ratinho Jr., contra 51% de Tarcísio.

Ainda assim, permanece a incógnita sobre a disposição do governador paranaense de disputar a Presidência, abrindo mão de uma provável eleição ao Senado e do foro privilegiado, especialmente diante da perspectiva de o senador Sergio Moro (União-PR) concorrer à mesma vaga. A expectativa, registra a colunista, é de que o Podemos possa oferecer legenda caso outros partidos recuem.

A rejeição a Tarcísio entre bolsonaristas é interpretada como resultado de uma estratégia para impedir o florescimento de uma alternativa fora do núcleo familiar Bolsonaro, sobretudo no maior colégio eleitoral do país. Isso ocorre apesar de o governador paulista ter adotado posições alinhadas à base bolsonarista, como a política de linha dura na segurança pública.

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Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno em 2026, diz AtlasIntel

Pesquisa aponta possibilidade de vitória do presidente ainda no primeiro turno

Brasil 247, 18 de dezembro de 2025, 09:32 h

04.12.2025 - Palácio Itamaraty - Brasília (DF) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Artigo de Otávio Rosso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança de todos os cenários simulados para as eleições presidenciais de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno, segundo um novo levantamento nacional divulgado nesta quinta-feira, 18. Os dados mostram que, se o pleito fosse realizado hoje, Lula venceria todos os principais adversários testados pela pesquisa, mantendo ampla vantagem sobre candidatos ligados ao bolsonarismo e governadores da oposição.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg traçou diferentes cenários eleitorais e avaliou disputas com a presença de nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), além de outros governadores cotados para a corrida presidencial.

No primeiro turno, em um cenário que inclui Flávio Bolsonaro como candidato indicado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula registra 48,1% das intenções de voto, contra 29,3% do senador. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), aparece em terceiro, com 7,2%. Em uma simulação ampliada, com a inclusão de Tarcísio de Freitas, o presidente mantém a liderança com 47,9%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 21,3%, e pelo governador paulista, com 15%. Caiado soma 4,4%.

Quando o cenário exclui Flávio Bolsonaro e testa apenas Lula contra Tarcísio de Freitas e Caiado, o presidente alcança 48,8%, enquanto o governador de São Paulo marca 28,3% e Caiado, 5,5%. Em outra hipótese, com Michelle Bolsonaro como principal adversária, Lula também aparece com 48,8%, contra 30% da ex-primeira-dama e 7,5% de Caiado.

Há ainda um cenário sem integrantes da família Bolsonaro nem Tarcísio de Freitas. Nesse recorte, Lula pontua novamente 48,8%, enquanto Caiado sobe para 16,3%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparece com 11,7%, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com 9%.

O levantamento também investigou a aceitação, entre eleitores da ala bolsonarista, da eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo os dados, 75,2% afirmaram concordar com a escolha, enquanto 17,1% discordaram e 7,6% disseram não saber. Questionados sobre quem deveria compor a chapa como vice, os entrevistados apontaram Tarcísio de Freitas (25,8%) e Michelle Bolsonaro (23%) como as opções preferidas, seguidos por Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos com 9,6%, Ratinho Júnior (8,6%) e Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, com 8,1%.

A pesquisa também simulou um cenário em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seria o candidato do PT em 2026, sem a presença de Lula. Nesse caso, Haddad lidera com 43,9%, enquanto Tarcísio de Freitas aparece com 28,5%. Caiado soma 6,1% e Ratinho Júnior, 4,1%.

Nos cenários de segundo turno, Lula venceria todos os adversários testados. Contra Tarcísio de Freitas, o presidente teria 49%, frente a 45% do governador paulista. Em uma disputa com Michelle Bolsonaro, Lula alcança 50%, contra 45%. A vantagem é ainda maior sobre Flávio Bolsonaro, com 53% para Lula e 41% para o senador. Contra Caiado, Zema ou Ratinho Júnior, o presidente registra 49%, enquanto os adversários ficam com 39%.


O levantamento também mediu a rejeição dos principais nomes políticos. Ao serem questionados sobre em quem não votariam de jeito nenhum, os entrevistados colocaram Jair Bolsonaro no topo da lista, com 48,9%. Lula aparece em seguida, com 47,8%, seguido por Flávio Bolsonaro (45,6%), Michelle Bolsonaro (43,3%), Nikolas Ferreira (PL), com 42,9%, Romeu Zema (39,8%) e Tarcísio de Freitas (39,3%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 15 de dezembro, com 18.154 entrevistados em todas as regiões do país. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento utilizou a metodologia Atlas Random Digital Recruitment (RDR), que recruta participantes de forma orgânica durante a navegação na internet, em diferentes dispositivos e territórios geolocalizados.

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