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sábado, 17 de junho de 2017

Clementino, o herói anônimo do Brasil

São tantos Clementinos,
Mas somente ele perde um olho
Ao tiro do policial
E do Estado estressado.

Emprestado à luta por um Brasil igual,
O homem volta a seu lar,
No interior dos Goyazes,
Onde outros Goyazes também foram
[ mutilados.

Clementino está menos completo:
Parte de seu corpo foi arrancada por um
[ projetil displicente;
Parte de seus direitos,
Arrancada por um
[ projeto indecente;
Parte de seus sonhos,
De uma vida melhor a todos,
Arrancada
Por despostas que elegemos
A nos matar pouco-a-pouco,
Arrancando parte
Do sonho ou do corpo;
Nossas oportunidades
[ e de nossos filhos.
Seja como for,
Clementino é um herói anônimo
E merece nossa solidariedade.

Clementino perdeu um olho
No campo de batalha covarde,
Na luta incansável,
Por mais que a dor e a sensação
Seja de impotência
Diante dos representantes da Nação.

Foi no histórico dia 24 de maio,
Na sequência das lutas
E da Greve Geral de Abril.
Abriu uma fenda sem fim nesse
[ atual ridículo Brasil.
E abriu uma fenda na face
[ do nosso herói gentil.

Clementino,
Que enfrentava o Presidente Cretino,
E nos inspira jamais recuar
Dessa luta por um Brasil
Que nossos filhos possam se orgulhar.

É desse herói o simbólico bradar.
Não há o que Temer.
(Fora!)
Vencer e avançar,
Mesmo quando a carne treme;
Mesmo quando nos rasgam a face
E nos rasgam a Constituição.
[ Relegando-nos à opressão.

Clementino,
Somente digo-te duas causas:
Meu menino,
Franzino e indefeso,
Saberá de seu peso ao Brasil.
Sua importância diante da implicância
Dos malditos que elegemos ontem.
E esse guri,
A partir de teu ato heroico,
Votará melhor que eu
E lutará tão mais que eu
Por uma nova civilização,
Digna.
E ouviremos, enfim, uma única canção,
Justa.

A outra é:
Muito obrigado!
Homem de pé e de fé,
Obrigado – e me desculpe
Por sofrer tamanha violência por nós.
(Como Cristo!)
Ao perder parte de sua visão,
(Sinto muito!)
Devolveu a nossa,
Há tanto perdida
[ pelas mentiras da televisão;
[ pela dissimulação de nossos patrões;
[ pela hipocrisia dessa ou daquela instituição.

Força, guerreiro!
Que a vida,
Clementino,
Tenha a ti outro destino.
O da paz.
O da certeza que você
Veio fazer em Brasília
(Vencer!)
Ser para sempre o nosso herói.
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