segunda-feira, 12 de março de 2018

Ao receber Temer, Cármen Lúcia virou problema

Josias de Souza, 12/03/2018 04:49

O Palácio do Planalto virou um bunker. Nele, não há inocentes. Apenas suspeitos e cúmplices. Quem olha para a fortificação enxerga pus no fim do túnel. Uma evidência de que a corrupção infeccionou os escalões mais graúdos da República. Numa crise moral dessa magnitude, não há meio termo: ou a pessoa é parte da solução ou ela é parte do problema. No sábado, Cármen Lúcia recebeu em sua casa Michel Temer, um presidente que não tem cara de solução. Graças a esse encontro, a comandante do Supremo Tribunal Federal ganhou instantaneamente uma aparência de problema.

Há um esforço pueril para atribuir à reunião ares de normalidade. Nessa versão, tudo não teria passado de um encontro institucional entre dois chefes de Poderes. Conversa mole. O encontro foi 100% feito de esquisitices: o ambiente doméstico, a atmosfera frouxa do final de semana, a pauta desconhecida, a omissão na agenda oficial… Tudo isso mais o fato de que Cármen Lúcia recepcionou em casa não um presidente do Poder Executivo, mas um prontuário que inclui duas denúncias criminais, dois inquéritos por corrupção e uma quebra de sigilo bancário.

A conversa foi solicitada por Temer. Cármen Lúcia faria um enorme favor a si mesma se perguntasse aos seus botões: como os repórteres ficaram sabendo? Na saída, cercado por câmeras e microfones, o visitante foi questionado sobre o teor da prosa que tivera com a anfitriã. Perguntou-se se haviam tratado do inquérito sobre a propina de R$ 10 milhões da Odebrecht. E Temer: “Não. Só sobre segurança do Rio de Janeiro e do Brasil.” Hã, hã…

A lorota de Temer pendurou Cármen Lúcia nas manchetes na desconfortável posição de alguém que precisa dar explicações sobre atitudes inexplicáveis. Pintado para a guerra, Temer vê inimigos em toda parte. Sobretudo no Supremo. Na Segunda Turma, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, incluiu o presidente no rol de investigados do inquérito sobre a Odebrecht. Na Primeira Turma, Luís Roberto Barroso acaba de quebrar o sigilo bancário de Temer no inquérito sobre a troca de propina pela edição de um decreto na área de portos.

Pela primeira vez desde a chegada de Pedro Álvares Cabral o Estado investiga e pune oligarcas com poderio político e empresarial. Numa quadra tão inusitada da vida nacional, Cármen Lúcia deveria conversar com o espelho antes de receber investigados em casa.

Se a ministra tivesse consultado sua consciência, ouviria sábios conselhos: “Não encontre Michel Temer. Se encontrar, prefira a sede do Supremo. Se cair num sábado, transfira para um dia útil. Se lhe pedirem segredo, faça constar da agenda. Se não especificarem a pauta, não entre na sala com menos de duas testemunhas.

Não espanta que Temer ainda se sinta à vontade para constranger a presidente do Supremo com pedidos de encontro. De um personagem crivado de inquéritos não se espera um comportamento recatado. O espantoso é que Cármen Lúcia aceite recebê-lo de qualquer jeito.

A suavidade imprópria reservada a Michel Temer não orna com a rigidez adequada que aproxima Lula da cadeia. Pela experiência que já acumulou na vida, a doutora já deveria saber que todo grande problema começa com pequenas explicações.

domingo, 11 de março de 2018

Por que Cármen Lúcia recebeu o presidente ladrão?

Brito: ambos cuidam só de não cair

Conversa Afiada, 11/03/2018

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, no Tijolaço:

Cármen Lúcia jamais teve uma liderança real no Supremo Tribunal Federal, antes de cair-lhe ao colo a liderança formal que a presidência da corte lhe dá.

Teve um ou outro momento de brilho – sobretudo no caso da liberação de biografias não-autorizadas – mas foi, em geral, presença discreta e silenciosa nas questões julgadas no STF.

Sua falta de comando evidenciou-se, mais do que em qualquer outro momento, no julgamento sobre a suspensão do exercício do mandato de Aécio Neves, quando proferiu um voto confuso, no qual não teve a coragem de perder com a minoria e foi contestada pelos dois lados: tanto por quem defendia a incompetência do Supremo para impedir o exercício de um mandato parlamentar quanto pelo próprio ministro Luís Edson Fachin, que sustentava o oposto e foi derrotado.

Ao receber Michel Temer em sua casa, na mesma semana em que o ocupante do Planalto encara duas decisões amargas de seus pares (e ambos parte de seu fraco apoio interno: o próprio Fachin, figura diminuta, e Luis Roberto Barroso, uma mariposa jurídica), a presidente do STF se enfraqueceu de uma forma que não poderia ter feito.

