quarta-feira, 16 de junho de 2021

TCU aponta fraude de Bolsonaro no cálculo do rombo da previdência dos militares

Governo subestimou em R$ 45 bilhões as despesas dos militares, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União

Brasil 247, 16/06/2021, 02:41 h Atualizado em 16/06/2021, 02:42
(Foto: TCU | REUTERS/Adriano Machado)

O governo de Jair Bolsonaro subestimou as despesas do governo com a previdência dos militares, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União. É o que aponta a coluna da jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S. Paulo desta quarta-feira. "Uma auditoria financeira feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre estimativas contábeis do passivo da Previdência Social afirma que o governo de Jair Bolsonaro subavaliou os valores do regime dos militares, minimizando eventual rombo futuro. E superavaliou os números relativos ao regime dos servidores civis da União, dizendo que gastará mais do que de fato desembolsará", informa a jornalista.

"De acordo com os auditores, o governo subavaliou o passivo atuarial do regime dos militares em R$ 45,5 bilhões. Ele deixou de colocar na conta, por exemplo, reajustes recentes de vencimentos das Forças Armadas que vão impactar no pagamento futuro dos benefícios de seus integrantes, quando eles virarem inativos", aponta ainda Mônica. "Já com o regime dos servidores civis (Regime Próprio de Previdência Social) ocorreu o contrário, segundo os técnicos do tribunal. O governo inflou as despesas, que foram superavaliadas em R$ 49,2 bilhões."

Jornalista Rosângela Bittar revela: Bolsonaro está com medo de ser preso

"Esta é a assombração que persegue o antes destemido Bolsonaro. Seu pesadelo é perder a reeleição, a imunidade, e ser preso", afirma a jornalista Rosângela Bittar

Brasil 247, 16/06/2021, 09:22 h Atualizado em 16/06/2021, 09:31
Rosângela Bittar e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter | REUTERS/Ueslei Marcelino)


A jornalista Rosângela Bittar afirma, em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo, que “o agravamento do desvario que Bolsonaro está exibindo em praça pública não é gratuito e tem uma razão nem tão secreta”. “Esta é a assombração que persegue o antes destemido Bolsonaro. Seu pesadelo é perder a reeleição, a imunidade, e ser preso”, destaca.

“As denúncias que o atingem tipificam crimes contra a humanidade, em especial genocídio dos povos indígenas”, escreve ela no texto. “Documentos diplomáticos sobre a denúncia foram enviados à CPI da Covid, cujo relatório deverá apontar a culpa de Bolsonaro em atos de transgressão do direito à vida. Representará, assim, um reforço institucional, o ponto de vista de um dos poderes da República, o Legislativo, para a análise do tribunal de Haia”, ressalta.

A jornalista observa, porém, que “mesmo assim, Bolsonaro não está internamente fraco. Controla, a peso de ouro, a Câmara dos Deputados, e usa e abusa do procurador-geral da República. São trunfos que lhe permitem deixar com os dirigentes dessas instituições a cobertura da retaguarda, inclusive legal, da sua sobrevivência no poder, e sair por aí. Resta, no entanto, o risco do relatório da CPI, com sua sólida maioria oposicionista. Os depoimentos e as provas colhidos até agora devem reforçar o processo do Tribunal Penal Internacional de Haia”.

Bolsonaro volta a atacar a Coronavac e diz que ela "não tem uma comprovação científica"

Sem citar evidências, Jair Bolsonaro afirmou que "muita gente" não estaria desenvolvendo anticorpos depois de tomar a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan (SP). “Então essa vacina não tem uma comprovação científica ainda”

Brasil 247, 16/06/2021, 07:53 h Atualizado em 16/06/2021, 08:27
Jair Bolsonaro e a vacina Coronavac (Foto: ABr)

Jair Bolsonaro voltou a sabotar a vacinação no país ao criticar o imunizante Coronavac, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan (SP). Bolsonaro disse que a vacina não tem comprovação científica e, sem citar evidências, afirmou que "muita gente" não estaria desenvolvendo anticorpos depois de tomá-la.

"A Coronavac, o prazo de validade dela parece que é em torno de 6 meses. E assim mesmo muita gente tem tomado e não desenvolve anticorpo nenhum. Então essa vacina não tem uma comprovação científica ainda", disse ele, que também criticou medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores. A entrevista foi concedida à "SIC TV", de Rondônia, e os relatos foram publicados pelo jornal O Globo.

