sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Brasil está sendo 'transformado num puteiro', diz geólogo que ajudou a descobrir pré-sal


O geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor da Petrobras, fez um desabafo apaixonado durante o seminário sobre o petróleo e o pré-sal promovido pelo Clube de Engenharia, no Rio.

Para Estrella, o Brasil está sendo transformado num “puteiro” do capitalismo financeiro internacional, perdendo a soberania da mesma forma que a China perdeu no século 19. Para ele o golpe foi o “mergulho no poço”.

Apavorado, Temer fez reunião de emergência


Em pânico com as reações ao depoimento de Marcelo Calero à Polícia Federal —em que o ex-ministro revela que Michel Temer também o pressionou na disputa com Geddel— o Planalto realizou uma reunião de emergência ontem à noite para tentar conter os estragos.

A situação deve se agravar ainda mais agora que se sabe que Calero gravou diálogos com Temer, Padilha e Geddel.

O governo avalia que a crise, antes restrita à questão do espigão em Salvador, já se tornou generalizada e ameaça o presidente; partidos de oposição já se articulam para pedir a abertura de um processo de impeachment e jornalistas também já deixam aberta essa possibilidade.

Parte da mídia que apoiou Temer na remoção de Dilma Rousseff do cargo começa a virar as costas para o peemedebista.

George Marques cobra vazamento de áudio de Calero


"Especialista em divulgar áudios impróprios, a dúvida em Brasília é quando Sérgio Moro irá divulgar os áudios entre Calero e Michel Temer", brinca o jornalista, nas redes sociais, em referência principalmente à divulgação das conversas entre Dilma Rousseff e Lula pelo juiz de Curitiba.

As gravações que Marcelo Calero teria feito de Temer, Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima, porém, se ocorreram, estariam com a Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, de Alexandre de Moraes.

Para porta voz da Presidência Temer que arbitrar conflitos entre a corrupção e a integridade

Fazer o papel de advogado do diabo é cruel demais

Um governo tem dois ministros: um corrupto e um honesto; no entanto, na visão do porta-voz Alexandre Parola, o papel de um presidente da República é "arbitrar conflitos" entre seus ministros – e não o de fazer a escolha óbvia pela integridade.

“O presidente buscou arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica da Advocacia-Geral da União, que tem competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública", disse Parola, na noite de ontem.

No entanto, a ministra Grace Mendonça, da AGU, rapidamente pulou fora desse rolo e disse que não tem qualquer solução mágica para o crime proposto por Geddel Vieira Lima a Marcelo Calero.

"As eventuais questões jurídicas relacionadas ao caso foram examinadas pela própria Procuradoria do Iphan, órgão competente para analisá-las", afirmou. Parola também deveria se demitir.

Geddel, o corrupto braço direito de Temer, se demite

E Temer, quando cairá?

Cai o articulador político de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, que usou seu cargo para tentar obter benefícios privados.

Geddel foi também um dos principais articuladores do golpe parlamentar de 2016, mas sua demissão não resolve os problemas de Temer, que também foi gravado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.

Insustentável no cargo, ele já teria a carta de demissão pronta e deve sair ainda nesta sexta-feira 25. Como também foi citado nas delações das empreiteiras, Geddel perderá o foro privilegiado.

Com 6 meses, governo Temer já parece velho

Folha/Fábio Zanini, 25/11/2016

Faça um teste, leitor: tente explicar em uma frase o que são pedaladas fiscais.

Agora, repita o exercício: resuma em poucas palavras o que envolve Michel Temer na controvérsia em torno do prédio embargado pelo Iphan. É bem mais fácil: o presidente se envolveu pessoalmente numa operação para liberar um empreendimento imobiliário privado que atende aos interesses de seu braço-direito, Geddel Vieira Lima.

A simplicidade do que está acontecendo é o que há de tão nocivo para Temer. Os indícios de uma conduta no mínimo bastante inapropriada abundam, e são de fácil compreensão para qualquer um.

O governo acaba de completar seis meses e já parece velho. A estratégia de conquistar legitimidade popular, com a retomada da economia e a estabilização política, rapidamente naufraga para um presidente que não tem a chancela do voto.

O escândalo do La Vue Ladeira da Barra fragiliza um governo que tem de deixar seu ambicioso programa de reformas em stand by para estancar uma crise inesperada.

Não é o único problema nesse front. Em poucas semanas, o país passará por um choque de instabilidade com a monstruosa delação premiada da Odebrecht.

Na Câmara, a manobra do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) para se reeleger em fevereiro, chancelada pelo Planalto apesar da vedação expressa em lei, arrisca-se a quebrar uma base aliada até aqui dada como inexpugnável. Temer, presidente da Casa três vezes, parece ter se esquecido que poucas coisas têm tanto potencial para desarrumar politicamente um governo quanto uma disputa descontrolada pelo comando da Câmara. É só perguntar a Lula sobre Severino Cavalcanti.

A economia, tábua de salvação deste governo desde seu início, não colabora. A retomada não veio, contrariando prognósticos de que uma equipe econômica respeitada bastaria para ressuscitar o PIB. A previsão de crescimento de 2017 acaba de ser rebaixada para modesto 1%. O desemprego não cederá antes do segundo semestre do ano que vem, na melhor das hipóteses.

Temer, subitamente, vê sua credibilidade desvalorizada pela desastrada intervenção num assunto paroquial em Salvador. Ao manter a qualquer custo Geddel na equipe, passa o recibo de que não entende o que mudou no país desde a glorificação da Lava Jato. Que dê apoio tácito a uma articulação de seus aliados no Congresso para anistiar caixa dois só agrava a percepção de descompasso com a realidade. Projetos ambiciosos como aprovar uma reforma da Previdência parecem, à luz de hoje, mais um pedaço desse delírio.

