sábado, 21 de janeiro de 2017

Almino Afonso ao 247: “Desejo que o país volte à normalidade institucional”


Um dos políticos mais importantes e com atuação decisiva na vida nacional em defesa da democracia, há mais de 60 anos, Almino Afonso critica a figura do impeachment, não só no caso de Dilma, mas também de Collor: "Eu acho que o impeachment não é a solução melhorar para superar crises políticas". 

Dos atuais ministros, faz restrições a Alexandre de Moraes: "Não sou um entusiasta dele". Embora não ataque Temer explicitamente, acha que "está nos faltando uma voz que diga ao país: o caminho é esse". 

"Eu acho que o Fernando Henrique poderia ser essa voz", diz. Mas Lula, não: "O Lula está com o nome altamente discutível". Nenhum dos postulantes à sucessão de Temer se enquadra nesse perfil: "Ainda não vejo candidato a presidente da República que o país precise"

São sinceras as lágrimas no enterro de Teori?


Repare bem na imagem e nos personagen. No canto esquerdo, Alexandre de Moraes, que sonha com a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal. No canto direito, José Serra, que foi delatado pela Odebrecht por ter recebido R$ 23 milhões na Suíça, em 2010. A seu lado, Eliseu Padilha, também delatado, que disse que o governo ganhou tempo com a morte de Teori, pois a homologação das delações irá demorar um pouco mais. No centro, Michel Temer, que também foi delatado por pedir R$ 10 milhões à empreiteira em pleno Palácio do Jaburu. 

Segundo pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, 83% dos brasileiros creem em atentado.

Quem vai resgatar os destroços da aeronave que matou Teori?


"É muito grave essa situação de um crime vitimando a pessoa mais importante da Operação Lava Jato, o ministro Teori Zavaski. O grave é a Aeronáutica chegar para recuperar os destroços da aeronave, com duas horas de atraso para, em seguida, abandonar a tarefa passando a responsabilidade para o hotel do dono do avião", diz o colunista Chico Vigilante.

"Toda essa situação é muito grave e a sociedade necessita exigir o resgate da aeronave. Penso que o STF e sua presidente, a ministra Carmen Lúcia, deveriam tomar providências para a retirada dos destroços e a continuidade das investigações. Porque, se uma equipe especializada não vai realizar o resgate, quem dirá a equipe de um hotel? Agora, sim, está cheirando a queima de arquivo".

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Boulos: morte de Teori tende a agravar crise política e social


Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, lembra que Teori Zavascki estava prestes a avaliar a homologação da megadelação da Odebrecht que promete implodir o governo Michel Temer e boa parte do sistema político brasileiro; segundo ele, a tendência é que Judiciário e Executivo entrem em conflito.

"São dois grupos disputando seus projetos de poder, um deles bastante conhecido, o outro nem tanto. Após a oficialização das delações, a sorte estará lançada. O resultado desta guerra definirá o futuro do governo Temer e da Lava Jato, quiçá até mesmo os destinos da envelhecida Nova República".

Testemunha relata fumaça branca na aeronave antes da queda


"Parecia a esquadrilha da fumaça", diz o barqueiro Célio de Araújo, que viu o avião onde estava o ministro do STF Teori Zavascki cair.

"Vi o avião baixando cada vez mais e avisei: 'Ele vai cair'. De repente ele soltou um bolo de fumaça branca, parecia a esquadrilha da fumaça. Passou por cima de nós, depois foi perdendo altitude, veio rodando pela direita, bateu com a asa direita na água e capotou", relatou.

Lula: se tem um partido que batalhou contra a corrupção foi o PT


Com um discurso emocionado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o 6º Congresso Nacional do PT, em São Paulo, reafirmando a força e o legado social do Partido dos Trabalhadores.

"2017 é o ano em que vou dedicar a reconstruir este partido e fazer as pessoas acreditarem que temos muito mais virtudes que defeitos", disse.

"Eu tenho muito orgulho da nossa história. Não existe nenhum partido no mundo como o PT, que deu dignidade para a esquerda brasileira", completou.

Lula desafiou os detratores que o acusam, sem provas, de corrupção e diz que o partido sempre foi exemplo nesses casos: "Se tem um partido que batalhou pelo combate à corrupção, esse partido se chama Partido dos Trabalhadores e eu tenho muito orgulho disso", disse ele.

Avanços sociais correm riscos sob Temer, dizem deputados americanos


Em carta ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sergio do Amaral, um grupo formado por 12 parlamentares norte-americanos do Partido Democrata diz que a agenda de Michel Temer para o Brasil está "comprometendo seriamente as realizações sociais e democráticas que se fizeram no Brasil desde o fim da ditadura militar em 1985".