A Coronavac passou por testes clínicos que verificaram sua segurança e eficácia. O Instituto Butantan realizou os testes e os resultados foram enviados para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Após análise dos documentos, a agência aprovou o uso emergencial da vacina.


As agressões dele também colocaram em risco a oferta de vacinas ao Brasil. Em maio, a farmacêutica SinoVac cobrou uma mudança de posicionamento do governo para garantir o envio de insumos ao Butantan.

Outro ataque ao país asiático, em plena pandemia, aconteceu em novembro do ano passado, mas sobre a tecnologia 5G. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou o embaixador da China em Brasília, Yang Wanming, ao dizer que o governo brasileiro declarou apoio a uma "aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China".

Em nota, a embaixada chinesa no Brasil classificou a postagem do parlamentar como "totalmente inaceitável para o lado chinês e manifestamos forte insatisfação e veemente repúdio a esse comportamento". "A parte chinesa já fez gestão formal ao lado brasileiro pelos canais diplomáticos", acrescentou a embaixada chinesa.

CPI da Covid vai ouvir empresário de farmacêutica que vendeu vacina mais cara ao Brasil

CPI deve ouvir sócio da Precisa, farmacêutica que representa no Brasil a companhia indiana Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin — o imunizante mais caro adquirido pelo governo brasileiro

Brasil 247, 16/06/2021, 08:37 h Atualizado em 16/06/2021, 09:30
A Covaxin, vacina contra a Covid-19 desenvolvida por institutos indianos 
(Foto: Reprodução/Bharat Biotech)

A CPI da Covid deve aprovar nesta quarta-feira (16), a convocação do empresário Francisco Maximiano para prestar depoimento e explicar o contrato de vacina mais cara comprada pelo Brasil, a Covaxin fabricada pela farmacêutica indiana Bharat Biotech representada no Brasil pela Precisa, da qual Maximiano é sócio.

Segundo reportagem do jornal O Globo, também serão votadas as quebras dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário dos sócios da Precisa, suspeita de favorecimento no contrato para a venda da Covaxin.

Ainda segundo a reportagem, Francisco Maximiano esteve à frente de uma delegação recebida na Embaixada do Brasil em Nova Déli em 7 de janeiro. Um dia depois da reunião, Jair Bolsonaro informou por carta ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que a Covaxin havia sido uma das vacinas “escolhidas”, junto com a AstraZeneca. Naquela data, o governo já havia recebido cinco ofertas da Pfizer e quatro do Instituto Butantan.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Retomada da economia reduz preferência por Lula

Para adversários de Bolsonaro os erros dele são evidentes. Mas muitos eleitores não pensam assim

Ex-Presidente Lula durante reunião do PT sobre economia: tema será 
central na eleição de 2022Sérgio Lima/PODER 360

15.jun.2021 (terça-feira) - 5h50

Em 84 dias Luiz Inácio Lula da Silva perdeu a preferência do eleitor. O intervalo separa pesquisas do PoderData.

Em 17 de março o ex-presidente tinha 34% das intenções de voto no 1º turno. O presidente Jair Bolsonaro tinha 30%. Com margem de erro de 1,8 ponto percentual, Lula estava à frente.

Na pesquisa de 9 de junho, Bolsonaro tinha 33% no 1º turno e Lula, 31%. A margem de erro nesse caso é de 2 pontos percentuais, portanto os 2 estão tecnicamente empatados. Nos 2 levantamentos intermediários houve redução da margem favorável a Lula. Isso mostra uma tendência de consistente e progressiva de corrosão de Lula e de crescimento de Bolsonaro na hipótese mais provável por ora: de que os 2 serão candidatos.

No 2º turno, o petista estava na frente, com 48%. Bolsonaro tinha 35%. Em 14 de abril, Lula tinha 52% e Bolsonaro, 34%. A diferença caiu 7 pontos percentuais.

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Faltam 16 meses para o 1º turno da eleição. Muita coisa mudará até lá. É possível que Lula volte a ter maior vantagem sobre Bolsonaro. Ou o contrário.

