sábado, 4 de maio de 2013

Com a palavra, o dep. Dudimar Paxiúba

Para falar sobre o episódio das vaias de ontem na audiência pública, esclarecer pontos e desabafar



Cometi um erro de avaliação sobre o qual gostaria de me penitenciar.
Pensei que estivéssemos livres da sanha feroz e da cólera dos "coronéis de garimpos". Ledo engano. "A força da grana que ergue e destrói coisas belas" mais uma vez provou que está mais do que nunca em evidência. Subjuguei suas capacidades de reação e de domínio do status quo.

A estridente, sonora, ensurdecedora vaia direcionada a mim não me abalou e nem abalará, continuarei firme, inflexível e equilibrado na defesa dos "pontos" respeitante a garimpagem no Rio Tapajós que reputo como inegociáveis. Sou visceralmente contrário. E ponto. Embora respeitando os que assumam posição divergente.

Os apupos (ainda bem que limitados apenas à histeria verbal) não foram apenas decorrentes dessa “questão garimpeira”. Extravasou-se muitos desabafos político-partidários reprimidos. Uma derrota eleitoral custa cicatrizar. Já perdi muitas disputas eleitorais e sei bem como isso dói. E sente mais o prepotente e orgulhoso que não respeita a vontade da maioria.

Quero dividir as vaias com outros recursos naturais que não se restringem apenas ao ouro e diamante. Incluo como alvos também dessa fúria exasperada, os igarapés, nascentes, florestas, lagos encostas e principalmente o nosso Rio Tapajós.

Só há um consolo: não há mal que dure para sempre. Os políticos passam os “coronéis de garimpos” também.

Penso ter chamado atenção para um problema ambiental que reputo de extrema gravidade. Mas como em nome da malfadada "economia" quase tudo pode, esperemos pra ver no que vai dar tudo isso.

A responsabilidade de um cargo público eletivo vai além dos interesses localizados e pressões de grupos setorizados.

Recentemente, em reunião na sede do SINTEPP, fui aplaudido pelos pescadores quando defendi o Rio Tapajós. Ninguém registrou, não havia interesse.

É uma pena que alguns garimpeiros na verdadeira acepção conceitual do termo (por sinal poucos presentes no recinto da audiência pública) estejam sendo usados como massa de manobra. No semblante triste, cabisbaixo, olhar a esmo e ar cansado desses faiscadores vê-se, isso sim, a desesperança estampada no rosto de cada um. Enquanto isso os "coronéis de garimpos" se enfeitam com correntes e pulseiras reluzentes (parecidas com as que ornamentam nossos amigos pagodeiros) e roupas de grifes, desfilando em carrões top de linha.

Com raríssimas exceções, esses "coronéis de garimpos" (na audiência pública muito bem representados pelo senhor João DELUB) são exímios dribladores do fisco e de qualquer outro órgão de fiscalização. São, com raríssimas exceções, sonegadores de mão cheia.

Entretanto se arvoram em falar em nome de uma categoria profissional pela qual não têm sequer respeito algum. E certamente muitos dos membros dessa categoria de trabalhadores não entendiam o real motivo de suas presenças naquele ginásio. Em troca de uns poucos trocados transformam, num toque de mágica, esses pobres sofredores em massa de manobra.

Trocaria as vaias recebidas pelo tratamento respeitoso ao verdadeiro garimpeiro, que sempre terá o meu respeito, minha consideração e acima de tudo minha solidariedade. Esse pobre coitado precisa da atenção do Poder Público, menos quanto a legalização de garimpo, posto que sequer dispõe de recursos e meios para extrair o metal existente sob seus pés, e mais quanto a atenção no sentido do atendimento às suas necessidades básicas como saúde, alimentação, educação e moradia.

Se alguém nunca viu miséria e vida degradante que dá dó, por mais paradoxal que possa parecer, vá a um garimpo (dito tradicional) do vale do Tapajós. Você encontrará meia dúzia usufruindo de tudo e quase que a totalidade dos que ali habitam vivendo no mais completo desamparo.

Até o "símbolo" da época áurea da extração de ouro do Tapajós precisou da piedade cristã de uns poucos para ser retirado doente do garimpo onde reinou absoluto por quase duas décadas. Quem lembrou do Zé Arara acertou no alvo.