"Ao invés de exacerbar a polarização no Brasil perseguindo adversários políticos nos níveis de liderança nacional e de base e de impor medidas políticas extremas contra aqueles que foram historicamente excluídos pelas elites, aqueles preocupados com o restabelecimento de instituições democráticas estáveis e uma economia sustentável devem reconhecer a sua tênue detenção sobre os poderes Executivo e Legislativo e agir para desenvolver uma agenda de unidade nacional", afirmam.

No pós-Teori, a questão ainda é Lula



"A glorificação póstuma de Teori Zavaski cumpre uma função política: criar um ambiente de chantagem sobre o Supremo, para impedir qualquer mudança de postura diante da pressão sem provas e sem limites de Sérgio Moro contra Lula", escreve Paulo Moreira Leite. 

Para o articulista, "quando se fala em garantir a continuidade da Lava Jato, o que se quer é garantir a continuidade das pressões para eliminar Lula da cena política". 

Quanto a Geddel, Jucá e mesmo Temer, afirma PML, "são cartas na manga, decisões convenientes ou não a cada momento. O essencial continua sendo Lula".

Após morte de Teori, Odebrecht teme destino da Lava Jato

Assim que souberam do acidente, dirigentes da empreiteira passaram a pesquisar a jurisprudência em torno da sucessão da relatoria


A morte do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), causou grande preocupação entre executivos e advogados da Odebrecht.
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Além do atraso na homologação dos acordos de delação premiada e leniência (delação da pessoa jurídica), que seria feita por Zavascki, relator da Java Jato, a empresa está apreensiva, por exemplo, com a possibilidade de um ministro nomeado pelo presidente Michel Temer ser o novo relator.

Assim que souberam do acidente que vitimou Teori, dirigentes da empreiteira passaram a pesquisar a jurisprudência em torno da sucessão de uma relatoria como essa.

Como aliados do governo Temer, incluindo o próprio presidente, são citados na delação, a Odebrecht teme que um relator nomeado pelo peemedebista possa intervir a favor do governo, chegando até a vetar a homologação.

Caso a homologação não aconteça, o acordo passa a não ter validade.

Em dezembro, a Odebrecht assinou acordos com a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa da Lava Jato Curitiba em que apresentou cerca de 900 fatos criminosos envolvendo nomes como o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco (PMDB-RJ), os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, tucanos como Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, e parlamentares, entre eles Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR).

A morte de Zavaski já afetou o andamento das negociações da Odebrecht, iniciadas em março de 2016.

Após a confirmação do acidente de avião, a PGR entrou em contato com a empreiteira e suspendeu as audiências de homologação com os 77 delatores que começariam na sexta-feira (20) e se estenderiam por uma semana.

Nessas audiências, os executivos confirmariam a um juiz auxiliar de Zavaski que fizeram colaborações por livre e espontânea vontade.

Essas reuniões seriam o último passo antes da homologação, que estava prevista para fevereiro. Havia a expectativa de que, neste período, Zavascki tornaria público o conteúdo delatado pela empreiteira.

Outra consequência da morte do ministro é o atraso do início do cumprimento de penas dos executivos da Odebrecht acertadas nos acordos de delação, que passam a vigorar depois da homologação feita pelo STF.

Herdeiro e ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, vai cumprir dez anos, sendo dois em meio em regime fechado - como está preso desde 2015, ele deve sair da cadeia dezembro.

A frente investigativa também perderá celeridade, pois é somente após a validação do acordo pelo juiz relator do caso que os investigadores poderão usar os depoimentos da Odebrecht para pedir a abertura de um inquérito contra os citados.

DELAÇÃO

Só na delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, o nome de Temer aparece 43 vezes.

O mesmo delator disse que o advogado José Yunes, amigo de Temer e, na época assessor presidencial, recebeu em seu escritório parte dos R$ 10 milhões de caixa dois repassados pela Odebrecht ao PMDB para a campanha de 2014.

Após a revelação, Yunes deixou o cargo de assessor presidencial, em dezembro do ano passado. Com informações da Folhapress.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Para delegado da Lava Jato, morte de Teori foi “acidente”. Isso mesmo, entre aspas


Um dos principais investigadores da Operação Lava Jato, o delegado federal Marcio Adriano Anselmo pediu a investigação "a fundo" da morte do ministro Teori Zavascki na véspera da homologação da colaboração premiada da Odebrecht.

"Esse 'acidente' deve ser investigado a fundo", escreveu em sua página no Facebook, destacando a palavra "acidente" entre aspas.