O desempenho do petista na 1ª pesquisa tem sido atribuída ao impacto da novidade. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin decidiu em 8 de março anular as sentenças contra o ex-presidente na 1ª instância da Justiça Federal de Curitiba. Com isso, Lula tornou-se possível candidato em 2022. Mas nesses quase 3 meses isso se tornou algo dado, como as nuvens do céu.

Um nome tão conhecido como Lula tornar-se elegível de um dia para outro é algo que não pode ser desprezado. Tampouco é um fator que pode dar conta de explicar completamente a escolha do eleitor a favor ou contra o petista. Como já se argumentou aqui, algo que conta muito ao se optar por um candidato a presidente é o desempenho da economia.

Bolsonaro e Lula poderão mostrar em 2022 o que fizeram para melhorar o emprego e a renda em seus respectivos governos. Mas o que interessa mesmo às pessoas é quem lhes proporcionará maior prosperidade de 2023 a 2026. O passado importa como sinalização do que poderá ser o futuro.

FAIXAS DE RENDA

Na pesquisa de 17 de março, Lula tinha vantagem sobre Bolsonaro em 3 faixas de rendimentos. Eram 15 pontos a mais entre as pessoas sem renda fixa, 8 pontos nas que recebem até 2 salários mínimos (R$ 2.200) e 25 pontos nas que recebem de 2 a 5 salários mínimos (R$ 2.200 a R$ 5.500). Bolsonaro estava à frente nas faixas de 5 a 10 salários (R$ 5.500 a R$ 11.000), com 25 pontos, e na acima disso, com 16 pontos.

Na pesquisa de 9 de junho, Lula lidera só entre as pessoas que não têm renda fixa, mas com margem bem inferior à de antes: 9 pontos. Na faixa até 2 salários, Bolsonaro passou a liderar com 14 pontos. Na de 2 a 5, tem 5 pontos de vantagem. Na de 5 a 10, tem 8 pontos de vantagem. Na acima de 10, o presidente tem quase o mesmo de antes: 15 pontos.

Note-se aqui a corrosão de Bolsonaro em uma faixa: a de 5 a 10 salários mínimos. Ele tinha 25 pontos de vantagem e passou a ter 8. É possível que essas pessoas se sintam mais vulneráveis à alta da inflação e à dificuldade de criação de vagas formais de trabalho, sobretudo com maior remuneração.

Mas em outras faixas de menor renda a satisfação com o governo parece estar crescendo. É isso o que sugere a preferência que Bolsonaro passou a ter sobre Lula. Também é consistente com a recuperação em vários itens do mercado de trabalho observada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As vagas dos que trabalham por conta própria, sem carteira assinada, já superavam em março (dado mais recente disponível) o nível de março de 2020, pré-pandemia. A renda estava ligeiramente superior, em valor corrigido pela inflação. A economia segue crescendo, o que sugere que a avaliação do governo se tornará progressivamente mais favorável.

Os itens desfavoráveis ao governo e a Bolsonaro já mencionados acima são a alta da inflação e a demora de recuperação do emprego formal. A isso pode se somar a percepção de alguns eleitores de que o presidente age mal para reduzir o número de casos de covid e os danos que a doença causa na economia. Não são todos que pensam assim. Tendem a ser ainda em menor número os que acham que o comportamento equivocado atual possa comprometer o futuro do país.

Os petistas e outros adversários de Bolsonaro parecem contar com o fato de que os erros do presidente e do governo são evidentes. Talvez lhes seja útil avaliar o quadro de forma um pouco mais sofisticada.

Mas em outras faixas de menor renda a satisfação com o governo parece estar crescendo. É isso o que sugere a preferência que Bolsonaro passou a ter sobre Lula. Também é consistente com a recuperação em vários itens do mercado de trabalho observada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Expulso do DEM, Rodrigo Maia se oferece para ajudar Lula em 2022

Ex-presidente da Câmara se propõe a ajudar na interlocução do ex-presidente com setores que se afastaram do Partido dos Trabalhadores

Brasil 247, 15/06/2021, 05:48 h Atualizado em 15/06/2021, 06:24
Rodrigo Maia e Lula (Foto: ABr)

"O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia se ofereceu para colaborar com o programa de governo e nas articulações da campanha de Luis Inácio Lula da Silva para a presidência da República em 2022", segundo informa a jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no Globo. "Os dois tiveram uma conversa fechada no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (11), da qual também participaram o prefeito, Eduardo Paes (PSD), e a presidente do PT Gleisi Hoffmann", diz ainda a jornalista.

