terça-feira, 27 de junho de 2017

Temer mente ao dizer que ex-procurador teria que cumprir quarentena


Ao lançar suspeitas sobre o ex-procurador da Procuradoria Geral da República (PGR) Marcelo Miller, que deixou o órgão para trabalhar num escritório de advocacia que presta serviço para JBS, Michel Temer disse que ele Miller deveria ter passado por quarentena.

"E vocês sabem que quem deixa a procuradoria tem uma quarentena, se não me engano de dois ou três meses. Não houve quarentena nenhuma. E o cidadão saiu e já foi trabalhar para essa empresa", disse Temer no pronunciamento.

A informação, no entanto, é falsa; o decreto nº 4.187, de 8 de abril de 2002, que dispõe sobre o impedimento de autoridades exercerem atividades ou prestarem serviços após a exoneração do cargo que ocupavam é clara em excluir os membros do MP da necessidade de quarentena.

Janot contesta Temer e diz que há 'fartos elementos de prova'


Em nora divulgada no final desta tarde, a Procuradoria-Geral da República contestou as afirmações de Michel Temer, que em pronunciamento disse que a denúncia contra ele por corrupção passiva é fruto de "ilações".

PGR afirmou que a denúncia contra Temer está ancorada em "fartos elementos de prova", como laudos da Polícia Federal, relatórios circunstanciados, registro de voos, contratos, depoimentos, gravações ambientais, imagens, vídeos, certidões, "entre outros documentos, que não deixam dúvida quanto à materialidade e a autoria do crime de corrupção passiva".

Temer apela e insinua que Janot levou dinheiro da JBS

Em pronunciamento feito à imprensa nesta tarde, Michel Temer partiu para o ataque contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autor da denúncia de corrupção passiva contra ele, insinuando que o chefe do Ministério Público teria recebido dinheiro da JBS por meio de um ex-procurador, Marcelo Miller, que teria ganhado "milhões em poucos meses" ao "abandonar o Ministério Público" e ir trabalhar numa "empresa que faz delações".

Segundo Temer, o documento "é uma peça de ficção", uma "denúncia frágil", baseada em uma delação de alguém movido pelo "desespero de se safar da cadeia", em referência a "Joesley e seus capangas".

Temer criticou ainda o fatiamento da denúncia: querem "provocar fatos semanais contra o governo".

No auge do cinismo, Temer disse que está "recolocando o país nos trilhos", por isso tem sido "vítima dessa infâmia"; "Não sei como Deus me colocou aqui", disparou.

Temer expõe o Brasil a vergonha mundial


Agências internacionais e dezenas de veículos de diversos países, como Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra e Argentina repercutem deste ontem a denúncia por corrupção apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal.

Todas as agências internacionais noticiam e destacam que é a primeira vez que um chefe de Estado do Brasil é denunciado por corrupção no exercício do mandato.

A palavra-chave na cobertura do dia é corrupção, que permeia todos os títulos das reportagens.

TRF-4 reverte decisão de Moro e inocenta Vaccari


Por maioria do colegiado, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) absolveu nesta terça-feira, 27, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por suposto recolhimento de propinas em contratos da Petrobrás com a Sete Brasil.

Ao contestar a sentença do juiz Sérgio Moro, o TRF-4 destacou que uma condenação não pode ser baseada apenas em depoimento de delatores.

Memória: Queimando a língua com as pesquisas


Viomundo, 20 de abril de 2010 às 04h40

Hugo Chávez levou dois tiros da turma do Penn, Schoen & Berland e sobreviveu

AS PESQUISAS: QUE USO PODE SER FEITO DELAS?

publicado originalmente em 26/10/2008

por Luiz Carlos Azenha

As pesquisas são uma fotografia de um determinado momento da campanha eleitoral. Não merecem 100% de confiança. Há muitos casos de uso das pesquisas para influenciar o eleitorado, além de erros grosseiros. Eu mesmo já narrei a seguinte história no site:


Na minha carreira de jornalista, já vi erros aflitivos. Em 1985, como repórter da TV Manchete, fui para a sede da Folha de S. Paulo, na Barão de Limeira, para transmitir a apuração das eleições municipais em que se enfrentavam Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros.

A TV Globo era acusada por Jânio de trabalhar abertamente em favor de FHC. Na TV Manchete tínhamos liberdade de colocar qualquer bobagem no ar, inclusive as ditas por Jânio. Uma pesquisa não-científica da Rádio Jovem Pan, baseada em entrevistas nas ruas, dava vitória de Jânio. Porém, as primeiras pesquisas de boca-de-urna do Datafolha davam vitória de FHC.

