sábado, 10 de março de 2018

'Se Lula for preso, caminho será pedir habeas corpus no STJ', diz Sepúlveda

Ex-presidente do STF, advogado do ex-presidente promete enfrentar decisão que condenou petista

Folha, 10.mar.2018 às 2h00

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, o advogado Sepúlveda Pertence, 80, diz que, no caso de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrará imediatamente com pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Pertence recebeu a Folha em seu escritório em Brasília para falar da estratégia de defesa do petista.

O ex-ministro do STF e advogado do ex-presidente Lula, Sepúlveda Pertence, em seu escritório em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

Ele afirma que também ingressará com recursos para rever a sua condenação pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex.

A prisão pode ocorrer nas próximas semanas após o julgamento dos últimos recursos na segunda instância.

Pertence diz que está trabalhando de graça para o ex-presidente. 

Folha - Supondo que o ex-presidente seja preso nas próximas semanas, o que vai ser feito imediatamente a isso?
Sepúlveda Pertence - Ora, quando se é preso, o que você faz? O primeiro caminho constitucional é o habeas corpus. Se alguém for preso, o caminho, não é único, mas o mais expedito, é o HC, independentemente de recurso extraordinário ou recurso especial contra o acórdão do TRF-4. E vamos enfrentar os aspectos materiais da decisão do TRF: concurso material, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Esse HC (pós-prisão) é no STJ?
É. Independentemente de recurso extraordinário ou recurso especial contra o próprio acórdão do TRF.

Que avaliação o sr. faz do julgamento do habeas corpus preventivo negado pelo STJ?
Poderia o STJ avançar e recuperar a força do princípio constitucional da presunção de inocência ou da não culpabilidade, mas optou por posição conservadora. O Supremo não tornou compulsória a execução provisória da pena, apenas possibilitou que fosse determinada. É notório que a matéria hoje divide o tribunal. Prisão de alguém antes do trânsito em julgado, a meu ver, só se justifica pelos motivos similares aos da prisão preventiva. O juiz Sergio Moro, que Deus o tenha, determinou a não execução. No final de sua sentença [sobre Lula], confere a possibilidade de apelar em liberdade. 

Como o ex-presidente está lidando com isso tudo?
Falei rapidamente com ele ao telefone. Estava tranquilo. Disposto a lutar, esgotar todos os meios jurídicos.

O sr. conversou com os ministros antes do julgamento no STJ ou sobre o habeas corpus preventivo que está no STF?
Não. Por ter assumido a causa, recebi agressões idiotas. Uma revista afirma que, valendo-me do que chamam de relações melífluas, tinha acampado no STF para influenciar por decisão favorável pelo HC. É mentira. Nem ministros do STJ, nem do STF; tenho amigos nos dois tribunais, mas não relações melífluas. No caso do STJ, meus companheiros, como é absolutamente normal, procuraram ministro por ministro para entregar memorial. Não pude ir porque estava em casa [ele sofreu uma queda].

Sua nora é chefe de gabinete do ministro Fux. Ele se declarou suspeito no caso de André Esteves [Pertence também é advogado do banqueiro e Fux não participou de julgamento em dezembro]. Mas ele não diz se vai se declarar impedido em eventual julgamento de habeas corpus de Lula.
Problema do ministro. No meu escritório, se o caso já está distribuído ao ministro Fux, não aceitamos a causa. Quanto à posição do ministro Fux, não posso declarar nada.

Qual sua relação com a presidente do STF, Cármen Lúcia?
Embora tenha uma relação de amizade, jamais conversei com ela [sobre Lula]. E, se conversar, será nos termos de uma advocacia decente, levando memoriais, apresentando as razões. Ela já disse que somos primos, mas é brincadeira. Eu a conheci já uma jurista respeitada.

Circulou a informação que seus honorários giravam em R$ 50 milhões no caso do Lula.
De graça [honorários]. Estamos advogando também para o José Serra e o ex-presidente José Sarney e na criação da Rede, com Marina Silva. Tudo de graça. Só não para o Aécio Neves porque havia conflito. Presidenciáveis e ex-presidentes [trabalho] de graça.

Cármen Lúcia está sendo pressionada a pautar alguma ação que leve à rediscussão da prisão após condenação em segunda instância. Uma solução seria algum ministro levar em mesa um habeas corpus e provocar a discussão?
Não sei, faz tempo que deixei o Supremo. No meu tempo, julgamento de HC não dependia de decisão do presidente. Era, simplesmente, no jargão do tribunal, “posto em mesa”.

