terça-feira, 5 de julho de 2016

Tijolaço: juiz peita Toffoli e fecha o PT

A decisão não se deu sobre provas, mas sobre suposições

Fonte: Conversa Afiada, 05/07/2016

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, no Tijolaço:


O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo decretou o bloqueio de R$ 102,678 milhões do Partido dos Trabalhadores, do ex-ministro Paulo Bernardo e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por uma razão muito evidente.

Está “peitando” a decisão do ministro Dias Toffoli de mandar soltar, por habeas corpus, o ex-ministro Paulo Bernardo.

Avisou nos autos que o faria, “com a devida vênia”.

A decisão não se deu sobre provas, mas sobre suposições, as mesmas que levaram às prisões.

Nas sete páginas de sua ordem, Paulo Bueno usa 64 vezes a palavra “teria”, 18 vezes “seria” e mais quatro “receberia”. Em compensação, as palavras “depósito”, “comprovante” e “extrato” não são usadas uma única e mísera vez.

Por uma razão muito simples, não tem evidência de depósitos, aplicações e outros valores que pudessem ser oriundos do suposto desvio de recursos.

Que entra também no condicional: “superariam os cem milhões de reais”

Seria, em circunstâncias normais, decisão que cairia com um peteleco.

Até porque bloquear os recursos de um partido político, na prática, significa impedi-lo de funcionar e, portanto, de existir. É algo tão grave que só se pode fazer mediante evidências incontestáveis.

Mas há um evidente movimento político no Judiciário e no Ministério Público, ao ponto de promotores da Lava jato publicarem artigo debochando da decisão do STF.

Que não pode reclamar, já disse aqui.

Deu asa a cobras.

Lula pede suspeição de Moro para julgá-lo


A defesa do ex-presidente Lula protocolou, nesta terça-feira, pedido para que o juiz Sergio Moro se declare suspeito para julgá-lo.

Entre os motivos, os advogados apontam "arbitrariedades" como a condução coercitiva de Lula e o vazamento de conversas que deveriam ser protegidas por sigilo.

"A 'exceção de suspeição' também se baseia no fato de Moro, em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ter acusado doze vezes o ex-Presidente de atuar com 'o propósito de influenciar, intimidar ou obstruir a justiça'", diz a nota.

Por fim, os advogados Roberto Teixeira, Cristiano Martins e José Roberto Batochio afirmam que é direito de qualquer cidadão ser julgado por um juiz imparcial.

"O estrago deles em dois meses faz a gente temer"


A presidente Dilma recebeu nesta terça um grupo de juristas contra o impeachment no Palácio da Alvorada, onde discursou duro contra as medidas econômicas do "governo interino provisório e usurpador" de Michel Temer.

"O estrago deles em dois meses faz a gente temer por um tempo maior. Faz a gente ter um medo imenso. Porque você destrói as políticas", disse Dilma.

Segundo ela, a política "da austeridade pela austeridade", aplicada por Temer, vem dando errado. "Estão gastando no curto prazo para quem mais ganha no governo brasileiro", criticou.

"Eles pensam muito mais em se manter para executar o que querem. Daí porque a questão jurídica é muito importante. Porque para fazer isso, eles não têm o menor pudor", acrescentou a presidente, que agradeceu o apoio dos juristas nesse momento político.

Kátia Abreu: “Impeachment é obra do Sr. Eduardo Cunha”


Senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) saiu em defesa da presidente Dilma e disparou críticas contra o processo de impeachment no Twitter.

"Dilma não quebrou o país. E estão pegando pêlo em ovo sim. Castigar alguém por ações que foram praticados por todos os ex é preconceito", postou.

"Qual partido neste país não está envolvido em denúncias e delações?Muitos que hoje criticam Dilma eram seus ministros até 2 meses atrás", alfinetou.

Kátia destacou ter "convicção" de que está "do lado certo". "Ela não é corrupta", afirmou.