E eu enrolava o público, ao vivo, diante de resultados que não batiam com os da pesquisa de boca-de-urna do Datafolha. A certa altura, os números trombavam tanto que um diretor da TV Manchete me instruiu, por telefone: “Entrevista o diretor do Datafolha, peça para ele explicar.” Foi o que fiz. E ele: “É que a apuração começou primeiro em bairros onde Jânio é popular. À medida em que os votos forem chegando ao TRE, de outras regiões da cidade, nosso resultado vai se confirmar.”

O tempo passou. E nada da pesquisa do Datafolha bater com o resultado da contagem dos votos. Até que o diretor da TV Manchete, Pedro Jack Kapeller, ligou de novo: “Esquece o Datafolha. Dá o resultado da apuração que o Jânio vai ganhar.” Foi o que passei a fazer. Batata. Deu Jânio Quadros e ele reservou para a TV Manchete a primeira entrevista ao vivo, no estúdio da própria emissora, na rua Bruxelas, em São Paulo.

Não foi minha única experiência do gênero. Em 2004 eu estava no teto da sede da TV Globo em Nova York, no dia da eleição entre George W. Bush e John Kerry, pronto para entrar ao vivo no Jornal Nacional.

Foi quando recebemos ordem, vinda do Rio de Janeiro, para dar o resultado de uma pesquisa do instituto Zogby, indicando vitória de Kerry sobre Bush. Ficamos todos apreensivos, mas como era ordem vinda diretamente do Ali Kamel, não teve jeito. Ainda bem que em seguida, provavelmente sem saber dos bastidores do episódio, o repórter William Waack entrou ao vivo de Boston e disse que era preciso ter cuidado com as pesquisas.

Não deu outra: Bush venceu e eu arquei com as consequências de ter dado uma notícia desmentida pelos fatos.

Hoje, de novo, lá está o Zogby afirmando, segundo a FolhaOnline:

“As coisas estão pendendo de volta para McCain. Seus números estão aumentando e os de Obama estão caindo em uma base diária. Parece haver uma correlação direta entre isso (mudança nas pesquisas) e McCain falando sobre economia”, disse o pesquisador John Zogby.

O problema é que ele faz essa declaração montado em uma pesquisa em que foram ouvidos 1.203 eleitores, com margem de erro de 2,9%, que indica vantagem de Barack Obama sobre John McCain de meros 5%.

Se você consulta a pesquisa do instituto Rasmussen, feita com 3.000 eleitores e margem de erro de 2%, Obama tem 52% a 44%.

Faz 31 dias que o democrata tem entre 50% e 52% da preferência do eleitorado.

Além disso, não se pode descartar o que o próprio John Zogby disse em 2004, quando o republicano George W. Bush venceu o democrata John Kerry:

Bush perdeu essa eleição faz muito tempo.

De acordo com a previsão de Zogby, John Kerry teria 311 votos no Colégio Eleitoral, contra 213 de Bush.

Bush venceu por 286 a 251.

Houve má fé? Não dá para dizer que sim. Mas no caso de uma pesquisa da empresa Penn, Schoen & Berland, tudo indica que sim.

No referendo revogatório do presidente Hugo Chávez, em 2004, a empresa divulgou em Nova York, quando as urnas ainda estavam abertas na Venezuela, uma previsão de que Chávez perderia por 59 a 41%, ou seja, seria apeado do poder pelo voto popular.

A legislação venezuelana proibia a divulgação de pesquisas, mas a empresa burlou a lei divulgando-a nos Estados Unidos e disseminando o resultado pela internet, na Venezuela.

Chávez venceu por 59% a 41%.

Douglas Schoen atribuiu o resultado à “fraude maciça”, que é justamente o papel que se esperava dele em uma disputa marcada pela controvérsia: tirar a legitimidade do resultado. 

Em 2006, de novo, a empresa cometeu um erro grosseiro na Venezuela. Em 15 de novembro publicou uma pesquisa dizendo que Chávez tinha vantagem de 48% a 42% sobre o candidato de oposição Manuel Rosales. Dias antes da votação, Douglas Schoen disse que o resultado seria apertado.

Chávez venceu com quase 63% dos votos

A PBS teve contratos com o Departamento de Estado americano, o que talvez ajude explicar os “fenômenos” acima citados.

Meu ponto: é preciso ficar de olho na utilização que se faz de pesquisas eleitorais, especialmente em eleições apertadas. A manipulação da margem de erro muitas vezes justifica as previsões mais cabeludas.