É evidente que o encontro privado e domiciliar com o presidente investigado, ainda que possa ter sido pedido com o argumento de que se trataria da intervenção do Rio de Janeiro, teve outros objetivos, ainda que cerimoniosamente tratados. O que é cerimonioso, porém, precisa de olhos que o observem, sob pena de suspeitar-se nele cumplicidade.

Pode-se argumentar, com razão, que é tema que exige entendimento entre quem ordena a intervenção e quem a legitima juridicamente. Mas, manifesto o desejo de expor as condições em que se realiza a ação excepcional de intervenção, a presidente do STF só se engrandeceria ao atender ao pedido no próprio Supremo e com a presença de seus pares.

Se não o fez, denota um de dois desejos: ou de se pretender “dona”, que não é, da vontade do Tribunal ou, o de obter apoio interno da “bancada do Temer” no Supremo. Em qualquer hipótese, um tiro no pé, pois a leitura é a da cooptação.

Porque, a qualquer olho míope que seja, a visita do presidente neste sábado é tão natural quanto as pedaladas que ele deu, para as câmaras de TV, hoje, no Palácio do Jaburu, nas quais só faltaram as “rodinhas”, de tão à vontade que estava.

As cenas de marketing são semelhantes no ridículo e no inócuo.

Mas revelam que ambos, Temer e Cármen, cuidam mais de não cair do que de andar para a frente.

Segurança? Me engana que eu gosto... (Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress)

Advogado de Lula aponta contradição de Moro: dinheiro do triplex vai para a OAS


"O ex-Presidente Lula jamais teve a posse e muito menos a propriedade do imóvel. Lula, portanto, jamais foi proprietário do apartamento, que foi usado em um enredo criado com o objetivo pré-determinado de condenar o ex-Presidente, em um claro cenário de lawfare, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política". 

"A prova final é que mesmo o juiz Sérgio Moro reconhece que os recursos do leilão podem ir para a OAS", disse, em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, ao comentar o leilão do triplex da OAS, usado para condenar o ex-presidente Lula a mais de 12 anos de prisão.

Maranhão é o estado que mais cresceu em 2017

Sudeste (Tucanistão) foi a única região a despencar...

Conversa Afiada, 10/03/2018
O comunista Dino e o coveiro de SP

De Flavia Lima, na Fel-lha:

Em 2017, o Maranhão foi o destaque entre os estados. Após um período morno em 2016, a safra agrícola recorde e a extração de minério justificam o desempenho extraordinário do estado.

Com uma fatia pequena do PIB, de 1,4%, o estado produtor de soja e arroz cresceu 9,7%, acima da alta de 1% da economia como um todo.

O Nordeste, região que crescia de modo mais acelerado antes da recessão, cresceu 1,7% no ano passado.

(...)

O Sudeste foi a única região a registrar queda da atividade econômica em 2017, indica levantamento feito pelo Itaú Unibanco e obtido com exclusividade pela Folha.

Responsáveis por mais da metade de tudo o que é produzido no país, São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo tiveram queda de 0,7% no PIB (Produto Interno Bruto) combinado e acabaram ditando o ritmo moderado de expansão da economia como um todo no ano passado (+1%).

(...)

Pergunta que não quer calar: "A quem interessa quebrar as empresas brasileiras?"


"Depois das construtoras, da Embraer e da JBS, a bola da vez foi a Brasil Foods. O projeto do Brasil é destruir sua burguesia?", questiona Leonardo Attuch, editor do 247.

"Será que tudo isso acontece por acaso? Será que o mais intenso ataque à burguesia nacional, que conta com o apoio operacional de instituições do próprio País, não acaba servindo – intencionalmente ou não – a interesses internacionais?"

Isso, sim, é apequenar!

"Além de não colocar na pauta dos trabalhos a votação sobre as prisões em 2ª instância (fato que fere uma cláusula pétrea: os direitos e garantias individuais - presunção de inocência), a Presidenta do STF ainda recebeu a visita do Golpista Temer em sua residência".

"Como acreditar numa justiça manietada pela Globo?"


Essa é a questão levantada pelo advogado Carlos Pellegrini, após a decisão da ministra Cármen Lúcia de não pautar a questão das prisões em segunda instância e antecipar sua decisão a um jornalista da casa.

"Carmen Lucia antecipa a pauta do STF de abril para Gerson Camarotti, da Globo News e HC de Lula não será pautado nem em abril. Como acreditar numa Justiça que é manietada pela Globo? Defesa de Lula tem que entrar com mandado de segurança por ato ilegal de Carmen Lucia", diz ele.

Repercute mal o fato de Cármen Lúcia receber Temer fora da agenda

Investigado, Temer tem encontro fora da agenda com Cármen Lúcia


Denunciado como corrupto e chefe de organização criminosa, além de investigado por propinas nos portos, Michel Temer se reuniu neste sábado, fora da agenda, com a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, que tem sido muito criticada por não pautar o caso do ex-presidente Lula.