A corrida do ouro é uma febre terçã que não baixa nunca. Há mais de quatro décadas se vive, no chamado vale do Tapajós, nessa temperatura elevadíssima cujo o rastro é infinitamente de coisas ruins: doenças, prostituição, tráfico de drogas, dano ambiental, violência, contrabando, sonegação, miséria, etc... Apenas um seleto grupo tem-se beneficiado do martírio de muitos. Mas fazer o que? quanto mais fragilizado (física e mentalmente) fica o verdadeiro garimpeiro, torna-se cada vez mais presa fácil dos manipuladores "coronéis de garimpos".

Continuarei firme no propósito de lutar pelos reais direitos dos verdadeiros garimpeiros como fiz há pouco tempo, contribuindo com a aprovação, na comissão especial, do direito de aposentadoria ao garimpeiro. Isso mesmo, até agora esse verdadeiro garimpeiro se obriga a faltar com a verdade afirmando que trabalhara a vida toda como agricultor para obter o benefício previdenciário como trabalhador rural. E são milhares que já procederam desse modo.

Sabia disso seu João DELUB – “defensor dos garimpeiros”? Me engana que eu gosto.

Que fuja de mim o que se diz hipocrisia!

Um resistente abraço!

Dep. Dudimar Paxiúba

Fonte: Blog do J Parente, 04/05/13

A humildade, segundo Paulo Freire


Desabafo de um contribuinte

"Me tiram tudo à força e depois me chamam de contribuinte". 

(De um brasileiro que é obrigado a recolher impostos para os cofres federais)

Força Nacional também vai combater crimes ambientais

Despercebido, um decreto publicado em março no Diário Oficial da União alterou a criação da Força Nacional de Segurança, a pretexto de apoiar a fiscalização e “combater crimes ambientais”.

Mas a missão da “Companhia de Operações Ambientais” abre um perigoso precedente, segundo alerta o advogado João Rafael Diniz, da ONG Repórter Brasil. A inspiração autoritária do decreto atenta contra o princípio federativo.  (Fonte: Site do Cláudio Humberto, 04/05/13)
 
A meu ver, a presidenta está de olho nos crimes ambientais que estão ocorrendo na Amazônia e a Força Nacional, então, teria a competência legal de atuar nessas situações.

Em defesa do Deputado Dudimar Paxiúba

Deturparam o discurso do deputado Dudimar e disseminaram a versao errada. No Plenário, ele falou que era contra as super-dragas que estao destruindo o nosso belo e majestoso rio Tapajós. Esses criminosos não são garimpeiros, mas empresários com alto poder aquisitivo, sem compromisso com o meio ambiente ou sustentabilidade. Levam nosso ouro e danem-se os ambientalistas. Dudimar não foi e não é contra os garimpos e garimpeiros. O movimento promovido esconde interesse maior e as vaias foram devidamente ensaiadas. A quem interessa esse movimento ?
Ao deputado Federal Dudimar, meus votos de solidariedade e apreço. Que as vaias de ontem no Ginásio de Esportes, sirvam-lhe de incentivo para continuar defendendo a preservação da natureza. Não se acovarde e parta pra luta contra esses aventureiros. Deputado, sei que muitos itaitubenses estão do seu lado. Conte comgo!
Comentário de Evandro Fernandes de Souza na postagem de Luiz Henrique Macedo, na Face, 04/05/2013

Discutir é o melhor caminho!

A audiência pública sobre a questão garimpeira na região, acontecida no ginásio municipal, com sensação térmica de mais de 40 º, e com a acústica muito ruim, quase que não dando para entender os discursos, mostrou que temos que ter mais cuidado para organizar um evento dessa natureza.
 
O secretário de Meio-ambiente estadual, José Colares, disse que muita gente estava destorcendo os fatos. Os trabalhos vão continuar, com PC's, dragas e chupadeiras, só que com a proibição de fazê-los às margens do grande rio Tapajós e de seus afluentes. A extração no continente, no "sequeiro" está liberada. 
 
Então, entendo que o governo esteja mostrando o caminho, e não querendo que aconteça um caos social em nossa região. 
 