"Na conversa de 20 minutos com Lula, Maia disse que poderia ajudar a fazer a interlocução de sua campanha com políticos e setores da sociedade que hoje rejeitam o PT", especialmente no chamado "mercado". Em entrevista recente à TV 247, Maia disse que cabe a Lula liderar a luta democrática no País.

PT tenta costurar acordo entre Haddad e Boulos para o governo de São Paulo

Pela proposta, Fernando Haddad disputaria o governo estadual e Guilherme Boulos sairia a deputado, com a garantia de ser o nome para a prefeitura em 2024

Brasil 247, 15/06/2021, 05:40 h Atualizado em 15/06/2021, 06:25
Ex-prefeito de SP Fernando Haddad e o líder do MTST, Guilherme Boulos (Foto: Stuckert)

Num cenário em que as pesquisas apontam que, juntos, Fernando Haddad e Guilherme Boulos liderariam as pesquisas para o governo de São Paulo, lideranças do Partido dos Trabalhadores já buscam um acordo para solucionar o impasse. Pela proposta, "Guilherme Boulos desiste da candidatura ao governo de São Paulo no próximo ano, apoia Fernando Haddad, sai candidato a deputado federal e recebe o apoio dos petistas para se candidatar a prefeito dois anos depois, em 2024", segundo informa a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna.

"Além disso, o PSOL indicaria o vice e também o candidato ao Senado na chapa petista de Haddad. As vantagens do acordo: Boulos poderia se consagrar como um dos parlamentares mais bem votados nas próximas eleições. E seria o nome da esquerda para disputar a prefeitura. O PT não tem hoje candidato competitivo para as eleições municipais de 2024 —a aliança com Boulos resolveria o problema", aponta ainda a colunista.

Frente Brasil Popular prevê que haverá manifestações em 500 cidades no 19J

"Nossa projeção é que teremos protestos em mais de 500 municípios”, disse o membro da direção nacional do MST e da Frente Brasil Popular, João Paulo Rodrigues

Brasil 247, 15/06/2021, 08:21 h Atualizado em 15/06/2021, 08:25
(Foto: Alexia Martins/Mídia NINJA)

Os organizadores das manifestações contra o governo Bolsonaro, pela vacina e pelo auxílio emergencial, marcadas para o sábado (19), estimam que mais de 500 cidades de todo o país devem aderir aos protestos.

"Já temos a confirmação de atos em mais de 150 municípios. Há muitas reuniões marcadas nesta semana para definir as atividades. Nossa projeção é que teremos protestos em mais de 500 municípios”, disse o membro da direção nacional do MST e da Frente Brasil Popular, João Paulo Rodrigues, à coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

Até as 19h desta segunda-feira (14), os organizadores haviam confirmado a realização das manifestações chamado “19J” contra Bolsonaro em 180 cidades do Brasil e do exterior.

O primeiro protesto nacional, no dia 29 de maio, aconteceu em 213 cidades do Brasil e 14 do exterior, segundo os movimentos.

Capitã Cloroquina comemora vacinação e é detonada por bolsonaristas

Um dos maiores símbolos da cruzada do governo de Jair Bolsonaro em defesa do medicamento que não possui eficácia no combate à Covid, Mayra Pinheiro, mais conhecida como a “Capitã Cloroquina” ostentou seu cartão de vacinação contra a Covid-19 e foi duramente criticada pelos bolsonaristas

Brasil 247, 15/06/2021, 08:07 h Atualizado em 15 de junho de 2021, 08:39
(Foto: Reprodução/Instagram)

Um dos maiores símbolos da cruzada do governo de Jair Bolsonaro em defesa do medicamento que não possui eficácia no combate à Covid, Mayra Pinheiro, mais conhecida como a “Capitã Cloroquina”, ostentou seu cartão de vacinação contra a Covid-19 e foi duramente criticada pelos bolsonaristas que boicotam a vacina.

Mayra virou uma das maiores referências dos extremistas ao fazer a defesa da cloroquina na CPI da Covid, manipular informações durante sua fala e causar indignação entre membros da Comissão Parlamentar.