PS do Viomundo: O texto foi escrito antes das eleições de 2008 nos Estados Unidos. Obama venceu com 52,9% dos votos, contra 45,7% de John McCain, desmentindo o Zogby.

PS2 do Viomundo: Tem gente que leva dinheiro para fazer pesquisa, tem gente que leva dinheiro para divulgar pesquisa. Ou a Penn, Schoen & Berland não tinha esquema para divulgar as pesquisas proibidas em território venezuelano? Independentemente dos resultados, estamos na fase da guerra psicológica da campanha de 2014, que trata de antecipar como certo um resultado duvidoso, desmoralizando e assim enfraquecendo a militância adversária. O Ibope fez boca-de-urna na manhã da votação, no Rio Grande do Sul, e disse que Ivo Sartori (PMDB) teria 29% dos votos válidos; ele teve 40%! Precisa dizer mais alguma coisa?

Jogada esperta dos irmãos Marinho cacifa Globo para influir na escolha de 2018

Quem tem condição de enfrentá-los?

Viomundo, 26 de junho de 2017 às 23h28

por Luiz Carlos Azenha

A blogosfera se especializou em fazer pouco caso dos herdeiros de Roberto Marinho, mas pode tomar um troco monumental na temporada de 2018.

Os irmãos cacifaram Moro, a Força Tarefa da Lava Jato, o MPF, a PGR e a Polícia Federal em busca, talvez, de anistia para seus próprios crimes.

O nome da neta favorita de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, figura em documentos apreendidos pela Lava Jato no escritório da Mossack & Fonseca no Conjunto Nacional, em São Paulo.

A empresa panamenha foi descrita — ironicamente, aos olhos de hoje — pelo jornal O Globo como “a serviço de ditadores e delatores”. Também servia à família Marinho.

O nome de Paula aparece associado ao pagamento de taxas de manutenção anuais de três offshore — Vaincre LLC, A Plus Holdings e Juste, respectivamente baseadas em Nevada, Estados Unidos, Panamá e nas ilhas Seychelles.

Na verdade são empresas fantasmas destinadas a sonegar impostos, ocultar patrimônio e transferir valores fora do radar das autoridades do fisco.

Os Marinho tentaram empurrar o negócio para o colo do ex-marido de Paula, Alexandre Chiappetta de Azevedo, mas o Viomundo testa uma hipótese: os negócios de Alexandre no Rio são suficientemente grandes para justificar três offshore com o nível de blindagem das acima citadas? [Além de esconder o dono, escondem o nome do administrador através de uma empresa laranja].

Como diria nosso colega Amaury Ribeiro Jr., usando o jargão das contas-ônibus dos doleiros — contas destinadas a carregar grandes quantidades de dinheiro entre sua origem e os refúgios fiscais, ida-de-volta — será que não é ônibus demais para os poucos passageiros de Alexandre?

A quem verdadeiramente serve a frota?

Aparentemente, os Marinho já conseguiram enterrar a pergunta, da mesma forma que escaparam até agora de punição criminal por comprovada sonegação de impostos — com furto do processo e tudo — e de todos os outros questionamentos relativos aos escândalos da CBF e da FIFA.

Será possível a existência de um quid-pro-quo entre os irmãos Marinho e os meritocratas da Lava Jato e adjacências? Uma compra de silêncio nos moldes da máfia?

Com a retaguarda devidamente protegida, os três irmãos e seus capatazes podem se dedicar ao que realmente interessa: reposicionar a Globo para 2018 e além.

O essencial é manter, em relação aos governantes de todas as esferas, a capacidade de extrair favores: levar Lula à bancada do Jornal Nacional, Dilma a fazer omeletes na Ana Maria Braga e, num famoso episódio de bastidores, contar até mesmo com o “revolucionário” José Dirceu.

Conta o senador Roberto Requião, nunca desmentido, que Dirceu desdenhou a TV pública do Paraná, que Requião enquanto governador do Estado transformou numa trincheira da esquerda. Instado a repetir a experiência em âmbito nacional, Dirceu teria respondido: já temos a nossa TV, é a Globo.

O Brasil vive, agora, uma conjuntura política extremamente fluida, especialmente pela capacidade de produzir denúncias do polo Globo e satélites.

Foi coincidência: Moro condenou o ex-ministro Antonio Palocci — um homem-chave dos governos Lula e Dilma — a 12 anos de prisão, a PGR denunciou Michel Temer e Moro, nas próximas horas, condenará Lula a uma extensa pena apesar da precariedade das provas.

É quando os Marinho crescem: na terra arrasada da antipolítica.