Temer veio para tirar os pobres do orçamento


O colunista do 247 Marcelo Zero destaca que "os governos do PT colocaram os pobres no orçamento" e que isso "deu certo, muito certo", mas que "o governo Temer/Cunha não engana ninguém. Ele não veio simplesmente para tirar Dilma Rousseff do poder. Ele veio para tirar os pobres do orçamento".

"O governo do golpe coloca a culpa na crise nos pobres. Com efeito, o governo golpista vê o investimento nos pobres como 'gasto'. Gasto excessivo e inútil. O ministro Meirelles já afirmou que o Brasil andou 'gastando muito' com Educação e Saúde. Parece piada, mas não é. É trágico", afirma.

Zero denuncia ainda que "o governo golpista não quer mexer no 'andar de cima'. Não tem interesse em combater a sonegação e a evasão fiscal. Não quer mexer nas contas suíças" e nem "deseja incluir os ricos na arrecadação".

MPF cobra devolução de R$ 1 mi de presidente do DEM


Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte ingressou nessa segunda-feira, 4, com uma ação civil pública contra o senador e presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), pedindo a devolução de cerca de R$ 1 milhão por acúmulo ilegal de rendimentos no Senado e pensão.

Segundo o MPF, além do salário de R$ 33.763 do Senado, Agripino tem direito, desde 1986, a uma pensão vitalícia especial por ter exercido o cargo de governador no Rio Grande do Norte, no valor de R$ 30.471,11.

Os dois rendimentos somam R$ 64.234,11, 90,2% a mais do teto constitucional para vencimentos, que atualmente é de R$ 33.763.

‘Dilma poderá voltar se assumir compromisso com plebiscito’


Senador Telmário Mota (PDT-RR) afirmou que os fatos desencadeados desde o afastamento só reforçaram que não há crime de responsabilidade da presidenta Dilma e que o impeachment se trata de um golpe.

"Sinto que vários senadores estão constrangidos, outros não estão satisfeitos e querem uma alternativa plausível para que possam encaminhar uma votação diferente daquela que foi feita no impeachment. Seria desastroso a aprovação do impeachment. Isso é um golpe que deram o nome de impeachment", disse Telmário em entrevista ao Portal Vermelho.

Temer tem estratégia inspirada em Maquiavel


O interino Michel Temer deixou claro que age como uma raposa política e segue os conselhos do pensador italiano Maquiavel, ao prometer "medidas impopulares a partir de um certo momento"; a lógica é clara: na interinidade, gastança e "pacotes de bondades"; após a eventual aprovação do impeachment, arrocho fiscal; o erro de Temer, no entanto, é abrir suas cartas, revelando ao público a lógica de sua ação política; para Fernando Brito, editor do Tijolaço, Temer deixou claro que comete um estelionato, gastando agora o que terá que gastar depois; "O Brasil é o único país do mundo onde a mídia aceita – quando não aplaude – um estelionato anunciado", diz ele.

‘Não há imputação que justifique afastamento de Dilma’, diz Unasul


Secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, defendeu "que a presidenta tenha o direito de legítima defesa" e afirmou que "não há uma imputação que razoavelmente possa levar a pensar hoje que se justifica sua desvinculação permanente do Poder Executivo".

Segundo ele, o resultado do impeachment afetará a região; "O Brasil é um ator muito poderoso na região, pesa muito, e seria ingênuo desconhecer que o que acontece no Brasil não vai, de alguma forma, afetar para o bem ou para o mal o que acontece na região. E isto não é uma exceção".

‘Não há razão para o Brasil ficar em um cantinho’, diz Celso Amorim


Ex-chanceler Celso Amorim afirmou que o Brasil não pode ficar "no cantinho" em matéria de política externa.

"Quando se fala que a política externa tinha que ser ativa e altiva, é porque não há razão para o Brasil ficar num cantinho, e nem havia razão para o Brasil se curvar diante de pressões externas", disse ele, durante evento do Instituto Lula em São Paulo.

Amorim disse também que atual chanceler, José Serra (PSDB-SP), faz política internacional pensando em "relação mesquinha de custo-benefício".