Cármen disse que julgar o tema por causa de Lula iria apequenar o Supremo.
Não se trata de caso Lula. É tese com fundamento constitucional sobre presunção de inocência e que interessa a todos os condenados. Para evidenciar a necessidade de o Supremo decidir a questão com efeito vinculante, basta dizer que há vários cidadãos que obtiveram, em termos liminares, HC para sustar a execução provisória da pena. Quatro juízes da segunda turma, quase sistematicamente, têm deferido liminar. A divisão do STF é patente e não favorece o tribunal.

Como o sr. e Lula se conheceram?
Há quase 40 anos eu estava em casa, conhecia-o pelos jornais. Abro a porta e recebo o doutor Sigmaringa Seixas, meu amigo de longa data, com Lula, para instar-me a participar de sua defesa no dia seguinte. Tenho relações com Lula, seja antes, durante ou depois da sua passagem pela Presidência. Uma relação de amizade. Quero falar de uma angústia da qual participo, que é com ambiente de intolerância que se tem estabelecido nesses tempos de punitivismo. Seja nas assembleias, na imprensa, na conversa de botequim. Isso é o maior risco para a democracia. Passei 20 anos batalhando contra o regime autoritário. Acredito que nem nas fases mais agudas tenha havido tanta intolerância.

Há caminho para Lula participar da eleição de 2018?
Quem sou eu para achar? Conforme o desenvolvimento do caso tríplex haverá mais ou menos obstáculos à candidatura. Mas nesse aspecto não estamos constituídos.

Mulheres entregam abaixo-assinado ao STF e exigem a anulação do Golpe

9 de Março de 2018


No dia Internacional da Mulher houve manifestações em todas as capitais.

Partidos, movimentos e coletivos deixaram seus recados. Igualdade de gênero, racismo, fim da violência, empoderamento do próprio corpo, direito de comandar, inclusão, reconhecimento da dupla jornada entre outros temas.

Como vivemos tempos de golpe, invariavelmente os gritos pediam “Fora Temer”, “Lula Presidente”.

Nós do Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment (MNAI) participamos dos protestos, evidentemente.

Ficamos confortáveis com os nossos gritos exigindo que o STF julgue o Mandado de Segurança, impetrado pela defesa da presidenta junto à corte. E, diante da injustiça cometida, dita não só por nós, mas também por inúmeros juristas, jornalistas e intelectuais, que se anule este golpe vigarista.

Por que confortáveis com um tema que, aos olhos de muitos, parece tão fora do contexto atual? Porque entre os vários ataques sofridos por Dilma um se destaca: a misoginia. E, sabemos, o ser misógino sente ódio à mulher, medo da mulher, tem preconceito contra a mulher e menospreza a capacidade da mulher.

Como a sociedade é machista os argumentos e piadas sexistas foram rapidamente assimiladas e aceitas pela população.

Michel Temer, desfilando sua ignorância, assumiu a presidência afirmando que governo sem marido, quebra, lembram-se? Dilma era divorciada, portanto, não havia um homem a conduzir seus passos. Pecado mor.

Faz quase um ano que o MNAI coleta assinaturas para mostrar ao STF que o povo deseja saber o posicionamento dos mininitros diante do golpe.

Bem, em Brasília, guerreiras protocolaram a entrega do abaixo-assinado. Os deputados federais Maria do Rosário e Paulo Pimenta, ambos do PT, apoiaram o ato.

Em São Paulo, o protesto foi em frente ao Fórum Pedro Lessa, Av Paulista. Fizemos uma “performance” recordando a sessão “Ipi-ipi-hurra” do congresso que derrubou Dilma. E, depois, pessoas usando máscaras, representando os 11 ministros do supremo , entraram no palco dando as costas para a presidenta. Encerramos o evento com um jogral dito por todos os participantes.

Em Porto Alegre a manifestação foi em frente à sede do governo. Com discurso emocionante a companheira do MNAI recordou os desmandos, a “sangria”, o golpe e o desprezo para com o povo brasileiro e especialmente com as mulheres.

A luta está na rua. E dela não podemos sair. Não vamos deixar que o golpe se naturalize. Vamos nos apoderar da narrativa. Os canalhas não descansam, não podemos descansar.

Militares silenciam diante do entreguismo do governo Temer

Eles também não são entreguistas?