“Até a senhora doutora Mayra postando fotinha com essa vacina. Não quer nem passar perto de posto de vacinação... Não entendi, uma pessoa tão esclarecida”, escreveu uma seguidora.

"Não está vendo as reações das vacinas", cobrou outra.

"Esta não vou curtir, não tomo de jeito nenhum", completou mais uma seguidora.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Epidemiologista revela que governo tentou obrigar cientistas a aprovar plano de vacinação só com AstraZeneca

Ethel Maciel, epidemiologista da Ufes que participou do comitê de cientistas que assessorou o Plano Nacional de Imunização contra Covid-19, revela que governo Bolsonaro tentou impor um plano só com vacina da AstraZeneca, sem cobertura universal

Brasil 247, 14/06/2021, 09:29 h Atualizado em 14/06/2021, 10:41
Ethel Maciel (Foto: Lissa de Paula/ALES)

Em entrevista à TV 247 na noite deste domingo (13), a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo, revelou que o governo Bolsonaro tentou impor ao comitê de cientistas que assessorava o Ministério da Saúde em relação à pandemia da Covid-19, em 2020, um Plano Nacional de Imunização apenas com a vacina da AstraZeneca, sem cobertura universal.

Maciel participou do comitê como indicada da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Ela relatou que o comitê, que deveria ter sido instalado logo nos primeiros sinais da pandemia, em fevereiro-março de 2020, “demorou muito” e começou seus trabalhos apenas em fins de setembro. “Muitos técnicos experientes não estavam mais no PNI, o que atrasou demais os trabalhos”, relatou.

As reuniões foram marcadas por grande tensão no grupo responsável por definir os grupos prioritários à vacinação, segundo a epidemiologista, “porque até dezembro o governo não tinha plano algum e só tinha o acordo com a AstraZeneca-Oxford; nem o acordo com o Butantan estava feito". Isso era, segundo Maciel, motivo de enorme constrangimento nas reuniões, porque os técnicos do Butantan participavam das reuniões e “começou uma série de desentendimentos entre os consultores e os técnicos do governo”.

Em 1 de dezembro, na primeira reunião com a participação do general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, os cientistas foram informados que não havia seringas para vacinação: “esse era o tamanho do buraco, e foi um choque; corríamos o risco de ter vacinas e não ter seringas”.

O impasse naquele momento tornou-se uma queda de braço: o governo queria um Plano Nacional de Imunização restrito à AstraZeneca, insuficiente para vacinar a população e os cientistas argumentando que eles deveriam dizer como o plano deveria ser feito para ser universalizante e caberia ao governo buscar as vacinas.

“A seguir, começou outro impasse, sobre os grupos prioritários para vacinação”, contou a epidemiologista. Ela disse que o governo, por motivos ideológicos, tirou a população carcerária dos grupos prioritários, contrariando todo o conhecimento científico acumulado em epidemias. “Não tem como vacinar as forças de segurança e não vacinar as pessoas privadas de liberdade” afirmou a cientista - mas assim foi feito.

O auge do confronto entre os cientistas e o governo aconteceu em 11 de dezembro, quando o governo Bolsonaro enviou ao STF, por exigência da Corte, o Plano Nacional de Imunização e informou que os cientistas do comitê de assessoramento haviam aprovado o plano de imunização: “Foi um choque, ficamos sabendo pela imprensa de um plano com nossos nomes como elaboradores e que nunca tínhamos visto e sobre o qual tínhamos discordâncias importantes”. Os 36 cientistas soltaram imediatamente uma nota denunciando a farsa. A Abrasco enviou uma carta diretamente ao ministro Ricardo Lewandowski, do STF, informando-o do ocorrido. “Trabalho com pesquisa desde 1994 e nunca vivenciei uma situação de desrespeito como essa”, relatou Maciel.

A epidemiologista Ethel Maciel é pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University) e professora titular da Ufes. Em março de 2020, foi eleita reitora da Ufes, com o voto da comunidade e do Conselho Universitário, mas não foi nomeada por Bolsonaro.

Participaram do Boa Noite deste domingo, além de Ethel Maciel, o virologista Eurico Arruda, coordenador do Laboratório de Patogênese Viral da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), e a matemática Elenira Vilela, professora do Instituto Federal de Santa Catarina.