Estudado em mais de 30 universidades, o golpe de 2016, contra a presidente honesta Dilma Rousseff, foi definido pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Temer, como um golpe "com Supremo, com tudo".

Cármen Lúcia ignora cláusula pétrea e recebe golpista, diz historiador

"Além de não colocar na pauta dos trabalhos a votação sobre as prisões em 2ª instância (fato que fere uma cláusula pétrea: os direitos e garantias individuais - presunção de inocência), a Presidenta do STF ainda recebeu a visita do Golpista Temer em sua residência", diz o professor de História Abdala Farah Neto.

Encontro com Temer fragiliza Cármen no STF, diz Fernando Brito

Ao receber Michel Temer em sua casa, na mesma semana em que o ocupante do Planalto encara duas decisões amargas de seus pares (e ambos parte de seu fraco apoio interno: o próprio Fachin, figura diminuta, e Luis Roberto Barroso, uma mariposa jurídica), a presidente do STF se enfraqueceu de uma forma que não poderia ter feito, aponta o editor do Tijolaço.

Cármen Lúcia desceu ao mais baixo nível moral

"Ao antecipar a pauta de abril, em meado de março, e nela não incluir a presunção de inocência, Carmen Lúcia desce a seu mais baixo nível moral. É um comportamento inaceitável para uma presidente de uma corte suprema. Ela quer rivalizar com Moro na condição de algoz de Lula", disse o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ).


Zé Simão sobre encontro Temer-Cármen: terror

"Encontro do Terror! Frankstemer e Carmen Lúcia Bento Carneiro!", escreveu o colunista José Simão, sobre a reunião fora da agenda entre um investigado por corrupção e a presidente do Supremo Tribunal Federal.




Kotscho: Cármen recebe Temer, mas não fala com advogado de Lula


"É mais fácil ganhar na mega-sena do que a República da Farda & Toga deixar Lula ser candidato a presidente. Mais provável é que determine a sua prisão o mais rápido possível. Quanto a Temer, Aécio, Serra, Alckmin e companhia bela delatados na Lava Jato, se mantidas as atuais condições de tempo e temperatura no Judiciário, tudo indica que teremos novos casos de prescrição se um dia forem levados a julgamento", diz o jornalista Ricardo Kotscho.


"Putaria institucional"

O jornalista Xico Sá definiu como "putaria institucional" o encontro clandestino entre Michel Temer, denunciado como corrupto e chefe de quadrilha, além de investigado por propinas nos portos, com a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal. "Desculpe, mas o nome disso é putaria institucional", disse ele. 

Segundo nota publicada pela jornalista Mônica Bergamo, o assunto foi justamente a investigação contra Temer no STF – o que reforça a tese explicitada pelo senador Romero Jucá de que o golpe de 2016 foi "com Supremo, com tudo".

Janot critica encontro entre Cármen e Temer: convescotes

Até o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot criticou, no Twitter, o encontro fora da agenda neste sábado entre a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, com Michel Temer, que é investigado no Supremo.

"Causa perplexidade que assuntos republicanos de tamanha importância sejam tratados em convescotes matutinos ou vespertinos", postou Janot.



Boulos promete plebiscito para revogar atos de Temer como primeira medida


Logo após ser escolhido pela maioria dos delegados do Psol, Guilherme Boulos, que tem Sonia Guajajara como vice, revelou que quer dar a chance do povo brasileiro de revogar ou manter as medidas tomadas pelo golpe, mencionando o teto de gastos públicos e a reforma trabalhista.

"Nem sequer a ditadura militar, em 21 anos, mexeu na CLT. Não há no mundo precedente como a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos sociais por 20 anos.

Nem os maiores 'apologetas' do neoliberalismo fizeram isso. Nem Margareth Thatcher, nem (Augusto) Pinochet, nem Carlos Menem, nem Fujimori, ninguém ousou algo tão drástico, grave e brutal como foi feito com essa emenda", afirmou.

Cármen traz golpe "com Supremo, com tudo"


O teólogo Leonardo Boff afirma que a relutância da ministra Cármen Lúcia em pautar a questão das prisões em segunda instância confirma que o golpe de 2016 é, como disse o senador Romero Jucá (MDB-RR), um "golpe com Supremo, com tudo".

"Está se realizando o que o incorruptível Jucá propôs: "um acordão com o STF e tudo".Os juizes, parecidos com aqueles da Alemanha daquele tempo sombrio, entraram no acordão. As demonstrações são claras.E a cristianíssima Carmen Lúcia nem pensa em colocar na pauta o h.corpus de Lula", afirma.

Ontem, Cármen Lúcia se reuniu, fora da agenda, com Michel Temer, já denunciado como corrupto e chefe de quadrilha, além de investigado por propinas no setor portuário.