"Nunca se viu nenhuma manifestação de militares das três armas sobre as privatizações de nossas estatais, nem mesmo quando FHC vendeu, a preços de banana, a Vale do Rio Doce, o que significou privatizar o subsolo brasileiro", critica o jornalista Ribamar Fonseca.

"E ainda agora, com a farra entreguista do governo Temer, sobretudo com a venda da Embraer, uma empresa de importância estratégica para a soberania do Brasil, as Forças Armadas continuam em silêncio, o que pode ser interpretado como uma aprovação tácita das ações entreguistas do presidente golpista", destaca o colunista.

Dilma sobre Belo Monte: Delatores terão de mostrar provas


Em nota, a presidente deposta pelo golpe, Dilma Rousseff, rebate reportagem publicada na Folha que aponta que delatores a acusaram de atuar na fraude das obras de Belo Monte.

"É descabida e absolutamente fantasiosa a versão dos delatores Emílio Odebrecht e Otávio Azevedo de que Dilma Rousseff seria a cabeça de um esquema de fraudes dentro do governo para beneficiar empreiteiras responsáveis pelas obras de Belo Monte. Os dois delatores mentem", diz o texto.

"Os delatores terão de fazer mais do que 'apontar o dedo' para Dilma Rousseff. Ambos terão de mostrar as provas do envolvimento direto dela em quaisquer irregularidades em disputas", reforça a nota.

Constatação

Quem perdeu, cara-pálida?


"Muita gente diz que a esquerda perdeu e está perdendo. Eu pergunto: perdendo no quê?", questiona o linguista e colunista do 247 Gustavo Conde.

"Nós estamos dando uma surra no golpe, na direita e em todo o campo dos partidos golpistas. 96% da população rejeita Temer. Lula tem de 55% a 60% de intenção de votos válidos em qualquer instituto de pesquisa. O PSDB é o partido mais rejeitado do Brasil. A Rede Globo é a emissora de TV mais odiada do país. Alckmin não sai dos magros 6% de intenção de voto para presidente. Meirelles tem 1%. Huck enfiou a sua viola desafinada no saco. Sergio Moro chafurda na lama da impopularidade. Quem está perdendo, cara-pálida?"

Parente terá que explicar por que desemprega no Sul e contrata na China


O deputado Marco Maia (PT-RS) solicitou ontem (8) à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investiguem o cancelamento unilateral pela Petrobras do contrato de construção e montagem de duas plataformas petrolíferas, a P-71 e a P-72. As estruturas estavam praticamente prontas no Polo Naval de Rio Grande (RS), e agora estão sendo vendidas como sucata para a metalúrgica Gerdau.

Paralelamente, Pedro Parente decidiu contratar plataformas na China.

PT lança pré-candidatura de Paulo Rocha ao governo do Pará


O PT-Pará, na noite da sexta-feira, 9, no auditório do Sindicato dos Bancários, em Belém, realizou o evento de lançamento das pré-candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente, Paulo Rocha, governador e Zé Geraldo, senador, às eleições de outubro deste ano.

"Vamos fazer o enfrentamento contra os golpistas que traíram os trabalhadores e contra aqueles que aumentaram a desigualdade regional no Pará", avisou Rocha.

China, ao contrário do Brasil, tem projeto de desenvolvimento


Ao menos uma lição o Brasil tem a aprender com a brilhante trajetória econômica da China: “Os chineses têm um projeto nacional, um projeto de desenvolvimento, de industrialização, exatamente o que a gente não tem. A China de hoje é o resultado de decisões políticas, de planejamento, da decisão de crescer, de expandir e de distribuir a renda. É isso o que está faltando para o Brasil".

Esse ponto de vista sintetiza o enfoque adotado pela economista Valéria Ribeiro, professora no Bacharelado em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), entrevistada no programa Geopolítica, da TV247, que vai ao ar semanalmente pela internet.

Lula lança livro e diz que a verdade vencerá


Às vésperas do desfecho de uma guerra jurídica sem precedentes, chega às livrarias o livro "A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam", do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O lançamento ocorre no dia 16 deste mês, enquanto o país aguarda a decisão do Poder Judiciário sobre sua prisão em decorrência da perseguição movida pela operação Lava Jato.

O coração da obra são as 124 páginas, de um total de 216, que apresentam um retrato fiel do ex-presidente no presente contexto em formato de uma longa entrevista concedida aos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, ao professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e à editora Ivana Jinkings, fundadora e diretora da editora Boitempo.