Em todas as pesquisas disponíveis os brancos e nulos derrotam Lula.

É por isso que a Globo trabalha por uma candidatura “tecnocrática”, pós-povo, que paire sobre os partidos existentes.

Quanto mais fracos os partidos, mais forte a Globo. A própria sobrevivência do monopólio depende de um governo suficientemente débil para ‘acomodar’ os interesses dos Marinho.

É a incerteza quanto ao futuro que deixa a esquerda tão fraturada: os petistas jogam todas as cartas em Lula porque sabem que a sobrevivência dele está intimamente ligada à do partido.

Assim, o PT sai no lucro mesmo que perca a eleição de 2018 com uma votação significativa, garantindo bancadas na Câmara, no Senado e quem sabe um governador ou outro.

Tarso Genro, Chico Alencar e Guilherme Boulos vislumbram o espaço para um novo partido de esquerda, o PT versão 2020, mais descolado da base industrial do ABC que se desmilinguiu e mais ligado nos movimentos sociais da terra, moradia e salários.

Ciro Gomes tenta compor um frentão que vá do centro à esquerda, juntando no mesmo barco industriais frustrados com a degringolada do mercado interno e brizolistas.

Nos movimentos sociais, o casamento das políticas identitárias, profundamente enraizadas na academia — onde fornecem feudos, empregos e prestígio — com as redes sociais promove a política do menu: você escolhe o ambientalismo da Marina, o discurso LGBT da Marta e as propostas trabalhistas do Paulo Paim — desde que não contestem o capitalismo ultraliberal, megaturbinado pelas finanças.

É a única explicação, por exemplo, para o fato do financista George Soros apoiar a luta LGBT da filha de Raul Castro em Cuba.

Esperneie à vontade dentro dos parâmetros do “possível”. Empreste seu corpo ao teatro da contestação. Brilhe no Instagram, cause no Facebook: a sua causa é nossa mercadoria. O parâmetro do aceitável é nosso, brinque livremente até as bordas mas, o trespassing será punido como o de mil black blocks. Não existem classes sociais, existem mercados consumidores de política insatisfeitos quanto ao menu. Conceda aqui, mexa na barra e na largura, desde que não se conteste o modelo.

O Brasil é um país doente da importação de fórmulas prontas, à esquerda e à direita. Ao coxinha antenado em Miami corresponde o contestador de boutique, raso de História e informação e pleno de performance despida de sentido. Uns, tanto quanto outros, digerindo o que lhes é servido a partir das metrópoles.

Diante de tanta mediocridade, não é surpresa que a dos Marinho, turbinada por alguns bilhões de reais e a disciplina imposta pelo cardeal Ratzinger, ainda seja definidora.

Nassif: Xadrez de como a Globo tornou-se ameaça à soberania nacional


O jornalista Luis Nassif expõe detalhadamente como a Globo passou a ter tanto poder —e disposição— para interferir nos assuntos nacionais a ponto de se tornar uma ameaça à soberania nacional no Brasil.

"Claramente o monopólio de mídia torna-se uma ameaça real à soberania nacional. (...) bastou a cumplicidade de um juiz de 1a instância junto com procuradores e delegados de um estado interiorano – , a cooptação do maior grupo de mídia do país, e a organização, via redes sociais, de movimentos de rua, para implodir o sistema político, proceder a uma queima irresponsável de ativos nacionais e impor uma agenda econômica sem negociação e sem aprovação da opinião pública", escreve.

Temer perguntou sobre Cunha a Joesley, mostra trecho recuperado de gravação


Peritos da Polícia Federal conseguiram recuperar trechos até então inaudíveis da gravação entre Joesley Batista e Michel Temer no subsolo do Palácio do Jaburu.

As partes inéditas mostram que o peemedebista perguntou ao empresário sobre Eduardo Cunha.

O áudio também revela que Temer alertou Joesley sobre obstrução à Justiça.

Após denunciar Temer, Janot pede união do MPF


Logo depois denunciar Michel Temer por corrupção, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escreveu uma carta dirigida aos membros do Ministério Público Federal em que pede a união da instituição.

No documento, Janot classifica a Lava Jato como "o maior escândalo de corrupção do planeta" e destaca que não há pessoas acima da lei.

“Num regime democrático (…) ninguém está acima da lei ou fora de seu alcance, cuja transgressão requer o pleno funcionamento das instituições para buscar as devidas responsabilidades”.

Em março, ao enviar ao Supremo os pedidos de inquérito da delação da Odebrecht, Janot já havia divulgado uma carta semelhante aos procuradores.