E o Dep. Fed. Dudimar Paxiúba novamente foi questionado e rejeitado publicamente. Estão usando-o como "bode espiatório". Ele, como nativo, e testemunha fiel da qualidade da água, quando criança e adolescente, preocupou-se com o ordenamento dos trabalhos, para que não seja decretada a morte de nossa maior identidade. Inclusive, parte de sua intelectualidade adquirida foi financiada por trabalhos em garimpo, nos anos 80, no Água Branca, de meu pai Truth, e que hoje está na 'berlinda".
 
Como ele pode querer acabar com uma atividade que já lhe foi de suprema utilidade? Portanto, que não usemos de hipocrisia e partamos para o chamado denominador comum, continuando com o principal segmento econômico, há décadas, do município de Itaituba e circunvizinhança. 
 
E viva o trabalhador!! Viva o GARIMPEIRO!!
 
Opinião de Luiz Henrique Macedo, no Face, 04/05/13

Motivo e momento


Quando eu estiver triste...


Verde que te quero verde!


O resultado final do Encontro sobre garimpagem no Tapajós

O secretário José Colares ouviu calado, uma enxurrada de críticas contra o governo do Estado, o qual ele representava na ocasião da audiência publica. Vinha bombardeio de todos os lados.

O presidente da Câmara de Itaituba, vereador Wescley Tomaz foi anunciado como o próximo orador a usar o microfone. Ele começou citando que o pai da prefeita Eliene Nunes foi garimpeiro. Em seguida disse que Itaituba pedia socorro ao governo do Estado.

Quando Wescley perguntou ao titular da SEMA, se ele vestiria a camisa da campanha pela legalização do garimpo, que muita gente estava usando no local, José Colares levantou-se rapidamente, tomando o microfone da mão do vereador.

Wescley ainda tentou pegar o microfone de volta, mas, o secretário estava visivelmente irritado e não soltou o equipamento por nada, indo até o fim, dizendo tudo que estava entalado em sua garganta.

"Eu não vim aqui para fazer proselitismo político. Eu já vim seis vezes a esta região desde que assumi. Estou aqui para conversar. Zé Geraldo, Puty e Raulien, se vocês aplaudirem o que está acontecendo, - referindo-se ao modo como continua sendo feita a garimpagem - vocês estarão apoiando quem comete esse crime" afirmou o secretário.

Ele continuou, dizendo que o Decreto 714/2013 não proíbe a garimpagem, e que não era governador, nem deputado algum quem estava dizendo, mas, ele. Disse que não vai liberar uma só draga no Rio Tapajós, se a cooperativa que representa os donos delas não cumprir todas as exigências.

Uma notícia que todos os presentes esperavam de ouvir foi dada pelo secretário José Colares: Trata-se da implantação de uma representação da SEMA em Itaituba, em condições de fazer o trabalho que se espera do órgão. Ele foi bastante aplaudido depois desse anúncio.

"O decreto não vai ser revogado, porque ele não proíbe a garimpagem.

Eu não sou maluco de mandar parar essa atividade vital para a economia desta região. Podem continuar nos baixões, nos grotões. Vamos fazer juntos a legalização da garimpagem.
Muitos aqui aproveitaram a oportunidade para, agora, se identificarem com os garimpeiros. Não adiante ficar com discursos demagógicos. Depois, os deputados voltarão para Belém e para Brasília e se esquecerão disso. Nós, que vamos ficar aqui é que temos discutir a maneira de regularizar a garimpagem", finalizou o secretário de meio Ambiente, José Colares.

Depois do discurso inflamado do titular da SEMA, foi anunciada a fala da prefeita Eliene Nunes, mas, pode-se dizer que a audiência pública já tinha praticamente acabado, depois que os garimpeiros ouviram parte do que queriam ouvir. 
 
Uma parte importante do discurso da prefeita foi quando ela se dirigiu ao secretário, pedindo que o município e o Estado discutam essa questão da garimpagem para que se encontre uma solução para esse impasse, antes que venha alguém de fora, referindo-se ao governo federal, e feche todos os garimpos de uma vez por todas, com a força da lei.
 
Neste sábado, a partir de nove horas, na Câmara, haverá uma reunião para discutir a Instrução Normativa que vai disciplinar a atividade garimpeira na área afetada pelo Decreto 714/2013. Será uma reunião na qual não caberão discursos bonitos, mas, sugestões e discussões técnicas.