Se há uma lição a ser tirada da queda de Dilma Rousseff é que crise política e marasmo econômico são mortais quando vêm juntos. Escândalos em série, inabilidade política e o mau humor da população fazem lembrar os tristes estertores do mandato da petista. Um impeachment depois, nada de substancial parece ter mudado no comando do país.

Quanto mais o PT e a esquerda se divide, mais a direita cresce e mais o golpe avança

Enquanto o Campo majoritário articula a aprovação da emenda que aprovará a Anista ao Caixa 2, um grupo à esquerda discorda, o que pode provocar uma debandada do PT

A bancada petista rachou. O PT tem 58 deputados e o grupo majoritário – chamado Construindo um Novo Brasil (CNB) – é favorável à anistia ao caixa 2. Mas um grupo de 26 deputados divulgou um manifesto (leia aqui a íntegra) de repúdio à anistia.
Alguns petistas pediam a liberação de bancada. Os 26 que assinaram o documento contra a anistia são membros do Muda PT, união de grupos mais à esquerda dentro do partido. O dissenso pode ser a gota d’água para uma diáspora da legenda.
A vice-líder do partido na Câmara, deputada Maria do Rosário (RS), é de uma das correntes que integra o grupo Muda PT. Segundo ela, há um descontentamento desses 26 deputados com decisões internas.
“Não só a anistia ao caixa 2, mas muito tem acontecido no PT que deixa essa parte da bancada descontente e faz com que pense nisso [deixar a legenda]”, afirmou. “Mas ainda há muito a se perder [ao sair do PT]. O partido ainda tem uma base social forte”, disse.
Pelo menos, por enquanto é necessário que o PT não perca parlamentares, que consiga discutir e apresentar propostas de contraposição ao golpe e quem sabe até impedir algumas ações e medidas mais nefastas dos golpistas. 
Quanto mais o PT diminui menos respeitado ele será, o que implica no rolo compressor congressual  orientado e apoiado pelo Planalto.

Dividido pela anistia ao caixa 2, PT pode perder até metade da bancada

Grupo à esquerda não concorda com anistia e Campo Majoritário articula a aprovação da emenda

Uol/Fernando Rodrigues, 25/11/2016

Nem a convocação de congresso nacional do PT para 2017 pacificou a bancada

A bancada petista rachou. O PT tem 58 deputados e o grupo majoritário – chamado Construindo um Novo Brasil (CNB) – é favorável à anistia ao caixa 2. Mas um grupo de 26 deputados divulgou um manifesto (leia aqui a íntegra) de repúdio à anistia.

A votação do projeto das 10 medidas contra a corrupção foi adiada nesta 5ª feira (24.nov). Deputados de vários partidos articulavam a votação de uma emenda que anistiasse os crimes de caixa 2 realizados no passado. A maior parte era da base aliada ao governo de Michel Temer.

Alguns petistas pediam a liberação de bancada. Os 26 que assinaram o documento contra a anistia são membros do Muda PT, união de grupos mais à esquerda dentro do partido. O dissenso pode ser a gota d’água para uma diáspora da legenda.

A vice-líder do partido na Câmara, deputada Maria do Rosário (RS), é de uma das correntes que integra o grupo Muda PT. Segundo ela, há um descontentamento desses 26 deputados com decisões internas.

“Não só a anistia ao caixa 2, mas muito tem acontecido no PT que deixa essa parte da bancada descontente e faz com que pense nisso [deixar a legenda]”, afirmou. “Mas ainda há muito a se perder [ao sair do PT]. O partido ainda tem uma base social forte”, disse.

Caso esses 26 deputados deixem a legenda, a bancada ficará com 32 cadeiras. Seria o menor número desde 1986, há 30 anos, na 2ª eleição disputada pelo partido, quando elegeu 16 deputados.


Na 1ª eleição do ex-presidente Lula, o partido teve seu auge de eleitos: 91. Em 2006 e 2014, pleitos próximos a escândalos de corrupção envolvendo a legenda, a bancada teve queda: 83 e 69 deputados, respectivamente.

Desde as eleições de 2014, a bancada já perdeu 11 deputados. Somados aos 26 que ameaçam a debandada agora, poderia significar um encolhimento de mais da metade da bancada eleita em 2014.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Juízes que fazem política ameaçam a democracia, diz chefe da Unasul


Evitando se referir diretamente ao juiz Sérgio Moro, o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, criticou nesta quinta-feira, 24, a judicialização da política e afirma que juízes que estão fazendo "política sem responsabilidade" ameaçam a democracia.

"O que também me preocupa é que depois da judicialização da política vem a politização da Justiça. Ou seja, juízes fazendo política abertamente. Acho que cada país deve examinar suas situações e circunstâncias particulares, e tirar suas conclusões", afirmou Samper em entrevista à BBC Brasil.

Dilma: “Eu acho grave Jucá virar líder do governo”

Será que o Temer não sabe o quanto Jucá descaracteriza o seu governo?

Na entrevista exclusiva que concedeu ao 247, a presidente deposta Dilma Rousseff disse considerar "grave" que o senador Romero Jucá (PMDB-RR), pivô de um escândalo em que defendeu sua saída da presidência para "estancar a sangria" da Lava Jato, tenha sido nomeado por Michel Temer como líder do governo.

"Eu acho grave o senador Jucá transformar-se em líder do governo, porque ele foi gravado. Toda a preocupação dele era de que a investigação chegasse até ele. Então é impossível se supor que nesses seis meses ele mudou de posição. Ele não foi interrogado, ele foi gravado", disse.